Perdido em outro mundo
8 Encontro indesejado
Notas iniciais
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Multiverso é um termo para descrever um hipotético grupo de universos possíveis. A realidade em que vivemos pode ser apenas mais uma entre um infinito de variações.
Existem um número imensurável de versões de nós mesmos, algumas fazendo exatamente a mesma coisa que fazemos agora. Outras, vivem vidas completamente diferentes.
O que alguém pode encontrar quando atravessa a barreira entre os universos?
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— Ora, ora, e o que temos aqui? — disse uma voz horrivelmente familiar:
Harry se virou e deixou escapar em um gemido:
— Não pode ser!
Diante deles estava uma das pessoas que Harry mais detestava em seu mundo e pelo jeito que olhava para os Parker, com certeza também não gostaria dele naquela realidade — ou qualquer outra que fosse.
Severo Snape não estava vestindo a capa que lhe deixava com uma aparência de morcego, mas a roupa dele lembrava a de um juiz. Parecia ser um tipo de uniforme e, para falar a verdade, tinha um ar bem mais asseado do que o normal, com o cabelo bem cortado e limpo.
Ele parou de frente a Tiago Parker e os dois se encararam com uma fisionomia que beirava o nojo, e o garoto percebeu na hora que a relação deles era a mesma que Snape e o pai de Harry tinham. De fato, eles emitiam uma barreira de rancor tão profundo, que o garoto achou que podia apalpar aquele ódio como se fosse um parede sólida.
— O que faz aqui, Statham? — falou Tiago em um arranco.
— Trabalhando, é óbvio.
— Não neste prédio, que eu me lembre. Por acaso não o tiraram daquele buraco, tiraram?
— Aquele "buraco" ainda é melhor que vender aspargo — retrucou o tal Statham. — Eu que devia questionar o porquê você está aqui? O que aconteceu? Finalmente caiu na malha fina ou veio decretar falência e subsídio do governo?
Ele sorriu e olhou para o lado, onde Lílian estava parada ao lado de Tiago. Seus olhos se demoraram nela uns três segundos antes que ele percebesse a presença de Harry ali.
Statham piscou e uma ruga surgiu entre suas sobrancelhas. O garoto arrepio na nuca.
Harry conhecia Severo Snape o suficiente para saber que ele era capaz de ligar pontos como nenhuma outra pessoa conseguia fazer e, pelo visto, aquela versão dele parada à sua frente tinha aquela mesma aptidão. Harry teve um mal pressentimento sobre aquele encontro.
— E quem seria este? — perguntou Statham, estreitando os olhos para avaliar o garoto.
— É nosso filho — respondeu Lílian.
— Não, não é.
Harry viu Lílian ficar subitamente pálida, mas quando falou sua voz soou firme:
— É claro que é. Olhe para ele.
— Pensei que seu filho estivesse morto — observou ele, insensível. Lílian, porém, não se abalou:
— Esse é Harrison, irmão gêmeo de Henry.
— Gêmeos? Que eu saiba vocês só tiveram um filho.
— Ora essa, Severo! Acho que sei quantos filhos eu tive melhor do que você!
Statham sequer piscou com a resposta ríspida. Continuou olhando para Harry enviesado, nitidamente tentando entender o que estava acontecendo ali. Lílian abraçou Harry pelos ombros e puxou-o mais para perto de si, enquanto Tiago colocava-se à frente dele, obstruindo a visão do outro.
Eles se fitaram com ódio mútuo. Era como se um fosse algo nojento e mal cheiroso que o outro encontrou embaixo do sapato.
— Para quem disse estar trabalhando, está perdendo tempo demais com conversas na rua — falou o Sr. Parker com raiva. — Se nós der licença, temos mais o que fazer.
Demorou um longo momento antes que Severo Statham desse um passo para o lado, para dar-lhes passagem.
Tiago fez sinal para que a esposa e o garoto o seguissem, mas mal dera o primeiro passo quando Statham meteu o pontapé na bengala bem na hora que o Sr. Parker apoiava a perna da prótese no chão, fazendo-o se desequilibrar. Seu corpo projetou-se para frente e ele caiu estirado no concreto com baque pesado.
— Ora, seu...! — principiou Harry, e fez menção de avançando contra o homem, mas sentiu um forte puxou no braço.
Girou o corpo e viu que Lílian estava segurando-o, com um olhar de alerta. Harry mirou o estranho uniforme de Statham e percebeu que devia ser realmente de um juiz. Talvez acabasse preso por desacato se abrisse a boca naquele momento.
Lançando um olhar feio ao homem, ele e a Sra. Parker ajudaram Tiago a se erguer e, rapidamente, eles se afastaram pela rua, sentindo o peso de um olhar atento, que os seguiu até que desaparecem de vista.
— Mas o que foi isso? — perguntou Harry quando se distanciaram o suficiente.
