Notas iniciais
Fala meus fantasminhas, mais um capítulo pra vocês.

POV: Perseus Heitor Jackson.

Depois de ter falhado em dizer a verdade para Tyson, ter que mentir sobre ir embora, eu precisava recompensar ele de alguma forma, então fiquei o dia todo com ele, brincamos é conversamos bastante, sobre coisas simples do dia a dia, descobri muitas curiosidades sobre o pessoal da forja, como qual deles eram destros, ou não, qual deles não lembrava de colocar o nome nas armas que fazia, problemas amorosos relacionados a Ciclopes com suas parceiras, coisas realmente muito úteis de saber, mas algo me interessou, aquele Ciclope simpático, que me fez a estatueta, Texugueiro, me admirava tanto assim, pois salvei seu pai na guerra, sinceramente, não me recordo exatamente de quem era, mas foi bom saber que alguma coisa boa eu fiz na guerra. Depois da nossa longa e instrutiva conversa, resolvi dar um presente ao Tyson, um presente de despedida, fiz uma “patrulha” com ele, montamos em nossos Hipocampos e cobrimos a área em volta do palácio e da cidade abandonada de Atlântida, prestando muita atenção em qualquer movimentação do exército inimigo, isso apenas em teoria é claro, já que não saímos de uma área segura, o tempo todo e não tivemos nenhum problema, exceto quando Tyson destruiu uma enorme rocha com sua mortal arma, Amendoim, bem, tirando o fato do nome infantil, era mesmo uma arma mortal, um enorme martelo duplo, bem ele alegou que achou que era um inimigo disfarçado de pedra, então atacou só para garantir. Mas nossa pequena aventura, foi o suficiente para deixar Tyson eufórico e animado, tanto que ele usou sua armadura de guerra, mesmo comigo dizendo que não era necessário, mas não queria tirar o gostinho do Tyson, de pelo menos uma vez, ele sentir que está na batalha, participando da guerra, ver ele tão feliz daquela forma, confesso que me deixou menos mal pelo que fiz com ele, mentir sobre a minha partida. Depois da minha grande aventura perigosa com Tyson, eu voltei para meu quarto, tomei um demorado banho. Assim que sai do banheiro do meu quarto, enquanto colocava uma roupa, escutei alguém batendo na minha porta.

—--Pode entrar. ---Disse distraidamente, enquanto vestia uma camisa, quando olhei para a porta, parado em baixo da batente, estava uma linda mulher, por volta dos 22 anos, ela tinha 1.75cm de altura, pele branca como a neve, tinha cabelos negros e lisos, até o meio das costas, mas seus olhos eram cinzas tempestade, mas eles estavam calmos, seu corpo era escultural, muitas curvas, ela estava vestida normalmente, sem sua armadura, usava um vestido simples e florido, ela sorriu para mim, tentei corresponder sorrindo, mas eu não estava no clima. ---Vovó, entre por favor.

—--Estou atrapalhando algo? Esmeralda não está aqui? Ou ela já foi? ---Perguntou ela sorrindo inocentemente, enquanto entrava, o que me fez corar violentamente.

—--Es...Esmeralda. ---Disse engasgando com a saliva, o que fez minha avó sorrir mais largamente. ---Do que a senhora está falando? O que a Esmeralda faria no meu quarto? Isso não faz sentido. ---Disse rapidamente, ela sorriu me olhando divertida.

—--Você achou que eu? Eu a deusa da sabedoria, não iria descobrir algo simples assim? ---Perguntou ela ofendida, mas eu podia ver que era brincadeira. Eu sorri corado, não devia duvidar da minha avó, ela não tinha o título de deusa da sabedoria atoa. ---Posso estar mais preocupada com a guerra e tudo mais, só que ainda fico de olho em você, rapazinho, nada escapa ao meus olhos. ---Disse ela piscando para mim, sorrindo divertida.

—--Quando e como descobriu? ---Perguntei curioso.

