Perdida No Paraíso
42 Capitulo 42- Desejo
Notas iniciais
Ela fechou os olhos quando ele passou os lábios no vão entre seus seios.
A respiração quente contra sua carne.
Ia fraquejar...sabia que ia.
–Não... disse virando os olhos
Mas ele continuava, e descia cada vez mais.
–Não.
Ela o parou.
Sasuke levantou o rosto e olhou para ela.
–Eu...não posso. Não é certo.
Ele suspirou.
–Tudo bem. Eu respeito você.
Então o moreno se levantou.
Sakura se sentou.
–Eu espero até estar pronta. Espero o tempo que for preciso.
Ele a encarava tão profundamente, com tanto desejo que ela se sentiu nua.
O moreno então se curvou e pousou seus lábios em sua testa calmamente.
–Boa noite. Ele sussurrou ainda próximo a sua boca.
–Boa noite. Ela respondeu forçando a voz a sair.
E ele se foi.
Só relaxou quando ouvir a porta bater.
Jogou a cabeça pra trás no sofá e respirou fundo.
Sabia que em mais alguns minutos não resistiria.
E se entregaria pra ele de corpo e alma...como antes.
E como antes também sairia quebrada.
Passou a mão pelos cabelos e se levantou. Precisaria acordar cedo na manhã seguinte, mas antes disso precisava de um banho.
Um banho bem gelado.
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Estava distraída andando pelo hospital com alguns prontuários nas mãos, mas sua atenção foi totalmente desviada quando ouviu um choro de criança seguida por aquela voz.
–Essa febre que não passa...
–Calma Ino, vamos examiná-la e você vai ficar mais tranquila.
–Tranquila? Eu não vou ficar tranquila Shizune, Inori não está bem e eu sei disso.
–Tudo bem, vamos, entre no meu consultório.
A medica abriu uma porta e deu passagem para que a loira entrasse com o bebe nos braços.
–Já avisou ao pai?
–Sasuke já está a caminho.
Após ambas sumirem dentro do consultório. Sakura parou um enfermeiro.
–Sabe de algum problema com a paciente que está sendo acompanhada pela doutora Shizune nesse momento?
–Uchiha Inori?
–Sim.
–Parece que são só sintomas comuns para idade, dentição provavelmente.
–Hm.. Sakura pareceu pensar
Antes do enfermeiro partir ela lhe deu uma ordem.
–Peça alguns exames, pode ser em meu nome. Um hemograma completo e...um teste imunológico.
–Claro doutora. Com urgência?
–Não, não tem pressa.
Ela lhe sorriu e ele deu alguns passos.
–Mais uma coisa! Ela disse e ele parou se virando. –É sigiloso.
–Tudo bem. E voltou a caminhar a passos rápidos.
Algo despertara a curiosidade da rosada sobre aquela criança.
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Chegou em casa extremamente cansada, comeu qualquer coisa que encontrou na geladeira, tomou um banho e foi pra cama.
Mas não dormiu. Sua mente estava cheia, como já era de costume.
Pensava em tudo que passara até ali e nas tentativas do Uchiha em tê-la de volta.
Mesmo depois de tantas recusas ele continuava insistindo. O Sasuke que ela conheceu jamais seria daquele modo, mas desde que acordou naquele hospital absolutamente tudo havia mudado.
Tinha um receio profundo dentro de si, de que a partir do momento em pensasse em construir algo isso se esvairia, seja com Sasuke...seja com quem fosse.
Não tinha certeza do que poderia acontecer mas uma coisa era certa, aquilo que sentia dentro do peito era forte demais.
Forte demais até para ser uma ilusão.
Virou de lado na cama e fechou os olhos.
Não queria arriscar, não teria forças novamente para se reerguer.
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Estava cansado mas não conseguia dormir. Passou a manhã toda no hospital com Ino e Inori que não parecia estar bem. Poderia sim ser apenas uma febre de criança e um exagero de Ino, mas no fundo a filha também acabou o preocupando.
Quando saiu da consulta a Yamanaka disse que ficaria em casa o resto do dia com a filha, e Sauke foi para a sede da polícia fiscalizar um treinamento, mesmo com sua mente estando aérea.
A noite teve de comparecer uma reunião da Anbu onde saiu já quase de madrugada.