— Só um encontro de velhos conhecidos, nada demais...
— Nada demais? Estamos falando da mesma coisa? — Harry fitou o Sr. Parker, incrédulo. — Porque para mim aquele cara tinha de levar um soco bem no meio da cara!
— Se fizesse isso, poderíamos começar a nós despedir ali mesmo — ponderou Lílian, a desgostosa.
— Como assim?
— Severo Statham é um Inquisidor.
— Um o quê?
— É um oficial da polícia responsável por interrogatórios e inquéritos criminais — informou Tiago, que continuava apoiado no ombro da esposa. — Ao contrário dos oficiais de regulamentação que nos entrevistaram hoje, o trabalho daquele é arrancar confissões de pessoas que supostamente cometeram algum crime. E ele pode fazer o que quiser para conseguir isso.
— Ele tortura pessoas? — perguntou Harry, num murmuro.
— Basicamente — comentou o Sr. Parker, mancando enquanto reprimia uma careta de dor. — De modo geral, a policia prende, os inquisidores interrogam, os juízes sentenciam e as pessoas desaparecem.
— Isto soa como se o sistema fosse pré programado para condenar tudo mundo.
O Sr. Parker olhou-o como se fosse uma criança ingênua.
— Isto é óbvio.
— Mas não é justo!
— O mundo não é justo — disse Tiago, apático. — Estamos em guerra. Os países vizinhos nos ameaçam todos os dias, o governo investe em armamentos e não sobra quase nada para o resto. Falta comida, remédios, energia e matéria prima básica para praticamente tudo. Acha que alguém gastar mantendo as prisões cheias?
— E a solução é sumir com os presos?
— Não se pode fazer nada quanto à isto.
— Só porque ninguém tenta — Harry estava indignado, não só com a situação, mas com o tom indiferente que o homem ao seu lado usava para falar daquilo.
O Sr. Parker não seguiu com o assunto e Harry deu um bufo de insatisfação. Tiago e Lílian Potter jamais permitiriam uma barbaridade daquelas. Eles teriam reunido um grupo e lutado até conseguir que o governo mudasse.
Talvez as pessoas daquele mundo não fossem assim tão parecidas. Teve certeza desse pensamento quando ouviu Lílian dizer:
— Quando chegarmos no hotel, vamos arrumar nossas malas e sair de Londres o mais rápido possível.
— Ainda não posso ir — interpôs Harry. — Acho que descobri uma pessoa que pode me ajudar a voltar para o lugar de onde vim.
Lílian estacou de súbito e Tiago foi obrigado também.
— Você encontrou? — a Sra. Parker estava muito surpresa. — Quem é?
— O Prof. Alfonso Dumberton.
— O físico? — inquiriu o Sr. Parker, sem entender.
— Sim, ele mesmo. Vocês o conhecem?
— Fui a uma palestra dele quando era estudante — contou o Sr. Parker. — É um gênio louco! Brilhante de verdade. Como um físico poderia ajudá-lo? Ele o conhece, sabe de onde você veio?
— Espero que sim.
— Não faz sentido nenhum — falou Lílian, quase que irritada. — Como poderia saber? Nós o encontramos ao norte, perdido numa floresta. Como um senhor que nem pode mais sair de casa poderia saber de alguma coisa?
— É difícil explicar...
— É porque não tem razão alguma — ela começou a andar com passos rápidos, quase sem se importar que o marido tivesse de fazer força apara acompanhá-la. — O que devemos fazer é voltar ao hotel, comer alguma coisa, fazer as malas e voltar para casa, rezando que Statham nos esqueça.
— Como se isso fosse possível! — retrucou Tiago, acidamente.
Lílian lançou-lhe um olhar grave e o marido se encolheu.
— Não estou dizendo que apoio ficarmos aqui — emendou ele. — Só estou dizendo que não importa onde formos, se o Ministério quiser nos investigar, ele o fará.
— Ah, então devemos na vista para facilitar? — a Sra. Parker estava definitivamente nervosa.
— Claro que não. Acho que está certa em querer ir para casa e concordo que devemos partir amanhã.
— Ótimo! — falou ela, como quem não aturaria qualquer outra resposta do marido.
— Mas preciso realmente ver o Dumberton.
— Fora de questão — falou a Sra. Parker. — Não vamos deixá-lo ficar e correr o risco de ser preso. Vamos todos partir amanhã e está decidido, Harry.
Harry abriu a boca para questionar, mas quando fitou os olhos de Lílian e viu sua expressão decidida, ele desistiu. Lembrava até a Sra. Weasley quando falava com Rony ou os gêmeos, Fred e Jorge.
— Está bem. Partiremos amanhã.
Sem dizer mais nada, os três seguiram para entrada do metrô e de volta à hospedaria.
