Perdas E Danos

4 Capítulo 3 - Uncensored


Notas iniciais
Disclaimer: Atenção, pessoal, Saint Seiya é do Kurumada. E eu não sou o Kurumada. Okay?
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Aviso: Eu pensei um bocado antes de postar aqui esse capítulo, porque ele é a versão integral do capítulo 3, da maneira como ele foi originalmente escrito. E minha hesitação se deve ao fato de que ele conterá dark lemon, com tudo que isso significa (representações gráficas de sexo e violência, com non-con e tal). Então ele está pesado SIM, e recomendo a leitura apenas e somente para as almas que se sintam confortáveis em continuar daqui. Também postarei a versão editada que foi ao ar no FFnet, para quem quiser ler.
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O Dano

Kanon entrou no templo de Gêmeos distraidamente. Ainda pensava naquela sensação estranha de que algo estava para acontecer, mas não sabia dizer como e nem o quê.

Saga já estava de volta, tomando banho. Fez um muxoxo, queria tomar banho, sabia que Saga era demorado.

Foi para a cozinha, e encontrou uma jarra de limonada. Estranhou, Saga fazendo limonada? Riu-se consigo, não era de reclamar das coisas boas que lhe aconteciam, mesmo quando eram um tanto estranhas. Encheu um copo de limonada e bebeu. O treino, apesar de individual, fora duro, estava com sede, a limonada estava boa. Bebeu mais outro. E mais outro. E a jarra acabara.

Deu de ombros. Pensava que Saga já devia ter tomado sua parte, uma vez que a jarra estava pela metade.

Percebeu que Saga havia saído do banheiro, de roupão felpudo e com a toalha enrolada na cabeça. Nunca o vira assim, de toalha na cabeça. Estranhou de novo, mas entrou logo para tomar seu banho. Fechou a porta, e viu que a tranca estava quebrada. Encostou a porta e entrou na banheira quente.

Durante o banho, uma sensação agradável lhe tomava. Estranha, porém agradável. Um torpor... Céus, o treino fora mais duro do que pensava? Saiu da banheira, e ao se enxugar, no meio do vapor, vira que Saga entrara no banheiro, e estava parado na porta, olhando para ele. O vapor não deixava ver seu rosto com clareza; apenas enxergava a toalha na cabeça e o roupão, ambos imaculadamente brancos. Ainda assim, sentia-se incomodado com a insistência daquele olhar.

“Ei, Saga, que é isso, está me olhando assim por quê?”

O outro não respondeu, e permaneceu imóvel. A sensação de incômodo aumentou, se transformando em uma tontura estranha, mais e mais forte. Apoiou-se na parede, achava que ia cair. Vira o irmão vir até ele e apoiá-lo pelos ombros, levando-o até a cama.

“Mas o que diabo está me acontecendo...”

Suas palavras saíram engroladas. Parecia ter bebido, e não bebera absolutamente nada. Sua mente ainda estava afiada. Porém seu corpo estava começando a ficar pesado, e a não responder às suas ordens.

“Saga, acho que estou passando mal...”

Saga não respondeu. Deitou-o na cama, de lado. Nisso, num movimento brusco, Saga tirou a sua toalha, deixando-o nu na cama. Agora ele não estava mais incomodado, estava apreensivo.

“Saga!!! O que você está fazendo?”

Sua voz estava mais enrolada ainda. Tentara se levantar da cama, seu corpo não lhe obedecia mais. Os olhos de Saga estavam vermelhos. Tentava falar, e não mais conseguia. Saga aproximou-se, e tocou de leve a sua testa com a ponta do indicador. Nisso, uma faísca elétrica percorreu seu cérebro, aprisionando seu cosmo e isolando ainda mais seu corpo de sua própria vontade. Ainda assim, reconhecera o que Saga fizera. Mas não conseguia entender, ou acreditar.

Ele lhe aplicou um Satã Imperial.

Com imensa dificuldade, balbuciou o nome do irmão.

“Saga...?”

O outro sorria, um sorriso absolutamente assustador. Tirou o roupão e a toalha da cabeça, mostrando seu corpo tão perfeito quanto o seu. Mas os cabelos estavam acinzentados. Os olhos vermelhos cintilavam com ódio e... algo mais. Abaixou-se languidamente sobre si, e sussurrou em seu ouvido.

