Notas iniciais
Disclaimer: Saint Seiya não é meu. Oh, well... Aviso: fic yaoi, com angst, lemon e twincest. Este capítulo... Surpresa!!! Olhem aí e me digam depois.

Redenção

Ficaram os dois na casa de Gêmeos.

Kanon passou muito mal após ter tirado Saga da prisão no Cabo Sunion. Acabara de sair do hospital e já teve sua resistência física testada dessa forma. Para tomar conta do irmão, Saga teve que sair parcialmente de sua letargia. Cuidava dele com zelo, mas instalou-se num dos outros quartos do templo espaçoso.

Kanon recuperou-se rápido, mais uma vez. Decidira em sua cabeça que viveria. Não sabia ainda como, mas viveria através disso. As memórias o assaltavam à noite; o som da risada do outro, as sensações, a dor. Não raro, dormia e sonhava que tudo estava acontecendo novamente. As feridas eram mais fundas do que poderia imaginar.

Criara uma aversão inconsciente, porém profunda, à proximidade física de quem quer que fosse. Detestava se sentir daquele jeito, frágil e marcado. Mas não conseguia desfazer essa sensação, por mais que tentasse.

A ausência relativa de Saga piorava tudo. Mas era especialmente a presença do irmão que muitas vezes despertava as terríveis lembranças. E ele não conseguia disfarçar seu desconforto. Um movimento mais brusco, e ele já se punha em defensiva. Por outro lado, o queria perto, precisava desesperadamente dele. E Saga o evitava, muito.

Sentia-se mais perdido e sozinho do que nunca.

Saga permanecia taciturno; falava pouco e treinava o dia todo, embora ainda não tivesse sido restituído do controle de seu cosmo. Se Kanon achava que, por tê-lo tirado da prisão, as coisas iriam se ajustar... estava enganado.

A culpa, sua companheira fiel desses últimos dias, permanecia insistentemente junto de si. Doía-lhe muito o contato com o irmão fragilizado como estava. Fragilizado pelo que ele fizera...

Saga sabia que seu irmão sempre fora menos afetuoso com as outras pessoas, posto que convivera muito pouco com elas no santuário devido a sua função de segundo candidato à armadura de Gêmeos. Mas nunca negara a si demonstrações de afeto, um carinho, um abraço. Pelo contrário, dormiam na mesma cama e por vezes acarinhavam-se como crianças que só tinham uma à outra nesta vida. Sentiam-se bem um com o outro. Essa intimidade não existia mais. Sua perversão a liquidara. Kanon agora o olhava com olhos assustados, sobressaltava-se a qualquer sinal de aproximação física. É certo que ele tentava sublimar esse instinto a qualquer custo, mas o medo e a dor estavam estampados nos seus olhos verdes outrora tão confiantes. E ele conseguia ver com clareza até cruel.

Isolava-se de seu irmão. Não suportava ficar perto dele por muito tempo, não aguentava ver o incômodo que sua presença involuntariamente causava.

Mal se falavam. O silêncio entre eles era palpável. Pesavam entre eles milhares de palavras não ditas, de segredos parcialmente confessos em meio ao desespero naquela prisão. Ambos percebiam que ainda era muito cedo para que certos assuntos viessem à tona.

***

Kanon retomara os treinos, apesar dos protestos veementes de Shion. E treinava duro, quase obsessivamente.

Os outros cavaleiros o percebiam arredio como sempre fora. Todos tentavam apoiá-lo, embora não tivessem muita ideia do que fazer. Os que o conheciam melhor, porém, estavam preocupados.

Ele procurava agir como se o que acontecera não o tivesse afetado. Para quem não o conhecesse, até soaria como verdade. Mas, aos observadores mais atentos, era perceptível que Kanon não era o mesmo. Ele não tinha mais a irreverência de antes. Cumpria seus treinamentos e obrigações como cavaleiro com um fervor parecido com o de Saga. E evitava o contato mais estreito com outras pessoas como se isso fosse uma praga.

Numa das tardes de treino de combate físico na arena, onde os cavaleiros treinavam artes marciais e técnicas de luta, Kanon lutava com Aiolia, assistido por Shura. Era excelente nisso. Estava ágil e forte como sempre, já fisicamente recuperado, mas os colegas percebiam o quanto ele mantinha os ataques à distância. Aiolia, porém, sentia que teria mais vantagens num combate corpo a corpo mais estreito, uma vez que era um pouco mais forte e menos ágil do que Kanon. E avançou para cima do cavaleiro de gêmeos, invadindo seu espaço físico e levando o combate para o chão, onde o imobilizou.

