Perfect Date

1 Encontro Perfeito


Notas iniciais
Boa leitura~!

- O que?! Você não sabe o que fazer em um primeiro encontro?! – essa foi a reação de Grandark ao saber do grande problema que me assola agora. Ajeito os óculos sobre meu nariz e concordo com a cabeça um pouco envergonhado, ele apenas bate a palma de sua mão direita sobre o rosto.

- Sim... Por isso estou aqui tentando pedir sua ajuda... – respondo baixo enquanto mexo minhas mãos na intenção de enganar a grande vergonha que estou sentindo. Olho para os lados para tentar me distrair, mas sempre acabo lembrando do rosto daquela pessoa... Minha nova namorada.

- Não acredito que meu companheiro está agindo assim por causa de uma coisa tão besta como essa... – ele fala para si, ainda não acreditando no pedido que fiz. Depois de alguns segundos pensativo, Grandark volta a me olhar incrédulo. Mesmo que ele estivesse na forma humana, isso de algum modo me deixava ainda mais constrangido, já que agora estávamos cara a cara. – Você agora não é o insurgente? Como não sabe o que fazer em um mísero encontro? – pergunta colocando as mãos em frente ao seu corpo, mostrando sua indignação.

- Eu sou... Mas eu quero que esse primeiro encontro com a Lin seja especial para ela, por isso não sei o que devo fazer para tudo sair perfeito! – retruco tentando encarar os olhos verdes de meu companheiro, o que não deu certo por causa dos óculos. – Me ajude Grandark, você é meu único parceiro com quem posso contar... – sussurro as últimas palavras, voltando meu olhar para o chão.

- Tsch... – Grandark dá um breve suspiro, colocando sua mão esquerda atrás da cabeça. – Por que eu tenho que passar por isso...? – sussurra alto o bastante para eu ouvir, mas antes mesmo que eu conseguisse dizer qualquer coisa, ele continua. – Está bem, eu ajudo. Não tenho escolhas se for para ajudar um companheiro, certo?

- Obrigado, Grandark – dou um pequeno sorriso no canto de meus lábios, ele apenas pigarreou e retirou a mão da cabeça. Por fim endireitou seu corpo e estufou seu peito preparado para me dar as dicas. – Para o encontro sair perfeito, você deve primeiro mudar essas roupas aí – ele aponta para o meu colete.

- Eh? Mas eu gosto dessas roupas, são legais... – comento, observando as minhas vestes tentando achar algo de estranho. – O problema não é isso! Elas não combinam com nada em um encontro, você quer que sua namorada passe vergonha do seu lado?! – Grandark pergunta bravo, me deixando um pouco assustado. Apenas nego com a cabeça, esperando a continuação da bronca. – Então trate logo de mudar de roupa e não se esqueça de tirar esses óculos!

- Ahn... Grandark... – tento chamar a atenção dele ainda um pouco recuado. – Eu acho que não terei tempo para isso... Vou encontrar com a Lin daqui a cinco minutos... – vou diminuindo o tom da voz, deixando-o com uma careta no rosto. Já estava preparado para o ataque explosivo que ele teria daqui a 3, 2, 1...

- Como assim daqui a cinco minutos?!! Você vem me pedir ajuda minutos antes do encontro?! Zero, você é um doido ou algo assim?! O que raios você tem nessa sua cabeça?!! – ele grita chamando a atenção de muitas pessoas, o que me deixou ainda mais constrangido. – Você pelo menos pegou um bloco para anotar as coisas, ne?! Pelo menos isso você tem que ter aí, seu cabeça oca!! – o ser esverdeado aponta seu dedo para mim como se estivesse me acusando, o que poderia ser uma verdade.

