Notas iniciais
Era pra ser uma Rose e Scorpius, mas...

Há coisas sobre sua infância que você não esquece, porque fazem parte de você. As pessoas que conviveu, os lugares que conheceu. De alguma maneira em todas essas lembranças estava Lily Potter, ela fazia parte de mim e eu fazia parte dela. Vivíamos grudados, como minha irmã Rose dizia: feito imã e metal. Frequentávamos os mesmos lugares, tínhamos os mesmos amigos. Ela pertencia a mim e eu pertencia a ela. No começo do quinto ano eu sabia tudo sobre ela. A única coisa que eu não sabia era que ela estava desmoronando.

Estava perdida em si mesma e me ignorando por completo.

— Não exagere Hugo, ela ainda conversa com a gente – Lorcan Scamander, meu melhor amigo falava no meio da aula de Astronomia. Era mais de meia-noite e tentávamos analisar nos telescópios se vênus estava entrando em conflito com mercúrio.

— Diz isso porque nunca se importou em conversar com ela direito – falei completamente chateado. Olhei para baixo da torre de astronomia e vi várias figuras correndo em direção a floresta proibida, uma cabeleira ruiva corria junto. A reconheceria em todos os lugares até mesmo dali, um lugar tão alto.

— Ela está indo com eles de novo – comentei.

— O que? – Lorcan não tinha entendido nada.

— Lily! – falei enérgico – De novo com aqueles corvinais que está andando agora. Estão indo treinar na floresta proibida.

Lily havia enlouquecido no quarto ano, só há essa explicação, ela começou a andar com um grupo de Corvinais que se uniam formando uma irmandade, estudavam a teoria durante o dia e a noite iam praticar feitiços, azarações longe do castelo. Ela só poderia ter tomado uma poção de ânimo que deu um efeito duradouro.

Lorcan apenas me ignorou, já estava acostumado a ele não comentar quase nada quando o assunto era Lily.

xx

— Oi rapazes – era ela no café da manhã do dia seguinte, havia trombado em nós sem perceber então era meio que impossível nos ignorar por completo. Aliás desde quando nos chamava de rapazes?

— Você está diferente – falei reparando nela. Estava de maquiagem e seus cabelos um pouco mais lisos do que de costume, estava usando um piercing na orelha e pintou as unhas que estavam enormes.

— Ah eu furei a orelha – ela mostrou seu piercing a gente um pouco constrangida.

E ela estava linda, devo admitir, mas não era ela. Não era a Lily que eu conhecia.

Esqueci de mencionar que eu era apaixonado por ela, sim minha prima, eu sei, é estranho, mas não controlo meu coração. E acho que ela sempre soube que sentia algo a mais por ela do que amizade. Por isso ela havia fugido de mim.

— E como está Mclaggen? – quase cuspi as palavras Ethan Mclaggen era seu namorado, sua chama eterna o cara que a roubou de mim.

— Hã – ela coçou a cabeça um pouco constrangida – Terminamos.

E eu fiquei lá parado diante da nova informação jogada a mim, completamente bobo.

— Tchau – então ela se foi deixando eu e meus pensamentos confusos ainda mais.

— Cara você precisa se tratar na ala psiquiátrica da escola – disse Lorcan me dando um soco no ombro me fazendo sair do topor que estava. – Ainda vai ficar doente por causa dela.

Eu sei que ele talvez e só talvez tivesse razão. Mas aquilo sim era surpresa, ela tinha terminado com o cara que havia tirado ela mim. Só não foi maior surpresa quando no dia seguinte ela estava do lado de fora da sala comunal da Lufa-Lufa me esperando.

— Oi... – ela disse meio tímida olhando pra mim.

— Lily? – fiquei seis meses sem falar com ela, sua reaparição em minha vida não era algo normal. E olha que somos parentes.

— Está ocupado? – ela ergueu a sobrancelha e mordeu seus lábios, parecia tensa.

— Eu só ia... – procurar uma comida na cozinha com os elfos, mas não diria isso a ela.

— Podemos conversar? – ela não me encarava mexia seus pés olhando para o chão.

— É claro – confirmei chegando mais perto dela. – O que quer falar de tão importante?

Porque eu sentia em suas ações que era importante, ela mexia em seu cabelo e suas bochechas estavam vermelhas, evitava me olhar nos olhos. Será que tinha relação com o término com...

— Vai ser legal não é? Terminar a escola – ela falou rápido demais.

