Perdida No Paraíso
17 Capítulo 17- O vento e a montanha
Notas iniciais
-A que se refere?
O ruivo voltou a se deitar obsevando a irmã.
-Não se faça de bobo Gaara, sabe muito bem do que estou falando. Já tem tempo que venho reparando em você e na Sakura!
-E?
-Como assim e?! Você sabe tudo que ela passou, ela não foi feita pra joguinhos...
-Assim você me ofende Temari. O ruivo a observava sem nenhuma expressão no rosto.
-Você nunca se interessou por nenhuma garota antes.
-Talvez tenha me interessado por ela.
-Você sabe o que ela passou, sabe como ela saiu quebrada do relacionamento anterior.
-Então talvez ela seja perfeita mim.
-Porque diz isso?
Porque eu também sou quebrado.
Temari respirou fundo e se aproximou do irmão, passou a mão pelo rosto dele ternamente.
-Só tenha cuidado irmãozinho. Não quero que a faça sofrer, e eu nunca permitiria que você sofresse.
-Não se preocupe, eu sobrevivo. Eu sempre sobrevivo.
Ela sorriu para o irmão.
-Tudo bem, mas Kankuro não vai gostar nada disso.
-Depois eu me entendo com ele. Respondeu o Kazekage.
-Bom, vou te deixar descansar.
Assim que cruzou a porta deu de cara com a rosada segurando uma bandeja.
Sakura quase se desequilibrou com ela mas Temari ajudou a segurá-la.
-Trouxe a comida dele.
A loira se ergueu e olhou fundo nos olhos da cerejeira.
-Juízo vocês dois.
Sakura a olhou levemente sem jeito. Temari sorriu e se retirou.
Bateu na porta e ouviu o entre.
Quando se colocou dentro do local viu Gaara de pé e completamente vestido.
Deixou a bandeja sobre uma mesa próxima às portas da enorme sacada e o encarou.
-O que está fazendo?
-Me vestindo.
-E aonde vai?
-Trabalhar.
-Gaara, você tem que descansar.
-Já perdi tempo demais descansando. Onde deixei o manto.... o ruivo procurava enquanto terminava de se aprontar
-Você precisa comer e voltar pra cama. É uma ordem!
Ele parou o que estava fazendo e a encarou.
-Ordem?
-Sim, são ordens médicas.
O ruivo se aproximou sorrateiramente dela que prendeu as costas contra uma cadeira diante da mesa em que deixou a bandeja com a comida.
-Você fica extremamente graciosa dando ordens...
Ela sorriu com o canto dos lábios e se aproximou do rosto alvo de Gaara, quase encostando suas bocas. Pode sentir a respiração do ruivo falhando. Ela apertou as mãos contra o encosto da cadeira e quando viu que ele ia romper totalmente a aproximação e lhe beijar, ela retirou algo do encosto da cadeira e deu volta no corpo do ruivo.
-Pois não pode trabalhar sem seu manto de Kage.
A rosada segurava o mesmo e Gaara soltou uma leve risada.
-Sakura, você sabe que eu preciso trabalhar.
-Antes precisa estar completamente recuperado.
-Eu estou totalmente recuperado, não está vendo?!
E ele se aproximou tentando pegar o manto, mas a rosada desviou indo pra longe do mesmo.
-Não!! Respondeu e correu quando Gaara tentou novamente se aproximar.
-Sabe que eu posso acabar com isso em um instante não sabe?
Ela o olhou e ainda sorrindo com o canto dos lábios respondeu.
-Sei, mas aí não teria graça.
Gaara deu um leve sorriso e voltou a ir atrás da cerejeira.
-Sakura, eu preciso dele!
Sakura parou e teve um lampejo em sua mente.
“–Sakura, eu preciso delas agora!”
Então o ruivo se aproximou e pegou o manto de suas mãos sem ela ao menos notar.
-Sakura?
A rosada olhava para o nada.
-Sakura!
Ela levou seus olhos até ele.
-Tudo bem?
-Ah..sim.
Gaara vestiu seu manto sem tirar os olhos dela.
-Entende que eu preciso trabalhar, não entende?
-E você parece não entender que é para o seu bem. Agora retire essas roupas, volte pra cama e coma.
Gaara soltou uma leve risada.
-Do que está rindo?
-Notou o que acabou de me mandar fazer?
E então mais uma vez ele chegava perto, como um gato, dava passos tão suaves que eram quase imperceptíveis, com aquele olhar sedutor e a franja lhe caindo sobre os olhos.
