Perfect

1 Único


Notas iniciais
Olá pessoas! Uma One curtinha sobre Lucy Weasley, uma personagem que vejo muito pouco nas fics da Terceira Geração. Lucy Weasley como Holland Roden e Molly Weasley como Jane Levy. Espero que gostem, Bjoos!

Seu nome não era importante e seus cabelos ruivos eram a única parte bonita de sua aparência, ou pelo menos era isso o que ela achava. Afinal, quem olharia para ela enquanto sua irmã andasse ao seu lado? Quem repararia na frágil e sem graça Lucy Weasley ao invés da forte e independente Molly Weasley?

De longe ninguém nunca imaginaria que a doce lufana Lucy tinha inveja de sua irmã mais velha, a bela e inteligente corvina Molly, mas ela tinha. Aquela inveja que crescera com o passar dos anos e se apoderara de seu corpo e alma. Ela sempre odiara essa parte dela, mas era inevitável. Para Lucy, a perfeição poderia ser definida com apenas um nome: Molly Weasley. Ela se sentia culpada por ter tais sentimentos, ela e a irmã sempre tiveram uma ótima relação e a mais velha sempre estava ali, para ela e por ela.

Molly tinha diversos amigos ao seu redor e todos a adoravam, tinha as melhores notas e o melhor namorado, enquanto Lucy, por ser tímida, se contentava com Hugo, Louis e sua colega de quarto, Miranda como sua única fonte de contato.

Desde sempre seu pai admirara e vangloriara a primogênita. Molly entrou na corvinal e seu pai lhe deu uma coruja de presente. Dois anos depois lá estava ela com o chapéu seletor sob sua cabeça, rezando para que entrasse na Grifinória, quem sabe assim ele finalmente a notaria.

–Você é corajosa como uma grifana, mas doce e gentil como uma lufana. Lembre-se de que até os lufanos tem os mais profundos e perigosos sentimentos- alertou o chapéu aquele dia.

Lufa-Lufa não é ruim, pensou consigo aquele dia. Era definitivamente melhor do que a Sonserina, mas ela não ganhou presente algum, somente uma carta de seus pais, que ela sabia que sua mãe havia escrito, lhe dando os parabéns.

Molly estava no quarto ano quando entrou para o time de Quadribol. Diferente dela, Lucy não era nada atlética, mas assistiu a todos os treinos da irmã e a todos os campeonatos e jogos mesmo que não apreciasse o jogo. A Corvinal não ganhou a taça aquele ano, mas Molly capturou o pomo, com maestria, contra um jogo da Grifinória e isso foi o suficiente para que seu pai lhe desse uma nova vassoura de presente.

Lucy começou a achar que se treinasse conseguiria entrar para o time, e talvez assim, ele finalmente se orgulharia dela, mas tudo o que conseguiu foi um braço quebrado e uma torção no tornozelo, fora é claro, a carta repreensiva do pai e uma visita de sua mãe que ficara extremamente preocupada.

Era o quinto ano de Molly e o terceiro de Lucy quando a mais velha se tornou monitora e começara a namorar um rapaz de respeito: Lysander Scamander. Seu pai não poderia estar mais feliz, mandou diversas cartas para a filha sobre as responsabilidades de uma monitora e convidou o namorado da garota para um jantar de Natal especial. Naquele mesmo ano, Lucy se destacou do restante da turma na aula de feitiços e ganhou uma medalha ao mérito por prestar serviços a escola, mas tudo o que recebeu foi uma carta de sua mãe lhe parabenizando. O nome de seu pai estava na carta, mas ela sabia que ele nem havia lido o conteúdo da mesma. Naquele mesmo ano, Molly tirou as melhores notas em seus NOM’s e seu pai a levou para tomar sorvete na Londres Trouxa. Só os dois, como pai e filha, tudo o que Lucy poderia querer, mas sabia que nunca teria.

Era o sétimo ano da ruiva mais velha e o quinto da mais nova, essa já não sabia mais o que fazer para chamar a atenção do pai. Já havia tentado de tudo, dentre arranjar detenções para chamar a atenção, o que só lhe rendia berradores de seu pai no café da manhã, tentar- e falhar miseravelmente- efetuar um patrono, entrar para o time de Quadribol, o que também não conseguiu, arranjar um namorado, estes que nunca pareciam estar a altura do namorado perfeito de sua irmã, e se destacar nas matérias mais difíceis e prestigiadas de Hogwarts, o que ela efetuou com sucesso, mas isso já não era mais novidade já que Molly já havia feito isso e muito mais.

Lucy finalmente conseguiu algo que achava que seria do agrado de seu pai: o cargo de monitora. Não que ela fizesse questão, na verdade não fazia questão alguma já que não via a menor graça em tal cargo, mas isso não importava visto que seu pai ficaria orgulhoso. Infelizmente sua conquista foi apagada pela “promoção” de Molly, de monitora para monitora chefe. Novamente seu pai se mostrou tão orgulhoso que foi cumprimenta-la pessoalmente em Hogwarts. Era um sabádo chuvoso e dia de passeio a Hogsmead, Lucy estava passeando com seus amigos na vila quando ele chegou e ela não teve a oportunidade de ao menos receber um abraço do pai.

E foi naquele dia que ela perdeu as esperanças. Foi naquele 20 de outubro que Lucy parou de tentar ser Molly Weasley e começou a ser Lucy Weasley. Com isso ela descobriu muitas coisas que lhe surpreenderam como o fato de seu melhor amigo, Hugo Weasley, ser gay. Ela estava tão obcecada com seu plano “impressionar Percy Weasley” arrastando a todos os seus amigos junto, que mal havia percebido o brilho diferente no olhar do moreno. Ele estava feliz e assustado e nem sua melhor amiga estava lá para apoia-lo. Descobriu que sua melhor amiga nascida trouxa, Miranda, tinha duas tatuagens que havia feito naquelas férias e que ela começara a namorar um rapaz trouxa de Dublin, sua cidade natal.

Ela também percebeu coisas sobre si mesma, como o fato de que odiava ser monitora e as aulas de Runas Antigas , que seu pai tanto prestigiava. A diretora ficou feliz em retira-la do curso, mas isso não chegou nem perto do alivio que sentiu ao se permitir ser ela mesma. Não passava mais horas e horas trancafiada dentro da biblioteca estudando e mesmo assim tirava as melhores notas. Ela já não entrava mais em seu quarto e passava horas planejando seu próximo passo de seu plano e começou a sair mais com seus amigos. Até arranjara um namorado: Louis Weasley, seu primo. Por muito tempo ela renegara o amor que sentia pelo loiro com medo da reação de seu pai, mas agora ela já não se importava mais.

Ela já não tinha mais o objetivo de agradar o pai mais do que tudo em sua vida e descobriu que poderia ser muito mais feliz daquele jeito.

–Você é perfeita, Lucy- sussurrou Louis enquanto observavam as estrelas, deitados no jardim- Perfeita para mim.

Lucy Weasley aprendeu da maneira mais difícil que acima de tudo ela deveria se amar. Se amar do jeito que era, pois se ela não o fizesse quem o faria por ela? Ela estava feliz agora, feliz por se livrar do peso da perfeição.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentem e me digam o que acharam! Estou trabalhando em uma com o ponto de vista da Molly e talvez eu poste. Bjoos!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!