Perdida No Paraíso

11 Capítulo 11- Salvação


Notas iniciais
Desculpem a demora..o final da outra fic e a volta ao trabalho sugaram meu tempo, fora um leve bloqueio que rezo pra ter passado.
Beijos aproveitem.

Dor...

O pior sentimento que pode existir.

Era isso que vinha a mente da cerejeira toda vez que abria os olhos.

Abrir os olhos toda manhã, se esforçar para levantar, longe de sua casa, sua vila, sua gente.

O pior de tudo era aquela sensação...

A sensação de ter estado no paraíso e ser expulsa de lá.

Nunca, em toda sua vida imaginou que um dia Sasuke poderia amá-la. Mas aconteceu...e mesmo assim não foi suficiente.

Ela não foi suficiente.

Será que não?

Se fosse ele deitado naquela cama tantos anos...ela esperaria?

A resposta seria sim! Ela esperaria uma vida se fosse preciso.

Como sempre esperou...

E agora mais uma vez ela esperava...esperava a dor passar.

Esperava o tempo ser gentil e levar as lembranças embora.

Por vezes se pegou desejando que o acidente tivesse levado sua memória.

Porque pior do que nunca ter estado nos braços dele...era ter estado, ter experimentado os beijos, os abraços, os murmúrios, suspiros, o desejo..e nunca mais ter nada daquilo.

Gostaria de ser fria como ele, para afogar dentro de si todos aqueles sentimentos.

Quanto tempo levaria pra dor passar?

Meses?Anos? Décadas?

Quando o abrir de olhos pela manhã viria com sorrisos novamente...como vinham quando estava junto a ele.

Porque o pior de tudo era saber que mesmo que o tempo passasse, as lembranças se fossem, seu coração sempre bateria mais forte por ele.



Pôs os pés pra fora da cama, sentiu o contato do chão frio contra sua pele.

A sensação era boa.

Caminhou até o banheiro e abriu a torneira, passou as mãos molhadas pelo rosto espantando qualquer vestígio de sono.

Olhou-se no espelho.

–Bom dia Sakura.

Disse pra si mesma.

Então lentamente segurou na barra da blusa do pijama e o retirou. O mesmo foi com a calça.

Caminhou para o Box e abriu a torneira.

Retirou a ultima peça que a impedia de ficar completamente nua e por fim, deixou a água quente cair sobre seu corpo.

O jato bateu em seu pescoço e escorreu pelos ombros e seios.

Sentiu sua pele se arrepiar.

A água desceu por sua barriga e escorria para as pernas.

Molhou os cabelos passando as mãos nos mesmos, depois desceu as mesmas pelo corpo.

Olhou-se. Continuava com os seios pequenos, mesmo que os mesmos tivessem crescido um pouco nos anos que se passaram.

As cicatrizes eram mínimas.

Desceu a mão e tocou em seu sexo, depois subindo-a pela barriga observando as gotas rodearem seu pequeno umbigo.

Era outra pessoa, com outro corpo, outro rosto...mas com a mesma cabeça.

Talvez fosse a hora de mudá-la também.

De crescer...

Não podia esperar que alguém ou lugar a curassem, porque isso nunca aconteceria.

Devia olhar pra si.

Somente ela poderia fazer a dor passar.

Ela deveria se curar.

Mas onde estava a cura?

Em sua mãos?

Olhou para as mesma e viu os ferimentos feitos por ela mesma.

Então onde estava a sua salvação?

Onde as pessoas buscavam a redenção?

Na família, nos amigos, no amor...

E ela não tinha nada daquilo ali.

Então o que sobrava para Sakura?

O desespero?

O que a fazia Sakura Haruno?

Então uma ideia veio como turbilhão em sua mente.

Fechou a torneira com pressa, logo abrindo o Box e pegando a toalha.

Não tinha tempo a perder. Precisava ser novamente...Sakura Haruno!

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Facilitava muito sua vida não se perder mais entre os inúmeros corredores e salas daquele lugar.