Sentia seu corpo cansado, pesado, mas seus olhos simplesmente se recusavam a se fechar.
O que mais faria para reconquistá-la?!
Ele sentia, sabia dentro de sua alma que ela ainda o amava, mas nunca a vira tão resistente.
Em outros tempos qualquer coisa, por menor que fosse a desarmava e ela se entregava, até mesmo durante uma briga. Era só ele se aproximar e a beijar e tudo já estava resolvido. Ela era forte mas perto dele se enfraquecia, mas agora tudo era diferente. A Sakura de hoje era persistente e não de rendia fácil.
–Durona. Disse pra si mesmo e sorriu.
Dessa vez seus beijos não seriam suficientes, suas juras de amor também não.
Mas não sabia mais como demonstrar o que sentia pra ela. Já estava explícito que ele a amava mas ela simplesmente rejeitava o seu amor.
Passou a mão pelos cabelos rebeldes.
Precisava pensar.
O que mais podia fazer?
Respirou fundo e admitiu resignado. Precisava de ajuda, mas de quem?
Deitou na cama e fechou os olhos, precisaria acordar cedo na manhã seguinte.
Era dia de consulta.
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Tinha todos os dias de consulta dele gravados na mente. Mas como isso não bastaria para se lembrar tinha anotado em uma agenda. Mas por alguma ocasião do destino, tinha perdido a maldita agenda também!
Então foi quase uma surpresa quando olhou o primeiro prontuário sobre sua mesa.
Era estranha aquela sensação. Parecia uma euforia misturada com angustia.
Era como comer um doce escondido...era bom mas sabia que não deveria fazer.
Quando ele abriu a porta ela pode constatar.
Aquele doce era quase impossível de se recusar.
Ele se sentou na cadeira diante da mesa dela e lhe deu seu tão costumeiro sorriso lateral.
–Bom dia.
Ela recolheu seu prontuário e tentou se manter fixa nele.
–Bom dia..Senhor Uchiha. Como tem se sentido?
–Bem. E é Sasuke, se não se importar.
–Eu me importo. Ela disse olhando diretamente pra ele.
Ele se aconchegou mais na cadeira e a encarava.
Ele a irritava...Deus como irritava, mas durante toda sua vida ele fora assim. E isso a atraía...como atraía.
–Sente dor em algum lugar?
–Não.
–Algum desconforto?
–Não.
–Náuseas, dores de cabeça, vertigens....
–Absolutamente nada. Estou ótimo. Na verdade já teria cancelado essas consultas se fosse pela presença da médica.
A rosada desviou o olhar. Não podia corar.
–Bom, levante-se e sente-se na maca.
Ele fez o que ela pedira já retirando a camisa.
Fez tudo como de rotina. Mediu sua pressão, observou os batimentos cardíacos, a respiração.
–Realmente você parece muito bem.
–Talvez você me faça ficar bem.
Sakura soltou um pigarro ignorando o que ele dissera.
–Vamos ver como vão as cicatrizes.
Ela se abaixou e as observou atentamente.
–Tem passado a medicação que indiquei?
–Todos os dias.
–Estão bem melhores. Acho que já podemos suspendê-la.
–Como quiser Doutora.
Sakura ergueu o olhar pra ele.
–Pode se vestir.
Ela se levantou e rapidamente voltou sua atenção para o prontuário.
–Já está encerrada a consulta?
–Sim. Ela disse sem olhá-lo.
–Ótimo, então não tem problema no que eu estou prestes a fazer.
Ele se aproximou dela e tocou em seu rosto. Sakura arregalou os olhos e se afastou.
–O que está fazendo?
–Trazendo pra mim a sua atenção.
–Sasuke...
–Sakura ouça. Ele a interrompeu. -Tudo que eu quero de você é uma chance. Uma chance pra mostrar que eu mudei e estou disposto a fazer de tudo por você.
–O que você está...
Ele a interrompeu novamente.
–Venha a minha casa hoje a noite. Deixa eu mostrar pra você que eu mudei.
Ele estava tão perto.
–E se caso eu recusar?
–Eu vou insistir até você aceitar.
–E acha que isso vai funcionar?
Ele se afastou e lhe deu seu típico sorriso de sempre.
–Eu aprendi a ser insistente com a melhor.
A rosada se surpreendeu. Estava falando dela.