—--Bem, eu não imaginava que isso aconteceria, mas desde o dia que eu achei aquela calcinha na sua cama. ---Disse ela distraidamente, ela falar aquilo, me fez corar violentamente. ---Eu venho prestando mais atenção em você, não me entenda mau, não que eu queira te controlar como antigamente, mas não custaria nada eu descobrir quem era a mulher. ---Disse ela sorrindo e dando de ombros. ---Eu já desconfiava da Esmeralda, vocês sempre se tratavam diferente nas reuniões, sempre tinha um olhar esquisito, não sou especialista nesse quesito amor e relacionamento, isso é coisa da sua mãe e da Afrodite é claro, mas não sou lerda como seu pai. ---Rimos da sua comparação. ---Mas eu tive a confirmação, na noite em que você foi atacado pela Súcubo, e a Esmeralda que te achou, o que ela fazia no seu quarto? Uma coisa levou a outra e pronto. ---Disse ela seriamente, eu ri alto.

—--Incrível, nunca pensei que você tinha descoberto, isso me surpreendeu. ---Disse rindo, ela me olhou levemente irritada.

—--Ei, não duvide da minha inteligência, garoto. ---Disse ela levemente irritada.

—--Não, não é isso que eu quis dizer. ---Disse erguendo as mãos em sinal de rendição. ---Nunca duvidaria da sua inteligência vovó, quando disse que era incrível é que fiquei surpreso, quis dizer que mesmo você descobrindo, você não deu um ataque de raiva ou tentou matar Esmeralda, coisa que eu esperava se você descobre-se. ---Disse rindo, ela me acompanhou. ---Então, você aprova a Esmeralda? ---Perguntei curioso.

—--Bem, aprovo não é palavra correta. ---Disse ela pensativa. ---Esmeralda é incrivelmente bela, com toda certeza, boa deusa e tudo mais, mas na minha opinião, não é exatamente a mulher perfeita pra você.

—--Mesmo assim, não vai falar nada? Mandar eu parar de ver ela? ---Perguntei impressionado.

—--Não, como te disse naquela noite, eu tenho confiança em você, nas suas escolhas, a vida é sua, você faz o que quiser meu querido, desde que nunca se esqueça de ouvir minhas opiniões é claro. ---Disse ela firmemente, eu entendi que aquela frase dela, não era somente por causa da Esmeralda, tinha muito mais coisa envolvida. ---Mas se quiser, você sabe, continuar a ficar como você jovens chamam hoje em dia. ---Sua forma desleixada de falar, tentando parecer uma adolescente dos tempos modernos, me fez rir, ela sorriu com a minha risada. ---Se decidir ficar com a Esmeralda, eu vou te apoiar.

—--Vó, você, tia Deméter e minha mãe, nunca vão aceitar uma garota para ser minha esposa. ---Disse divertido, ela riu me acompanhando.

—--Confesso que sim. ---Disse Atena rindo. ---Mas vou deixar esse lado de inspeção da sua futura esposa, para Afrodite, Deméter e sua mãe, elas entendem melhor dessas coisas. ---Disse ela seriamente, o que me fez rir mais ainda. ---Mas, se for a Ligea a inspecionada, dou meu voto em positivo. ---Disse ela seriamente, o que me fez corar violentamente, mas me fez ficar triste, meu peito se afundou em amargura e culpa, como Ligea aceitaria em me ter ao seu lado, não depois de toda a dor que eu causei a ela. Senti um toque em meu rosto, erguendo meu rosto, fazendo-me encarar seus lindos olhos cinzas tempestades, que transbordavam compaixão, ela fez carinho em minha bochecha, fechei os olhos, sentindo seu toque em minha pele. ---Meu amor, não se culpe tanto assim, coisas ruins acontecem, com todos, as falhas e os erros também.

—--Mas quando eu falho, as pessoas se machucam, pessoas que não queria que se machucassem, ou pior, minhas falhas machucam pessoas que amo. ---Disse com lágrimas nos olhos, em resposta minha avó me beliscou com força, quando a olhei em seus olhos, eles brilhavam de poder.

—--Perseus, as coisas acontecem como devem acontecer, todas as pessoas que você acha que morreram ou se machucaram por sua causa, na verdade, elas se machucaram por você, por que amam você, como você ama elas, agora para e pense, só por um segundo, como elas se sentiriam, se você tivesse morrido ou se machucado por causa delas? Você acha que elas também não sentiriam dor e raiva? Você acha que eu me sinto como? quando te vejo sangrando, à beira da morte Percy, as pessoas só se machucam por aquelas que amam, aquelas que são importante pra elas. ---Disse ela com lágrimas nos olhos, aquilo me atingiu como um soco no estômago, ela tinha razão, eu só me machucaria pelas pessoas que amo, tentando salva-las e protege-las, apesar de ter me machucado por muitos que nem ao menos conhecia.