Bateu na porta e ouviu um entre, mas não foi quem ela esperava que estava atrás da mesa da pessoa mais importa de toda a Vila da Areia.

–Kankuro?

–Olá Sakura.

–Onde está o kazekage?

–Gaara teve de viajar as pressas, Temari foi com ele e acabou sobrando pra eu ficar aqui e cuidar das coisas, costumamos revezar nessa função... Temari reclama quando é sempre ela que tem de ficar.

O rapaz girou os olhos mas depois sorriu para a rosada.

–Parece bem essa manhã. Posso te ajudar em alguma coisa?

Sakura chegou mais perto da mesa onde Kankuro estava.

–Na verdade, eu que deveria fazer essa pergunta.

O Sabaku levantou uma sobrancelha sem entender.

–Como assim?

–Em que eu posso ajudar aqui na Areia?

Continuou encarando-a por alguns instantes.

–Bom...começou o rapaz, mas Sakura o interrompeu.

–Bom na verdade eu já sei onde posso ajudar.

–Prossiga. Respondeu o outro.

–No hospital.

–Ah..Sakura, eu não sei se é uma boa ideia, nem o que Gaara pode achar.

–Eu sei que passei tempo demais afastada e não tenho..forças pra exercer a medicina ninja...

–Então?

–Mas eu tenho algo muito mais poderoso.

–Que seria...?

–Conhecimento.

O jovem se assustou com a resposta da rosada e a considerou por um instante.

Era razoável o que Sakura pedia, ela poderia ajudar com seus conhecimentos, afinal, ele estava diante da discípula direta de Tsunade, a melhor médica-nin que já existiu, e Sakura já provou mais de uma vez ser tão boa quanto ela...por algumas vezes até melhor.

–Certo!

A cerejeira soltou o ar preso desde a hora que pisou no local.

–Você concorda?

–Claro. Kakuro se levantou e foi pra junto da rosada.-Tenho absoluta certeza que nosso hospital terá grande ajuda com você lá.

–Mas, e o Gaara?

–Não se preocupe, te dou a minha palavra que Gaara não vai se importar.

Sakura sorriu.

Estava feliz!Sim, muito feliz depois de tanto tempo.

–Obrigada Kakuro, você não vai se arrepender.

–Bom, eu espero que não. Ou o Gaara arranca minha cabeça.

O rapaz passou o braço em torno dos ombros da cerejeira.

–Agora vamos, vou te mostrar o Hospital Geral de Suna.

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O cheiro do éter,a agitação, o barulho dos aparelhos de batimentos cardíacos...tudo naquele lugar a enchiam de vida.

E ela se reconheceu ali.

No começo as pessoas estranharam a presença de Sakura ali, depois de um mês em Suna ela nunca havia mostrado interesse pelo lugar. Alguns questionaram se era capacitada a voltar a profissão depois de tudo...outros pensavam que ela chegaria ali mandando em todos, dando ordens, se mostrando a melhor.

Mas estavam redondamente enganados.

Sakura se mostrou extremamente receptiva e pronta pra qualquer ordem que lhe dessem, desde olhar a pressão de um paciente até ir buscar algodão.

Ela não estava ali pra ser a melhor, mas para reaprender tudo que um dia a fazia passar horas e horas dentro de um hospital.

Começou de baixo, cuidando dos casos mais simples possíveis. Crianças com gripe, ferimentos de raspão, dor de garganta.

Em sua primeira semana notou vários casos de falta de ar, nariz sangrando, e pessoas com crises de asma.

Suna não tinha o melhor nem o maior estoque de ervas e medicamentos, afinal..estavam no meio do deserto.

Então a rosada recomendou compressas de água na região do nariz e olhos, não ficar treinando ou trabalhando tanto tempo no sol, buscando pausas sempre que possível, mas quanto ao remédio para as pessoas com asma...havia o problema, não havia estoque suficiente.

Claro que as recomendações da cerejeira eram simples e a maioria das pessoas já sabia daquilo, mas foi a atitude da rosada de ir atrás das ervas para o remédio de asma que surpreendeu a todos.