- Sim... – respondo rapidamente antes que ele resolvesse me bater, retiro do bolso de minha calça um pequeno bloco branco e uma caneta. – Pode falar, Grandark

- Não me dê ordens depois dessa! Apenas anote aí! Seja gentil, faça tudo que ela quer e mandar, leve-a para passear nos parques de diversões, lojas, sorveterias e o que tiver no caminho, em um lugar bonito dê um beijo nela e para finalizar, leve-a para um quarto! – ele disse as coisas tão rápido que quase não consegui anotar tudo, releio o que me foi dito e não entendo apenas uma parte. – Grandark, por que eu tenho que levá-la para um quarto?

- Argh! Você descobre isso no meio do caminho. Agora vai logo que ela vai ficar te esperando, saiba que não é bom deixar as garotas plantadas no local do encontro! – nem tive tempo de responder, Grandark me empurrou com força a ponto de eu quase cair de cara no chão. Como eu não obtive a resposta que queria para minha pergunta resolvo deixar quieto até a hora certa chegar. Começo a andar em direção a um parque, enquanto guardava o bloco e a caneta de volta no bolso.

A cada passo que dou em direção ao parque, meu coração acelera e sinto minhas bochechas ficarem quentes, a timidez excessiva que eu tinha volta com força total. Mas eu não deixaria ela me dominar novamente, naquela época eu era um recluso e era facilmente controlado por esse sentimento, agora estou diferente e mudei, apenas por causa daquela pessoa...

A garota que mudou totalmente a minha vida, a sacerdotisa que mesmo sabendo que eu era uma pessoa solitária e antissocial, veio falar comigo, ficou ao meu lado e me apoiou na luta contra meu maior inimigo, Duel. Nunca imaginei que novas emoções e sentimentos cresceriam dessa convivência, mas estou muito agradecido por ela ter me aguentado até agora, e, principalmente por ser minha nova namorada.

Imerso em pensamentos, acabo chegando ao local marcado para nos encontrarmos, por sorte ela não se encontrava por aqui, assim, eu dou uma última espiada em meu bloco com as dicas de Grandark. Devo pelo menos decorar os conselhos mais importantes: ser gentil, fazer tudo que ela quer e mandar, levá-la para um quarto. Certo, isso já entrou em minha cabeça, mas até agora não entendo o porquê de um quarto...

Em minha distração, sinto algo cutucar minhas costas. Viro rapidamente e meu olhar cai sobre uma pequena garota que agora mantinha um grande sorriso no rosto, fiquei vermelho na hora. Lá estava ela, a garota que acabou roubando meu coração, aquela que mesmo tendo os dois lados em conflito dentro de si me aceitou do modo que sou, Lin...

- Zero! Esperou muito? – ela me pergunta ainda sorrindo, colocando suas mãos atrás das costas. Discordo com a cabeça e começo a admirá-la, Lin estava com seu habitual cabelo preso, mas hoje havia uma rosa no lugar do prendedor que sempre usava. O vestido azul oliva realçava sua pele bronzeada, assim como as sapatilhas brancas. Na minha opinião, estava perfeita.

- V-você está bem bonita hoje, Lin... – falo bem constrangido, virando meu olhar para o lado. Percebo que o bloco com as dicas ainda estava em minha mão, não posso deixar que ela veja algo tão constrangedor, enfio ele de volta ao meu bolso sem que ela perceba.

- Obrigada, você também! – mesmo sabendo que estou vestido como sempre, ela diz isso com um sorriso no rosto. O que poderia me deixar mais feliz que isso? Acho que nada, só tendo ela ao meu lado que o resto não importa. – Então, podemos ir? – Lin pergunta enlaçando suas mãos em meu braço esquerdo, me surpreendendo no começo.

- Ah, sim... – respondo, começando a andar sem rumo com ela ao meu lado. O cheiro de seu perfume era doce e me deixava meio perdido naquela nova sensação. – Aonde você quer ir primeiro? – pergunto, já pensando nos possíveis lugares que poderíamos ir.