“O Saga, no momento, está fora da área de serviço ou temporariamente desligado.”

Aquele não era Saga. Mas era o corpo dele. Então, só podia ser uma pessoa... mas como?

“Ares...?” Perguntou num suspiro que lhe custou um colosso de esforço. Seu corpo simplesmente não o obedecia.

“Em pessoa... Prazer em conhecer, Kanon. Mas você já deve ter ouvido falar a meu respeito. Eu com certeza ouvi falar muito de você. Entenda, Saga adorava te responsabilizar pela minha existência. Como era mesmo que ele dizia... Ah, ele dizia que você semeou-lhe o mal no coração, quando ele te prendeu no Cabo Sunion. Tolo... Eu já existia muito antes disso, muito antes até mesmo de você ou ele perceberem.”

Ele o tocou no rosto, demoradamente, deslizando-a até seu pescoço.

Kanon detestava admitir, mas estava ficando apavorado.

“Sabe, em comparação com Saga você sempre foi o mais interessante. Mais ambicioso, mais ousado, menos perfeito. Tão bonito, tão forte... Mesmo agora, que também ficou bonzinho e chatinho igual a ele, continua irrestível.”

O outro passava a mão pelo seu torso nu, saboreando cada toque. Sentou-se no seu colo, com as pernas em cada lado do seu corpo. E continuava falando...

“Se você quer saber, até mesmo Saga te acha muito, muito interessante. Bem mais interessante do que um... irmão pode achar outro. Opa, acho que falei um segredinho sujo do nosso querido Saga. Mas quem diria afinal que atrás daquela pose de santinho estava um pervertido desse calibre, hein...”

O outro ria maliciosamente, enquanto lhe beijava o pescoço. E Kanon simplesmente não conseguia se mexer ou falar. Sentia seu estômago revirar, uma dor surda começava a se espalhar pelo seu corpo. Estava indefeso nas mãos dele, que continuava o tocando de maneira ainda contida, mas absolutamente indecente. Tentava expandir seu cosmo, chamar alguém, em vão.

Aquilo não podia estar acontecendo.

“E o pior de tudo é que eu aposto que você também não é imune aos encantos do seu doce irmãozinho... Os dois, belos e inocentes, tão próximos, fazem tudo juntinhos, até dormem na mesma cama, olha só... Mas, afinal, como culpá-los? Vocês são fisicamente tão iguais, tão belos...”

Kanon sentia os olhos arderem, o rosto corar de raiva e vergonha. Tentava gritar, mexer qualquer parte do corpo que fosse, não conseguia. Apenas conseguia respirar mais forte... e até isso ficava mais difícil.

Bem no fundo, sabia o que não admitiria jamais: que o outro estava certo.

Amava, sim, seu irmão mais que qualquer outra pessoa. Mas nunca admitira nem sequer para si mesmo que esse amor fosse algo mais que a forte, porém pura e inocente ligação gemelar entre eles... Mas não tinha como negar que aquilo poderia ser verdade. Sentia-se bem demais na intimidade dele, com seu cheiro, o seu toque, sua pele... Sentia-se bem com isso como nunca ninguém o fez sentir.

Tinha consciência de que gostava de homens, e nisso o Santuário era pródigo: podia contar nos dedos os cavaleiros heterossexuais que conhecia. Não era mais criança, já tivera alguns amantes. Mas era muito seletivo e discreto. Tão seletivo que se envolvera com pouquíssimas pessoas, até hoje. Na verdade, se permitira isso apenas um tanto depois de sair de sua prisão e ir para o Reino dos Mares. Nunca se envolvera com alguém do Santuário. E, dentre seus amantes, nunca amou ninguém como... amava seu irmão.

E seu irmão Saga, até onde sabia, não se envolvia com ninguém, apesar de sua beleza. Aliás, se alguém por acaso lhe dissesse que seu irmão nunca se deitou com ninguém, não ficaria surpreso.

Inegavelmente, isso era estranho. Porém achava que isso era mais uma manifestação da pureza da personalidade de seu irmão. Mas se ele estava dizendo... Não, isso é um absurdo.

Sentiu seu sangue gelar.

