Perdida No Paraíso

40 Capitulo 40-O fardo de amar


Notas iniciais
Vou tentar postar o próximo mais rápido!! Boa leitura

Saiu do distrito Uchiha completamente desnorteada.

Como pudera fazer aquilo? Como pode ter deixado ele beijá-la, e pior, como pode ter retribuído?!

Correu, correu o máximo que pode até o hospital, e foi direto para a sala de Shizune.

–Saura, o que foi?

A morena se assustou com a entrada repentina da rosada, que estava notavelmente nervosa.

–Quero que me examine, quero que veja como está o coágulo.

–Acha que pode ter aumentado?

–Talvez...

Sim, só isso teria feito com que tenha retribuído aquele beijo, aquele coagulo, aquele maldito coagulo.

Não era real o que sentia...não podia ser.

Dentro da máquina de ressonância magnética, ela repetia, repetia várias vezes que aquilo que estava acontecendo não era real. Ela não sentia mais aquilo.

Ela não amava mais Sasuke, tinha certeza disso.

Quando finalmente os 40 minutos de exame passaram, ela pode sair daquele cubículo incomodo.

Já na sala da amiga, ela a esperava com os resultados.

–E então?

–Bom... disse a morena se sentando na mesa diante da rosada.-Parece que você tinha razão, o coágulo está maior apesar dos remédios.

A cerejeira então relaxou na cadeira.

Podia parecer loucura estar aliviada. Aliviada somente porque isso explicaria o porque das reações que teve ao contato com o Uchiha.

–Se continuar aumentando...

–Eu sei. Devemos aumentar a dosagem do medicamento?

–Acredito que sim, mas não muito, devemos rezar para que ele estabilize ou você pode até a ter seqüelas mais graves.

–Acha mesmo que não devemos operar agora?

–É arriscado, está numa área complexa, vamos deixá-lo onde está.

–Tudo bem. Sakura se levantou e pegou os exames sobre a mesa.

–Como sabia que aumentou?

A médica perguntou antes que a rosada partisse.

Ela se virou e a encarou por um momento.

–Eu apenas...senti.

Deu um sorriso meio desanimado a morena e saiu.

Agora tinha certeza.

Sasuke não fazia mais parte dela, era apenas sua cabeça lhe pregando uma peça.

Uma peça bem cruel.

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–Ino?

O moreno realmente estranhou quando a loira foi pessoalmente deixar a filha em sua casa.

–Ela está febril, dei um antitérmico antes de sairmos, por isso quis vir pessoalmente. Devem ser os dentes.

Sasuke sabia da resistência de Ino em vê-lo, e como nem sempre suas amigas podiam ir até a casa da Yamanaka para entregar a filha ao moreno, acabavam se encontrando regularmente. Então para deixá-la mais confortável com a situação ele passou a mandar um Anbu para buscá-la. Afinal, ser um líder tinha suas vantagens.

–Vou observar se ela vai ficar bem, qualquer coisa mando te avisar.

Ele disse a loira.

–Obrigada.

Se encararam por um tempo até Ino estender a pequena menina sonolenta para o Uchiha.

Ele a pegou, a mesma reclamou um pouco pelo movimento mas depois se aninhou nos braços do pai.

–As coisas dela.

Quando a loira passou a bolsa com as coisas da criança suas mãos se encontraram.

Ino se afastou com pressa.

–Bom, boa noite.

Disse e se virou, dando um salto para correr sobre os prédios.

Sasuke a observou por um tempo, era rápida e então logo a perdeu de vista.

Olhou para a pequena criatura em seus braços, estava sonolenta.

–Bem, vamos medir sua temperatura.

Disse fechando a porta e adentrando na casa.

Passou a maior parte da noite observando a filha dormir e lendo os papeis que devia ter lido no trabalho. Mas tanto no trabalho quando ali, sua mente não deixava que prestasse atenção. A todo instante aquele beijo vinha a sua cabeça, ainda podia sentir o sabor dela entre seus lábios. E isso o fazia sorrir sem nem ao menos sentir. Tanto que até mesmo seus subordinados na policia estranharam, e muito.

A cada hora ele ia e media a temperatura de Inori, ainda estava meio febril mas não era nada preocupante. A filha era forte, nunca tinha pegado nenhuma doença, apenas teve alguns problemas relacionados a idade. Se deitou ao lado dela na cama e passou a encarar o teto.

Então algo que nunca antes havia passado por sua cabeça lhe veio a mente.

