Perdida No Paraíso
12 Capítulo 12- Boa o bastante
Notas iniciais
Boa leitura.
O que é uma família?!
Pai, mãe, filhos?
Eles nunca tiveram nada disso e mesmo assim eram uma família...uma bela família.
Ver Gaara dançando com Temari a fez sentir uma vontade desesperadora de pertencer novamente a uma.
Respirou fundo. Será que um dia isso seria possível?!
Chegou do trabalho apressada aquela tarde. Ficou tanto tempo presa no hospital que nem percebeu o alvoroço na Vila, foi apenas quando chegou a mansão que notou os preparativos sendo feitos e caiu em si.
Correu para seu aposento e retirando as roupas pelo caminho entrou no banho. Teria de se arrumar rápido.
Saiu do Box apressada, abriu o armário e viu o vestido que Temari havia lhe trazido semanas antes. O deixou sobre a cama enquanto hidratava a pele e pensava em algo para fazer no cabelo.
Sentir o contato do cetim em sua pele lhe trouxe uma boa sensação. Fez uma maquiagem leve em todo o rosto, mas realçou seus olhos que combinavam perfeitamente com o tom do vestido. Resolveu deixar os cabelos como estavam. Perfumou-se e desceu.
Já fazia quarenta minutos que estava sentada naquela mesa com o mesmo copo de sakê, apenas acenando a cabeça pra quem passava e a cumprimentava.
Acabada a música Temari juntou-se ao noivo, insistindo com o mesmo para que dançasse com ela, mas Shikamaru não parecia muito animado com a ideia.
Acabou se assustando com aquela voz que chegou tão de repente.
–Me concede a honra?
Levantou o olhar e sorriu.
–Claro.
Tomou mais um gole do sakê e se dirigiu para a pista, junto a Kankuro.
Pararam um de frente pro outro e começaram com os lentos passos de uma música que Sakura nem prestava atenção
–Está muito bonita.
–Obrigada.
–Está gostando do trabalho?
–Muito...
Passados alguns minutos a música acabou, e a rosada nem percebeu pois estava rindo das coisas que o Sabaku dizia.
Quando a próxima música começou, dessa vez mais lenta, Sakura sentiu seu ombro ser tocado.
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Aquela mão fria fez todo seu corpo se arrepiar.
–Preciso de você na mesa Kankuro.
O rapaz não pareceu muito contente com a interrupção mas fez o que Gaara disse, se retirando e deixando a rosada a mercê do irmão.
Gaara ficou alguns instantes parado apenas a encarando.
Sakura não sabia o que dizer, até que sentiu sua mão ser recolhida pela dele.
O kazekage se aproximou mais e tocou sua cintura, a trazendo para mais perto.
Aquela noite ele estava vestido com as roupas tradicionais de kage mas em um tom negro.
Sakura não pode deixar de sentir estranha com aquele contato, estava difícil até se mexer.
Ele se aproximou mais e sussurrou.
–Soube do que está fazendo no hospital.
–Espero que não se importe...
Ele então se afastou levemente e a encarou. Nunca antes ela tinha visto Gaara tão de perto.
Seus olhos, seus cabelos, seus traços fortes. O ar imponente que o rodeava, o poder...
–Enquanto continuar fazendo um bom trabalho, não vou me importar.
Sakura baixou os olhos e sorriu.
Então ele se aproximou novamente e a girou levemente.
–Você dança muito bem. Comentou a cerejeira.
–Quando se tem um cargo alto, é preciso saber muitas coisas, principalmente aquelas que as pessoas menos esperam.
–E dormir está em uma delas?
Sakura sentiu levemente Gaara se endurecer, mas passou rapidamente, fazendo com que o mesmo voltasse a conduzi-la com maestria.
–Não sei o que quer dizer.
–Sabe. E eu também sei. É só chegar perto de você que dá pra notar.
–Parece que suas habilidades estão voltando mais cedo do que imaginávamos.
Ele e a girou novamente, dessa vez a parando e olhando nos olhos.
–Quero que minhas habilidades sejam uteis. Inclusive pra você.
Gaara sorriu com a lateral dos lábios.
–No momento suas habilidades não me servirão de nada, e espero que no futuro também não. Aproveite a festa, Sakura.
Gaara deu um beijo nas costas de sua mão e se afastou para junto do líder da policia da Nuvem.
A musica acabou e a rosada deixou a pista se sentindo a pior das idiotas.
Como podia ter falado daquele jeito com Gaara?! Ele era um kage, e estava fazendo o favor de a receber. Saiu do local desejando respirar. Foi para uma das várias sacadas, a mais vazia que encontrou.
Escorou no parapeito olhando as dunas escurecidas ao longe.
–Ele assustou você?
Sakura se virou apressada olhando para Shikamaru.
–Não é que...acho que acabei de dar uma bola fora.
Eles se aproximou e também se encostou no parapeito.
–Não se preocupe, não é muito difícil dar alguma gafe com Gaara.
Sakura sorriu.
–E então...
–E então? Perguntou a cerejeira.
–Não vai perguntar nada?
–O que necessariamente?
–Sobre Konoha.
O sorriso de Sakura murchou.
–Ah...claro. Como-como vão todos?
–A todos você se refere a quem?
–Naruto...Hinata,Kakashi, Tsunade...todos.
Shikamaru a encarou por um tempo.
–Vão bem. Muito bem na verdade. Mandaram dizer pra você voltar logo.