— Terminar a escola? – quase não consegui omitir minha frustração pelas suas últimas palavras.

— É... Mal posso esperar para sair daqui... – ela suspirou olhando para baixo encarando seus sapatos. – Deve ser legal, a vida adulta, emprego sabe?

O que ela está dizendo? Só vamos terminar a escola daqui dois anos.

— É bem legal. – O que havia de legal em emprego? Meu pai realmente não achava tão legal assim e só reclamava.

— Parece que me sinto amarrada aqui, já tenho quase dezesseis anos e nenhuma liberdade, você entende? – ela me encarou dessa vez e só consegui balbuciar e sacudir a cabeça afirmativamente.

Não tenho a menor ideia da onde ela quer chegar e realmente não esperava por essa conversa.

— Então era isso que queria conversar? – perguntei um pouco esperançoso de que não fosse. De que esse papo todo de emprego era só um tipo de enrolação.

— Bem era... – ela sorriu sacudindo a cabeça, parecia que ia confessar finalmente. – Era exatamente isso que queria conversar.

— Tá... – disse não escondendo minha feição frustrada.

— Então eu já vou. – ela fez menção de começar a andar.

— Espera. – segurei sua mão, ela me encarou, podia ver seus olhos tristes.

— Tudo bem – ela sorriu – Foi muito bom conversar com você.

— Estarei aqui se quiser... – mas ela não me deixou terminar de falar.

— Obrigada. – ela virou as costas e começou a andar um pouco rápido para longe de mim.

E foi isso ai, nosso primeiro encontro as sós em meses. Só não entendi uma coisa...

— Ás vezes você consegue ser bem obtuso – comentou Lorcan no outro dia de manhã, assim que contei a conversa que tinha tido com ela.

— Do que está falando? – sinceramente Lorcan é meu melhor amigo, mas quando ele quer explicar algo a mim, às vezes só confunde mais meus pensamentos.

— Oras Hugo, é óbvio – ele estralou os dedos na frente de meus olhos – ela terminou com o Mclaggen e veio te procurar. Ela quer você.

Eu mentiria a mim mesmo se dissesse que não havia pensado nessa possibilidade.

— Não é possível Lorcan... – neguei automaticamente – Somos primos, além do mais ela estava estranha.

— Justamente por isso, por que você acha que ela não veio me procurar? Éramos amigos também. – Até que essas suposições dele eram meio que certas, mas ainda não estava acreditando nisso.

— Porque ela sabe que você é maluco.

Tudo bem, devo admitir, eu não sabia o que estava sentindo, mas o amor faz isso com a gente, principalmente quando se tem quinze anos.

Fui andando naquele fim de tarde a fim de espairecer meus pensamentos, parei justamente em frente à cabana de Hagrid, fazia tanto tempo que não visitava ele. Lembranças de alguns anos atrás vieram à tona. Eu e Lily vindo tomar chá com ele e rindo das histórias que ele contava sobre as diversas criaturas mágicas da Floresta proibida.

Houve um tempo que tudo era muito simples, e indolor. Houve um tempo que eu conversava com a Lily todos os dias.

Para a minha surpresa quem estava saindo da cabana de Hagrid naquele momento era ela.

— Hugo! – Hagrid abanou a mão para mim ao longe quando me reconheceu. – Devia vir me visitar. – ele me cobrou.

Na verdade não estava prestando a atenção nele, mas sim nela, que tinha os olhos vermelhos e começava a andar para longe.

— Volto outro dia para tomarmos chá – abanei a mão para o meio-gigante e fui ao encalço dela.

— Lily – a alcancei e relei a mão em seus ombros – O que veio fazer aqui?

Certo talvez Lorcan estivesse certo, talvez houvesse alguma razão dela estar revivendo o passado, talvez eu fosse a razão.

— Eu não sei direito, só fiquei com saudades do chá do Hagrid – ela respondeu meio sem graça. Virou seus olhos para mim e disse – Foi legal conversar com você ontem.

— É pra mim também foi legal. – Na verdade aquela conversa de ontem ainda estava bem confusa para mim.

— Essas novas pessoas... esses novos acontecimentos em minha vida... eu... é complicado.

— O que? – perguntei ansioso. Ela estava angustiada e precisava conversar.

— É engraçado... nem parece que aqui era meu refugio, conversar com você, visitar o Hagrid...

Eu sabia que tinha que dizer algo, mas as palavras simplesmente não vieram até mim.

— É melhor eu ir... – ela apressou a dizer – Os garotos estão me esperando e... A gente se vê.

