Perdidos.
16 Eu te amo.
Notas iniciais
Uma semana e cinco dias se passaram, desde então Julie não enxergava mais o Daniel, mesmo tentando, não conseguia. Ela fingia não se importar. '' Eu não ligo se você não quer aparecer '' — Dizia em sussurro, e as vezes gritava para o nada. Mas no fundo sabia que era mentira, ela se importava e muito. Sempre se importou com o Daniel, principalmente agora que percebeu estar apaixonada.
As coisas mudaram nesse tempo. Julie tentava terminar com Nicolas, mas o mesmo sempre dava um jeitinho de enrola-lá. Julie acabou contando tudo para Bia, contou os mínimos detalhes de quando ela e Daniel se perderam no acampamento. Contou que se beijaram e queria contar até que estava apaixonada. Mas achou que não fosse uma boa ideia — Tem certeza de que ele não está aqui? — Juliana perguntou para a amiga.
Bia olhou em volta da sala. — Tenho.
– Huh, pode ser que ele esteja invisível para você também. — Julie respondeu desconfiada.
Beatriz revirou os olhos. — Você está paronoica, ele não faria isso tudo só para ouvir nossa conversa.
Julie balançou a cabeça. — Lógico que ele faria. Ele é o Daniel !
– Tá tá. — Deu um tapa no braço da amiga. — Me conta logo.
Ela respirou fundo. — Quero terminar com o Nicolas.
Bia sorriu. — Finalmente está abrindo os olhos, Julie?
– Hã? O que?
– Amiga. O Nicolas está te traindo!
Ela se levantou em um pulo do sofá. — O QUE?
– Com a Thalita. — Bia completou sorrindo de lado. Ela queria contar isso a muito tempo, mas não queria magoar sua amiga.
Julie mordeu seus dentes, já sentia raiva do Nicolas por não querer ouvi-lá quando queria discutir a relação, agora sentia ódio. — Mas que cachorro! — Xingou nervosa, pegou o celular e ligou para Nicolas, porém, o mesmo não atendeu. A menina jogou o celular com força no sofá. — Quero MATAR o Nicolas! — Gritou.
– Calma amiga, relaxa. — Bia a fez sentar no sofá. — Segunda na escola ele não escapa, você vai falar com ele querendo ele ou não.
Julie sorriu com as palavras e Daniel também.
Sim, ele estava ali. Escutava a conversa mas ficou tão feliz em saber do termino do namoro dos dois que foi para a edícula. Não se sentia muito bem escutando a conversa das duas, mesmo que já tenha feito isso milhares de vezes. — Agora me conta, porque quer terminar com o Nicolas.
– Ele me traiu. — Julie respondeu mexendo no celular.
– Tirando o fato de que ele te traiu, já que eu te contei isso depois que você disse que ia terminar. — Bia pegou o celular das mãos de Julie, queria total atenção. — Responde. — Sorriu.
– Ah, nada Bia! Eu só queria terminar.
– Sem nenhum motivo? — Olhou torto para a amiga. — Julie.
– O que?! — Tentava disfarçar.
– Você gosta do Nicolas desde quando tinha 13 anos...
– Gostava. — Completou. — Gostava Bia, é passado.
– Tá. — Devolveu o celular. — Mas porque não gosta mais? Porque?
Juliana suspirou, sabia que Beatriz não pararia com as perguntas até conseguir uma resposta. Porém, Julie estava com medo de contar para a amiga, afinal, nem sabe como Bia vai reagir, já que Daniel é um fantasma.
– Porque... — Começou. — Eu gosto do Daniel, Bia. Acabo de perceber que estou... Apaixonada por ele. — Disse de olhos fechados, não queria nem ao mesmo ver a expressão de medo de Beatriz. Ficou um bom tempo com os olhos fechados, mas percebeu que não ouviu nada da amiga. Foi abrindo os olhos pouco a pouco, até que viu Bia sorrindo. Julie realmente não esperava aquele sorriso. — O que foi?