–Acho que isso não vai acontecer por um bom tempo...na verdade nem sei se vai acontecer.
–Vai abandonar a vila?
Sakura o observou por instante.
–Abandonar não...na verdade eu ainda não sei.
A rosada encarou as próprias mãos.
–Sabe, você não deveria deixar que uma pessoa, ou...algum acontecimento ditar as regras da sua vida.
Ela o encarou novamente.
–Eu não vou Shikamaru. Nunca mais.
Então o moreno sorriu, mas seu sorriso logo murchou ao ouvir os chamados da noiva.
–Droga. Ela não desiste de tentar me arrastar praquela pista de dança.
–Não pode fugir do seu destino.
Sakura começou a rir com a cara que o Nara fez.
–É melhor eu ir logo.
–Boa sorte.
Ela observou o companheiro se afastar. Sentiu a brisa do vento bater em suas costas e se virou novamente, admirando mais uma vez aquela paisagem.
O céu de Suna tinha muito mais estrelas que o de Konoha. Provavelmente porque a Vila da Folha utilizava muito mais luz elétrica que a Areia, que ainda recorria as luzes de velas sempre que possível ou necessário, o que dava todo um charme a cidade, um ar de mistério...como seu líder.
Gaara era a representação viva daquela cidade. Eram como um só. Como as dunas que mudavam as formas com o vento mas permaneciam majestosas.
Teve vontade de sentir aquelas dunas, de se aprofundar nelas...
Mais uma vez a brisa gelada a tocou.
O deserto podia ser muito frio a noite.
Decidiu se recolher. O peso do dia de trabalho bateu sobre si.
Subiu para seu aposento sem ser vista. Chegando lá tirou o belo vestido, retirou a maquiagem e se deitou.
Mas quem disse que o sono vinha?!
Pelo andar da hora a festa já deveria ter acabado.
Virava de um lado pra outro. Seu corpo pedia por descanso mas sua mente simplesmente não permitia.
Cansou -se daquilo e decidiu se levantar, faria um chá pra ver se conseguia pegar no sono.
A algum tempo atrás não se sentiria bem andando por aqueles corredores escuros e longos, iluminados apenas por alguns castiçais, mas com o tempo acabou se acostumando. O susto só veio mesmo quando acendeu a luz da cozinha e deu cara com uma pessoa sentada em uma das cadeiras da grande mesa que havia ali.
Sakura levou as mãos ao coração.
O que ele fazia sentado no escuro àquela hora?
–Desculpe, não queria te atrapalhar. Após se recompor do susto, disse recuperando a voz. Ela ia se virar pra sair dali até que ouviu a resposta
–Não está atrapalhando.
Gaara aparentava estar ali a um certo tempo.
Ela ficou a observando-o por alguns instantes.
–Acho que eu é que estou te atrapalhando.
O ruivo comentou.
Sakura sentiu sua face esquentar e sabia ter ficado corada.
–Vim fazer um chá, pra ver se o sono chega.
–Se quiser posso chamar uma das empregadas e...
–Não! Ela o interrompeu.-Não se preocupe, eu posso cuidar disso sozinha.
Então caminhou para dentro do local, pegou uma chaleira em um dos vários armários e encheu com água, colocando sobre o fogo logo em seguida.
–Parece que está muito familiarizada com esse lugar.
Gaara permanecia no mesmo lugar mas sem encará-la.
–Passo um certo tempo aqui conversando com as empregadas, comendo..
–Não gosta da sala de jantar?
–Não. É muito ruim comer sozinha.
Notou o ruivo a olhar de esquiva mas logo voltar a posição inicial.
Após mais algum tempo de silencio e Sakura não se sentir bem olhando as bolinhas se formando dentro da chaleira, por não ter pra onde mais olhar, falou.
–Desculpe se fui intrometida mais cedo.
O ruivo permaneceu mudo.
E a rosada continuou.
–Não quis parecer rude.
–Você não foi rude.
Ele disse, e a chaleira começou a apitar.
Sakura demorou alguns instantes para retira-la do fogo. Pegou os saches de chá de camomila e colocou em duas xícaras, despejou água quente em ambas e se direcionou para a mesa onde Gaara estava. Colocou-as sobre o local e se sentou diante do ruivo. Começou a mexer o sache sobre a água que ia tomando um tom amarelo claro.
Levantou os olhos e finalmente encarou o ruivo.
Não sabia explicar porque estava tão desconfortável na presença dele. Talvez pela sua posição, ou por ele ser tão silencioso mas sua presença tão forte, ou se pelo furo de mais cedo.
Sakura deu gole em seu chá e notou Gaara se levantar.
–Aproveite seu chá. Tenha uma boa noite.
Antes dele se retirar ela falou
–Não vai tomar?
–Não gosto de camomila, é muito fraco pra mim.
Quando ele ia se virar ela se levantou e perguntou.
–O que fazia sentado no escuro?
Sakura teve vontade de se socar. Mais uma vez estava sendo intrometida.
–Estava pensando.
Ele simplesmente disse.
–Boa noite Sakura.
Sakura demorou um pouco mas respondeu em seguida
–Boa noite Gaara.
Então ele saiu e a rosada se sentou novamente pegando sua xícara e a levando aos lábios.
Mas antes de sorver o gole algo passou por sua mente.
Ela não estava sendo curiosa ou intrometida,ela estava...preocupada com Gaara.
CONTINUA...
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