Como seriam seus filhos com Sakura?

Será que teriam seus cabelos assim como Inori?

Teriam os olhos negros ou verdes?

Teriam mais a personalidade da mãe ou do pai? Apesar disso não importar já que indiferente de qual personalidade puxassem, seriam fortes, muito fortes.

Se sentiu levemente estúpido por estar pensando em coisas como aquela.

Coisas que talvez ela tenha pensado algum dia...

Virou de lado e observou a filha ressonando.

Talvez nada daquilo acontecesse, talvez Sakura houvesse se tornado como ele, insensível, menosprezando seu amor, era como se os papeis houvessem se invertido, agora era ele quem a queria e não mais o contrario.

Sentiu o peito apertar com aquele pensamento. Não, ela ainda o amava, sabia disso. Nenhum beijo se igualava ao dela, Sakura lhe beijava não só com os lábios, mas com todo o corpo, com toda a alma.

Em um simples beijo ela se entregava por completo.

Ela tinha paixão. Uma paixão que ia junto dela pra onde fosse. Tanto que as pessoas notavam isso. Por isso seus pacientes eram tão carinhosos, por isso ela era a melhor médica da Vila, por isso ela era a melhor pessoa que ele conhecia. Mesmo quando o afastava, quando lhe desprezava. Sua boca o negava mas no fundo das orbes esverdeadas ele podia ver ela gritando para que desse um passo mais pra perto, pra não se afastar.

Às vezes pensava que só precisava estar na presença dela pra sentir essa paixão.

Só não enlouqueceu naquela prisão porque ela estava lá.

Só recuou quando pensou em partir novamente porque ela estava lá.

Só não perdeu as esperanças de tê-la novamente porque ela estava lá, em sua mente, em seu coração.

E mesmo estando afastados, mesmo com ela o negando, só tinha de agradecer por lhe fazer sentir isso. Nunca antes tinha sentido algo tão puro, tão cheio de vida por alguém estranho, alguém que não fosse sua filha ou da sua família.

Sakura era apenas uma pessoa no mundo.

Mas era a pessoa que ele queria. E o amor que sentia era tão profundo que realmente acreditava naquilo que havia dito a ela. Ele a amou em vidas passadas e a amaria nas próximas. A amaria eternamente. E só talvez o amor que ela sentia também fosse assim. Depois de tantos anos, depois de tudo o que fez ela ainda seria capaz de amá-lo.

O amor dela era perfeito.

Era intenso.

Indestrutível.

Sasuke acariciou os cabelos negros de Inori e fechou os olhos.

Pediu. Rogou para qualquer divindade que estivesse ouvindo que aquele amor dela ainda existisse, que ele realmente fosse tudo aquilo.

Porque sem ele, seria difícil viver.

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–Eu te amo Sakura, e vou te amar pra sempre, e se existirem outras vidas eu te amei nas anteriores e vou amar nas próximas,te amo tanto que chega a doer, quase cheguei a enlouquecer no dia que você partiu. Não me peça pra esquecer você, pra deixar você em paz porque é você que não me deixa em paz, e somente com você encontro a paz.”

Abriu os olhos e levantou bufando.

Olhou para o relógio sobre o criado. 4 horas da manhã. Devia descansar mas toda vez que fechava os olhos aquela maldita cena se repetia, várias e várias vezes.

Levantou-se irritada e foi em busca do remédio. Tomou uma cápsula a seco mesmo e voltou para a cama.

Na manhã seguinte levantou cedo como sempre. Vestiu-se de forma mais descontraída já que combinara de ir visitar Hinata em casa, já que a mesma havia recebido alta do hospital.

Quando chegou ao distrito Hyuuga foi recebida pela empregada. Pediu para que preparasse um café da manhã reforçado para a morena que ela mesma levaria.

Quando tudo estava pronto, subiu as escadas até o quarto do casal, sabia que Naruto já tinha saído para o trabalho pois ele mesmo havia pedido para amiga dar uma olhada na esposa quando ele voltasse ao trabalho.

Naruto passou o tempo todo ao lado de Hinata durante o período que passou no hospital.

–Bom dia, vamos acordar primeira dama?!

A rosada entrou no quarto com uma enorme bandeja, Hinata abriu os olhos e sorriu.

–Bom dia. Disse sentando na cama e se espreguiçando.

–Como está se sentindo?

A cerejeira perguntou deixando a badeja sobre a cama diante da morena.