–Na minha casa, hoje a noite depois do trabalho.
Finalizando o Uchiha não esperou uma resposta, apenas caminhou até a porta e saiu.
Por fim a rosada soltou o ar preso nos pulmões.
Ele só podia estar louco se acharia que ela iria aceitar um convite daqueles.
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Só podia estar louca em aceitar um pedido daquele. E a cada passo que dava pra mais perto do Distrito Uchiha tinha mais certeza disso.
Conhecia Sasuke, sabia que ele dizia a verdade, então era melhor acabar com tudo aquilo naquela noite mesmo e não lhe dar mais esperanças.
Quando chegou no Distrito foi direto para a casa principal.
Subiu as poucas escadas e apesar do receio bateu na porta.
Poucos segundos se passaram e ele a abriu.
Estava bonito. Seus cabelos ainda estavam molhados e usava a calça preta e uma blusa azul marinho com o símbolo do clã nas costas.
Ele a olhou e sorriu.
O moreno sorria com cada vez mais frequência.
–Sabia que viria. Ele estendeu a mão pra ela.
A rosada segurou na mesma e ele a puxou pra dentro.
–Pensei que talvez ainda estivesse no trabalho.
–Bom, existem algumas vantagens em ser o chefe.
Ela sorriu e ele fechou a porta atrás de ambos.
A casa estava toda arrumada. Não que não estivesse antes, afinal o Uchiha era perfeccionista ao extremo, mas naquela noite ela parecia bem mais aconchegante.
As luzes estavam baixas e um cheiro realmente muito bom vinha da cozinha.
–Você cozinhou?
–Claro. Está surpresa?
–Bom, um pouco.
–Mas antes de comermos tenho uma surpresa pra você.
Ela o encarou.
–Está lá em cima no quarto.
A rosada o olhou com suspeita.
–Não se preocupe, você vai gostar. E eu prometo ficar aqui em baixo quietinho apenas te esperando.
A cerejeira pensou um pouco mas acabou cedendo. Caminhou a passos calmos para o andar superior. Mesmo depois de tantos anos ela conhecia o lugar como a palma de sua mão.
Ao abrir a porta do quarto realmente se surpreendeu.
Em cima da cama havia um vestido e mais uma vez uma rosa com um bilhete.
“Sei que todas as noites chega cansada, então tome um banho, vista-se e venha se encontrar comigo.
Não demore.
Anseio sua presença.”
Não pode deixar de sorrir
Sentiu o aroma da rosa e reconheceu o vestido sobre a cama. Era dela, a muitos anos atrás aquele fora seu vestido favorito. Era o único que se atrevia a usar já que sempre preferia as roupas de treino.
Foi até o banheiro no quarto mesmo e viu a banheira cheia.
A mesma banheira em que várias vezes se amaram.
A agua estava morna e com pequenas bolhas de espuma.
Ao lado a flor de lavanda.
Se despiu e entrou na banheira.
Por um momento achou que o Uchiha poderia aparecer ali, então ficou tensa, mas logo relaxou. Ele cumpriu o que prometeu.
Quando saiu do banheiro vestiu-se com o vestido. Estava um pouco apertado mas nada desconfortável.
Teve uma leve sensação de voltar ao passado. De voltar a anos atrás quando enquanto ela se aprontava ele chegava por trás e a beijava no pescoço.
Desceu as escadas e ele estava no sofá a esperando. Quando a viu ela notou ter algo diferente em seu olhar.
–Procurei esse vestido feito louca. Então eu tinha deixado aqui.
–Ele ainda fica perfeito em você.
Sasuke segurou sua mão e puxou para a cozinha. Poderia ter preparado tudo na sala de jantar, mas tudo lá era muito grande,e ele queria estar perto ela. E poder sentir novamente aquele aroma de sua pele recém banhada.
–Não sou o melhor cozinheiro do mundo mas espero que goste.
Ele puxou a cadeira e ela se sentou.
–Eu me lembro do gosto da sua comida, até que não é de se jogar fora.
Tudo estava perfeito aos olhos dela.
Flores sobre a pequena mesa, os pratos, os talheres dourados, as taças...
Ele parecia ter se esforçado.
Por incrível que pudesse parecer a conversa acabou fluindo.
Sasuke contou sobre o Departamento de policia. De como foi retomá-lo, conseguir recrutas, os treinamentos e etc.