Kanon viu o outro vir em sua direção, e percebeu que não teria tempo de recuar. Recebeu o golpe que o levou ao chão. Aiolia então o prendia sob o peso de seu corpo, dali ele não sairia tão fácil.

Kanon achou que estaria pronto para esse tipo de contato. Não estava.

A pressão do corpo do cavaleiro de leão sobre o seu, a proximidade, a imobilidade, a invasão agressiva de seu espaço pessoal, a respiração dele, tão próxima... Próxima demais.

“Não...”

Kanon sentia sua cabeça girando, uma sensação de desconforto terrível o tomava de assalto, revirando seu estômago. Tinha que sair dali, tinha que sair, tinha que sair...

“M-me solta...”- Ele pediu num gemido tão baixo que Aiolia não escutou.

“Hein? Mas já?”

“M-me solta...”- Outro gemido, e dessa vez Aiolia se assustou com o que viu nos olhos dele: Pânico.

Shura viu o que acontecia, e ficou alarmado. O cosmo de Kanon se acendia, e parecia estar sem controle.

“Aiolia, SAI DAÍ!”

“...SAI DE CIMA DE MIM!”

Aiolia percebeu, enfim, o que estava acontecendo; e conseguiu desviar uma fração de segundo antes que o cosmo de Kanon explodisse desordenadamente. Não foi uma explosão forte, não foi a execução voluntária de um golpe. Os outros dois cavaleiros conseguiram se esquivar. Shura e Aiolia estavam bem, mas Kanon não. Ainda estava no chão, lutando com todas as forças que tinha contra um inimigo muito mais poderoso do que os outros dois cavaleiros de ouro.

“Kanon, levanta...”- Aiolia foi até ele, que se desviou.

“Não me toca...”

Aiolia insistiu, tomando-o pelos braços. Foi repelido com um empurrão que o levou ao chão. Kanon respirava com dificuldade, tentando se desvencilhar do ataque de pânico, sem muito sucesso. Estava por demais abalado, não conseguiria concentrar seu cosmo e não tinha mais reserva de cosmo para detonar outra explosão inconsciente.

“Por favor... me deixa...”

“Kanon...”

“Eu vou ficar bem...” Ele disse, retomando um pouco a compostura e se afastando dos outros dois cavaleiros, ainda ajoelhado no chão. “...Não precisam se preocupar comigo. Só me deixem um pouco sozinho.”

Shura puxou Aiolia consigo, e saíram dali.

“Merda, Aiolia, o que você tinha na cabeça de partir pra cima dele daquele jeito?”

“Pára, Shura... Eu já estou me sentindo péssimo, tá certo? não precisa ficar jogando isso na minha cara.”

Aiolia estava realmente se sentindo mal.

Antes, nunca fora fã de Kanon, ou Saga; isso não negava para ninguém. Mas agora tudo que houvera eram águas passadas, e ele estava realmente disposto a relevar. Respeitava os gêmeos, eram companheiros valorosos. E ficara genuinamente preocupado com o ex-marina, depois de tudo que lhe acontecera...

Achara que Kanon estava indo bem, estava recuperado, não estava?... Pensara durante o treino que ele estava mantendo distância por mera questão estratégica, mas não.

Ele estava tentando se defender de algo muito mais assustador do que a perspectiva de derrota num treino qualquer.

***

Kanon voltou correndo para o templo de Gêmeos com toda a força de suas pernas, assim que conseguiu se por de pé. A sensação de desconforto permanecia, e ele estava com raiva de si mesmo por ter demonstrado fraqueza diante de seus pares.

Entrou correndo e foi direto para o banheiro, e viu que a tranca da porta ainda estava quebrada. Bateu a porta com um estrondo.

“Mas que merda!!!”

Queria trancar a porta. Queria que ninguém mais o prensasse contra o chão. Queria que ninguém mais o tocasse. Queria ficar sozinho...

Entrou na banheira que se enchia de água quente. O desconforto crescia, e ele tentava desesperadamente manter as lembranças fora de sua cabeça. Ainda respirava com dificuldade, e isso o lembrava muito daquela noite. A respiração difícil, a dor, o sufocamento...