–Melhor do que o esperado.

–Ótimo, pois então trate de comer tudo.

–Mas você trouxe comida pra um batalhão!

Sakura girou os olhos.

–Tudo bem, eu te ajudo.

Ela se sentou diante da amiga e antes de pegar algo para comer deu um longo bocejo.

–Parece que você não tem dormido muito bem. Disse a morena passando geléia em uma torrada.

–Impressão sua. Sakura respondeu.

–Eu te conheço. O que está tirando seu sono?

–O que sempre tirou meu sono Hinata... ela respondeu resignada.

–Sasuke. Disse a Hyuuga.

A rosada fez um sinal positivo com a cabeça enquanto mexia a colher dentro da xícara com chá.

–O que aconteceu?

–Ele...ele me beijou.

Hinata quase se engasgou com a torrada.

–O que????

Sakura deixou a xícara de lado e olhou para a amiga.

–Ele me beijou. Fui deixar uma fotografia que ele tinha esquecido na minha casa e....

A Hyuuga a interrompeu.

–Sasuke esteve na sua casa??

–Sim, depois da festa... ela pausou, tinha medo que aquele assunto afetasse a amiga.

–Pode dizer Sakura, não tem problema. Hinata sorriu.

–Bom, depois de tudo aquilo ele acabou me levando pra casa e cuidou de mim naquela noite. Acabou deixando uma foto da filha no chão perto da cama, e fui até o distrito devolver.

–E aí vocês se beijaram!

–É. Quer dizer, eu não sei.

–Como não sabe Sakura?!

–Não sei, ele me beijou e eu...

–Beijou de volta.

A rosada a encarou.

–Sabe, acho que eu gostava mais de você quando era tímida e não dizia coisas como essa.

Hinata riu.

–Ele realmente está muito apaixonado por você.

–O que ele sente não me importa. O que importa é o que eu sinto.

Ela pegou novamente a xícara de chá e voltou a mexe-la.

–Você ainda o ama não é?

–A questão não é essa, a questão é...eu não sei.

–Como pode não saber, você o amou a vida toda.

–Sim mas... ela deixou novamente a xícara de lado.-Hinata, prometa que o que eu vou te dizer não vai sair desse quarto.

–Nossa, agora você me assustou. É claro que eu prometo, o que foi?

–Eu tenho um coágulo no cérebro, resquício do acidente de anos atrás.

–Meu Deus Sakura!

Hinata se sobressaltou.

–Foi isso que fez com que eu voltasse pra Konoha. Eu desconfiei a tempo e estou fazendo o tratamento.

–Mas como você soube que estava com isso?

–Bom, eu tinha alucinações. Sentia presença, cheguei até a sonhar com uma vida que não era a minha, enxergava detalhes de uma pessoa quando na verdade era outra completamente diferente, ouvia uma voz...

–Era dele não é? Sasuke.

–Era. Infelizmente era.

–Então por isso você acha que não o ama mais, porque tem um coagulo e ele está fazendo com que você acredite que ainda ama o Sasuke?!

–É, em simples palavras, é isso.

–Sakura...

–Eu não posso amá-lo Hinata.

–O fato de você não poder, não quer dizer que não ame!

–Eu sei que não amo mais ele!!

–Como?

–Só de eu ter me envolvido com o Gaara.

–A por favor, isso não quer dizer nada, você estava frágil, carente.

–Não Hinata! Eu realmente senti algo por ele, algo que eu não tinha sentido antes. Mas então a minha cabeça produzia aquelas imagens, alucinações e eu não consegui viver e paz. Amar o Sasuke é uma falha da minha mente e ponto final.

Ficaram alguns instantes em silencio até a Hyuuga tomar a palavra novamente.

–Você pode acreditar nisso Sakura, mas eu não. Você ama aquele Uchiha desde de que se entende por gente e um amor desse não se acaba assim, é mais cômodo pra você achar que o que sente por ele vem de um problema, de uma doença, mas nós duas sabemos que não é verdade.

A morena então afastou a badeja para o lado e se aproximou da rosada.

–Você o ama apesar de tudo o que ele fez, e dói em você admitir isso. Mas mesmo assim isso não muda nada. Você está fadada a amar Uchiha Sasuke pelo resto da vida, quanto antes aceitar isso, mais fácil será pra você.

CONTINUA...

Notas finais
Obrigada pelos comentários, mesmo não respondendo leio todos!! beijos e até o próximo.