Perdida No Paraíso

31 Capitulo 31- Esperança


Notas iniciais
Não vou mais pedir desculpas pela demora, eu sei que vcs entendem porque vcs são d+! Espero realmente que gostem do cap. Beijos.

Então veio a escuridão, nada mais de sorrisos, de toques, nada, somente a escuridão.

–Sasuke.

Ela sempre teve a voz esganiçada mas mesmo assim, era o melhor som que poderia ouvir.

–Sasuke...

Forçou seus olhos, precisava olhar pra ela.

–Sasuke!

Então o Uchiha abriu os olhos, a claridade repentina o incomodou e ele voltou a fechá-los, tornando a abri-los dessa vez lentamente.

–Como se sente?

Após focar sua visão um rosto surgiu diante de sua face.

Não, não era quem ele desejava, nem era a voz que ele ouvira, era Tsunade.

–Tsunade... o que faz aqui?

Sua voz saiu fraca e baixa.

–O que mais seria? Cuidando de você, seu ingrato!

–Como veio parar na Nuvem?

–Não estamos na Nuvem, estamos em Konoha.

O moreno arregalou os olhos e tentou se sentar, voltou a deitar-se, seu corpo estava absurdamente dolorido.

–Ei, vai com calma, seus ferimentos ainda estão cicatrizando.

–O que aconteceu?

–Naruto mandou um grupo de resgate até você. Como se passaram dois dias e ele não recebeu os relatórios diários que você enviava, mandou um grupo Anbu até você. Quando te encontraram você estava jogado no meio da estrada que corta a floresta que leva até a Nuvem, inconsciente e cheio de ferimentos de kunais.

O Uchiha fez força pra se lembrar daquilo tudo mais foi difícil.

–Ficamos surpresos de te encontrar com vida. Você passou três dias deitado naquela estrada, ao relento e sangrando. Seja lá o que te manteve vivo, deve se agarrar a isso com todas as forças.

–Ei Teme!!

–Naruto, quantas vezes tenho que te dizer que isso aqui é um hospital?!

O Hokage parou na porta após a bronca da Sennin.

–Desculpe Vovó.

A loira franziu o cenho e pegando o prontuário de Sasuke foi se retirando.

–Lembre-se que ele ainda precisa descansar.

–Eu sei.

–Puxa, a Vovó está cuidando de você como se fosse um filho.

–A ultima coisa que Tsunade me veriar é como filho.

Sasuke tentou se erguer novamente e ajudado por Naruto conseguiu se sentar na cama.

–Onde está Inori?

–Em casa com Ino, elas passaram muito tempo aqui com você nesses dias que passou se recuperando.

–Elas estão bem?

–Estão ótimas.

O Uchiha se sentiu um pouco melhor depois da resposta.

–Então minha missão foi um fracasso...

–Bom na verdade é o contrário. Foi tão boa que o Raikage me perguntou se eu não cedia você pra ele por um tempo.

–O que? Do que está falando?

–A missão foi um sucesso Sasuke, mesmo com você voltando todo estropiado. Riu o loiro.

–Mas eu fui descoberto...

–Não. Bom, você deu um certo mole, mas no fim tudo foi melhor que o planejado.

–Dobe, quer fazer o favor de me explicar?!

–Bom, essa missão foi pedida pelo Kazekage. Eu e ele no unimos para investigar a policia da Nuvem sem o Raikage saber. Gaara queria estreitar relações com o país e estava com o pé atrás, então pra não dar na vista pediu que eu enviasse um ninja infiltrado pra investigar, no fim das contas você se saiu melhor que o esperado,mandei todos os relatórios que você ia me enviando para o Raikage, para ele saber o que acontecia dentro da policia, e vou te contar...até eu fiquei enojado.

Sasuke relaxou o corpo. Então cumprira sua missão.

–Aqueles soldados nunca mais vão precisar passar por aquilo e os responsáveis serão punidos.

–Fico satisfeito em saber disso.

–Eu só não imaginava que você ia encarnar tanto no papel que despertaria a ira dos seus companheiros fazendo com eles acabassem te esfaqueando.

Sasuke soltou uma risada lateral.

–Fazer o que, esse é o meu jeito ninja.

Naruto também sorriu.

–Fiquei preocupado com você Teme.

–Parece que eu sou duro de matar, levando em conta todas as vezes que escapei da morte.

–Eu que o diga.

Sasuke então desviou o olhar do amigo o levando em direção a janela.

Sentiu a brisa fraca do fim do dia entrar pela mesma.

–Naruto.

–Hm? Respondeu o loiro que observava o amigo encarar a janela aberta.

