Perfeccionista

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oi :) Minha primeira fanfic, yeeeeeey!!! O tema reflete muito sobre mim, porque eu também sou bastante perfeccionista. Essa fanfic foi como um desafio pra mim mesma, do tipo "escreva e poste, sem tempo para ficar se depreciando". E, bem, eu TIVE que escrever yuri, porque né, estamos em falta aqui na categoria de Hetalia... É, acho que é só... Boa leitura!! :3

Alice estava sentada em frente ao computador, encarando atentamente a tela deste, como se fosse a coisa mais intrigante do mundo. Com uma das mãos, brincava distraída com seus cabelos presos em marias chiquinhas, enrolando-os entre os dedos.

Atrás dela, deitada de bruços na cama de casal, estava Francine, sua namorada. Ela fitava a inglesa com interesse, apesar dos olhos pesarem, devido ao sono. Já era relativamente tarde da noite.

— Ma chérie, por que não deixa isso pra lá hoje e vem dormir? — sugeriu, a voz demonstrando o cansaço que sentia.

Ao ouvir estas palavras, Alice, que antes estava atenta no que fazia, virou levemente o corpo para encarar a outra. Em seu rosto, estava a expressão mais indignada que conseguira fazer.

— Livros não se escrevem sozinhos, sabia?! — ironizou, apesar de não ter um sorriso sarcástico nos lábios. Seu tom parecia mais de descaso, como se a francesa não estivesse entendido o óbvio fato de que escrever era uma arte difícil.

— Eu sei, eu sei... — Francine revirou os olhos, entediada — Toda noite você me diz isso.

— Porque é verdade. Livros não se escrevem sozinhos. — bufou, voltando novamente o corpo para o computador.

As duas passaram algum tempo em silêncio. Alice recomeçara a encarar a tela e mexer no cabelo, desta vez variando entre digitar algumas frases e apaga-las sem dó logo depois. Quanto mais ela escrevia, pior parecia estar ficando, e a inglesa demorava muito, muito tempo, para montar algo que a agradasse.

Francine, por sua vez, tinha sentado-se na cama. Com uma das mãos, arrumara a alça da camisola, que insistia em cair de seus ombros, e com a outra, apoiava-se no colchão. Continuava a fitar intensa e atentamente Alice, refletindo.

— Você é muito perfeccionista, ma chérie. — comentou.

— Hum? Como assim? — a inglesa perguntou, sem desviar o olhar da tela do computador. Seus olhos estavam começando a arder devido ao tempo que passara encarando a luminosidade excessiva desta, mas ela parecia não se importar com isso.

— Apesar de escrever muito bem, — começou, levantando-se e parando ao lado da outra — Você apaga tudo o que digita.

Alice levantou o olhar para encarar a outra quando esta colocou suas mãos em seu ombro, chamando sua atenção. Encarou os olhos azuis da francesa, que demonstravam uma calmaria e compreensão sem igual, antes de virar o próprio rosto.

— Isso não me torna perfeccionista, Fran.

— Sabe, mon amour? — deu de ombros — Você não precisa ser tão dura consigo mesma.

— Eu não sou dura comigo mesma! — disse, indignada — Eu só tento dar o meu melhor quando escrevo!

— Querida, admita, passou do ponto de "apenas dar o seu melhor". — suspirou, como se estivesse explicando à uma criança o porquê dela não poder bater nos colegas.

— E daí se eu for perfeccionista?! — levantou-se da cadeira, ficando em pé na mesma altura que Francine e cruzando os braços — N-Não que eu seja, claro... — corrigiu-se.

— Você vai acabar ficando paranóica. Olhe, esta é a segunda semana que você passa a madrugada acordada, escrevendo, e ainda nem saiu do capítulo um.

— Não vejo problema nenhum em escrever durante a noite, se isso for contribuir para a qualidade dos meus textos. — empinou o nariz, orgulhosa.

— Ma chérie... — Francine levou uma das mãos à testa, cansada. Explicar coisas para a inglesa estava complicado — A gente não faz amor há mais de duas semanas por causa disso.

No mesmo momento em que entendeu aquelas palavras, Alice sentiu seu rosto esquentar. A fala direta e sem rodeios da francesa a constrangeu de tal forma que agora ela estava toda vermelha.

— N-Não culpe meu livro por isso! — gaguejou, envergonhada, virando o rosto para o outro lado.

— Eu apoio totalmente que você queira escrever um livro... — aproveitando-se que Alice estava de pé também, aproximou-se dela, fitando bem o fundo de seus olhos verdes, que insistiam em encarar o chão — Mas você está sendo perfeccionista demais quanto à sua escrita.

— Eu não sou perfeccionista! — teimou, dando um passo para trás e fechando as mãos em punhos —E-Eu só... Tenho que dar o meu melhor! E para isso eu tenho que tentar e tentar e tentar! O-Ou você acha que é assim tão fácil escrever?

— Mon amour, você tem o dom para com as palavras. Não precisa ser tão crítica quanto aos seus textos, relaxe... — voltou a se aproximar, desta vez vez chegando tão próxima da outra que seus narizes roçavam. Sua voz se tornava cada vez mais terna, ao mesmo tempo que rouca e sensual — Assim você nunca finalizará projeto nenhum...

— Você só fala isso pra me tranquilizar! — retrucou, chorosa, abaixando a cabeça. Seus olhos marejados indicavam que ela estaria prestes à chorar — E-Eu nem escrevo bem...

— Oh, pare com isso... — disse Francine, levando uma de suas mãos ao queixo da inglesa, para levantar sua cabeça e fazê-la a encarar. Com a outra, segurou-a firmemente pela cintura — Sua escrita é maravilhosa, você sabe disso.

— É mentira... — suspirou, com a voz muito baixa, enquanto uma lágrima descia pelo seu rosto. Seu olhar estava perdido nas íris azuis da francesa, que pareciam lhe tranquilizar pouco a pouco, transmitindo aquela sensação maravilhosa de ser amada.

— Não, não é. Não se deprecie assim... — enxugou, com um dos dedos, a lágrima solitária do rosto de Alice — Eu nunca mentiria para você, certo? Porque eu te amo.

E, antes que a inglesa sequer tivesse a chance de teimar novamente, Francine eliminou o espaço entre elas, selando seus lábios. Ambas haviam fechado os olhos neste momento, aproveitando do gesto casto, mas ao mesmo tempo tranquilizante.

Naquela momento, Alice percebeu que a outra realmente não estava mentindo. Ela de fato queria ajuda-la... E talvez, mas só talvez, o perfeccionismo fosse um problema...

Mas Francine decidiu que aquela não era hora para aprofundar o beijo, então, quando se separou lentamente da outra, apenas sorriu, abrindo os olhos. Alice também sorriu, abraçando a francesa calorosamente.

— Obrigada, Fran. —disse contra o ombro dela — Eu te amo.

Depois daquela noite, Alice tentou não mais escrever de madrugada. É claro que vez ou outra isso acontecia, porque a inspiração vinha nas horas mais improváveis, mas nada prejudicial ao relacionamento das duas.

Além disto, passou a se sentir muito mais segura com os seus textos. À aceitar o que escrevia, à deixar que suas idéias fluíssem, mesmo que nem sempre de forma impecável, como um grande autor clássico inglês.

Naquela noite, tinha deixado de ser tão perfeccionista.

Notas finais
Obrigada por ler~ :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!