Perdidos.
14 Surpresas.
Notas iniciais
Juliana tentou se levantar para separar a briga, os dois já brigavam por quase dez minutos, estavam machucados, mas nem assim parariam de trocar socos. Seu tornozelo doía muito, mau conseguia se manter em pé então começou a gritar. — Parem! Parem! — Daniel reconheceu a voz e olhou para o chão, viu a menina caída ali, aflita com a briga. Ficou paralisado, só olhando para ela, não queria que Julie soubesse que ele e Nicolas brigaram, afinal, ela sentiria pena do Nicolas.
Mas só seus gritos não bastou para acabar a briga. Os dois voltaram a brigar e xingar um ao outro. Julie se arrastou até chegar nos dois, Daniel estava de costas para ela, em cima do Nicolas, socando fortemente sua cara quando Julie puxou seu rosto. Ele encarou seus olhos castanhos e redondos, focou seu olhar no dela, se sentindo mais calmo
Os dois se olharam, Julie o amava profundamente, mas estava com raiva. Continuaram se olhando até que Daniel recebeu um soco no rosto. Ele se virou furioso para Nicolas, os dois já iriam recomeçar a briga novamente... — JÁ CHEGA! — Julie gritou. Os dois pararam. — Daniel, vá pra casa!
Ele se levantou calmamente, ajeitou seu paletó um pouco amassado. — Julie, esse idiota não te merece...
– Vá pra casa!
Daniel mordeu seus dentes, mas não hesitou em obedecer, queria espairecer tocando sua guitarra. Em poucos segundos, ele sumiu. Julie suspirou aliviada, jogando seus cabelos para trás, não conseguia se levantar com o empurrão que levou de Daniel. — Eu te ajudo. — Nicolas esticou seus braços e puxou a menina, ela olhou para ele, viu seu rosto machucado e seu queixo até um pouco inchado.
Sentiu pena.
– Você está bem?
– N-não. — Pausou. — Bati a cabeça no chão quando ele me empurrou, agora está doendo.
Ela torceu os lábios. — Eu te levo pra casa, vem... — Eles foram andando, um ajudando o outro.
Enquanto caminhavam, Julie se sentia culpada por isso. Não conseguia tirar da cabeça a cena de violência. Sabia que dessa vez o Daniel começou tudo. Julie, esse idiota não te merece... – Lembrou das palavras dele. Porque Daniel diria isso? '' Seria só ciumes? '' — Pensava a humana, curiosa.
– Porque o Daniel disse aquilo? — Juliana perguntou para Nicolas.
– Ah, sabe como esse cara é... Deve ter dito isso para você terminar comigo Juh, sabe que ele não gosta de mim. E dessa vez eu não fiz nada.
Ela sorriu fraco. — Deve ser ciúmes não é?
– É. — Fez uma careta. — Pode ser. Ele não gosta de mim, ele quer mais que você termine tudo. — Olhou para ela. — Não vai terminar comigo, não é Juh?
Ela engoliu em seco, era exatamente o que ia fazer antes de Daniel interromper tudo. Julie olhou para Nicolas, encarou seus olhos azuis pelo qual não era mais apaixonada, não sentia mais nada por ele a não ser a pena. Sentia pena, apenas isso. E por causa dessa pena não conseguiria terminar com ele hoje, estava todo machucado, foi agredido mesmo sendo 'inocente'... E ela o tratava mau desde que chegou do acampamento. '' Não sei se ele merece isso... '' — Pensava.
– Julie. — Ele a chamou. Juliana acordou de seus pensamentos. — Não vai terminar comigo, não é?
– N-n-ão. — Demorou um pouco para responder. — N-não vou. — Deu um sorriso amarelo. Ele passou o braço pelo ombro dela e lhe deu um selinho demorado. Julie fez uma careta enquanto Nicolas a beijava, ela queria acabar logo com esse beijo sem química nenhuma. Pensou em Daniel, queria que ele estivesse no lugar de Nicolas agora.
Com esses pensamentos, ela se afastou. — Para, Nicolas. E-estamos na rua. — Arrumou uma desculpa e ele aceitou.
– Mas se não estivéssemos em público você me beijaria. — Encostou seus narizes.
Mas ela virou o rosto. — Eu já disse para parar...
Ele suspirou. — Tudo bem, vai me levar até em casa?
– Tá, eu levo.
[...]
Ela chegou na casa do namorado, olhou para o sofá, lembrou das vezes em que deitou a cabeça nas suas coxas enquanto ele alisava seus cabelos. E toda a vez que lembrava de momentos românticos que passou com o Nicolas, queria que fosse com Daniel. Ela suspirou, percebeu que a paixão pelo fantasma estava se tornando mais forte e proibida. '' Ele é um fantasma. '' — Pensava, lembrando que o próprio Daniel achava que esse tipo de relacionamento não daria certo. Estava triste com isso, e agora pensava que ele realmente tinha razão. Só o que não sabia é que Daniel retribuía seus sentimentos e disse aquilo apenas para não se ferir mais ainda, para não ferir a si próprio.