E ela falou sobre o hospital. Sobre alguns casos raros e banalidades no geral.
Ele sabia que ela era louca por doces e serviu a sobremesa. Até chegou a rir pela cara feia que ele fez ao provar do mesmo.
Sasuke nunca fora fã de coisas doces.
Quando terminaram ela se ofereceu para ajuda-lo a lavar a louça mas ele recusou e disse que fosse tomar um ar no jardim e ver como estava grande a cerejeira que havia plantado.
A arvore já florescia e soltava um aroma gostoso no ambiente. Pegou uma flor e a segurava enquanto permanecia sentada olhando a fonte jorrar.
Não soube quanto tempo passou ali mas aquilo lhe dava paz.
Uma paz que a muito não sentia ou sequer havia sentido antes.
Talvez um pertencimento, e pensar naquilo lhe assustou.
–Tudo bem?
Ele perguntou ao vê-la sentada nas escadas de madeira com a flor na mão.
Sakura se ergueu e o encarou.
–Sim, tudo.
Eles se observaram por um tempo e então o Uchiha se pronunciou.
–Já está ficando tarde, vou te acompanhar até em casa.
–Obrigada.
Ao longo de todo caminho a rosada segurava a flor entre os dedos e o moreno mantinha o caminhar tranquilo ao seu lado, com as mãos nos bolsos e em silencio.
Mil perguntas passavam por sua mente mas apenas uma saiu quando já estava na porta de casa.
–Porque você fez tudo isso?
–Porque eu queria te mostrar o que eu tenho pra nós...se existisse um nós.
Ele deu um passo mais pra perto e continuou.
–Eu não tenho pressa em amar você. Quero que você sinta, aprecie o que eu tenho pra lhe dar. Como eu já disse antes, eu espero o tempo que precisar.
Então ela sentiu ele mais próximo, sabia o que ele ia fazer mas diferente do que imaginou o beijo não foi nos lábios.
Sasuke desviou a trajetória e beijou seu rosto.
–Boa noite Sakura.
Ele disse.
–Boa noite, Sasuke.
Então ele se virou e se afastou, voltando a colocar as mãos nos bolsos.
A rosada então entrou em casa e rapidamente fechou a porta. Ainda na escuridão da sala recostou as costas na mesma e fechou os olhos sentindo seu coração disparado.
Levou a flor de cerejeira até o nariz e sorriu.
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Dormiu tranquilamente aquela noite.
No dia seguinte a Vila estava um alvoroço. Luminárias por todas as partes, o símbolo de Konoha adornando cada canto, as pessoas até estavam mais bem vestidas.
No hospital também todos pareciam animados apesar de ninguém saber o porque, naquele dia o plantão terminaria mais cedo, todos deveriam estar livres até o entardecer, ordens do Hokage.
Ficou até um pouco mais tarde já que um de seus pacientes havia passado mal. Mas quando saiu a Vila parecia em festa. Música, comidas, risos...
Sakura tentou encontrar alguém conhecido e até chegou a avistar alguns, inclusive Hinata, que estava linda e totalmente recuperada. Usava um vestido amarelo com o símbolo do clã Hyuuga de um lado do Uzumaki de outro.
Ela também o viu, Sasuke, e como por instinto ele a encarou de volta. Ao se olharem, ela sorriu.
Mas então sua atenção foi desviada pra algo mais a frente, as portas da Vila de abrindo e uma e grande e luxuosa comitiva adentrando. Carros, pessoas..tudo misturado
Seu sangue gelou ao ver aquele símbolo.
De repente ela não ouvia mais nada, não sentia mais nada. Parecia só ali, até ver Naruto extremamente sorridente caminhando até o maior carro e de lá de dentro ele saindo.
–Gaara!
Ouviu o amigo dizer.
Parecia que seu sangue tinha parado de fluir.
Então ele desceu do mesmo.
Alto, ruivo, exuberante e poderoso em seus trajes de Kazekage.
–Naruto.
–Nem acreditei quando disse que viria. Mandei preparar a Vila toda. O que trás você aqui assim tão de repente?
–Bom... o ruivo desviou o olhar do amigo o direcionando para a multidão.
–Digamos que vocês tem algo que eu...
Seus olhos caíram direto sobre ela.
–...desejo.
CONTINUA...
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