Perdida No Paraíso

15 Capítulo 15- O sol do deserto


Notas iniciais
Boa leitura!

"Por favor Sakura...acorde!”

“O que eu preciso fazer pra poder ver seus olhos nem que seja uma última vez?!”

“Não me deixe sozinho de novo, não me deixe ir pra escuridão, eu não aguento mais viver na escuridão, eu faria tudo pra você voltar, tudo.”

“Não se vá, por favor, se você for eu estarei perdido...”

“Eu preciso de você Sakura...eu te amo.”

Abriu os olhos sentindo o travesseiro molhado, passou a mão pelo rosto, estava chorando.

Estava chorando enquanto dormia...

Sentou-se tentando limpar as lágrimas. Passou as mãos pelos cabelos em desespero.

Não havia vistoo imagens junto daquele sonho, nada, somente aquela voz. Aquela voz que ela reconheceria em qualquer lugar do universo.

Fechou os olhos sentindo as lágrimas escorreram novamente.

Depois de tanto tempo sem as lembranças dele, depois de imaginar que já estaria curada, aquelas palavras, aqueles sussurros ...porque?!

Pegou uma roupa qualquer no armário e se trocou com pressa, nem sequer penteou os cabelos.

Saiu rápido dali, pra onde estava indo...nem podia imaginar.

Pode ouvir seu nome ser chamado enquanto cruzava as portas da mansão mas ignorou, era uma voz distante. A única voz vívida em sua mente, repetindo aquelas palavras, era a dele.

Corria, andava...nem sabia dizer, até que parou quando o fôlego faltou.

Olhou ao redor, não sabia onde estava, tudo que via eram as dunas ao seu redor, no meio do deserto de Suna.

Olhou para os lados e tudo que via era areia.

Estava perdida.

Perdida no meio daquele lugar.

Sentia o calor do sol ainda fraco bater em seu corpo.

Não tinha forças pra procurar o caminho de volta.

“Não se vá, por favor, se você for eu estarei perdido...”

Se ajoelhou na areia macia e mordeu os lábios.

“Eu preciso de você Sakura...eu te amo.”

Deixou o corpo tombar. Deitou-se e sentiu o sol bater diretamente em seu rosto.

Fechou os olhos e tornou a abri-los, a esfera de fogo era a única que olhava pra ela.

Fechou os olhos novamente, talvez o calor fizesse aquelas palavras evaporarem pra longe de sua mente.

Não soube quanto tempo passou ali, as lagrimas se misturaram com o suor que pendia de todo seu rosto.

Então o sol sobre si se foi. Não sentiu vontade de abrir os olhos e ver o que tinha acontecido, provavelmente alguma nuvem o cobriu, o tomou para si.

Ela não podia mais sentir o calor, não podia mais ser abraçada por ele, porque ele não a pertencia mais, agora pertencia aquela nuvem, egoísta, que desejava o sol só pra ela.

E ela ficaria ali, tentando dormir e se lembrar de como era aquele calor, que um dia, mesmo que por alguns instantes foi seu, somente seu.

Mas de repente sentiu algo novo, um abraço novo, sentiu-se erguendo da areia macia e sendo acalentada por novos braços.

-Sakura.

Então ela abriu os olhos. E viu aquele rosto diante de si. Um rosto novo, diferente daquele que ocupava suas memórias.

Ele a ergueu colocando-a sentada, sem retirar seus braços de torno dela.

Ele passou a mão por seu rosto suado e ela mais uma vez fechou seus olhos pra sentir melhor aquele toque.

Sentiu os raios de sol retornarem, vagarosamente, a nuvem egoísta passou, mas agora algo novo ocupava o caminho dos raios até ela.

Gaara.

Gaara ocupava os lugar dos raios do sol.

-Você está bem?

Ele perguntou.

Então Sakura o encarou.

-Estou, agora eu estou.

A rosada se levantou com a ajuda do Kazekage.

Ele a encontrou, no meio daquele deserto.

Agora não estava mais perdida, Gaara estava com ela. Gaara a salvou.

-Como sabia que eu estava aqui?

-Vi como saiu. Amaya te chamou várias vezes, mas você nem sequer ouviu.

-Estava perdida...

Disse mais pra si mesma que para o ruivo.

Olhou para o lado.

Percebeu o ruivo se aproximar.

-Porque veio atrás de mim?

-Já disse, porque vi a forma como saiu.

-Poderia ter mandado qualquer um.

-Não queria que nenhuma outra pessoa viesse.

Ela então pousou seus olhos sobre ele.

-Obrigada.Sussurrou.

Então o Sabaku se aproximou ainda mais.

-Seus olhos....estão inchados.

A rosada suspirou.

-Sasuke.O ruivo disse.

-O-o que?

A cerejeira se assustou ao ouvi-lo dizer aquele nome.

-Estava pensando nele, não é isso?

Ela se calou.

-Correr para um deserto não vão fazer os sentimentos passarem, sejam eles bons ou não.