“Pois bem, eu e Saga temos nossas... diferenças. E aquele puto vai me pagar muito caro por ter me tirado a chance de tomar o Santuário e dominar o mundo. Aliás, você deve ter reparado que eu roubei a sua idéia...”

O outro o tomou num beijo lascivo. Sentia a língua dele invadir sua boca, forçando-a a se abrir mais. Ele não conseguia sequer resistir. Apertava os olhos, tentando segurar as lágrimas.

Seria mentira dizer que nunca havia beijado Saga. Quando eram crianças, trocavam beijos, inocentes selinhos apenas, numa forma de demonstrar carinho um com o outro... Não era o caso agora. Aquele beijo era sujo, errado... Sexual.

Raiva e vergonha infinitas o tomavam. O cheiro de Saga invadia suas narinas, aquele cheiro que conhecia tão bem, e que ele achava tão confortável. Agora aquilo o sufocava além do imaginável. E continuava incapaz de se mover.

O outro soltou sua boca e agora sussurrava em seus ouvidos.

“...E sua idéia era boa, e teria dado certo, não fosse por aquele paspalho ter se matado para se livrar de mim. Agora, vou tirar dele aquilo que ele considera mais precioso. É por isso, meu belo Kanon, que você vai mandar um recado meu para Saga.”

Nunca conhecera essa faceta de seu irmão. Achava, no começo, que aquilo tudo era uma desculpa esfarrapada de Saga, apenas para fugir da responsabilidade de ter feito o que fizera: matado o velho Mestre, atentado contra a vida de Athena e tomado o Santuário para si. Na época, seu ódio se dava apenas pelo fato de ele ter feito tudo isso sozinho, após trancá-lo na prisão. Depois, ao ouvir a história por completo, começava a acreditar que realmente Saga desenvolvera uma segunda personalidade maligna. Ouvira histórias apavorantes envolvendo o Mestre Ares do Santuário, e realmente não conseguia imaginar nem a si mesmo fazendo coisas tão torpes, imagine seu honrado irmão Saga.

Agora podia ver, em primeira mão, que todas as histórias que ouvira deviam ser verdadeiras... pior, eram pálidos reflexos dos fatos reais: Mestre Ares era um psicopata da pior espécie.

O outro continuava a beijá-lo com força, como se quisesse devorá-lo.

“Ora, irmãozinho. Você é tão gostoso...”

A dor surda aumentava, todo seu corpo formigava. Afora a situação, algo lhe dizia que seu corpo não estava bem. Pensou que o outro deve tê-lo drogado. E a dose fora muito maior do que o recomendável. Foi quando a teve idéia do que aquele psicótico ia fazer. E entendeu que teria muita sorte se morresse antes de ele completar seu intento.

As lágrimas agora escorriam pelo seu rosto.

O outro percebeu, e riu.

“Oh, Kanon... Não fique chateado... Acho até que você vai gostar.”

Beijava seu pescoço com mais vontade, e perdia mais e mais o controle. Começava a morder seu pescoço, forte o suficiente para doer e ferir a carne.

Kanon sentia seu rosto crispar-se de dor. Seu corpo estava mais sensível, as mordidas doíam bastante, e ele arranhava com força seu peito e suas costas com unhas compridas e afiadas. Súbito, uma de suas mãos o agarrou lá embaixo, com força, torcendo seus testículos. A dor era tão forte que lhe arrancara um soluço. Sentia o outro rindo, enquanto mordia seu ombro, forte o suficiente para ferir a pele. O desgraçado estava gostando daquilo. Sentia a ereção dele colada no seu corpo, e não conseguia se mexer, concentrar seu cosmo, nada. Queria matar aquele louco, socá-lo até que seu irmão recobrasse o controle sobre si, mas sabia que não podia. Não do jeito que estava, do jeito que ele o deixara. Queria então desmaiar, perder a consciência, morrer, o que fosse. Mas, apesar da droga e do golpe que lhe fora aplicado, estava totalmente consciente. E o panorama do que Ares iria lhe fazer se desenhava com clareza assustadora para si.

Ele então o virou de bruços e o amarrou seus braços atrás das costas, pelos pulsos. Estava apertado demais, e aquilo doía. Foi novamente virado de frente; mais beijos na boca, mais mordidas e mais carícias indecentes. Então o outro se posicionou, deixando o membro na altura de seu rosto, e segurou sua cabeça pelos cabelos, com força.