– Amor. — Nicolas saiu do seu quarto segurando alguns remédios e curativo. — Poderia me ajudar?
– Ah. — Sorriu fraco. — Claro. — Ela não sentia mais nada por ele, mas não era por causa disso que deixaria de ajuda-lo, sabia que ele estava ferido.
Os dois se sentaram no sofá, Nicolas pegou a mão da garota, entrelaçando seus dedos. '' Tão linda e tola. '' — Ele pensava. — '' Mau posso esperar por amanhã... '' — Sorriu com os pensamentos.
Julie soltou sua mão. — O que foi meu amor? — Nicolas segurou seu rosto.
– P-ara. — Ela o virou.
– O que você tem? Porque está seca comigo assim? Te fiz alguma coisa?
– Desculpa. — Abaixou a cabeça. — Não é você, Nicolas. Sou eu. — Disse.
– O que quer dizer com isso?
Ela respirou fundo, não aguentava mais esconder aquilo. — Eu beijei o Daniel. — Fechou os olhos com força depois de completar a frase, já imaginava Nicolas se levantando e gritando com ela. Porém, quando abriu seus olhos novamente viu o rapaz sério, só a encarando.
– Você não quer terminar comigo para ficar com ele, não é? — Tocou delicadamente no seu rosto.
– Nicolas... Eu...
– Sch, eu sei que o que você fez foi errado, eu jamais te trairia com outra. Mas eu te perdoo.
Ela apenas o encarou. — Eu sou o namorado perfeito, não sou? — Sorriu, ela sorriu de volta e assentiu. Mas estava chateada. Ele era perfeito de mais, não sabia como terminar tudo sem magoa-lo, afinal, Julie ainda queria a amizade dele. — Mas amor. — Segurou sua mão. — Você não está querendo terminar e ficar com ele não é? — Julie ficou calada, era exatamente isso. Ela percebeu que ele perguntava isso a cada quinze minutos, parecia desesperado.
'' Acho que ele não suportaria se eu terminasse com ele. '' — Julie pensou, ainda mais angustiada. A última coisa que queria fazer era magoa-lo, Nicolas era um cara legal, bom...para ela era.
A menina apenas se calou, pegou alguns curativos e ajudou com os machucados.
[...]
Voltou para casa quase meio dia, mancava mais do que nunca. Subiu as escadas e quando chegou no seu quarto, viu Daniel no banheiro. Ele mexia no armário de utilidades da menina. Mas disfarçou quando a viu na sua frente. — O que está fazendo aqui? — Ele perguntou.
– Eu acho que esse é o meu quarto. — Cruzou os braços. — Só acho. — Pausou. — O que está fazendo aqui?
– Só vim...
– Veio revirar minhas coisas? Bagunçar meu banheiro?
– N-não. — Abaixou a cabeça. — Vim procurar remédio... De dor. — Respondeu envergonhado.
– Hum, já está arrependido do que fez?!
– Não. Eu não estou! — Voltou a mexer no armário, ela deu alguns passos, entrando no banheiro.
– Não tem remédio ai. — Se abaixou e pegou uma malinha embaixo da pia. — Aqui. — Deu para ele. Daniel abriu, revirando a malinha sem cuidado.
Ele olhou para a garota. — Porque está mancando? Pensei que tinha melhorado.
– É, mas você me empurrou.
– Huh, Eu não sabia que era você. — Se defendeu. — E porque demorou de chegar?
– Porque tanto interesse? — Ergueu uma sobrancelha.
– Ah, e-esqueça... — Pegou um remédio.
Julie suspirou, estava com raiva dele, mas não deixaria de ajuda-lo, já que também ajudou Nicolas. Ela pegou o remédio das suas mãos. — Deixa que eu passo em você. — Balançou o frasco, olhando para ele. — Estranho, não parece tão machuca-- Foi abrindo sua blusa vermelha. — Meu Deus! Como conseguiu essas marcas roxas?
– Aquele cretino me chutou, não sei se percebeu mas ele estava usando chuteira de travas. — Rosnou.
– Ah, é. Hoje seria educação física. — Sussurrou. Agora não tirava os olhos do físico do rapaz. Mesmo com algumas marcas roxas... Ele continuava lindo.
'' Vou adorar cuidar de você, Daniel. '' — Pensava, até que segurou seu braço. — Vem... — O levou para o seu quarto, ele se sentou na sua cama enquanto terminava de tirar sua blusa.