– Isso é lindo.
– Lindo? — Estranhou. — Não achou estranho já que ele é um...
– É um fantasma! — Continuou sorrindo e disse animada. — É lindo saber que para o amor não existe nenhum obstáculo.
Julie sorriu fracamente, suas bochechas vermelhas logo denunciaram que ela estava com vergonha. — Bia, preciso arrumar o meu quarto. — Disse. — Quer me ajudar?
– A arrumar seu quarto? — Riu. — Nem pensar! — Se levantou. — A gente se vê mais tarde...
Julie subiu para o seu quarto, ainda com as muletas, andava lentamente até entrar no quarto. Suspirou quando viu a bagunça, se sentou na cama e pegou os cadernos e livros que estavam jogados. Foi guardando junto com outras coisas que estavam espalhadas, arrumou a cama e ajeitou seus travesseiros. Viu o travesseiro de coração que ganhou do namorado. E sentiu raiva. Guardou em uma caixa junto com outras coisas inúteis e se deitou, olhando para o teto. Bufou, se sentia completamente sozinha. Pedrinho estava com o Patrick e seu pai trabalhava. Ela queria ver os fantasmas mas não suportaria enxergar apenas dois deles.
– Daniel? — A menina chamou, na expectativa de conseguir uma resposta. Levantou sua cabeça e resolveu se sentar. — Daniel, você está aqui? Eu sei que está. Você ouviu minha conversa com a Bia, não é?
Ficou calada, esperando uma resposta que jamais viria. Abaixou a cabeça. — Você é a pessoa mais orgulhosa que já conheci! — Pausou. — Mas ainda sim, tudo que eu disse para a Bia é verdade. — Suspirou. — Eu te amo. — Olhou para os lados. — Aparece. — Pediu.
Mas Daniel estava na edícula, estava lá desde quando Julie disse para a Bia sobre seus sentimentos. Se ele esperasse mais uns dois minutos saberia de toda a verdade.
[...]
Sábado se passou e algumas coisas aconteceram. Nicolas ainda evitava Juliana, ainda mais quando ouviu boatos de que ela queria terminar tudo. Ele deixava seu celular desligado e mau saía de casa, com medo de encontra-lá pela rua. Isso só deixava Julie mais angustiada. Saber que estava sendo traída mas não conseguia dar um basta.
Daniel ainda não apareceu para a menina. Sim, ele estava feliz em saber que Julie terminaria, porém, ainda pensava que a mesma dormiu com Nicolas. Ele não conseguia parar de pensar nisso, que sua querida Julie teve sua primeira vez com seu pior inimigo. Isso o deixava arrasado. E Daniel ainda pensava nas palavras da menina, ainda lembrava sobre o que ela disse dele. Que ele era um fantasma.
'' Sei que ela vai terminar com o Nicolas porque não gosta mais dele, mas isso não significa que ela gosta de mim. '' — Esse era seu pensamento.
Era domingo de manhã, todos os domingos a banda ensaiava. '' Ele não vai faltar ao ensaio, ele vai ter que aparecer. '' — Julie pensava enquanto se arrumava, soltou seus cabelos e até colocou uma roupa nova. Queria ficar bonita para Daniel.
Desceu as escadas tentando ser mais rápida possível. Deu passos largos até a edícula e abriu a porta. Sua animação acabou quando viu apenas Martim e Félix. — Cadê o Daniel?
Os dois se entreolharam. — Está ali. — Martim apontou para o sofá vermelho.
– Vamos ensaiar. — Disse a humana, com a esperança de que Daniel cedesse.
Ela olhava fixamente para o ''vazio'' do sofá. Daniel se levantou. Caminhando até ela enquanto Julie ainda olhava para o sofá.
Sentiu suas bochechas corarem quando ouviu a voz do fantasma bem pertinho do seu ouvido '' Não preciso ensaiar, sou um ótimo guitarrista. ''
– Como assim não precisa ensaiar, Daniel?! — Se virou para o lado, cruzando os braços. — Você sempre ensaiou! — Gritou, indignada. — Se não quer ensaiar porque se acha um ótimo guitarrista, pelo menos ensaie pela banda! Será que não tem consideração por mim, pelo Martim e pelo Félix?!
