Notas iniciais
Disclaimer: O Kurumada retém os direitos de Saint Seiya. É ele quem ganha dinheiro com a venda dos bonequinhos, não eu. Aviso: Capítulo curtinho. Contém palavras fortes e angst. Okay?

Resgate

“Onde...”

Kanon estava em um penhasco, na beira do mar.

Passada a estranheza inicial, reconhecera o local. Era o Cabo Sunion.

Olhou para si. Podia se mexer, não havia marcas em seu corpo, nada doía. Será que tinha morrido?

Ainda assim, as memórias daquela noite estavam muito vivas. Sua alma queimava. Nem na morte conseguia esquecer...

Caiu de joelhos, segurando com muito custo a vontade de chorar. Estava despedaçado por dentro. Por que, de todas as desgraças que poderiam lhe acontecer, teria que ser justo essa? Ter exposto de maneira tão violenta seu maior pecado, seu mais escuro segredo?

Lembrava-se da acusação de Saga, de que ele plantara o mal em seu coração. Mal esse que se voltara contra si da pior maneira dentre todas possíveis.

Sabia que era um pecador. Sabia que merecia punição. Por ter traído a Deusa, por ter conspirado contra Atena e Poseidon, por amar seu irmão de forma não natural... Sim, agora, depois de tudo, era impossível ignorar. Mas nunca sequer se deixara pensar nisso. Nunca se aproximara dele de forma não fraternal. Nunca.

Mas isso? Essa seria sua pena? Ver seu irmão dominado pela sua face maligna violar seu corpo e sua alma dessa forma?

“Kanon.”

Por quê? Por que logo isso? Não poderia mais nem se lembrar dos olhos verdes e profundos de seu irmão, que o olhavam com tanto amor... Podia parecer pouco para os outros, mas para ele, cavaleiro que era, aquilo era tão importante quanto o ar que respirava.

Doía-lhe o peito, de segurar as lágrimas que já forçavam sua saída pelos seus olhos...

“Kanon.”

O que queriam agora? Já não lhe tiraram tudo? Não tinha mais sua ilusão de amor puro por Saga. Com tudo isso, e apesar de tudo isso, ele era tudo que tinha, o que lhe restara no mundo...

Mas que droga, ele morrera protegendo Atena no Inferno, e o trouxeram de volta apenas para que morresse de novo, violentado e torturado, pelas mãos do seu próprio irmão?

“Kanon!”

A voz estava mais urgente. Era uma voz conhecida, mas não sabia dizer exatamente de quem.

“Me deixe em paz...”

“Kanon!!!”

“ME DEIXE EM PAZ, PORRA!!!”- Voltou-se para confrontar quem o estava chamando. Não via ninguém...

“Não se perca, Kanon...”

Encolheu-se novamente no chão. Soluçava agora, as lágrimas descendo pelo seu rosto.

“Não... Me deixe em paz...”

“Não se perca, Kanon...”

“Eu já estou perdido, me deixe em paz...”

“Mas se você se perder, ele se perde também...”

Kanon levantou os olhos. Hein?

Atena A voz era de Atena

“Sem você eu não consigo salvá-lo, Kanon... E ele está se perdendo... Não se perca...”

***

A situação no hospital era desesperadora.

Kanon não estava melhorando. Na realidade, havia piorado muito. Quando entrara lá, estava em estado grave, mas falavam que ele, talvez, conseguisse se recuperar.

Alguns dias depois, já não falavam mais em recuperação.

Os médicos tentavam de tudo. Nada surtia efeito. E Kanon lhes escorregava pelos dedos.

Os outros cavaleiros o vinham visitar, mas nunca traziam boas notícias de volta. Ikki decidira ficar, já que Shion teve que voltar ao Santuário para ajudar Saga. Pedia muito ao cavaleiro que reagisse, que não se deixasse morrer assim. Não adiantava.

No décimo dia, Shion voltou. Estava abatido como nunca. Foi como Ikki soube como Saga estava. Shion passara dias fora para ajudá-lo, e não conseguiu absolutamente nada. Hoje voltara porque Shaka decidira invocar a própria Atena em pessoa.

Estavam, nesse dia, todos reunidos no horário de visitas. Shion tinha medo de perguntar o que os médicos diziam, mas assim mesmo o fez.

“E então, algum alento?”

“Os médicos acham... que ele não passa desses dias.”

Ikki estava esgotado. O silêncio pesava naquele lugar. Tudo era opressivo, não pelo ambiente em si, que era limpo, asséptico como os hospitais o são; mas pela desesperança crescente que acercava o quadro de seu amigo. Kanon estava morrendo, e não havia nada que pudesse fazer.

Súbito, um burburinho vindo de dentro da UTI, e eles foram rapidamente afastados do local. Aquilo vinha do leito de Kanon.

Ikki se adiantou para ver o que era. Kanon estava tendo uma parada cardíaca. A equipe da UTI lutava ferozmente para mantê-lo vivo, por vários minutos.

“Não...”

Shion sentia um cosmo envolver o ambiente, e concentrar-se em Kanon. Atena.. Mas nem ela poderia fazer algo agora, poderia?

“Kanon, pelo amor da Deusa, não faça isso.”

Ikki foi retirado da UTI, a porta foi fechada. Ficaram esperando que alguém saísse para lhes anunciar que Kanon tinha partido, mas não aparecia ninguém.

Uma hora depois, o médico sai, com uma expressão estranha. Estava incrédulo.

“Senhores, Kanon teve uma parada cardíaca, vocês sabem que ele estava em estado muito grave...”

“Ele?...”

“Resistiu, ainda está vivo... Mas por enquanto é melhor que fique sem ninguém no quarto. Ele pode ter outra parada cardíaca a qualquer momento, ainda está muito grave...”

Não teve. Foi a partir desse dia que Kanon começou a melhorar.

***

Notas finais
Gente, a Sion Neblina está dizendo que eu sou uma tratante porque simplesmente tenho que terminar essa fic aqui. E ELA TÁ CERTA! Sion, sua linda, e umas certas amiguinhas botequeiras minhas, vão ver Perdas e Danos FINALIZADA no Nyah também. Um beijo pra vocês, bandilinda!