* * *
Se havia uma coisa da qual Severo Statham se orgulhava em si mesmo era o fato de não ser um idiota. Sabia quando as pessoas estavam mentindo, quando escondiam algo e quando diziam somente a verdade. Era muito difícil enganá-lo, o que o tornava tão bom na profissão.
Ele ficou observando enquanto Lílian se afastava pelo rua com Tiago apoiando-se em seu braço, o garoto estranho ao lado deles. Observou os três atentamente até que desapareceram de vista.
Statham conhecia os Parker há muito tempo.
Lílian havia sido sua vizinha durante vários anos, quando a família dela se mudara para o mesmo prédio em que Severo morava com os pais. Eles logo se tornaram grandes amigos, e quando tiveram de estudar na escola preparatório em Londres, Statham escolheu justamente o mesmo colégio de Lílian.
Durante quase toda sua juventude, Severo alimentou a esperança de que um dia a garota seria sua namorada e que mais tarde se casariam, teriam filhos, uma boa casa e todas aquelas coisas românticas que as pessoas apaixonadas costumam sonhar.
Infelizmente, Tiago Parker também estudava no mesmo colégio e não demorou muito para que ele também se apaixonasse por Lílian — E quem é que poderia culpá-lo?
Na época, os Sr. e a Sra. Parker tinham uma fábrica de sapatos e algum dinheiro para gastar, o que fazia Tiago agir como se fosse dono do mundo, dizendo para quem quisesse ouvir que um dia seria piloto de avião. E a pobre Lílian caiu naquela conversa fiada, encantada com aqueles planos mirabolantes para o futuro.
Statham tentou muitas vezes mostrar a verdade à ela e por pouco a amizade entre os dois não acabou, tamanha era a sua insistência em apontar os defeitos do namorado de Lílian. Infelizmente, a amizade ruiu de vez no primeiro ano de faculdade, quando a ruiva anunciou que iria se casar com Parker.
Encontravam-se sentados em frente um ao outro, em uma mesa de café qualquer, e Statham estava absolutamente chocado.
"Isso é loucura!", disse ele, na época. "Por que vai fazer uma coisa dessas? Acabou de entrar na universidade!".
Lílian respondeu que amava Tiago, portanto não tinham porquê esperar.
"Você tem apenas 19 anos. Vai arruinar sua vida! Não se case!", insistia Statham.
"Não vou arruinar nada, Sev. As coisas serão ainda melhores." disse ela, e sua felicidade cega chegava a irritar Statham. "Achei que era meu amigo, pensei que feliz por mim..."
"Feliz? Como posso ficar feliz? Não quero que se case com Parker. Por favor, não faça isso..."
"Mas afinal, por que você odeia o Tiago?"
"Porque amo você! Sempre amei! Amei todos os dias desde que nos conhecemos!" e então a beijou de súbito, deixando-a sem reação.
Severo sempre ficava constrangido quando se pensava daquele dia. Aquilo fora tão exagerado, mas ele era tímido e esperara muito para dizer aquelas palavra.
Lembrava-se bem da expressão aturdida de Lílian depois do beijo. Ela demorou para recobrar a fala, mas quando conseguiu, sua voz soava estranhamente paciente:
"Por que está me contando isso agora?"
Severo agarrou sua mão e falou tudo o que queria. Disse que não se declarara antes porque tinha medo, que tentara contar a verdade uma porção de vezes, mas alguma coisa sempre acontecia, e que naquele instante percebeu não podia esperar mais.
"Por favor, não se case. Podemos ficar juntos."
"Ah, Severo, desculpe, mas você está muito atrasado", Lílian disse, balançando a cabeça. "O que você disse não muda o que sinto pelo Tiago. Já fizemos planos..."
"Mas eu amo você de verdade!".
"E eu amo você... mas não assim. Não agora...", Lílian estava tentando se gentil e aquilo doeu mais do que se fosse grosseira. "Preciso ir, sinto muito..."
"Parker não pode te amar mais do que eu... Ele não é capaz... Não vá!", Severo agarrou sua mão quando ela se levantou e fez menção de sair. Lílian lhe lançou um olhar triste.
"Eu estou grávida."
A frase encerrou a conversa e amizade dos dois.
Eles só tornariam a trocar duas palavras durante o enterro do jovem Henry. Mesmo aos doze anos, o caixão parecia tão pequeno.
Lílian estava desolada no velório quando Severo se aproximou para murmurar um "Eu sinto muito... se precisar de qualquer coisa...", e todas aquelas palavras que se costuma usar naquelas ocasiões. Elas não tinham sentido, pois não era aquilo que tinha vontade de dizer.
Queria falar que ainda a amava, que devia deixar aquele idiota que permitira que o menino morresse, que ele seria um marido melhor e que poderiam ter outros filhos.