- Pode ser qualquer lugar, desde que seja com você! – Lin diz agarrando ainda mais meu braço, me deixando envergonhado. Certo, agora eu devo lembrar das dicas do Grandark, qual era a primeira opção mesmo...? Um parque de diversões? Acho melhor deixar isso para depois, não seria muito bom ficar cansado logo no começo do encontro... – Ah, Zero! Olha! – ela para por um momento apontando para uma loja toda decorada.

- O que é aquilo? – pergunto confuso, observando o lugar. – É uma doceria! Todo mundo diz que os bolos que vendem ali são muito bons, vamos lá experimentar alguns para ver se é verdade? – uma grande animação pode ser vista em seu delicado rosto, como recusar um pedido desses? Se eu não aceitasse, estaria contrariando as dicas que meu companheiro deu.

- Sim. Vamos então? – tento dar um sorriso, não estou acostumado com isso, mas faço para mostrar como me sinto em relação a ela. Nossos passos entram em sincronia à medida que nos aproximávamos do local, o cheiro doce já começava a adentrar minhas narinas.

- Mesa para dois? – um garçom aparece nos observando atentamente. Concordo e ele nos leva para o outro lado da doceria onde havia várias mesas bem decoradas, a paisagem é composta por vários arbustos, o que dava um ar mais natural ao lugar. – Sentem-se, por favor, e aqui está o cardápio – diz, entregando um pequeno panfleto para nós dois depois que sentamos.

- Huum, o que você vai pedir, Zero? – Lin pergunta toda feliz enquanto observa o cardápio. Dou uma olhada rápida nas opções, não havia nada ali que eu quisesse comer no momento, deixarei para uma próxima vez. – Acho que nada, e você? – volto a observá-la.

- Vou querer um bolo de morango e um suco de kiwi! – ela diz radiante, entregando de volta o panfleto para o garçom, faço o mesmo e volto a olhar seus lindos olhos azuis turquesa. – Tem certeza de que não vai pedir nada? – pergunta preocupada, fazendo minhas bochechas corarem.

- Sim, eu acabei comendo muito no almoço, obrigado por se preocupar comigo... – respondo baixo virando o rosto para o lado, olho o garçom se afastando com os pedidos. Como estava distraído, só percebi que Lin colocou sua mão sobre a minha quando senti algo quente se entrelaçar entre meus dedos. – Claro que vou me preocupar com você, bobinho. É o meu namorado. – suas maçãs do rosto estavam vermelhas.

Dou um sorriso, o maior que eu consigo dar para a garota em minha frente. O silêncio se propagou entre nós, mas não precisávamos de palavras para mostrar o quanto gostávamos um do outro, só nossas mãos entrelaçadas já podiam demonstrar tudo que sentíamos. Depois de alguns minutos o garçom volta com os pedidos, ele coloca na frente de Lin o bolo e o suco, mas o estranho foi a xícara com um líquido negro que deixou perto de mim.

- Cortesia da casa... – o rapaz diz virando em minha direção, apontando para o lado discretamente. Olho para o local e ao longe vi uma pessoa conhecida, seus cabelos verdes não tão discretos balançam com o vento, quando me vê ele faz um sinal com a mão e um grande sorriso meio malicioso no rosto. – “Grandark...” – penso com uma gota, ele me seguiu até aqui. – Se quiserem mais alguma coisa, é só me chamarem. Bom apetite. – o garçom diz saindo de perto de nossa mesa.

Eu conseguia ver o brilho nos olhos da Lin, ela olhava para o doce em sua frente com um garfo na mão direita pronta para tirar um pedaço do bolo. Enquanto ela realiza esse feitio, pego a xícara com o líquido negro em minha frente, se foi o Grandark que pagou para eu tomar, então eu deveria fazer isso. O cheiro da bebida é forte, coloco a borda da porcelana sobre meus lábios e tomo um pequeno gole já que está quente.

