Perdida No Paraíso
46 Capitulo 46- Livre
Notas iniciais
Shizune passou a mão ensanguentada na testa em sinal de desespero.
A porta foi aberta com brusquidão enquanto ela terminava de amarrar a mascara no rosto, olhou pra trás ao ouvir aquele grito dão doído, mas o ignorou ao notar a enorme poça de sangue no chão.
–Tsunade?
A morena a encarou desacreditando na imagem que via.
–Vou brigar com você depois Shizune, ande, cuide do coração enquanto eu dou um jeito nesse maldito coágulo!
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Quando abriu os olhos a claridade a impediu de ver quem estava sentado ao seu lado na cama do hospital, mas os finos raios de sol incidiram sobre ele o iluminando, ela então sorriu...
–Gaara...
–Não se esforce muito.
A voz da cerejeira saia baixa e fraca.
–Que bom que você está aqui.
–E aonde mais eu poderia estar.
Sua cabeça pesava, mas nunca antes na havia se sentido tão leve.
–Não está bravo comigo por não ter te contado?
–Infelizmente Sakura, eu não consigo sentir raiva de você. Fiquei preocupado, isso eu admito, e também um pouco chateado por você não compartilhar algo assim comigo. Então foi por isso que você fugiu de mim?
–Foi preciso Gaara. Tinha muita coisa na minha cabeça, coisas que e impediam de amar você como você merece.
Tentou se mexer um pouco mas se sentia extremamente fraca.
–Fique calma, você passou muito tempo nessa cama.
–Por quanto tempo eu dormi?
–Pouco mais de um mês. Precisava se recuperar totalmente.
A rosada se assustou.
–E você ficou em Konoha esse tempo todo?
–Sim, porque você está aqui, porque precisava de mim.
Ela fechou os olhos e sorriu.
–É melhor eu ir avisar a Tsunade que você acordou, ela está louca pra ralhar com você.
O ruivo se levantou.
Sakura sorriu.
–Eu posso imaginar.
–Até mais tarde. Ele disse
–Até.
Quando o Sabaku cruzou a porta do quarto a rosada puxou o ar com toda força para seus pulmões.
Aquilo era a vida entrando.
Era a vida recomeçando.
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Voltar ao seu apartamento depois de todo aquele tempo, reunir toda a sua vida e ir guardando em caixas parecia algo tão simples, mas que ao mesmo era como se ela fosse juntando pequenos pedaços seus que foram se perdendo ao longo do tempo.
Mas não se deprimia com isso, pelo contrário.
Era a vida lhe dando uma nova chance mais uma vez.
Seu cabelo estava bem curto devido ao corte para a cirurgia e o cabelo que fora raspado para a incisão começava a crescer novamente.
Podia sentir a enorme cicatriz quando passava a mão.
Olhou para o espelho na penteadeira diante de si, depois desviou os olhos para a foto que sempre esteve ali.
O time 7.
Respirou fundo e se levantou. Precisava passar em um lugar antes que reunir suas coisas para a viagem.
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Quando entrou na sala ele se levantou da cadeira e foi até ela.
–Não há nenhuma maneira de fazer você ficar?
–Minha decisão já foi tomada Naruto.
–Então que você seja absurdamente feliz minha amiga.
–Eu serei Naruto, finalmente eu serei.
Ele a abraçou.
Sakura repousou a cabeça no peito do amigo, podia ouvir seu coração batendo.
–Mas antes de passar por aquela porta eu tenho uma coisa que te pertence.
Disse em seu ouvido.
O loiro a soltou e se encaminhou para sua mesa, se inclinou e abriu a última gaveta, esticou a mão até o fundo da mesma e de lá retirou uma pequena caixa aveludada.
–Não podia deixar que fosse sem antes te entregar isso.
Ele estendeu a pequena caixa a ela que curiosa se aproximou.
–O que é isso?
–Isso...é seu. Sempre foi seu.
Ela a pegou e abriu, de lá apareceu uma pequena aliança dourada com finos cristais incrustados.
–Porque está me dando isso? Ela encarou o loiro.
–Não sou eu quem está te dando, foi o Sasuke quem deixou isso pra você.
Sakura fechou a caixa e estendeu de volta ao amigo.
–Eu não quero isso.
–Sinto muito mas já é seu, Sasuke deixou em seu leito quando ainda estava em coma, pouco antes de pedir Ino em casamento. É a aliança da mãe dele, a aliança que ele daria para a futura esposa.
–Porque está me dando logo agora...
A rosada pareceu perturbada com a noticia.
–Não podia te entregar antes porque você estava com raiva, sabe se lá o que faria com isso. Mas ela é sua, ela sempre foi destinada a você, e ele sabia disso, por isso a deixou pra você, mesmo se morresse, se nunca acordasse, pra ele você é a Senhora Uchiha, é a que merece tê-la.