– Julie. — Um dos dois a chamou, ela se virou. — Ele já foi.
Ela revirou os olhos, pegando o microfone. — É, me deixa falando sozinha mesmo. — Sussurrou reclamando.
Os três começaram a ensaiar. O ensaio durou um pouco mais de meia hora, foi o ensaio mais rápido e mais sem graça de todos. Daniel fazia uma grande diferença e todos sabiam disso.
[...]
O domingo estava entediante para a humana, se sentia com a auto-estima baixa, afinal, foi traída pelo namorado, machucou o tornozelo e ainda perdeu o Daniel.
Ela caminhava pela rua, mancando, mas não usava as muletas. Andava cabisbaixa, pensando em Daniel. Já não o vi a dias.
'' Como foi o ensaio com a banda? '' — Julie ouviu uma voz familiar sussurrar no seu ouvido, olhou para os lados mas não viu ninguém.
Daniel falava com ela, estava ao seu lado. Daniel não conseguiria ficar esse tempo todo sem falar com Juliana, mesmo com todo esse orgulho. Precisava ouvir sua voz, assim como ela precisa ouvir a voz dele. — Você está aqui? — Julie sorriu. — O... O ensaio... É... — Suspirou. — Tá, não foi tão bom.
'' É, eu já esperava. '' — Ele disse em um tom de superioridade.
– Será que não cansa de ser irritante? Você poderia ser um pouco mais modesto, eu agradeceria. — Julie falou, até que passou um senhor e olhou para ela.
'' Não sei porque está me respondendo. Eu estou invisível, as pessoas vão te achar doida. '' — Sussurrou olhando para ela. '' Eu sou um fantasma. '' — Disse relembrando as palavras da menina.
– E se você aparecesse? — Sorriu.
Ele riu. '' Boa tentativa, mas não vou aparecer para você. E nem para ninguém. ''
Ela apenas abaixou a cabeça, sabia que Daniel era teimoso. Continuou andando. — Porque está me seguindo?
'' Não estou, só vou para a praça... ''
– Hum. — Olhou para ele. — Pensei que estava me ignorando.
'' E estou, parei por um tempo, mas já vou ignorar de novo.... ''
– Daniel! — Parou na calçada, não sabia se ele havia parado também, mas continuou. — Você entendeu tudo errado!
Ele não havia parado, ainda estava andando, mas voltou quando ouviu a menina. '' Eu sou o certo aqui, nunca estou errado, em nada. Eu sei o que eu vi. ''
– Tá, mas pensou errado.
'' Eu nunca erro Julie, eu sou perfeito. ''
A humana revirou os olhos. — Você que pensa... — Estranhou não receber resposta. — Daniel, está aqui? — Perguntou e até balançou os braços, tentando encontra-lo. Mas Daniel não estava mais. Ele tomou seu caminho e foi para a praça, Juliana continuou parada na calçada até que viu Nicolas entrar na lanchonete do outro lado da rua.
Sorriu. Não conseguiria esperar por amanhã na escola para acabar com tudo. Sorte que Nicolas não havia notado a menina à alguns metros de distância. Era a primeira vez que Juliana se sentia feliz por saber que ainda era invisível para Nicolas. Se sentia extremamente feliz.
Não perdeu tempo, atravessou a rua e entrou na lanchonete. Viu Nicolas de costas e praticamente correu em sua direção, puxou o braço dele e quando Nicolas se virou apenas viu a mão de Julie voar na sua cara. O tapa foi tão forte que deixou a marca dos cinco dedos ali. Todos da lanchonete olharam para Nicolas. Julie não deu nem tempo dele dizer algo, já foi logo falando. — Você é um cachorro, safado e corno!
– Mas amorzinho...