Molhava o remédio no algodão e passava pelos machucados com cuidado. Daniel estava cabisbaixo. — Sabe, o Nicolas está mais machucado que você.
– Esse daí não presta nem para conseguir se defender direito.
Julie bufou. — Hum, você está chateada comigo?
– Na verdade, estou sim Daniel. Não sei o que deu em você para chegar socando o Nicolas assim... Do nada!
– Se me deixasse expli--
– Não vou deixar se explicar, não quero saber.
Ele encarou seus olhos. — Se está chateada comigo, porque está me ajudando?
– Acha que eu esqueci a vez que você me ajudou no acampamento? cuidou de mim... Só estou retribuindo o favor. — Sorriu fracamente, lembrando daqueles momentos. Abriu seus braços e abraçou Daniel, o mesmo ficou surpreso com aquele abraço, mas retribuiu, passando seus braços pela cintura da garota, ela deitou sua cabeça no ombro dele, fechou os olhos. Sentia-se completamente protegida em seus braços. — Daniel... — Levou a mão para a sua nuca.
'' Me beija. '' — Pensou em dizer, mas abriu os olhos e se soltou de seus braços.
[...]
No dia seguinte Juliana não foi a escola devido a dor que sentia no tornozelo, disse a seu pai que pisou em falso e torceu o mesmo tornozelo. Seu pai disse que ela poderia passar o dia em casa, descansando. E era o que ela estava fazendo. Passou o restante da tarde no seu quarto, tocando violão, ainda não tinha visto os três fantasmas. Pois os mesmos estavam na edícula. Ela deixou seu violão no descanso e pegou seu notebook, entrou no seu perfil da internet e viu um texto enorme, uns quatro parágrafos dedicados a ela. Arregalou os olhos: Era o Nicolas, Nicolas escreveu um texto com vários versos de música, seus pensamentos e seus 'sentimentos' pela garota.
Ela não conseguia sorrir com aquilo, mesmo com as palavras lindas e com as várias curtidas de seus amigos, até mesmo de Bia. Ela se sentiu triste. Não respondeu, não compartilhou, apenas curtiu. '' Hoje é nosso aniversário de quatro meses. '' — Pensou suspirando. Fechou o notebook e olhou para o céu da janela do seu quarto, o céu alaranjado, a tarde que virava noite. Lembrou do acampamento e do que Nicolas disse sobre a tal surpresa. Mas não se lembrava do que se tratava. Afinal, essa semana aconteceu tantas coisas que sua mente nem raciocinava direito.
– Droga, preciso lembrar... — Sussurrou.
Enquanto isso, Daniel, Martim e Félix conversavam sobre o acampamento, Daniel revelou que ele e Juliana se beijaram. — Então ela gosta de você. — Félix disse.
– Não, não gosta.
– Claro que gosta Daniel, vocês se beijaram. — Martim sorriu.
– Eu já disse que ela não gosta, ela disse que eu sou um fantasma. — Suspirou lembrando de quando chegou na sala e ouviu Juliana falando sozinha, e falando dele.
– Isso não significa que ela não gosta de você, cara. — Martim e Félix tentavam convence-lo e com muito custo conseguiram. — Agora você precisa contar tudo para ela, precisa falar sobre os seus sentimentos.
– É. — Daniel sorriu. — Ela nem está mais chateada comigo, eu... Preciso contar. — Se levantou. Decidido.
Atravessou a porta e chegou na cozinha, já ia para sala quando ouviu a voz de Julie, parecia conversar com alguém. Daniel não perdeu tempo, ficou invisível e foi para a sala. Cerrou os punhos ao ver que Nicolas estava na porta. — O que faz aqui, Nicolas? — Julie perguntou um pouco incomodada com a sua presença, não queria vê-lo.
– Vim comemorar.
– C-comemorar o que?
– Ah amor. — Tocou no seu rosto. — Eu sei que anda estranha, mas sei que não se esqueceu que hoje completamos quatro meses de namoro.
Ela engoliu em seco. — Éeer... Felicidades, p-ara n-ós do-is. — Gaguejava.
Nicolas a abraçou, beijando seus lábios enquanto Julie tentava virar o seu rosto. Ele sorriu e desceu os beijos para o seu pescoço, até que a garota se soltou. — Seu pai está em casa? — Perguntou.
Ela arregalou seus olhos. — Está. — Mentiu.
Ele riu. — Estranho, o carro dele não está na garagem.
– Nic...
– Sch. — Segurou seu queixo e lhe deu mais um beijo. — Vamos para o seu quarto. — A pegou nos braços e subiu as escadas correndo, entrou no quarto com ela e fechou a porta.
Daniel apenas balançou a cabeça, ele sim lembrava da surpresa que Nicolas queria fazer para Juliana.
Ficou mais alguns minutos ali, viu que os dois não saíram mais do quarto. E sumiu.
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