Esfregava a pele com um fervor quase febril, como se ao limpar seu corpo, pudesse também limpar sua alma... Seu peito doía como se fosse explodir. Não podia chorar, não podia chorar... Ele era o Dragão Marinho de Poseidon, era também o cavaleiro dourado de Gêmeos, ele tinha que ser mais forte do que isso! Não conseguira sobreviver à prisão do Cabo Sunion? Não sobrevivera à batalha no reino dos mares? Não suportara quatorze agulhas escarlates do cavaleiro de Escorpião, sem reagir? Não fora o homem de confiança da Deusa para ajudá-la a derrotar o Senhor do Submundo? Não podia chorar, já tinha sido fraco o suficiente ao dar a Ares o prazer de ver suas lágrimas... Não podia ser fraco de novo, não podia chorar de novo, não podia!!!

As memórias iam e vinham, frescas, como se tivessem acabado de acontecer, mescladas a imagem de seu gêmeo em tempos mais felizes... Seu rosto plácido, seus olhos tão verdes, tão belos...

“Ah, Saga...”

Um soluço rasgou o caminho pela sua garganta, imediatamente reprimido pela vergonha de se tornar o homem assustado e indefeso que fora naquela noite. O amava tanto, precisava tanto dele agora... Apesar do que lhe confessara naquela prisão, sentia o quanto se afastavam, e não podia fazer nada. De todas as pessoas, era do toque dele que fugia mais. Não queria que fosse assim, mas era impossível disfarçar. Era um ciclo vicioso: Saga o evitava, ele tentava se aproximar, esbarrava no desconforto extremo que nutria agora em relação às pessoas, especialmente Saga, que percebia, e se afastava ainda mais. E quanto mais Saga se afastava, mais frágil ele ficava.

E isso doía tanto...

Parou de esfregar sua pele, que estava vermelha e dolorida. Tremia a despeito de sua própria vontade. Mantinha os olhos fechados com força, tentando segurar as lágrimas. Em vão... As lágrimas desciam por seu rosto, pela dor que não conseguia mais manter em si.

Não conseguia mais. Estava ferido, quebrado por dentro; sua alma ainda mais ferida do que estivera seu corpo. Nunca mais seria o mesmo. Nunca mais seriam os mesmos, ele e Saga. O amava tanto. Não podia amá-lo daquele jeito; sabia que era errado, mas o amava, o queria... Queria tanto, tanto, tanto esquecer, ser capaz de sustentar a proximidade dele...

Rompeu-se em um choro suave, mas desconsolado.

Pela primeira vez desde que acordara naquele hospital, Kanon realmente chorou pelo que lhe acontecera. E em seu pranto, como que com uma vergonha imensa do que fazia, chamava baixinho pelo nome do irmão.

***

Saga sentou-se ao chão, do outro lado da porta fechada do banheiro. Ocultava seu cosmo, não queria que ele o sentisse. Veio porque alguém comentara o que aconteceu na arena. Entrou no templo sem ser percebido, guiado pela angústia de seu irmão.

O amava tanto... E como sofria ao vê-lo assim! Tinha ânsia de envolvê-lo nos braços, beijar-lhe o rosto até que ele se convencesse de que tudo ficaria bem. Não ficaria... Nunca mais ficaria.

Tinha medo de perder o controle novamente, dando espaço para que Ares o machucasse outra vez. Tinha raiva de sua condição, vergonha de seus sentimentos, de sua essência imoral e incestuosa.

O queria, o amava além do limite da sanidade, agora sabia disso; mas não podia tê-lo. Nunca pôde.

Enterrou a cabeça nas mãos, sentindo as lágrimas caírem dos seus olhos. Era isso que fazia, quando não treinava. Chorava, expiava sua culpa em lágrimas e distanciamento. Via seu Kanon sofrer sozinho, mas ainda assim lutar ferozmente para sublimar aquilo tudo. Era bem mais do que se podia dizer dele mesmo.

Saga havia se entregado. Não o deixaram morrer, então se condenara a uma morte em vida. Cuidaria de Kanon mantendo uma distância segura, defenderia sua Deusa e cumpriria com suas obrigações de cavaleiro. E isso seria tudo.

Ouviu um soluço; seu nome, dito em voz baixa como uma súplica.

“Ah, Saga...”