Garotos. Odiava esses garotos. Me limitei a lhe dar um sorriso falso.

— Tchau.

E ela começou a andar para longe de mim novamente. Era estranho, de repente ela havia virado uma estranha para mim.

— Lily – mas eu não podia deixar ela partir assim tão fácil da minha vida. Ela virou me encarando, permitindo que eu continuasse a falar. – Podemos sair para conversar qualquer dia desses, ir em Hogsmeade, passar na Dedos de Mel e comprar algum doce que você goste.

— Melhor não. – ela sacudiu a cabeça. – Quero ficar sozinha.

Voltou a andar para longe de mim sem se despedir dessa vez. Então era isso, ela preferia ficar a sós. Mas ela nunca estava a sós.

— Eu não entendo – reclamei com Lorcan no almoço do dia seguinte.

Lily estava sentada na mesa ao lado, rindo de alguma piada muito engraçada que aqueles novos amigos Corvinais dela estavam contando.

— O que?

— A Lily! Olha só – apontei descaradamente para ela, sem me importar em ser discreto.

— Ela me parece bem – Lorcan limitou-se a responder.

— É – soltei um resmungo – Aqueles caras estão no sétimo ano.

— E dai? – ele deu de ombros sem perceber a gravidade.

— E dai que aqueles caras só fazem coisas perigosas. Fiquei sabendo que fazem feitiços proibidos nessas reuniões deles na floresta. Ela pode se machucar.

Lorcan limitou-se a sacudir a cabeça e voltou a comer.

Não era só aqueles caras que me incomodavam, era também aquele sorriso lançado a eles que me intrigava.

— Ela estava conversando com o Hagrid ontem. – confessei ao Lorcan ainda com os olhos pregados nela.

— Coma – ele mandou – Não está comendo direito já faz três dias, e isso é realmente estranho.

Era fácil para ele não se importar com ela, mas aquilo era difícil para mim. Olhei para meu prato de comida e simplesmente desisti dele. Precisava conversar.

— Lily! – parei na mesa de frente a ela.

— Oi – ela respondeu tirando o sorriso do rosto que estava anteriormente.

— Podemos conversar? – ela concordou com a cabeça e me puxou pelo braço indo um pouco longe dos corvinais.

— Vi que tem amigos novos. – apontei a cabeça para eles.

— É eles são legais. – limitou-se a responder com os braços cruzados na frente do corpo.

Legais? Legais? Isso era tudo que ela podia dizer sobre eles? E aquele papo de querer ficar sozinha?

— É que achei, pela nossa conversa de ontem...

— Não é da sua conta. – cortou minha fala ríspida. – Eu não disse nada.

— Ei Potter – chamou um daqueles caras que ela ria a pouco.

— Eu preciso ir.

E lá estava ela, escapando de mim novamente. Mas desta vez não ia ser fácil assim. Eu não conseguia entende-la e mesmo assim, mesmo me dando palavras frias e indo correr atrás desses novos caras em sua vida sorrindo, eu sabia que ela precisava de mim.

— Lily – segurei em sua mão antes dela chegar perto deles novamente. – Vamos conversar?

Ela fez menção de desgrudar nossas mãos, mas eu não deixei.

— Potter venha! Precisamos tratar de assuntos importantes com você. – um daqueles caras ria para ela. Sei que esses assuntos não são tão importantes quanto o meu.

— Não vê que estou ocupada? – disse baixo olhando para mim, ainda segurando minha mão.

— Eu sei que você precisa conversar comigo. – disse as palavras sinceras que sabia serem reais.

— Não seja tolo, estou bem.

— Eu sei, mas é que...

— Eu estou bem! – ela sorriu, mas seus olhos estavam tristes.

Soltou de minha mão e foi de encontro a eles. Eu fiquei lá parado a observando feito um idiota, ela ria e sorria para eles. Como ria e sorria para mim alguns meses atrás.

Não sei por que, mas naquela noite fui até a torre da Grifinória para conversar com ela. Fui procura-la mesmo depois dela ter feito aquilo comigo. Talvez eu só quisesse ajuda-la, ouvi-la e saber o que acontecia com ela. Talvez eu só estivesse torcendo para que ela precisasse de minha ajuda, precisasse de mim novamente em sua vida.

E depois de quase meia hora esperando, ela saiu pelo buraco do retrato. Quando me viu parecia surpresa e amedrontada. Não sabia que podia causar desconforto a ela.