Levou outro tapa. — Eu queria terminar com você a muito tempo, queria terminar e ser pelo menos sua amiga. Mas nem isso eu quero ser mais! Você não merece minha amizade, muito menos o meu amor! TÁ TUDO ACABADO! — Foi se afastando.
– Espera! Julie espera! Não me deixe falando sozinho aqui! — Gritou, mas a menina já tinha saído da lanchonete. Nicolas nem encarou as pessoas que olhavam para ele e cochichavam entre si, jamais se sentiu tão humilhado quanto agora. Se sentiu mais humilhado do que na vez em que o vídeo dele de cavaleiro medieval foi para na internet
O restante do dia foi como o restante da semana, Daniel ainda estava invisível para Julie. Agora nem falar com ela ele falava mais...
Martim e Félix tentavam ajeitar as coisas entre eles, porém, a intromissão dos dois só deixava Daniel ainda mais furioso. — Cara, se você gosta tanto dela, porque ainda está assim?
– Eu preferia não ter me apaixonado, não por ela. — Rosnou.
– Daniel, as coisas não vão se ajeitar se você continuar agindo dessa maneira, não deixa ela nem se explicar.
– Explicar o que?! Que... Dormiu com o Nicolas?!
– Vai ver ela não dormiu... — Félix se intrometeu.
– Eu vi! Eu vi com os meus lindos olhos... Vi os dois entrando no quarto, e ele só saiu no dia seguinte. — Olhou para os dois. — O que querem que eu pense?
– É. — Martim coçou a cabeça. — Parece que a Julie dormiu com o Nicolas... — Ele levou um tapa de Félix que sussurrou '' Cala a boca. ''
[...]
– Já faz quase duas semanas. — Julie disse para si mesma enquanto se olhava no espelho, não conseguia acreditar que perdeu o Daniel por causa do seu ex namorado.
Sentia um grande ódio por Nicolas. '' Jamais vou te perdoar. '' — Pensava, mas decidiu se arrumar para ir a escola.
Julie já estava ficando doente com o desprezo que levava. Não conseguia parar de pensar no Daniel. Queria vê-lo, queria que ele aparecesse e pedia isso a cada cinco minutos.
Ela desceu para tomar seu café. Depois foi tomar um banho e se arrumar, fazia tudo isso ainda pensando em Daniel. Julie queria chorar, gritar, socar tudo que via pela frente, mas tentava ser mais calma possível. — Você está aqui? — Perguntou enquanto ajeitava sua mochila. — Daniel?
Ele não estava.
Julie suspirou e colocou a mochila no ombro, Bia passou na sua casa para as duas irem juntas a escola. Foram caminhando lentamente, conversando. — Já contou para ele, amiga? — Bia perguntou, se referindo à Daniel.
– Acho que ele já sabe.
– E ainda não apareceu para você?
– Não. — Suspirou tristemente. — Isso é horrível, eu acordo no meio da noite ouvindo barulhos estranhos no meu quarto. Eu imploro para ele aparecer, imploro mesmo mas não adianta. — Pausou. — Bia, eu não sei mais o que eu faço. Ele nem ensaiou com a banda.
– Julie, esqueça isso. Uma hora ou outra ele vai aparecer.
– Não vai não, ele nunca mais vai aparecer. — Julie deixou uma lágrima cair. As duas chegaram no colégio e o primeiro tempo já era prova de Geografia.
Julie olhava para a sala, todos estavam em silêncio, concentrados. Enquanto ela nem havia escrito seu nome na prova. Ela se distraia com qualquer barulho, até mesmo com uma caneta que caia no chão. Para ela tudo era o Daniel.
Abaixou a cabeça e olhou para a prova. '' Até que está fácil, preciso só de concentração '' — Pensava. Mas estava completamente distraída que até errou uma questão.
Sorte que ela estava escrevendo à lápis.
Olhou para os lados. '' Cadê minha borracha? '' '' Jurava que ela estava bem aqui... '' — Você pegou minha borracha? — Ela sussurrou baixinho. — Isso não tem graça Daniel, devolve. — Continuou procurando até que viu a borracha no chão. — Huh. Estou ficando louca. — Agachou e pegou a borracha.