Kankuro disse que não era necessário que ela mesma fosse, que um ninja seria encarregado.

Mas Sakura insistiu, pois caso não encontrassem as ervas certas ela poderia ir atrás de outras formulas e componentes com aquilo que encontrassem pelo caminho.

E foi o que ela fez.

E com o que encontrou pode fazer o medicamento, e ensinar aos pacientes como fazê-lo em casa, e cultivar os mesmos em seus jardins.

Cada vez que era perguntada sobre essa atitude dava a mesma resposta.

–Os pacientes devem vir ao hospital quando todos os recursos que tinham disponíveis acabarem. Em uma vila ninja as pessoas devem ser independentes e ter o mínimo conhecimento de ervas e antídotos. Elas tem as vidas nas mãos delas, só somos necessários quando estão morrendo, depois que elas fizeram o possível, a nossa missão é fazer o impossível.

Ela fazia a menor das tarefas com devoção e muitos se questionavam o porque, afinal ela não era dali e não usava bandana de nenhuma vila ninja...como uma renegada.

Mas como dizer que aquela jovem, que chegava cedo ao hospital e saia tarde, que tratava a todos com gentileza e não media esforços pra encontrar e tratar qualquer moléstia que caísse em suas mãos, era uma renegada?!

E então...aos poucos, a rosada se pegava acordando com o despertador gritando, mas feliz ao saber que era necessária, que ainda podia ser boa no que fazia.

Que ela ainda existia dentro daquele corpo 7 anos mais velho.

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Acordava tão cedo que não dava trabalho para as serviçais lhe preparando o café, ela mesma ia até a cozinha e o fazia. Perdeu a conta de quantas vezes fora repreendida por isso mas nem se importava, acabou ficando amiga das mesma e passavam muito tempo conversando, quando a rosada não tinha de sair correndo.

–É uma pena terem adiado o baile, seria uma bela comemoração.

–Comemoração? De que? Perguntou a rosada curiosa.

–Da aliança feita entre nossa Vila e a Nuvem para o desenvolvimento da primeira policia de Suna. Hiro estava tão empolgado com a ideia de entrar pra policia. Amaya, a senhora que antes sempre lhe servia as refeições comentou. Hiro era seu filho mais velho.

A rosada esteve tão entretida com o hospital que nem se lembrava do tal baile.

–Sabe porque foi adiado? Sakura perguntou colocando o pedaço de uma fruta na boca.

–Parece que o Kazekage teve problemas nessa viagem, não sei os detalhes porque tudo é confidencial, só ouvi o Kankuro-sama comentar com um dos anciões do conselho.

–Trabalha aqui a muito tempo Amaya? A rosada se pegou perguntando.

–Desde a época do pai do Gaara-sama.

–Ele trabalha muito não é?

–Até demais. Com isso acaba não comendo ou dormindo direito... é muita responsabilidade nas costas dele, principalmente por ter se tornado Kazekage tão jovem.

–E ele nunca pensou em se casar e construir uma família?

Sakura estranhou estar perguntando tudo aquilo, o que lhe importava?

Mas era realmente estranho...Gaara era jovem, bonito e poderoso, já ouvira muitas jovens se derretendo de amores por ele, pessoas que antes temiam o Sabaku devido sua fúria de Jinchuuriki, agora o admiravam.

–Isso eu não sei te responder. Gaara-sama é muito reservado e sério.

Sakura olhou para o relógio, se não corresse acabaria se atrasando.

–Preciso ir. A rosada juntou sua louça suja e colocou na pia.

–Não quer que prepare algo para o almoço?

–Não precisa, como qualquer coisa por lá mesmo.

–Cuidado pra não adoecer cuidando de tanta gente.

A rosada sorriu para a senhora.

–Não se preocupe, eu adoeceria é se não cuidasse deles.

Sakura pegou seus pertences sobre a bancada, mandou um beijo para Amaya e saiu.

E ela se curava ...se curava enquanto curava as dores dos outros.



CONTINUA....

Notas finais
Não percam logo, logo, "A ultima dança", a segunda temporada de Dance Comigo!