-Não me lembro de ter um deserto nessa região.

-E realmente não tinha. As tempestades de areia mudam o deserto de lugar, aqui onde você está era um pedaço da cidade.

-Então Suna pode chegar a ser engolida pelo deserto?

Sakura se assustou.

-Não enquanto eu estiver aqui.

Deu um tímido sorriso, ele protegeria a cidade.

Refletiu por um instante.

-Então porque deixa a areia invadir esse pedaço da cidade?

Gaara ergueu sua mão.

-Vem, eu vou te mostrar.

Ela olhou pra mão estendida e logo em seguida para o ruivo.

Juntou sua mão a dele e foi guiada, pra onde não sabia, mas quando chegou lá não pode acreditar.

-Isso é...

A rosada estava sem fala.

-São as montanhas rochosas de Suna.

Diante dela estava um enorme conjunto de montanhas, algumas mais baixas, outras mais altas.

Como nunca tinha visto isso ali depois de todo aquele tempo?

-Como elas vieram parar aqui?!

Gaara deu um leve sorriso.

-Suna não é só areia como a maioria imagina. As dunas encobrem as montanhas, de tempos em tempos o vento leva a areia e elas surgem no meio do deserto.

-É lindo.

Sakura passou alguns segundos admirando aquela paisagem.

-Porque as pessoas não vem aqui pra ver isso?

-Porque a maioria nem sabe que elas existem.

-E porque não dizem a elas?

Gaara também passou a admira-las.

-Porque de acordo com a lenda do meu povo, somente as pessoas merecedoras podem encontra-las, e tentar decifrar o que elas tem por dentro.

- Nunca chegaram a procurar?

-Sim, muitos, a maioria morre pelo deserto. Mas as pessoas realmente acreditam que é apenas uma lenda antiga, perdida com o passar do tempo.

Ficaram alguns minutos em silencio.

Ainda olhando para aquela vista, Sakura perguntou.

-Como sabia que eu estava pensando...nele?

Gaara ainda se manteve em silencio por um tempo, até que por fim respondeu.

-Eu me lembro daquele dia, a muitos anos atrás, um tempo que eu não me orgulho nem um pouco, quando ataquei vocês, quando usei Shukaku, a forma como se preocupava com ele e de alguma forma queria protegê-lo mesmo sabendo que nunca iria conseguir. Eu sei que naquele dia, você teria morrido pra proteger o Sasuke, mesmo que ele não precisa-se.

-Isso foi a muito tempo...

-Sim, mas os sentimentos são os mesmos. Eu sei o que fez você vir pra Suna, eu sei o que faz você ficar acordada até tarde, o motivo dos seus olhos inchados.

-E como pode saber tudo isso?

Ela se virou pra ele.

-Porque eu sei o que o amor pode fazer.

Ele também se virou pra ela, e Sakura pode ver a marca com a palavra AMOR, coberta pela fina franja do ruivo.

Ela desviou o olhar.

-Acho que ele pode ser muito cruel.

-Pode, a maior parte do amor que conheci foi destrutivo. Mas eu acredito no amor que salva, que transforma, que dá sentido a vida.

A rosada voltou a encara-lo e sorriu.

-Não sabia que acreditava nessas coisas.

-Como não poderia acreditar? Eu vi isso, vi com minha mãe, com Naruto, e com você.

-Comigo...

-Na forma em como ama o Uchiha.

-Amava. Completou ela.

-Se pensa assim...

Ela continuava o encarando.

-Você já se apaixonou por alguém?

-Nunca encontrei ninguém apaixonante.

-Mas você é o Kazekage, deve se casar, ter filhos...

-Temari e o conselho já se encarregaram disso, provavelmente alguma filha de senhor feudal, ou alguém de boa família...

Ela o interrompeu.

-É isso que você quer? Passar o resto da vida ao lado de alguém sem amar? Ter filhos com alguém por quem não sente nada? Não acabou de dizer que acredita no amor que salva, que transforma....

O ruivo soltou uma leve risada sarcástica.

-Ser pai... não acredito que chegue a isso. Eu disse que acreditava no amor, não que merecia ele, ou o desejava.

-Mas... ela tentou continuar.

-Eu não tive um bom exemplo em casa, meu pai precisou morrer pra minha família se unir.

Sakura se calou.

-Está ficando tarde, vamos voltar.

E assim fizeram, voltaram para a enorme mansão, sem trocar mais nenhuma palavra.

Tomou um banho para retirar os restos de areia do corpo, perfumou a pele, vestiu uma roupa leve e se deitou.

Sentia a mente cansada, queria dormir e não pensar em nada, mas agora outra coisa a incomodava.

Aquilo que Gaara disse.

Estava indignada com aquilo tudo.

Virou de um lado para o outro tentando ficar confortável.

Nada. Levantou bufando.

Calçou seus sapatos e desceu.

Tinha um rumo certo.

A sala do Kazegage de Suna.

CONTINUA....

Notas finais
beijos!