Mas ele não disse nada daquilo e assistiu Lílian abraçar Tiago quando abaixaram o caixão. Viu-a desfalecer quando começaram a fechar o túmulo. Doía-lhe vê-la naquele estado.
E contudo, ali estavam ela e Tiago em frente ao prédio das Câmaras, com uma cópia idêntica ao falecido Henry.
Era quase risível que quisessem convencê-lo que aquele menino era filho deles.
Statham saberia da existência de outra criança. Claro que saberia de uma coisa dessas, tão desconsolado ficara com a notícia do nascimento. Ah, sim, pois ele procurara se informar das datas e dados do hospital, levado por uma curiosidade morbidamente ciumenta.
Lílian só tivera um único filho e disso ele tinha certeza. Então quem raios era aquele?
O tal garoto era igualzinho à Parker, exceto nos olhos, que eram os mesmo que os de Lílian. Mas não havia como ser filho deles. Da mesma forma, não havia a mais remota possibilidade de ser o próprio Henry.
— Pois eu vou descobrir o que está acontecendo aqui — falou ele alto, consigo mesmo, antes de dar as costas para a rua e entrar no prédio.
Ele tinha de ir justamente à Seção de Regulamentação pegar algumas pastas de uns casos que estava investigando. Não custaria nada acrescentar mais uma a lista.
Atravessou o saguão e subiu as escadarias, rumando para o segundo andar.
Os funcionários que o conheciam saiam do seu caminho quando passava e Statham podia andar depressa sem ficar desviando das pessoas nem pedindo licença. Ele gostava disso. O receio das pessoas em irritá-lo tornava seu dia prático e eficiente.
Tudo graças ao seu trabalho.
Muitos consideravam uma atividade horrível, usar qualquer meio para arrancar uma confissão, mas ele não pensava assim. A tarefa de Statham não era intimidar ou torturar, e sim extrair a verdade e garantir a prevalência da lei e da ordem.
Era assim que ele enxergava sua realidade e, de forma alguma, assumia o papel de vilão que a maioria da população insistia em colocá-lo.
Parecia que somente os membros do Partido Interno entendiam a importância de seu trabalho. O próprio Primeiro-Ministro considerava Statham absolutamente necessário:
"Estamos no meio de uma guerra que pode destruir não apenas nosso país, mas toda a nossa cultura.", o Primeiro-Ministro lhe dissera: "Não podemos ter conflitos internos, não agora. Seu trabalho é fundamental para garantir que estabilidade da nação."
Statham se enchia de orgulho ao pensar nisso.
É certo que, mais de uma vez manipulara alguns interrogatórios, obrigando os presos a confessarem coisas que não haviam feito à pedido de um velho amigo, Lúcio Mordrake. Contudo, nunca fizera aquilo por suborno, e sim porque era sempre bom ter alguém rico devendo-lhe favores. E quem mais rico que o dono de uma fabrica de armas em plena guerra?
Precisou evitar um sorrisinho quando chegou à sala de espera da Departamento de Registros. Achava todos ali meio incompetentes e manter uma expressão fechada fazia-os se empenhar mais.
— Vim buscar os documentos que mencionei ao telefone — disse ele gravemente à secretária.
— Já estão separados — ela se abaixou e pegou uma pilha de pastas debaixo do balcão. — Aqui estão.
— Quero também os registros de mais uma pessoa — disse, abrindo a maleta que trazia consigo e guardando os papeis. — O nome é Parker. Harrison Parker.
A secretária piscou.
— Este garoto esteve aqui hoje com a família — disse ela, franzindo a testa. — Seus documentos acabaram de ser revisados. Está tudo em ordem. O que quer com ele?
Statham ergueu os olhos.
— Não me lembrava — falou ele em um sussurro — que xeretar fazia parte das suas incumbências. Se continuar assim, talvez a leve para pequena excursão ao meu departamento. Gostaria disso, Srta. Rute Beetle?
A secretária ficou subitamente pálida.
— Não.
— Ótimo. Agora traga os documentos que mandei.
Ela se virou depressa saiu da sala. Menos de cinco minutos depois, retornou com o arquivo, que Statham guardou com os outros.
— Tenha um bom dia, Srta. Beedle.
— Para o senhor também — despediu-se ela com voz agradável, mesmo que no fundo ela desejasse que uma bomba caísse bem em cima dele.
Statham, porém, já estava acostumado.
Mesmo que a maioria das pessoas intimamente o detestassem, sua vida não era ruim. Ele morava uma casa confortável e bastante resistente à ataques bélicos, alimentava-se melhor do que a maioria da população e tinha um emprego sólido com um salário substancial que atendia às suas necessidades.
Só faltava uma coisa para ser realmente feliz e, dependendo do conteúdo do arquivo que acabara de obter, essa felicidade talvez não estivesse tão distante.
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