Foi fazendo a prova pouco a pouco, mas sabia que estava errando até as questões mais fáceis. — Droga... — Sabia que estava indo mau na prova. Virou a folha de lado e deixou para lá.
Até que lembrou de uma revelação de Daniel. Quando os dois estavam no acampamento:
– Eu sei que não ando dando muita atenção aos meus três fantasmas, e admito que é por causa do Nicolas...
– Vai me dizer que nunca traiu o Nicolas com o ''Bonitinho do colégio'' ? — Perguntou.
Juliana o encarou boquiaberta, estava em choque.
Ela e Beatriz sempre fofocavam de um tal rapaz do colégio, ele era lindo, mas era um grande galinha. As duas babavam secretamente por ele, só pela beleza, claro.
Mas... Era um grande segredo delas, era mais o segredo de Bia pois Julie não se interessava tanto nele. — Como sabe do bonitinho? — Perguntou, intrigada. As duas nunca contaram a ninguém.
Daniel apenas deu aquele sorriso de lado, ainda tentando fazer fogo. Juliana chegou a seguinte conclusão. — QUANDO A MINHA PRIVACIDADE VAI SER RESPEITADA?! — Ele virou o rosto para ela, calado. — Q-quer dizer... Vo-cê... Me se-gue... ess-e tem-po todo?
– Pensei que soubesse...
– Me segue para todos os lugares. — Pausou, pensativa. — N-não me segue qu-ando eu vou tom-ar banho né?
– Até que não é uma má ideia. — Julie corou com a sua resposta. — Mas fique tranquila. Só te sigo mesmo para o colégio. — Garantiu.
Ela arregalou os olhos com aquilo. — V-você está aqui. — Agora tinha certeza. — P-porque jogou minha borracha no chão?! P-porque não aparece!
– Algum problema, Juliana? — O professor perguntou.
Julie se levantou, pegou a prova e suas coisas e saiu.
Andava apressada, sem se importar com o seu tornozelo. — Daniel, eu sei que está aqui, está me seguindo! — Gritou no corredor, olhando para os lados. — Por favor, aparece!
E nada.
Ela passou pelo campos e saiu do colégio. Sentia uma dor insuportável no coração. Atravessou a rua, ainda pedindo para que Daniel aparecesse, mas não recebia resposta. Estava louca com aquilo. Queria vê-lo mas não conseguia.
Chegou em casa e nem ao menos falou com Pedrinho, que estava no sofá da sala. Subiu as escadas e foi direto para o quarto, se trancou e entrou no seu banheiro. Também trancando a porta. Se olhou no espelho do armário de utilidades. Abriu o mesmo. Pegando uma gilete. — Daniel?!
Nada.
Tirou a lâmina da gilete. — Não vai aparecer, não é?
Nada.
Ela mordeu seus dentes. — Se não quer aparecer, eu mesma vou te enxergar! — Gritou. E lentamente começou a cortar seus pulsos, era a primeira vez que fazia isso, estava com medo e cortava fracamente.
Julie voltou sua atenção para o shampoo que caiu da prateleira. — Só isso que você pode fazer? Derrubar um shampoo? Acha que isso vai me fazer parar? — Viu seus pulsos avermelhados.- Eu vou ser como você! — Hesitava em se cortar, só passava lentamente a gilete.
O vidro do seu armário quebrou, os cacos caíram na pia. Com o susto, Juliana se afastou. — Ainda não é o bastante. — Olhou para os vidros. — E como você me dá trabalho! Quebrou o meu armário! — Gritou. — Só quero que apareça!
O silêncio continuou. — Já chega... — Jogou a gilete no chão e pegou um dos cacos de vidro, era bem mais afiado. Foi apertando contra o seu pulso, até que sentiu que algo puxava o vidro de suas mãos. — Solta! É meu! — Ela tentava puxar de volta, mas isso só cortava a pele de seus dedos. — Larga!