“Abre a boca, Kanon.”

Não, aquilo não podia estar acontecendo. Tentava desesperadamente bloquear-se, apagar, morrer, qualquer coisa que fosse. Tudo, tudo neste mundo, menos aquilo. Tentava, a todo custo, manter sua boca fechada. O outro então forçou sua mandíbula e jogou seu membro para dentro, entrando e saindo sem nenhum cuidado. Estava sufocando com aquilo, queria vomitar. Dor, nojo, revolta, vergonha, tudo fervia dentro dele. Não agüentava mais, mas sabia que aquele louco desgraçado ainda estava longe de terminar com ele. Seu corpo se contorcia em espasmos, pelo enjôo e pela vontade que tinha de se movimentar, de fugir. Súbito, sentiu o outro gozar em sua garganta. Engasgou, e com muito custo conseguiu tossir e se livrar daquilo, que escorreu pelo seu rosto e tórax. Sentia-se tão sujo, estava com um nojo imenso de si mesmo.

O outro então soltara seu rosto, e ele caiu na cama, ainda resfolegando com dificuldade para ganhar o ar de que passara tanto tempo privado. As lágrimas caíam de seu rosto livremente, e se ele pudesse coordenar palavras, imploraria àquela contraparte louca de seu irmão que parasse. Estava ferido, humilhado... Olhava-o com olhos desesperados, tentando encontrar naquele louco qualquer traço que fosse de seu irmão, não suportaria mais daquilo. Em resposta, o outro lhe deu um sonoro tapa na cara. E outro, e mais outro; e os tapas viravam socos, golpes fortes no torso e principalmente no rosto. Sentia sua cabeça ser jogada de um lado para o outro com a força das pancadas, e rezou para que uma delas lhe nocauteasse a consciência. Mas sabia bem que ele o queria acordado, alerta. Estava difícil respirar, o corpo doía muito, o peito estava apertado, sua cabeça girava. Achou que finalmente a droga que o outro lhe dera em excesso faria seu efeito para levá-lo a uma overdose. Sentiu uma pancada mais forte e um puxão nos cabelos.

“Acorde. Estou longe de acabar ainda.”

O outro o virou de costas, abriu suas pernas, suspendeu firmemente seus quadris e simplesmente se encaixou nele, penetrando-o com força, muita força, de uma só vez, sem preparação ou lubrificação. Quase desmaiou de dor, não conseguiu reprimir seus soluços. Como o cavaleiro que era, estava bem acostumado a dor, mas aquele abuso era muito diferente... A dor era lancinante, sentia algo quente escorrendo entre suas pernas. Já não conseguia mais pensar claramente. Agora podia sentir o gosto salgado de suas lágrimas misturadas ao sangue em sua boca cortada. E doía, doía incrivelmente, seu corpo doía, sua alma doía, e aquele psicopata o estocava violentamente, o fazia em pedaços. Não sobraria nada dele quando isso terminasse. A força de suas estocadas jogava seu rosto contra o colchão e os travesseiros, novamente lhe tirando o ar. O ouvia gemer obscenidades, quase gritando, enquanto aumentava a força e o ritmo. A dor aumentava. Então sentiu-o gozar, jogando o corpo por cima do seu. Agora ele ria, quase gargalhava, enquanto se levantava e sentava, olhando para a cena que devia ter diante de seus olhos.

Sua consciência começava a sumir, estava ficando mais e mais difícil respirar. O outro o virava de frente, e sentia agora que ele o mordia e arranhava, repetidamente, no torso e no abdome, para depois lamber e sugar as feridas que ficavam. Doía, doía muito, e ele o mandava ficar acordado. Sentira tocá-lo embaixo, torcendo seus testículos e puxando seu membro com violência. Novamente, o mandava ficar acordado, mas estava difícil... Dor, aquela dor era o novo parâmetro de sua existência, era tudo que sentia...