Tive vontade de jogar tudo para fora, o gosto amargo era horrível, quero saber o porquê de meu companheiro ter dado isso para beber. O pior de tudo foi que minha namorada viu minha reação, olhando para mim assustada. – Zero, você está bem? – ela dá uma pausa, seu olhar caindo sobre a bebida. – Será que... é a primeira vez que toma café...? – então o nome disso é café...

- Eu nunca bebi isso antes... É horrível – comento deixando a xícara novamente na mesa, fico com a língua para fora por causa do gosto amargo que não saía de minha boca. Lin apenas riu e pegou seu garfo, tirando um pedaço do bolo. – Aqui, diga “Ahh” – ela coloca a colher perto de meus lábios, sinto meu rosto ficar quente, mas aceito o pedaço abrindo minha boca. O gosto amargo deu lugar ao doce, o que me alivia rapidamente.

- Agora ficou melhor, certo? – pergunta sorrindo, eu concordo com a cabeça envergonhado. – Bem, que tal fazermos uma troca? Eu fico com o café e te dou meu suco no lugar – eu não sabia o que responder, deixar a garota que gosto com uma coisa ruim dessas? Não, essa não era a melhor escolha a fazer...

- Ahn, obrigado, mas não precisa fazer isso. Eu vou tomar o café – falo rapidamente pegando novamente a xícara. Ante que eu pudesse dar mais um gole desse troço ruim, Lin delicadamente coloca suas mãos sobre as minhas e retira a bebida de mim. – Deixe-me provar então – diz, levando o líquido aos lábios. Ao tomar um gole seus olhos demonstram surpresa, será que ela sentiu o gosto amargo?

- Ah, Zero... Está sem açúcar, por isso está amargo... – ela diz normalmente colocando a xícara na mesa, pegando um saquinho que estava em uma cesta em nossa frente e despejando seu conteúdo no café. – Acho que agora está melhor... – comenta tomando mais um gole novamente. – Aqui, quer experimentar agora? – pergunta com um sorriso, mesmo lembrando do gosto amargo eu aceito, vindo dela eu não recusaria nada. Com um pouco de receio levo novamente a xícara aos meus lábios e dou uma provada, para minha surpresa não estava amargo como antes, agora só sentia o odor e o sabor forte.

- É, está bem melhor... – falo envergonhado por não saber que faltava açúcar, ela apenas sorri e pega mais um pedaço de bolo colocando em minha frente. – Então como recompensa por eu ter colocado o açúcar, você me ajudará a comer o bolo de morango! – diz animada, encostando o pedaço do doce em minha boca.

E assim foi até terminarmos com o bolo e as bebidas, levantamos da mesa satisfeitos e fui pagar a conta, é o dever de um namorado, certo? Quando tudo estava pago, dei uma última olhada para trás onde Grandark estava sentado, não havia ninguém. Resolvi deixar isso de lado para me concentrar na pessoa em minha frente, Lin novamente se agarra em meu braço esquerdo e começa a me puxar para algum lugar. – Zero, vamos passar em um lugar?

Discordar dela? Nem pensar. – Ok – respondo rápido sendo guiado pela sacerdotisa, depois de alguns minutos andando chegamos a uma loja de roupas. Bem, eu sei que é normal um casal de namorados entrar em um lugar assim para comprarem vestimentas baseados na opinião um do outro, mas quando é a primeira vez, isso é estranho e constrangedor.

- Zero, vou provar alguns vestidos, pode me dizer se ficam bons ou não? – ela pergunta me olhando com um grande sorriso, eu apenas respondo com um sim e espero perto do provador. Senti vários olhares caindo sobre mim, meu rosto começava a ficar vermelho, mas tento não ligar, observando minhas mãos por detrás dos óculos.

