Tem cuidado Miguel, e já sabes, alguma coisa liga aos pais, vamos estar sempre com o telemóvel. Aproveita bem estes últimos dias de férias meu amor, e quem sabe se não é lá que encontras o rapaz dos teus sonhos. — Disse-me a minha mãe ao abraçar-me, juntamente com o meu pai e o meu irmão André.

A saudade já apertava e ele ainda nem se tinha ido embora, estes iam ser os últimos dias de férias com os seus amigos, Miguel um mero rapaz de 17anos, homossexual assumido, aceite e mais que amado por toda a sua família. Esperanças e sonhos corriam-lhe pela cabeça... A luz nos seus doces olhos verdes era inconfundível e o Sol que o abraçava fazia-lhe a pele ainda mais morena juntamente com os seus caracóis alourados.

Finalmente! Estava a ver que Santa Cruz ficava no cú de Judas... — Disse Miguel a Teresa e Rita, enquanto fazia aquele sorriso de cansaço mas empolgado. Chegados a Santa Cruz, a primeira coisa que fizeram, ainda com as malas às costas, foi iram a correr para a praia, nestas férias, com Miguel iam Teresa, Rita, Rui e claro a sua melhor amiga, mais que irmã, Susana.

Depressa o Sol se escondeu e trouxe consigo o vento. Adoro o apartamento! Já viram isto tudo?! Até me sinto uma rainha. — Dizia hilariante Susana, enquanto uns iam trocando as vezes no banho e na cozinha, pois a noite por eles chamava. E ninguém queria passar fome ou estar mal arranjado para a sua primeira noite nesta ultima semana de férias antes das aulas começarem.

Vinte e três horas e treze minutos, assim marcava o relógio de Miguel ao entrarem no bar que ficava à beira da praia... Miguel com os seus calções azuis e a sua t-shirt branca que fazia sobressair ainda mais o seu tom dourado de pele, juntamente com os seus tênis cinzentos. Todos eles dançavam, riam, bebiam e uma ou outra vez lá ia um cigarro, não estivessem eles na idade de experimentar o que é novo. Porém, é no meio da música, das gargalhadas que Rita com um ar pesado chega-se a Miguel e lhe sussurra "Não olhes, mas está ali malta que ainda não parou de gozar contigo". Miguel muito subtilmente olha, porém arrepende-se pois esse mesmo grupo chega-se a eles e começam a empurrar enquanto dançam.

Susana, sem ter noção do que se passa à sua volta, pede a Miguel que vá urgentemente ao apartamento buscar o seu telemóvel que ela se esqueceu... Os meus pais já devem ter feito o maior arraial! — Diz Susana ao convencer Miguel a voltar ao apartamento. Miguel, por outro lado, visto não querer arranjar confusões, decide ir então ao apartamento... "Também daqui ao apartamento são cinco minutos", pensava Miguel.

Porra, que frio do caraças! — Dizia Miguel ao sair do bar, enquanto se dirigia para a estrada, tentando se "esconder" do vento forte que fazia dessa noite e ao mesmo tempo procurando alguma iluminação de cidade do século XXI.

Passaram vinte minutos... Onde está o Miguel? — Perguntava Susana ao Rui. O vento soprava cada vez mais forte, penetrando o bar, agora todos olhavam em volta e nem sinal do Miguel, do telemóvel de Susana e muito menos do grupo que outrora tentava estragar a noite com comentários e atitudes homofóbicos. O vento, o vento... Só esse sabia de Miguel.

Gélido, molhado em sangue...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.