-Disse para eu tirar minhas roupas...
E retirou o manto de uma vez.
Sakura sentiu o ar lhe faltar.
-Deitar sobre a cama...
E ele se aproximou mais quase lhe tocando os lábios.
-E comer...
Sakura soltou uma risada.
-Tenho certeza que não usei as palavras nesse tom malicioso.
-Pode ser, mas eu gostei da ideia.
Então ele a pegou pela cintura e a girou deixando-a cair sobre a cama e se deitando sobre a mesma.
-Gaara eu...
Ela se calou quando ele levou a mão a seu rosto e passou os dedos gentil e lentamente por seus cabelos, desceu para seu queixo e subiu para os lábios.
-Acho que Kankuro ficará com raiva.
A rosada franziu o cenho.
-Raiva porque?
-Porque estou apaixonado por você.
Ela ficou sem fala.
Aquilo entrou em sua mente e passou a ecoar lá dentro.
Gaara acabara de dizer que estava apaixonado por ela?!
Tentou juntar as palavras, formar as frases mas nada saia de seus lábios.
O silencio permaneceu entre entre eles.
Até que ela tentou dizer algo
-Eu...
Mas ele colocou seus dedos neles, a calando.
-Na hora certa.
Então ela sorriu.
Deus...Gaara a amava.
Ele desceu seu corpo sobre o dela e a beijou.
Aquele beijo tinha um gosto diferente, não era rápido e eufórico como foram os outros. Esse era lento e saboroso.
Era um beijo apaixonado.
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-Aquela menor nós chamamos de Kaze, e ao seu lado, a maior, chamamos de Yama. As vezes elas estão tão próximas que parecem se encontrar. Kaze pode ser menor que Yama, mas é bem brilhante, está em todos os lugares, todos podem ve-la, senti-la ao longe, enquanto Yama está lá, mas nem sempre pode ser vista ou notada.
Ela sorriu.
Estavam sentados na sacada do quarto de Gaara, comendo o que Sakura trouxera na bandeja mais cedo e observando as estrelas. Gaara lhe mostrava cada uma delas e lhe contava as historias que seu povo lhes davam.
Colocou mais uma uva na boca e olhou para dentro do aposento, para cama levemente desarrumada.
Porque ele não tentou fazer nada?
Porque ela e Gaara não dormiram juntos?
Pousou seus olhos sobre ele que a encarava, sentiu-se levemente ruborizada.
-Um beijo pelos seus pensamentos.
Ele disse e também levou outra uva a boca.
-Ah, não é nada.
Ele se aproximou mais dela, estavam sentados no chão, encostados na sacada.
-E se eu disser que posso ler o que está aí dentro? E apontou para a cabeça da rosada.
-Eu vou dizer que você realmente está precisando descansar, pois está imaginando coisas.
-Mesmo?
-Mesmo.
-Então não estava pensando no porque não fizemos nada naquela cama?!
Ela o encarou com os olhos arregalados.
-Acertei.
Ela o olhou indignada.
-Eu não disse que acertou.
-Não precisa.
E tocou seu queixo com a ponta dos dedos.
-Mas respondendo a sua pergunta mental...na hora certa. Quando for o certo pra você.
Ele lhe sorriu levemente e levou outra vez a fruta a boca.
Ela o encarava.
Como ele podia ser daquela forma?
Se aproximou e o beijou num impulso. Sentiu o sabor da fruta fresca em seus lábios.
-Obrigada. Respondeu ao se separarem.
Se encaram por um tempo até que ela falou.
-Agora me diga qual a historia daquela ali.
E lhe mostrou uma pequena estrela ao longe enquanto deitava a cabeça no ombro de Gaara.
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-Desculpe te tirar da cama tão cedo, mas não sabíamos mais o que fazer.
Ela andava a passos rápidos pelo hospital.
Temari a chamou cedo pois tinham um problema no hospital e ninguém sabia como resolver. Agora a cerejeira caminhava pelos corredores ao lado do medico responsável.
-Ali está ela.
Sakura parou na porta de um quarto, La dentro havia uma menina por volta de seus 9 anos, ao seu lado estava sua mãe, que não largava sua mão.