– Eu te amo. — Daniel apareceu.
Os dois se olharam, Julie ficou em choque com as palavras. Daniel abriu sua mão e pegou o pedaço de vidro, olhou para o pulso da menina, viu que estava só avermelhado. Ela começou a sorrir. Daniel tocou no seu rosto. Queria beija-lá.
Foi aproximando seu rosto do dela, Julie fechou os olhos, já imaginando seus lábios juntos.
Mas Daniel beijou seu rosto. Ela abriu os olhos, ele colocou seus negros cabelos atrás da orelha. — Eu te amo, mas sou um fantasma. — Sussurrou perto do seu ouvido.
Ela desfez o sorriso. — E você é humana.
– Me dê esse vidro que eu resolvo o problema. — Respondeu com a voz fraca.
– Sch, não quero que morra. Ficou louca?
– Quem está louco é você, e daí se é um fantasma?!
– Você sabe que não daria certo. — Ele afirmou lembrando do que ela disse na sala. Quando falava sozinha.
– Porque não daria certo? O Demétrius deixou a gente em paz. Você pode fazer o que quiser, pode aparecer para quem quiser.
– Isso não muda nada, continuo sendo o que eu sou. — Pausou. — Comecei a sentir remoço do que eu sou desde que você escolheu o Nicolas e disse que eu sou um fantasma.
Ela olhou em seus olhos. — Eu não ligo.
– Claro que liga, disse que eu era um... — Ela colocou seus dedos nos lábios dele.
– Eu fui uma idiota naquele dia. — Balançou a cabeça. — Eu estava cega pelo Nicolas. Mas a verdade é que eu... Estava apaixonada por vocês dois, só que escolhi o Nicolas, porque eu não... Não enxerguei você.
Daniel estava calado. Ela continuou. — Eu te amo.
– M-me ama? — Sorriu.
– É. — Abraçou sua nuca. — Te amo... — Esfregaram seus narizes. Daniel segurou sua cintura. Os dois sorriram ao mesmo tempo e se beijaram.
Julie fechou os olhos sentindo aquela química sobrenatural. Era um beijo calmo e desesperado ao mesmo tempo. Os dois pediram espaço com a língua e traçaram uma batalha por espaço. Julie se separou. Ainda abraçando Daniel. — Ah, E eu não deixei o Nicolas fazer nada comigo. — Balançou a cabeça. Daniel sorriu.
– Eu acredito em você.
– Huh, é claro que acredita. — Beijou seu rosto, e voltou a beijar seus lábios. Agora era um beijo mais rápido. Ela enrolou os dedos nos cachos do rapaz. Ele a abraçou com mais força, levantando a menina do chão. Ela riu, terminando o beijo, viu que estava sendo erguida e o beijou novamente.
[...]
Meia hora se passou, os dois estavam deitados na cama. Julie estava deitada no peito de Daniel, quase dormia com o carinho que recebia: Ele alisava seus cabelos calmamente.
– Promete que não vamos brigar mais? — A menina perguntou.
Ele pegou sua mão e entrelaçou seus dedos. — Prometo. — Disse calmo. E beijou o seu nariz. Julie sorriu e lhe deu um selinho, começaram a se beijar novamente. Se deitando na cama, ele a abraçou, descendo sua mão para as coxas de Juliana. Ela fechou os olhos, sentindo o beijo se aprofundar com o toque de línguas. Viraram seus rostos, tentando explorar ao máximo o beijo.
As mãos dele passeavam pelo corpo da garota. — Vamos parar... — Ele disse se afastando. — Se não eu não respondo por mim.
– Não. — Ela se sentou, ainda com Daniel sobre seu corpo, beijou seu pescoço lentamente. — Não quero que pare.
Ele retribuiu os beijos e sussurrou. — Também não quero parar.
Ela se deitou novamente e os dois se amaram, certos de que sentiam esse amor desde a primeira vez que se viram
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