Lin depois de um minuto abre as cortinas com um longo vestido branco cheio de babados, ela parecia um anjo. O meu anjo que me salvou da escuridão... – Ficou bom? – ela pergunta meio envergonhada, respondo novamente com um sim, fazendo-a sorrir. Ela entrou mais umas cinco vezes no provador com uma roupa diferente, todos ficaram bons nela, eu não podia negar.

- Zero, tem certeza que todos ficaram bons?

- Sim...

- O branco foi o mais bonito, não?

- Sim.

- Você acha que eu devo ficar com todos que provei?

- Sim.

- Zero, você vai tomar banho comigo?

- Si... – espera, o que eu escutei agora me assustou, o que ela quis dizer em tomar banho? Entrar junto com ela dentro de uma banheira...? Isso está errado, certo...? Minhas bochechas começaram a queimar. – O que?! – foram as únicas palavras que saíram da minha boca como resposta para a pergunta dela. Ela apenas mostrou a língua com um sorriso brincalhão no rosto. – Fiz isso porque você só concordava comigo, mas você parou bem na hora que falei algo diferente. – de algum modo senti um tom de decepção em sua voz, mas acho que foi apenas uma impressão.

O silêncio paira entre nós dois, vamos às caixas e pago tudo antes que ela pudesse retirar a carteira da pequena bolsa que trouxe consigo. Vi que ficou indignada com meu ato, mas eu acho que isso é o certo a fazer. – Zero, pode me fazer um favor? Gostaria que você comprasse um sorvete de morango para mim enquanto vejo essas joias aqui... – Lin diz apontando para alguns objetos brilhantes ao lado da saída.

- Hum, ok – falo baixo, eu sei que tinha algo por trás disso, mas ouvirei o Grandark, ou seja, fazer tudo que ela quiser. Saio da loja de roupas com as sacolas e por sorte acho um sorveteiro passando do outro lado da rua. Espero todos os carros pararem no semáforo e ando calmamente até o vendedor, mas antes que eu pudesse chamá-lo para comprar alguém puxa meu braço. – O que?!

- Zero! Não acreditei quando vi aquela careta que fez quando tomou café! Onde já se viu fazer isso na frente da namorada?! – eu nem precisei me virar para saber de quem se tratava, aquela voz já tinha revelado a pessoa que me puxou. – Você tinha que ter tomado tudo para mostrar que é homem e aguenta tomar café sem açúcar! – agora entendi o porquê de ele ter pagado aquela bebida forte e amarga para mim, eu não sei nem o que dizer...

- Da próxima vez me avise antes que está me seguindo, eu te disse que não sei como agir diante de um encontro – falo baixo ajeitando as sacolas em minha mão esquerda, quase esqueço do sorvete que Lin pediu para mim, viro na direção onde o sorveteiro estava seguindo e fico aliviado, ele atendia uma criança. – Vou comprar o sorvete da Lin – aviso, saindo de perto de meu companheiro.

- Espera! Zero, leve-a para o parque que tem aqui perto, dizem que lá é o lugar mais bonito para se ter o primeiro beijo. Irei te ajudar, mas tente fazer isso por si mesmo. – ele me avisa com um tom sério em sua voz, o que me deixou bem surpreso. – Agora vou indo antes que sua namorada me descubra, te vejo lá! – ele acena segundos antes de sair correndo. As vezes me surpreendo com a agilidade e o modo como Grandark faz as coisas, mas não reclamarei de nada, ele já está fazendo muita coisa para mim.

Vou até o sorveteiro e peço uma bola de morango, depois de pago eu me viro para ir novamente à loja, mas antes que eu conseguisse mover um pé para começar a andar, uma cabeça branca aparece na minha frente e rouba um pedaço do doce em minhas mãos.

- Morango! – ouço sua voz depois de engolir o sorvete, ela me deu um susto no começo, mas como minha reação não é tão exagerada consegui me manter de pé com a guloseima em mãos. Reparei que Lin tinha uma pequena sacola em sua mão direita, mas resolvi não perguntar. – Obrigada, Zero – diz com um sorriso no rosto pegando o sorvete de minhas mãos com delicadeza.