Em sua dor, ele o chamava. Apesar de tudo, ele o chamava...

Sentia seu coração rasgar-se no peito. Fazia força para chorar sem fazer barulho. Não tinha mais constrangimento algum em chorar daquele jeito, posto que não tinha mais orgulho; chorava sim, chorava muito, porque era tudo que lhe restara, chorar e chorar. Num sussurro inaudível, respondia ao chamado de seu gêmeo.

“Não posso, meu amor, não vê que não posso...”

Ouviu-o romper-se num choro doído, chamando pelo seu nome. Kanon chorava, chamava e chamava por ele, como que pedindo socorro.

Sua alma latejava, ardia, exigia que ele respondesse ao chamado de sua metade. A sensação aumentava e aumentava, e Saga não se apercebeu de si quando se levantou do chão e abriu a porta. Não se apercebeu também quando se ajoelhou do lado da banheira. Sentiu seu gêmeo levantar os olhos, não esperando que estivesse ali, em seu momento de maior fraqueza. Teve ímpetos de sair dali, não suportava o peso daqueles olhos verdes tão tristes. Baixou os seus, e virou o rosto, levantou-se, mas se deteve na porta ao ouvir um murmúrio.

“Fica...”

Ficou. Literalmente sentiu quando ele se levantou da banheira onde estava; belo como nunca, mas indefeso, ferido... Pegou um roupão e uma toalha, e delicadamente ajudou a secar seu rosto, torso e braços. Vestiu-lhe o roupão; ele ainda chorava, tinha os olhos fechados.

“Saga...”

Zeus, não... Seu choro, antes suave e baixo, agora estava mais forte. Saga sentiu algo se partir em seu peito, dando lugar a uma urgência, uma vontade louca de abraçá-lo e mantê-lo junto a si... Mas não podia, não podia! Tentou se afastar. Ele não fez menção de segurá-lo, estava imóvel. Soluçou mais forte.

“S-Saga...”

“Kanon, eu...”

“F-fica... P-por favor...”

Não aguentou mais. Puxou-o num abraço apertado, explodindo em lágrimas como seu cosmo explodia em seu golpe. Ele não resistiu. Encolheu-se em seus braços, e chorou convulsivamente, em soluços altos.

Ficaram assim por vários minutos, até que se acalmaram. Saga sentia o calor do corpo quente do gêmeo, o cheiro de banho, o cabelo molhado... Ah, Deuses, como o queria... Tinha que sair dali, mas não conseguia deixar o calor daquele corpo junto a si.

Kanon levantou o rosto e aproximou-o do de Saga. Tocou-lhe a testa com a sua, como faziam quando eram meninos. Zeus, ele estava tão próximo... O desconforto estava lá, pois o cheiro e a textura da pele de Saga eram as mesmas de Ares. Mas o jeito como ele o tocava era diferente. Aquele era Saga, seu gêmeo, sua família, seu tudo...

Ainda assim as lembranças estavam lá, envenenando o momento. Não seria nunca capaz de tocar e ser tocado por alguém? Não seria nunca mais capaz de deixar ser tocado por Saga?Não teria nunca mais a certeza do toque gentil de seu irmão? O amava tanto... Não era justo... Não ia deixar que Ares vencesse assim.

E foi sem pensar, num misto de medo e coragem, que Kanon tomou o rosto do irmão nas mãos e o beijou.

Saga estremeceu. Os lábios macios, levemente partidos; os braços fortes, o corpo quente... Não conseguia evitar, não podia, não queria... Abriu os olhos, apenas para encontrar dois lagos verdes refletindo algo tão intenso que não conseguia mensurar. Seu gêmeo tinha a alma partida, e precisava dele para consertá-la. Devolveu o beijo, ainda sem aprofundá-lo.

A cabeça de Kanon girava violentamente. Não era só o desconforto, era algo mais, muito mais forte. Precisava daquilo, queria aquilo com tudo o que sobrara de si. A boca macia de seu irmão era a mesma boca do outro, mas desta vez ele sentia tudo diferente. Aquele que o beijava agora era Saga, realmente Saga; e não aquele sádico arremedo de ser humano que por vezes habitava seu corpo... Estreitou-o nos braços, aprofundou o beijo, num leve tocar de línguas.