— Oi. – ela falou me entregando um sorriso amarelo. – Desculpe ter sido grossa com você hoje mais cedo.

— Tudo bem, eu só queria ver se estava bem.

— Estou ótima obrigada. – ela mexeu em seus cabelos, desviou seus olhos do meu, mordeu seus lábios.

Ela não parecia bem, e eu só podia lhe dizer algo que estava me incomodando.

— Seu irmão, o Albus, sabe que está saindo com esses caras da Corvinal toda noite para treinarem escondidos?

Ela me encarou novamente diante da pergunta, parecia que estava pensando na resposta ideal para me dar.

— É claro que sabe. – não soou verdadeira. Cruzou os braços não me encarando. – por que está me perguntando isso?

Porque quero te entender, quero te resgatar de novo em minha vida.

— Porque estou preocupado com você. – disse não cedendo aos meus impulsos. – Sabe quando você conhece uma garota tão bem, durante sua vida inteira e de repente não conhece mais, e você sente que tem alguma coisa errada, porque essa pessoa está diferente?

Era agora, ela tinha que me confessar o que estava acontecendo. Era agora.

— Hugo, o que você está falando? – bufei nervoso, não era possível ela continuar fugindo de mim.

— Estou falando nada, absolutamente nada – neguei com a cabeça indignado.

Eu sabia que estava acontecendo alguma coisa, ela sabia que precisava me contar, mas havia alguma coisa que impedia isso. Ela me encarava amedrontada, tinha os olhos tristes que já havia me acostumado a encontrar em seu rosto.

— Eu preciso ir... – apontou para as escadas. – A gente se vê...

— É a gente se vê... – comentei chateado, ela já estava bem longe de mim.

Houve um tempo em que eu via Lily Potter todos os dias de minha vida, decorei seus trejeitos, sabia o timbre de sua voz quando estava alegre ou triste, conseguia identificar qualquer coisa e ler seus pensamentos sem precisar de legimência para isso.

—Esses filmes trouxas de princesas são tão legais, obrigada por me apresentar a eles, agora vou ter que vir assistir todos os dias em sua casa. – me disse sorridente depois de assistir A bela e a fera em minha casa.

— Me empurra mais alto – gritava enquanto eu a empurrava bem alto em direção ao céu em um balanço.

— Me ensina a jogar? – me pediu quando lhe apresentei o xadrez que meu pai havia me dado no meu aniversário de dez anos.

— Ainda sou sua melhor amiga. – me disse quando viu que tínhamos nos separado em Hogwarts por ter caído em casas diferentes.

— Adoro tomar chá com o Hagrid e conversar com você. – disse ao anoitecer quando voltávamos da cabana do meio-gigante.

— Estou aqui por você – disse me abraçando depois de eu ter machucado caindo da vassoura num acidente enquanto treinava quadribol.

Mas isso foi há muito tempo atrás. Lembranças que pareciam distantes e irreais agora.

No dia seguinte eu estava chateado, não ia mais procura-la, se assim ela não quisesse, ia esquecê-la.

Foi quando ela trombou em mim, no corredor, entre uma aula e outra. Parecia que o destino queria nos pregar uma peça.

— Me desculpe – ela falou me encarando preocupada, na certa identificando o aborrecimento em meu rosto. – Vamos conversar?

Ah não! Lá íamos nós de novo, conversar sem ao menos dizer nada. Ela me puxou para um canto afastado do corredor.

— Acho que deve estar me achando meio estranha – disse a mim.

Estranha? Estranha? Eu simplesmente não a conhecia mais.

— Não – neguei com a cabeça tentando parecer convincente. Ela levantou a sobrancelha para mim. – Ok, você realmente está estranha.

— Eu quero explicar. – falou diante da minha confissão. Será que finalmente vou começar a entendê-la?

— Então tenta. – disse cansado daquela conversa toda.

— É só que...

— Ei Potter! Venha! – e eles estavam lá, aqueles caras da Corvinal.

Por um segundo achei que teria minha resposta. Ela fez menção de ir até eles, mas eu a segurei.

— Me diz o que está acontecendo com você!

— Me solta você está me machucando.

— Lily, eu te conheço, pelo menos conhecia e você está diferente, está precisando conversar comigo, eu vejo em seus olhos, me fale, me fale o que está acontecendo. – implorei a ela.

Ela sacudiu a cabeça, apertou seus lábios em uma linha, parecia evitar chorar.

— Eu conhecia você, não é mais a minha Lily. – expulsei as palavras de dentro de mim.

