Perdida No Paraíso
22 Capítulo 22- Súplicas
Notas iniciais
Depois de mais um dia extremamente cansativo de trabalho, o moreno se encaminhava mais uma vez para o hospital. As pessoas já estavam acostumadas a vê-lo passar por ali naquele mesmo horário todos os dias, só não ia quando estava em missões, o que compensava nas folgas, quando passava o dia todo com a rosada.
Algumas pessoas achavam aquela atitude do moreno inacreditável, umas o louvavam, outras diziam que ele perdia tempo.
Que não valia a pena.
Entrou no prédio branco, ouviu algumas pessoas o cumprimentarem, coisa totalmente desnecessária porque ele nunca respondia. Subiu as escadas pois ia mais rápido que o elevador, passou pelas portas de outros pacientes até chegar no dela.
Entrou sem cerimônias.
–Bom, parece que meu tempo acabou. O Uchiha chegou.
–Boa noite Ino.
–Boa noite Sasuke.
–Até amanhã.
–Até amanhã
A Yamanaka saiu deixando o moreno a sós com a rosada.
Ele não estranhava ver a loira ali, por vezes eles revezavam nas visitas a Sakura, principalmente quando o moreno estava em missão.
Ele se aproximou da cama e se reclinou, beijando a testa alva da cerejeira.
–Está linda hoje.
Passou a mão pelos cabelos rosados, agora um pouco maiores.
–Parece bem melhor. Naruto te mandou isto.
Estendeu um ramo de flores para a rosada.
–Não vai poder vir hoje, tem um encontro com Hinata.
Então ele foi e tirou o ramo já morto de dentro do vaso, no criado ao lado da cama e perto da janela colocando as flores novas.
Ao se virar sentiu uma pontada na coluna.
–Eu sei, tenho que me cuidar mais nas missões, mas não foi nada.
Sasuke deu a volta no leito e se sentou na poltrona de sempre.
–Você tem que acordar pra brigar comigo e usar suas lindas mãos pra me curar, enquanto fala sem parar.
–--------
5 anos se passaram, 5 anos dedicados a reconstruir o bairro Uchiha e a policia de Konoha. 5 anos focados em missões, 5 anos passando as noites naquele hospital. 5 anos ouvindo as pessoas dizerem que era hora de seguir em frente, que Sakura não voltaria.
5 anos levando aquela caixa de veludo azul no bolso.
Mais uma festa de aniversario no hospital. Naruto e Ino, organizavam uma todos os anos no quarto dela, todos os amigos iam, Rock Lee, Tenten, Neji, Kiba, Shino, Hinata, Kakashi, Shikamaru, Sai e outros. Sakura agora completava 24 anos de idade.
A vida dela passava diante dos olhos negros do Uchiha.
Depois da festa, quando saía do hospital já a altas horas da madrugada, passou diante da porta de um bar, lá pode ver alguns homens bêbados o encarando.
–Pobre Uchiha, ainda acha que a medica vai acordar.
–Deixe ele, o que você tem com isso?
–Eu nada. Deus me livre viver assim, esperando alguém praticamente morta acordar.
–Com aquele fã clube inteiro atrás dele e ele não comeu ninguém. Aquela Sakura tem que ser muito gostosa pra valer isso tudo.
Os dois homens riram após o comentário, então o moreno parou no meio da rua, direcionou lentamente o olhar para eles, com o sharingan ativado.
Quando os dois homens olharam pra ele, imediatamente as risadas cessaram e suas cabeças caíram descordadas em cima da mesa, fazendo um barulho oco.
–Idiotas.
Disse voltando a caminhar.
Com o passar do tempo, todo o avanço emocional que a rosada conseguiu desenvolver no Uchiha ia passando. A cada dia estava mais seco, silencioso, frio.
Antes até se permitia sair algumas vezes com Naruto e Kakashi para comer ramen ou apenas conversar tomando um bom sakê.
Mas hoje, nem isso mais.
Naruto se tornou Hokage e estava noivo de Hinata, herdeira do clã Hyuuga.
Os outros aos poucos também iam construindo suas famílias.
Algumas pessoas vinham lhe dar alguns conselhos, pessoas que não temiam o gênio do moreno, pessoas como Tsunade, Shizune, Kakashi e até mesmo Naruto.
Alguns diziam que ele devia sair e se divertir mais. Mas no dia que a antiga Godaime lhe disse para conhecer alguma garota...se apaixonar, ele não soube se controlar e no mesmo instante seu Mangekyou despertou.