- De nada... – respondo com outro pequeno sorriso. Do nada sinto algo frio em meus lábios, ela colocou o sorvete na minha boca. – Aqui, Zero. Coma um pouco – faço o que ela pede e pego um pedaço daquela coisa gelada. Depois que termino de morder, a sacerdotisa pega um guardanapo e limpa minha bochecha direita. – Ah, está sujo aqui! – na hora sinto meu rosto ficar quente.

- L-Lin... Quero te mostrar um lugar, será que você pode vir comigo...? – pergunto meio receoso, virando meu olhar para o lado. Não obtive respostas, se bem que nem precisei de uma quando meus dedos se entrelaçaram com sua pequena mão. Ela ainda tomava o sorvete me dando algumas vezes para que eu a ajudasse, tudo estava ocorrendo bem.

O parque era realmente bonito como Grandark havia falado, o lago no centro do lugar parece brilhar com os raios de sol, as árvores de diferentes tamanhos e espécies estavam espalhadas por todos os cantos, eu e Lin ficamos perto da água em uma trilha onde não havia muita gente. – Zero, olha, tem peixes! – ela fala animada olhando para o pequeno grupo de cardume, eu não consegui me controlar, um sorriso apareceu no canto de meus lábios.

Eu tinha que fazer isso, aproveitar essa oportunidade para beijar minha namorada. Seria nosso primeiro beijo, eu quero que seja especial. Viro em sua direção e retiro meus óculos amarelos, nunca tinha feito isso antes, mas quero encará-la sem nada atrapalhando meus olhos mesmo que eu não gostasse deles. – Lin... – chamo baixo, fazendo-a olhar em minha direção.

Ela estava surpresa, deve ser por causa dos meus olhos, mas eu não me importo e começo a aproximar meu rosto ao seu vagarosamente, ela fechava seus olhos a cada centímetro que meus lábios diminuíam a distância entre nós. Faltava dois centímetros para que eu conseguisse realizar meu feitio, mas algo dá errado, alguém me empurra minhas costas com força.

Com o impulso proporcionado por esse empurrão, acabo caindo sobre minha querida namorada. Felizmente consegui apoiar minha mão esquerda cheia de sacolas no chão, fazendo com que meu peso não caísse sobre ela, mas o local onde minha mão direita apoiou me surpreendeu, era algo macio. – Ah! – ouço um gemido saindo dos lábios de Lin, assim percebi onde minha mão parou, no seio esquerdo dela...

- Ah!! – grito saindo rapidamente de cima dela, retirando minha mão do lugar macio. A sacerdotisa não disse nada nem me deu um tapa, apenas ficou vermelha como eu devo estar agora. – Desculpe... Desculpe... – falo desesperado, a vontade de cavar um buraco e me enfiar dentro dele era grande.

- T-Tudo bem, Zero. Foi um acidente... – ela diz totalmente envergonhada, quando tive coragem para voltar a encará-la, uma pequena mancha marrom se encontrava em sua face. Procuro um lenço em meus bolsos e retiro um rapidamente, limpando a sujeira. – Ah! Obrigada... – fala baixinho dando um sorriso sincero, colocando sua mão sobre a minha.

Mesmo que estivéssemos super envergonhados, ficamos sentados no gramado onde caímos apenas aproveitando o momento. Mas esse clima feliz foi cortado assim que Lin viu algo branco perto de onde eu estava sentado. – O que é isso? – pergunta, pegando objeto. Quando vi do que se tratava, eu congelei, era meu bloco com as dicas de Grandark. Não tive tempo para pegar de volta, ela lia o que eu escrevi e seus olhos se arregalavam. – “Já era...” – penso já sem forças.