— O que quer dizer? – perguntou amedrontada.

— Quero te entender. – pedi desesperado. – O que está acontecendo?

— Nada – ela negou com a cabeça.

— Não minta Lily. – implorei ainda a segurando.

— É o que eu faço de melhor. – ela livrou seu braço de minha mão. – Estou perdida e quero esquecer.

Respondeu enfim saindo de perto de mim e voltando a distribuir sorrisos a aqueles caras babacas.

Esquecer o que? Me esquecer? Esquecer os melhores anos de minha vida?

Então eu decidi também esquecer. Esquecer seus olhos perdidos, esquecer suas lágrimas ocultas, esquecer suas palavras incompletas. Decidi esquecê-la.

Só que na manhã seguinte.

— Hugo.

— O que é? – não estava com paciência nenhuma para ouvir o Lorcan.

— É sobre a Lily.

Ótimo, ela voltava a me assombrar saindo da boca de meu melhor amigo.

— Não quero saber nada sobre ela.

Estava cheio de falar sobre ela, de me preocupar com ela.

— Sofreu um acidente, ontem à noite, com aqueles caras, parece que foi algum feitiço, está na ala...

Não ouvi o final de suas palavras, o peso do remorso havia caído em meus ombros e eu só precisava vê-la. Precisava saber se ela ficaria bem. Sai correndo em direção oposta a que os outros estudantes vinham.

— Lily! Lily! – gritei desesperado batendo na porta da ala hospitalar.

— Pare de gritar – era a enfermeira atendendo a meu chamado.

— Eu preciso vê-la, ela está bem? – tentei enfiar o meu rosto dentro do aposento procurando-a, mas a mulher a minha frente não deixou.

— Ela precisa descansar, vai ficar bem se você parar de gritar.

Fechou a porta na minha cara. Meu coração estava doendo, não ia sair de lá tão cedo. Sentei no corredor e fiquei lá parado, esperei o dia todo uma palavra de conforto, mas ninguém pareceu se importar comigo.

— Preciso vê-la – implorei a enfermeira novamente, já era noite.

— Garoto escute, ela está bem, foi só um feitiço que ricochetou. – um suspiro de alivio saiu de minha voz – Mas ela não quer te ver.

— Ela não quer me ver? – essas palavras me feriram mais do que minha espera por resposta o dia todo.

— É melhor ir embora, ela vai dormir aqui esta noite, amanhã poderá vê-la.

Olhei pela fresta pequena que estava entreaberta entre a enfermeira e eu, e então a vi, reparei em seu rosto, estava triste e tentava esconde-lo com seus cabelos. Parecia envergonhada.

— Vá para o seu dormitório. – a mulher a minha frente apertou meus ombros e fechou novamente a porta.

Ela não queria me ver, eu fazia parte de um passado de Lily, um passado que ela queria esquecer, só me restava ir embora e também esquecer.

Mas eu não fui, eu não podia. Vasculhei uns armários e achei uma velha vassoura, corri para os gramados do castelo e voei a procura da janela da ala hospitalar. E eu a vi. Estava tomando sua poção com a enfermeira. Parecia bastante machucada, não exteriormente, mas interiormente. A enfermeira saiu deixando-a sozinha, ela ergueu seu rosto e então me viu.

Apertou seus lábios em uma linha, entortou sua cabeça e vi que chorava.

— Eu te amo – sussurrei para ela.

Precisava que soubesse o que eu sentia, não me importava se ela me ignoraria. Precisava que soubesse que eu estava lá por ela.

Lily sorriu com lágrimas nos olhos e me respondeu.

— Eu te amo.

Há coisas importantes na vida, coisas do nosso passado que não podem ser negadas. Lily Potter fazia parte de mim e eu fazia parte dela. E não importava o que acontecesse, enquanto vivêssemos eu sabia que nunca poderia deixa-la ir embora.

Eu sempre estaria ali para resgata-la quando ela estivesse perdida em si mesma.

Notas finais
Meio decepcionante eu sei. Mas acho que em algum momento de sua adolescência Lily se perdeu, o motivo não ficou muito claro, mas ela se perdeu tentando se encontrar, e sabia que não poderia voltar para trás. Ainda bem que temos um Hugo bem insistente.
Não sei se o momento do eu te amo seria de amor. talvez um "estou aqui por você". Mas gosto quando essas três palavras tem significado a mais nas histórias. Espero que não tenha sido um disperdicio de tempo lendo isso daqui.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!