Kanon sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

Beijaram-se por um bom tempo, separando-se para buscar ar. Nenhum se atrevia a abrir os olhos. Saga enlaçou o outro pela cintura, Kanon mantinha seus braços sobre os ombros do irmão. Tomou-o noutro beijo, ainda mais profundo. Saíram ambos de seus egos conscientes.

Aquilo não era desejo, perversão... Era amor.

Saga não percebia a total dimensão de seus atos quando, com um roçar de suas mãos, tirou o roupão de seu gêmeo. Kanon, por sua vez, deslizava suas mãos por seu torso, livrando seu gêmeo de suas roupas até com certa rudeza. Nele não havia mais medo, culpa, memórias, nada. Existiam para aquele momento, e aquele momento só.

Em segundos estavam no quarto, onde se deitaram na cama e se beijavam e acariciavam com a urgência de quem esperou uma vida para isso. Kanon trouxe seu irmão sobre si, e Saga percebeu o que ele queria, mesmo que não houvesse palavras entre eles.

Beijava Kanon como nunca, nunca beijara alguém em sua vida. Sempre fora extremamente comprometido com os assuntos do Santuário; e isso deixava pouco tempo para outras aventuras. Nunca sentira paixão ou desejo; fizera sexo apenas para se livrar do rótulo de “virgem” e “inexperiente”, e também por curiosidade. Nunca havia dado importância a isso e não era muito experiente, é verdade, mas jamais imaginou perder-se daquela maneira num beijo. Era como se não beijasse o corpo, mas a alma do outro. Não conseguia mais pensar, só sentir.

E sentiu quando ele lhe deu acesso para que beijasse seu pescoço e afundasse seu rosto no azul dos seus cabelos. Sentiu como a pele dele se arrepiava com seu toque, e como sentia sua excitação no seu baixo ventre causando a ebulição de todos os seus sentidos. Sentia, sentia tudo com uma intensidade avassaladora. Sentiu também quando ele, sem uma palavra, apenas com seus olhos, pedia para que o fizesse seu. O tomava em beijos que jamais se imaginara capaz de dar, em carícias que jamais se imaginara capaz de fazer. Perdia-se naquela pele, naquele corpo tão semelhante ao seu e tão caro a si; para se encontrar novamente naquela loucura maravilhosa que os possuía.

Kanon, por sua vez, sentia-se inundado por algo que não sabia dizer o que era porque nunca experimentara antes. Mas aquilo era tão forte, mas tão forte demolia tudo que via pela frente: Ares, as memórias, seus escudos e barreiras mais íntimas, tudo dava lugar a uma necessidade urgente de ser de Saga, de ter Saga, apenas ele... Ele estava lá, em toda sua pele, em todos os seus poros, em todas as suas sinapses, se fundindo em si. Nunca, jamais sentira algo assim, e sinceramente não imaginava que isso pudesse sequer ser possível.

Abandonou-se. Deixou que essa sensação o levasse aonde quer que fosse. Tomou Saga em um beijo apaixonado, quase suicida em sua intensidade, pouco se importando com o que aconteceria depois. Sentia Saga prepará-lo com os dedos, com um misto de urgência e incerteza, e o pouco juízo que conservava até então se esvaiu enquanto uma sensação indescritível de prazer se espalhava por todo seu corpo. Enlaçara-o com suas pernas, sentindo ele tomar seu membro enquanto o penetrava devagar. Gemia, entrando em um êxtase que julgava não existir, enquanto seu gêmeo se movia dentro de si e o masturbava no mesmo ritmo. Movia-se também, em deliciosa sincronia, enlouquecendo com os gemidos abafados dele, a urgência de tê-lo em si aumentava exponencialmente. Seu corpo não respondia mais a si. Sua mente estava em curto-circuito.

Saga entrava mais forte dentro de si, louco de amor, de desejo, fosse isso o que fosse, agora já não importava mais. Nada importava mais, nada, apenas a força incomensurável do que experimentavam, juntos. E juntos, lentamente, perdiam o controle.

Sentiam seus corpos em espasmos, gemiam alto, estavam chegando lá... E foram ambos arrastados pela melhor clímax de suas vidas.

Eram um. Kanon era Saga, e Saga era Kanon.

Estavam completos novamente.

***

Notas finais
Capítulo enorme, mas eles merecem... Também, depois de tanto sofrimento, tinha que ter uma compensação pros dois! Agora fica faltando só o epílogo!