Depois disso ele passou a evitar as pessoas.
Quando mais tempo Sakura dormia, mais ele se fechava dentro de si.
–---------
Estava sentado do lado de fora de sua casa no distrito Uchiha. Tudo estava pronto,reconstruído. Depois de anos se esforçando, trabalhando, estava feito.
Mas ele não se sentia realizado por isso.
Olhou para o céu vendo as esferas brilhantes piscando.
Já era hora de ir.
Assim que cruzou as portas do hospital pode ouvir Shizune o chamando.
–Tsunade quer falar com você.
Ele nada disse, apenas caminhou junto a medica para a sala da antiga Hokage.
Naruto estava sentando em canto com os braços cruzados, tinha o ar sério, coisa muito estranha vindo da parte dele.
–Sente Sasuke.
–Estou bem de pé.
–Você poderia pelo menos uma vez ser menos cabeça dura?! Sente-se.
Ele respirou fundo e se sentou.
A Senju suspirou.
–O que vou dizer não vai ser nada fácil pra nenhum de nós.
–Diga de uma vez pra que possa sair daqui.
Ela o encarou firmemente e então soltou
–Estamos pensando em...deixar Sakura partir.
Ele se levantou furioso.
–Como?
São 6 anos Sasuke, se ela fosse acordar já teria acordado.
Naruto estava silencioso em um canto.
–Não vou permitir uma coisa dessas!
–Ela vive repleta de tubos, sendo alimentada, banhada, penteada...isso não é vida, não depois de todos esses anos.
–Você disse que era só esperar e ela...
Foi interrompido.
–Sim, mas isso não aconteceu.
Estava com tanta raiva que nem raciocinava direito, abriu a porta e saiu batendo-a logo em seguida.
Naruto tendeu a ir atrás dele, mas podia imaginar a dor do amigo e o deixou só.
Estava cego de raiva, se seus pés não soubessem o caminho ele não se daria conta de pra onde estava indo.
Abriu a porta do quarto.
Tudo estava igual, os parelhos, a poltrona ao lado da cama, o jarro de flores perto da janela semiaberta, e ela, deitada naquela cama.
Ele se aproximou ouvindo o tão conhecido barulho da maquina de batimentos cardíacos, mas dessa vez não foi pra poltrona, ele se aproximou do leito dela e se sentou olhando para face alva da rosada.
Passou a mão pelo rosto dela, dos cabelos até os olhos, descendo do nariz a boca e terminando nas bochechas e no queixo.
Ele respirou fundo sentindo mais uma vez aquela dor.
Aquela dor insuportável.
A mesma dor do dia que seus pais morreram, a mesma dor de saber sobre seu irmão, a dor do dia que ela entrou em coma.
Não aguentava mais sentir aquela dor.
Deitou-se a seu lado na cama e a abraçou, escondendo o rosto nos cabelos cor de rosa.
–Por favor Sakura, por favor...acorde.
Sentia seus olhos arderem.
–O que eu vou fazer sem você....como eu vou sobreviver sem você?
Então ele levantou a cabeça, as primeiras lágrimas escorriam por sua face.
Se inclinou e tocou nos lábios frios da rosada com os seus.
O bolo em sua garganta só aumentou.
Aqueles lábios sempre tão quentes, que sempre sorriram pra ele, que sempre tinham uma palavra de conforto ou um xingamento quando necessário, mas que sempre, sempre disseram que o amava.
Sentiu suas lágrimas se misturarem com o beijo.
Então ele se separou dela.
O gosto amargo em sua boca só aumentava.
Depois de tantos anos negando o amor dela, agora que ele a amava, amava tanto... ela seria tirada dele.
E isso era insuportável.
–Acorde Sakura, acorde...
–ACORDE!
Ele a segurou pelos ombros e a sacudiu com tanta força que os tubos que a ligavam a maquina de batimentos cardíacos se soltaram, aquele som contínuo começou e o visor mostrava a linha reta passando. Mais uma vez ele olhou pra ela.
Ele fechou os olhos sentindo mais lágrimas escorrerem e então pediu, pediu a qualquer um que estivesse ouvindo....que a salvasse, que não a tirassem dele pois ela era tudo que ele tinha.
Sakura era a promessa de vida de Sasuke.
Sem Sakura...não havia vida.
Então ele se deitou novamente ao lado dela, acariciando os longos cabelos rosados.
Olhava e esperava o momento que ela abriria os olhos e sorriria pra ele, como ela sempre fazia.