–E a Sakura?

O Hokage suspirou.

–Parece que está tudo bem com ela.

–Quero saber quando ela pretende voltar.

Depois de uma pausa silenciosa, Naruto respondeu.

–Não sei se ela vai voltar.

O olhar negro do Uchiha se voltou rapidamente para o loiro.

–Ela não vai voltar? É isso?

–Talvez ela tenha encontrado seu caminho onde está agora.

–Não.

–Sasuke...

–Não me importa nada disso, se ela não vai voltar, eu vou atrás dela!

Sasuke então viu o vulto parado na porta.

–Ino.

A loira estava parada no local, em seus braços a pequena Inori.

–Não queria atrapalhar a conversa de vocês dois, eu posso voltar mais tarde.

–Já acabamos por aqui, e agora eu tenho certeza que o que ele mais quer é ver a filha.

Sasuke mantinha os olhos presos nela.

Deus...como havia crescido. Tinha acabado de completar 6 meses e estava enorme. Os fios de cabelo negro estavam presos por um pequeno laço no alto da cabeça e usava um vestido azul com o símbolo Uchiha nas costas.

–Vou deixar vocês sozinhos. Naruto saiu e Ino se aproximou.

–Como vocês estão?

–Estamos bem, apesar de você quase me matar de preocupação com essa história toda.

–Desculpe.

–Ela tem dado trabalho?

–Você sabe que ela é uma criança muita calma, só agora que os dentinhos estão crescendo que ela tem estado mais manhosa, mas tem resistido muito bem.

–Deixe-me pegá-la.

Sasuke ergueu os braços e a menina sorriu.

–Tem certeza que consegue?

Ino foi entregando a criança para o moreno que a pegou meio sem jeito mas depois foi como se os dois se reconhecessem.

–Nem que não conseguisse.

Ele a pôs sobre seu peito e a abraçou.

Sentiu seu peito se encher.

Ele tinha sobrevivido para viver aquilo de novo, para poder abraçar sua filha, vê-la crescer, e para ir atrás do que mais queria.

–Já sabe quando vai poder voltar pra casa?

Sabia que aquilo ia doer, mas precisava ser dito.

–Eu não vou voltar Ino.

A loira se retesou.

–O-o que?

–Sei que ouviu o que Naruto e eu conversávamos agora pouco.

–Mas...

–Eu tenho que parar de arruinar a sua vida.

Ela ficou em silencio. Pode ver os olhos azuis ficando marejados.

–Tenho que parar de te fazer chorar, você não merece isso, você merece ser feliz.

A loira levou a mão até a boca e com as lágrimas escorrendo pelo rosto, deu meia volta e saiu em disparada dali.

Sasuke continuou olhando para o ponto onde antes ela estava.

–Espero que um dia sua mãe possa me perdoar.

Sussurrou no ouvido da criança lhe dando um beijo no topo da cabeça.

A pequena apenas chupava seu dedo se aconchegando mais nos braços do pai sentindo o sono chegar.

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Horas mais tarde e Hinata foi buscar Inori no quarto de Sasuke, sabia que Ino tinha ido até ela e provavelmente contado tudo. Mas a Hyuuga teve o bom senso em não comentar nada.

Soube também que caso seu quadro não se alterasse teria alta dali dois dias. E foi o que aconteceu.

Não fez alardes quanto a sua saída do hospital, caso contrario iam fazer perguntas do porque sua esposa não estar ali para acompanha-lo, ou Naruto ia querer o ajudar....não queria nada daquilo, só queria ir pra casa.

Quando chegou no distrito Uchiha tudo estava igual, mas assim que pisou na casa principal o silencio o atingiu em cheio. Tudo estava exatamente no mesmo lugar, mas não havia nenhum sinal de Ino ou Inori. Ela havia ido embora e levado todas as suas coisas.

Na mesa de centro havia um papel dobrado. Sasuke se sentou no sofá e o pegou, abriu e leu.

“Voltei para a minha antiga casa. Não sei porque mas sentia que não deveria me desfazer dela. Acho que alguma coisa dentro de mim já sabia...”

Havia um marca de lágrima depois daquela frase.

“Levei Inori comigo mas não se preocupe, não vou afastá-la de você.

Se é que isso é possível, seja feliz.

Ass: Ino.”

O Uchiha deixou o papel cair de sua mão e jogou a cabeça no encosto do sofá.

Ino tinha razão, será que era possível ele ser feliz?

Nos dois dias que se passaram tratou de retomar o trabalho e organizar toda a bagunça que se formou enquanto esteve em missão.