- Zero... É por isso que você estava agindo tão diferente do normal...? – ela volta a olhar para mim, apontando para o bloco com minha letra. Eu não podia negar, era tudo verdade, concordo com a cabeça com um grande sentimento de culpa, nosso namoro está arruinado, tenho certeza disso... – Me desculpe Lin... Mesmo assim, obrigado por ser minha namorada por um dia... – falo já mostrando meu arrependimento.

- O que está falando? – pergunta surpresa, eu levanto meu olhar e vi que ela se aproximava, não consegui responder, meus lábios foram calados por um beijo, nosso primeiro beijo. Era algo diferente e acolhedor. – Quem disse que vou acabar com nosso namoro só por causa disso? Você só precisa ser você mesmo, isso é o que importa para mim. Não preciso de um encontro perfeito se você não age como sempre! – Lin aparenta estar irritada quando se separa de mim, fico sem palavras, é, ela é mesmo minha namorada. Só ela consegue me compreender mesmo que eu não conseguisse expressar bem meus sentimentos. – Quem te deu essas dicas? Foi o Grandark, ne?

- Como descobriu? – pergunto entre alguns risos baixos, ela apenas estufa o peito e dá um grande sorriso. – Só pode ser ele para dar dicas tão estranhas sobre um encontro perfeito desses – responde entre algumas risadas contagiantes, concordo e acompanho o clima. Ficamos assim por alguns minutos até que Lin do nada para de rir e me olha de canto, seu rosto corado. – E... Eu aceito ir para seu quarto, Zero... – diz baixinho me surpreendendo.

O que aconteceu depois disso? Nós fomos para minha casa com as compras e do jeito que estávamos, não passamos no parque de diversões, mas deixaríamos isso para o próximo encontro. É meio estranho levar uma garota para meu quarto, mas como era a Lin, eu acho que nãodeveria me importar muito...

Minha namorada estava ofegante, corada e com gotas de suor cortando seu delicado rosto. De algum modo ela ficou mais linda desse jeito. – Zero... Isso não é justo... – ela diz entre algumas respirações pesadas, eu não consigo me controlar, ela fica muito fofa assim. – Eu também quero ficar no topo... – comenta com algumas lágrimas.

- Lin... – falo seu nome fazendo ela me olhar nos olhos. – Você tem que se esforçar mais para ganhar de mim. – balanço o controle do wii em minhas mãos, isso a deixou ainda mais irritada a ponto de fazer um biquinho. – Não vale, Zero! Você já tem experiência com o jogo de tênis! – grita chegando perto de mim com os pulsos fechados, mas antes que pudesse me dar socos, ela tropeça em um controle que estava no chão, caindo sobre meu corpo.

- Opa... – falo segurando ela, dando um passo para trás. Para minha sorte, tinha a capa de um cd, o que me fez escorregar para trás, caindo de costas na cama com a Lin em cima de mim. – Isso não deu muito certo... – comento baixinho agora deitado, a sacerdotisa levanta seu rosto e me observa atentamente com seus olhos turquesas. – Zero... – ela fala segundos antes de me beijar.

- Nosso segundo beijo... – Lin fala com um tom de voz feliz, voltando a me beijar. Assim nós nos entregamos e eu finalmente entendi o que meu companheiro quis dizer sobre levá-la para um quarto, agora fazia todo o sentido. De hoje em diante eu aprendi uma lição, nunca ouvir os conselhos dados por Grandark, pois eu não preciso ser algo que não sou para ter um encontro perfeito, foi isso que minha namorada me ensinou...

-----

Em uma trilha meio deserta, um rapaz de cabelos esverdeados andava calmamente até que o silêncio presente no local é cortado com um espirro. – Será que peguei gripe...? – ele pergunta limpando o nariz com as costas da mão...

FIM

Notas finais
Fica a dica: Nunca ouça os conselhos e dicas do Grandark, podem não dar certo -q
obrigada por lerem e até uma próxima oneshot ou fanfic minha :3
mereço reviews? *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!