Quando ele acordou já era dia, estava com os braços em volta do corpo dela, do frágil corpo da cerejeira.
Se levantou apressado deixando a rosada e indo em direção a porta, abriu com pressa e saiu procurando alguém.
–Shizune.
Ele chamou assim que viu a medica parada conversando com um enfermeiro. Assim que o moreno se aproximou ela encerrou a conversa e o enfermeiro se foi.
–Desculpe por ontem Sasuke, talvez não tenha sido a melhor forma de te contar mas pense...pode ser melhor pra ela...
–Eu quero um prazo.
–Um prazo? A morena o olhou sem entender.
–Isso, um prazo, se a Sakura não acordar dentro de ano, aí então...
Ele travou.
–...vocês fazem o que tem de fazer.
A medica o olhou resignada.
–Acredite, isso também não está sendo fácil pra nós.
–Não me venha com essa conversa agora, eu tenho ou não tenho esse prazo?
–Preciso falar com a Tsunade antes mas sim, tenho certeza que ela vai concordar.
Então ele lhe deu as costas e foi caminhando.
Teria pelo menos mais um ano pra ficar com ela.
Mais um ano em que talvez finalmente ela acordasse.
–--------
E mais uma vez ele estava lá...faria tudo que pudesse pra que ela voltasse.
–Por favor Sakura...acorde!
–O que eu preciso fazer pra poder ver seus olhos nem que seja uma última vez?!
–Não me deixe sozinho de novo, não me deixe ir pra escuridão, eu não aguento mais viver na escuridão, eu faria tudo pra você voltar, tudo.
Ele sussurrava no ouvido da rosada rezando com todas as forças pra que ela ouvisse.
Que ouvisse suas súplicas.
E ele acreditava, acreditava com todo seu ser que ela podia lhe ouvir.
E quanto mais acreditava, mais ele pedia.
–Não se vá, por favor, se você for eu estarei perdido...
–Eu preciso de você Sakura...eu te amo.
Os dias passavam, já era noite e ele estava sentado na poltrona, sozinho, na escuridão.
Sozinho com ela.
Algumas vezes tanto Shizune quanto Naruto, que largava o posto de Hokage para ir ter com o amigo, lhe diziam para ele ir pra casa, dormir um pouco, lhe levavam alimentos mas nada, Sasuke parecia uma pedra sentado naquele lugar.
Parecia que aos poucos ele também se desligava.
Pensava, pensava, mas não sabia o que fazer.
Sentia-se sufocado, como se estivesses se afogando em uma mar escuro e profundo.
Estava perdido.
De repente ouviu a porta se abrir com brusquidão.
–Desculpe, não me lembrava que estaria aqui, volto mais tarde.
–Não, tudo bem, pode ficar.
Sasuke estranhou o comportamento de Ino, até que viu suas lágrimas. Nunca antes tinha visto a Yamanaka chorar, logo ela que era sempre animada e distribuía sorrisos a todos.
Ela entrou e foi pra perto de Sakura, permanecendo de pé.
–Eu só queria que hoje, somente hoje, ela estivesse aqui.
–A data foi marcada, 12 meses...é o tempo que ela tem, se não...
Ele não terminou.
A loira abraçou os próprios braços depois de limpar as lágrimas que escorriam sobre seu rosto.
–Eu queria ter um amor assim, como o de vocês.
–Trágico? Sasuke disse por fim.
–Não, verdadeiro.
Depois de um momento em silencio, onde ambos apenas observavam a rosada sobre a cama, perdidos em seus próprios pensamento. Por fim, Sasuke se levantou.
–Eu já vou.
Não queria ficar ali com Ino naquele estado, e também não pediria pra ela sair já que a mesma sempre passava um momento com a rosada. E elas talvez não tivessem mais tantos momentos juntas.
–Tudo bem...
Mas talvez ela fizesse pelo menos um pouco de ideia do que ele estava sentindo.
–Quer que te acompanhe até em casa?
Soltou de repente.
–Não precisa, não quero incomodar.
–Não vai incomodar. Você é amiga de Sakura, ela brigaria comigo se soubesse que te deixei ir pra casa sozinha, a essa hora e nesse estado.
Ela era a coisa mais proxima de Sakura, a unica que conhecia os pensamentos e os sentimentos da rosada.
Ino soltou uma leve risada melancólica.
–Ia mesmo.
–Vamos.
–Vamos.
E passaram pela porta.
CONTINUA.....
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