A rosada engoliu em seco e observou a pequena caixa em sua mão.
–A filha dele morreu, você sabia?
A cerejeira o encarou assustada.
–O-o que?
–No dia da sua cirurgia.
A rosada levou a mão a boca. Não podia acreditar.
–Como?
–Meningite. Os sintomas se pareciam com meros problemas de criança...e ela não resistiu.
–Meu Deus...
A noticia a acertou em cheio.
–Como ele está?
–Acho que você pode imaginar como... mas porque não vai até o Distrito pra confirmar?!
–Hokage, os anciões o esperam. Moegi entrou na sala e comunicou ao loiro.
–Já estou indo.
Se virou para a rosada.
–E quanto a você, saiba que aqui sempre será o seu lugar, mesmo que pense o contrário.
Ele se aproximou e lhe deu um leve beijo na testa, se retirando em seguida.
Sozinha na sala do Hokage, ela olhou novamente para a caixa entre seus dedos.
A apertou entre os mesmos.
–Senhorita Haruno, o Kazekage a espera com sua bagagem.
A cerejeira olhou para a criada que a esperava do lado de fora do prédio enquanto falava com Naruto.
–Pegue minha chave, a mudança já está pronta, é só recolhe-la.
–A senhorita não vem?
–Não, preciso passar em um lugar antes de partir.
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Depois de bater na porta e não receber resposta ela decidiu entrar.
O quarto da filha dele ficava onde antes já fora o de Itachi.
–Você sabia o que ela tinha?
Foi a primeira coisa que ele disse assim que a cerejeira chegou ao quarto.
Estava de pé diante da janela olhando para o lado de fora.
–Não.
–Então porque pediu todos aqueles exames?
–Não sei, intuição eu acho, nunca realmente achei que ela pudesse ter algo.
–Pois a sua intuição estava certa.
–Sasuke eu...
Ela deu um passo mais perto mas ele a interrompeu.
–Sabe...não importa quantas pessoas a gente perde, nunca nos acostumamos com isso.
Sakura sentiu um nó se formando na garganta.
–O mais incrível é que eu consigo imaginar a mulher que ela seria. Forte, destemida, e linda...muita linda. Com seus longos cabelos negros e grandes olhos azuis e não importa o que acontecesse, sempre sorrindo. Ela teria muitos fãs e eu amedrontaria todos. Imagino a levando no primeiro dia da Academia Ninja, na sua formatura, no torneio Chunin. Ela indo a bailes, brigando com a mãe. Imagino a levando ao altar e a entregando a seu futuro marido. Imagino a mãe que seria, teria dois ou três filhos, seria dedicada, amorosa e os ensinaria tudo, assim como um dia eu teria ensinado a ela. Imagino a vida inteira que ela não poderá mais ter.
Sakura sentiu finas lágrimas se formando em seus olhos.
–Desculpe não ter ido visita-la no hospital, eu simplesmente não pude, não de novo.
Em nenhum momento ele se virou pra ela.
–Tudo bem. Eu..só queria te devolver isso.
Ela se aproximou mais e estendeu a caixa de veludo azul para o Uchiha. Notou ele baixar o olhar e ver o que ela lhe estendia.
–Eu estou de partida e não acho justo ficar com ela, é da sua família, deve ficar com você.
Percebeu ele dar um pequeno sorriso lateral.
–Não é meu.
–Como? Naruto acabou de me entregar e disse que você tinha deixado pra mim quando ainda estava em coma.
–Quando minha mãe deixou essa aliança pra mim a intenção nunca foi que ficasse comigo. Ela é pra você, sempre foi destinada a você, antes mesmo de eu saber.
A rosada sentiu seu peito apertar e trouxe a caixa novamente para perto de si.
–Bom, eu já vou indo, só queria me despedir.
–Adeus. Ele disse.
Ela permaneceu um instante em silencio e por fim respondeu.
–Adeus.
Se virou e passou a caminhar para fora do quarto, mas antes de sair olhou pra trás, pra figura dele parada diante da janela e então ele virou parte do rosto e a encarou.
Seus olhares se encontraram.
Sakura sentiu como se uma corrente elétrica passasse por todo seu corpo. Mas não parou, continuou caminhando até estar fora daquele lugar.
Assim que saiu da casa parou. Respirou bem fundo e demorou alguns minutos para finalmente dar o passo que a faria estar completamente fora do Distrito Uchiha.
Caminhou lentamente até sua casa, lá encontrou toda a comitiva do Kazekage.
Sua bela figura saiu do carro que os levariam a Suna.
–Pronta?
Ele estendeu a mão.
Ela sorriu.
–Pronta.
Sakura a pegou e colocando a caixa no bolso adentrou no veículo.
Sim, finalmente estava pronta.
continua..........
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