Nos fins de tarde Hinata deixava Inori em sua casa, parecia que Ino não estava preparada para encontrá-lo. Ele passava um tempo com ela, ficou surpreso em ver como sua filha engatinhava para todos os lados e já tentava se por de pé.

Depois ele juntava suas coisas e a levava de volta pra casa de Ino. Hinata estava lá, prestando apoio a amiga , quando ela não podia já que estava prestes a ter seu segundo filho com Naruto, era Tenten quem estava. Sasuke era agradecido, afinal assim como ele, Ino não tinha ninguém, só poderia contar com as amigas.

Tenten o recebia na porta e pegava Inori a levando até o berço já que a pequena sempre dormia no caminho.

E seus dias se resumiam a isso, passar o dia todo trabalhando e ter algumas poucas horas com a filha no fim do dia. Sua rotina só mudava quando Tsunade lhe forçava a ir ao hospital para ver como estava indo a recuperação dos ferimentos. Como foram profundos e demorou até receber socorro, somente chakra não ajudaria, sua cura seria longa e aos poucos.

Tsunade deixara bem claro que ele estava proibido de treinar ou fazer qualquer tipo de esforço físico.

Mas naquele dia não resistiu.

Enquanto voltava pra casa após deixar a filha na casa da mãe se sentiu absurdamente sozinho.

A única coisa que o impedia de ir atrás dela era seu corpo em recuperação, não que ele não houvesse tentado, mas seu chakra e suas forças ainda estavam muito baixas.

Como sempre ele deixara todos os seus subordinados de sobreaviso, qualquer noticia sobre Sakura Haruno devia ser reportada a ele.

Naquela noite ele decidiu mudar sua rotina, viu a montanha dos kages sobre sua cabeça, não soube porque mas sentiu uma vontade insana de subir até lá, e foi o que fez.

Gastou mais energia do que pensou após chegar lá em cima, mas a vista que teve foi recompensadora. Toda a Konoha podia ser vista. Então ele se sentou e passou a admirar aquela paisagem.

Sentiu o vento forte bater em seu corpo e foi como se aquilo o preenchesse de vida. De uma vida a muito tempo perdida.

Ela já estava longe a meses, muitos meses e talvez não retornasse. Pensou em seguir o conselho de Naruto e deixá-la em paz, deixá-la viver sua vida. Mas simplesmente não conseguia.

“Ouço a voz do vento a chamar pelo meu nome
E creio estar sentido a Sua presença
A minha volta
Olhei pra trás e vi meus antigos sonhos
E até chorei, e hoje sinto saudades do que falei
Lamento demais a sua falta.”

Precisava dela, mais que tudo no mundo precisava dela.

Precisava pensar nela, recordar os momentos que passaram juntos. Só assim pra não se sentir tão só.

O que não daria para tê-la ali do seu lado naquele momento, dividindo aquela vista.

Queria vê-la de perto nem que fosse por um instante, ouvir sua voz pelo menos uma ultima vez.

“Eu quero ver o sol atrás do monte
Eu quero ver o brilho que ele traz
Eu quero ouvir de novo a Sua voz!”

Um mês já havia passado desde sua volta da missão e os dias nunca pareceram tão amargos.

Ele pedia pra que ela voltasse, pedia pra qualquer ser superior que o ouvisse, se é que eles existiam.

Ela voltou praticamente dos mortos, trazê-la de volta a vila era ainda mais fácil.

Mas parecia que aquilo não aconteceria.

Se sentia um desgraçado mesmo.

Ah Sakura...o que não teria vivido com ela...vivido por ela.

“Eu mudei, nem sinto, nem vejo as coisas como via antes
Meus amigos cresceram, mudaram, ficaram distantes
Perdoe meu choro, é sincero
Mas digo sim, que mesmo confuso, perdido
Esperas por mim
Os meus olhos fechados Te enxergam bem perto de mim
Espero Te ver nesse inverno.’

Mas o que Sasuke não sabia é que de alguma forma ele era ouvido.

–Senhor.

O Uchiha olhou pra trás e viu a imagem usando uma mascara.

–Sakura Haruno está em Konoha.

“Eu quero ver o sol atrás do monte
Eu quero ver o brilho que ele traz
Eu quero ouvir de novo a Sua voz!’

Quando o Uchiha saiu em disparada, o ninja tirou a mascara de seu rosto.

–Acho que você teria orgulho de mim agora não é pai?

Disse Naruto para si mesmo.

CONTINUA...

Notas finais
Musica do cap: http://www.youtube.com/watch?v=H01JBekHlPA