-Fizemos vários exames mas não foi detectado nada, nem mesmo o chakra conseguiu pegar alguma coisa. No começo pensamos ser ideia da mãe dela, pois ela não apresentava sintomas de nada, somente uma pequena febre, mas ontem ela voltou e não parava de vomitar, depois desmaiou, ficamos preocupados pois pode ser algum tipo de doença que não chegou até a vila, alguma coisa contagiosa....
Sakura parou de ouvir o que o médico dizia e entrou no quarto.
-Bom dia, eu sou a Doutora Haruno Sakura, e essa linda menina, quem é?
Ela se aproximou e sorriu para a garotinha na cama.
-Hana. Disse com a voz baixa, quase inaudível.
-Que nome bonito você tem Hana, tão bonito quanto você.
A criança sorriu.
-Vai descobrir o que ela tem? A mãe perguntou ficando de pé.
-Farei o possível. E olhou novamente para a menina...-e o impossível.
Ela olhou para o medico parado na porta.
-Pode nos deixar a sós agora? Prometo cuidar muito bem dela.
Disse para a mãe e segurou a mão da menina.
A senhora olhou de Sakura para o medico na porta e depois para a filha.
Se abaixou e sussurrou para ela.
-Vou te deixar com essa moça agora, mas daqui eu voltou, tudo bem?
-Sim mamãe.
Ela então passou as mãos nos cabelos da menina e se retirou.
-Entre e feche a porta. A rosada disse ao medico que fez o que ela disse.
Olhou o resultado de todos os exames feitos e passou a luz verde sobre o corpo da garotinha enquanto conversava com a mesma para deixa-la tranquila. Nada foi identificado.
-Talvez seja uma coisa passageira, disse o médico.
-Se fosse passageiro a mãe não teria retornado três vezes com ela.
Sakura olhava para a menina na cama e algo veio a sua mente.
-Talvez o problema não seja com ela, mas com a gente.
Então se aproximou colando os olhos no corpo dela, passando-os por toda a extensão do mesmo, da cabeça aos pés. A menina começou a rir se divertindo.
O medico a olhou sem entender.
Depois ela começou a cheirá-la, passou o nariz por toda parte até parar na barriga.
-Doutora Haruno,o que está fazendo?
O medico começou a achar aquilo tudo uma palhaçada.
-Salvando a vida dela.
-Como pretende salvar a vida dela cheirando todo seu corpo?
Sakura se afastou da garota e sorriu para mesma.
-Já já nós voltamos. Tá bom?
-Tá. Disse a menina ainda sorrindo.
E ambos saíram do quarto.
Assim que cruzaram a porta o medico a repreendeu.
-O que acha que estava fazendo...
-Ela tem câncer.
A rosada soltou de uma vez.
-O que? Como pode saber se...
Ela o interrompeu novamente.
-Quando o paciente está doente e não encontramos o motivo dos sintomas, o problema não está no paciente, mas nas técnicas que se está utilizando para encontrar o problema.
-Concordo...mas como sabe que ela está com câncer? nada foi detectado nos exames, nem nos de chakra.
-Porque está no começo. Um pequeno tumor no estomago dela. Concentrei grande parte de chakra na região dos olhos para ver se conseguia enxergar mais profundamente e não vi nada, então, mudei a região com a qual ia examinar. Concentrei o chakra no nariz, pude sentir todos os seus odores até notar algo estranho na barriga, como o senhor sabe tumores são extremamente...
-Mal cheirosos. Ele completou.
-Exatamente.
-E então, é contagioso? Temari se aproximou sem nem ser notada, pela respiração pesada devia ter vindo correndo.
-Não precisa colocar a cidade em alerta e isolar a menina. O que ela tem não se pega, se desenvolve. Ela é muito jovem e vai se recuperar sem qualquer problema. Agora se não precisam mais de mim eu já vou, com licença.
E a rosada saiu deixando os dois sozinhos e uma Temari totalmente confusa.
-Traduza o que ela disse. A loira mandou ao medico.
-A menina tem câncer. A Doutora Haruno tem métodos bem...pitorescos de lhe dar com seus pacientes. E contou a loira todo o ocorrido no quarto
Temari respirou aliviada, pode o ponto cor de rosa se afastando.
-Os Haruno tem um incrível controle de chakra, chega a ser assustador, mas são extremamente eficazes. Comentou.
Com certeza Sakura era uma grande médica, e sabia lhe dar muito bem com seus pacientes, não tinha duvidas quanto a isso. Seu irmão era a prova viva.
CONTINUA...
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OBS: Kaze= vento
Yama= montanha
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