Sentira novos socos, sua cabeça novamente jogada de um lado para outro pela violência dos ataques. Novos arranhões, muitos, agora nas costas. Foi atirado ao chão, onde levou chutes e pontapés. Não tinha como, e nem porque se proteger. Não tinha nada. Estava violado, destruído, humilhado, reduzido a pedaços de si mesmo. Começava a tossir, engasgar, estava difícil respirar, doía demais. Chutes no abdome, nos flancos, no meio das pernas. E novamente fora levado para cama, novamente ele o penetrava. Mais dor, mais vergonha, mais humilhação. Queria morrer. Nunca desejou tanto a morte, nunca... Implorava aos deuses que o deixassem morrer, não podia mais, não podia...

Sua consciência o abandonava, e perdeu os sentidos no momento em que o outro gozava novamente dentro de si.

***

Os primeiros raios de sol anunciavam o fim daquela noite.

A contraparte má de Saga ria-se de se dobrar.

Há quanto tempo não se divertia assim? Aquilo tinha sido bom demais.

Olhava para o outro, jogado na cama, ainda amarrado, machucado, sujo, inconsciente, provavelmente morrendo.

Sabia que lhe dera uma dose fatal de droga paralisante. Mas sabia também que ele fora dolorosamente capaz de sentir cada momento.

Esse era o plano, afinal.

Olhou a cena como um todo, os lençóis sujos, os arranhões, hematomas, mordidas e todas as outras evidências do que acontecera ali. Não queria que restasse dúvida.

Estava plenamente satisfeito.

Olhou para seu corpo, também sujo de sangue e outras secreções, e novamente começou a rir. Tinha sido muito melhor do que esperava. Contorcia-se de rir ao imaginar a cara que Saga faria, ao ver o que ele tinha feito. Logo ele, o santo e puro Saga.

Kanon não reagia. Tinha suas dúvidas se ele ainda respirava. Realmente, a dose da droga que dera foi alta demais... E, bem, também se excedera um pouquinho nos tapas e socos...

Decidiu que não se importava. Apesar de que não se lembrava de ter tido um brinquedo tão excitante até então. Se pudesse ficar, o manteria vivo para outras noitadas assim.

Mas enfim, sabia que Saga voltaria a qualquer momento.

Pegou um papel e escreveu suas palavras a Saga. Poucas, as sua mensagem mais contundente não estaria ali.

Faceiramente, saiu do quarto e resolveu tomar um banho. Estava cansado, mas tentaria ficar acordado o máximo possível. Já sentia Saga quebrando as amarras com as quais o prendera; ele retornar ao seu corpo era mera questão de tempo, pouco tempo.

Entrou na banheira, lavou-se com calma. Já sentia a dor e a tontura que prenunciavam o retorno de Saga. Agora seria até uma boa hora.

Esticou a mão, ajeitou sua mensagem próxima à borda da banheira. Recostou-se nela, e esperou que a inconsciência o tragasse.

Sabia que aquela seria provavelmente a última vez que tomaria o corpo de Saga. Era justo. Se ele tentou o suicídio para se ver livre de si, ele usaria faria de sua última manifestação algo tão memorável quanto.

Deixou Saga voltar ao inferno que ele criara.

***

Notas finais
OBS: Quando Ares imagina que não vai mais conseguir voltar, é porque ele prevê que Saga tomará providências drásticas para impedi-lo.
Isso aí, a casa caiu.
Nesta fic, retrato Kanon e Saga como irmãos que não são um casal, ainda. Mas, como tudo em Saint Seiya, o anime não-yaoi mais yaoi da história, dá pra imaginar uma inegável tensão entre eles. Então, imaginem que eles tenham, sim, uma atração não fraternal entre eles. Mas pela história prévia dos dois, pela pressão da criação que tiveram e pelo tempo que passaram separados, somente agora é que estão tendo a oportunidade de discernir o que sentem, e lidar com isso. Ambos se gostam, mais do que o normal, mas ainda não são capazes de identificar essa ligação e dar vazão a ela. E, convenhamos, no mundo real isso seria impensável.
Sei que algumas pessoas podem achar que peguei pesado, mas a idéia da história é essa: De posse das informações que tem sobre Saga, que não são poucas, Ares arquiteta a vingança mais torpe e cruel que pôde conceber: realizar o desejo inconfesso de Saga, com a crueldade que apenas ele pode ter, e partindo Kanon no processo. Isso afastaria os dois por completo? Como isso afetará os cavaleiros gêmeos? Como Saga reagirá? Já se sabe que ele não é a pessoa mais... estável do mundo.