—--Mas eu tinha que proteger elas, Phoebe, a Yeasmin, minha mãe, eu falhei em proteger elas. ---Disse com lágrimas nos olhos.

—--Percy, todas elas morreram, sim, mas você não falhou com elas, nunca, elas que tiveram êxito no que queriam. ---Disse minha avó seriamente. ---Elas tiveram êxito em proteger você, proteger o mundo, as vezes dando suas vidas em uma causa maior.

—--Mas eu não queria isso, não queria que nenhuma delas morressem, por que elas morreram? Eu não consigo entender isso. ---Disse chorando.

—--Por que elas acreditaram em você. ---Disse minha avó com lágrimas nos olhos. ---Por que elas te amaram, elas acreditaram no seu poder e potencial, principalmente sua mãe, Sally, minha filha, ela te protegeu, por que sabia do seu potencial e quer saber? ela estava certa, você salvou o mundo, mais de uma vez, fez coisas maravilhosas. ---Disse ela sorrindo é chorando ao mesmo tempo, foi inevitável não chorar junto, apesar de já estar chorando. ---E te digo mais, a qualquer momento, se precisar, eu dou a minha vida, minha imortalidade, para salvar a sua, por que eu acredito no seu potencial e no seu coração. ---Disse ela colocando a mão no meu peito é chorando, aquilo me encheu de felicidade. ---Percy, meu querido, eu não tenho muito tempo, tenho que voltar, para supervisionar os preparativos da guerra, mas antes de ir, eu realmente quero que você fique e lute na guerra, você e excepcionalmente necessário aqui. ---Disse ela sorrindo, eu ameacei em dizer algo, mas ela se adiantou. ---Não se preocupe em responder agora, quero que saiba, que como disse antes, irei apoiar e aceitar qualquer uma das suas decisões, sempre, se acha que é melhor ir embora, ir treinar no Olimpo, para se fortalecer e controlar melhor a chama sagrada e seus outros poderes, eu entendo e te apoiarei, mas não posso esconder que você é necessário aqui. ---Disse ela firmemente.

—--Obrigado vovó. ---Disse sorrindo, então algo me ocorreu, uma questão se formou na minha cabeça. ---Enquanto a Cronos, eu queria me desculpar, por quase...

—--Não, esqueça isso, Percy, o importante é que no final, você fez a escolha certa, como sempre faz, por isso eu sempre vou te apoiar. ---Disse ela sorrindo. ---Mas isto, não vou aceitar um não como resposta. ---Disse ela seriamente, antes de dizer qualquer coisa, senti algo pesar em meu pulso, eu olhei para o meu braço direito, lá estava uma pulseira de ouro, com um pingente em forma de coruja, a lança que eu havia devolvido a ela, que pertencerá a mais poderosa filha dela, minha mãe, depois de ouvir a verdadeira história daquela arma, eu não podia aceitar ela.

—--Mas, eu não sou dig....

—--Se você me disser, nesse exato minuto, que não é digno de usa-la, eu juro pelo Rio Estige, que vou fazer você engoli-la. ---Esbravejou minha avó, mesmo com a ameaça, eu confesso que me senti feliz.

—--Obrigado. ---Disse sorrindo para ela, ela sorriu e beijou meu rosto. ---Eu te amo muito, vovó.

—--Eu também te amo, meu querido. ---Disse ela sorrindo, ela ainda tinha lágrimas nos olhos. ---Agora, eu tenho que voltar, meu querido, mas pense com carinho, ainda precisamos de você. ---Disse ela sorrindo, ela se virou e começou a caminhar porta a fora. Então eu parei para pensar, em tudo que conversei com ela agora, das coisas que ela me disse, ela tinha razão, em tudo, Phoebe morrerá em missão, tentando salvar Ártemis, salvar Zoë, ela queria estar ali, me protegendo e protegendo os outros, ela morreu, mas morreu fazendo o que queria fazer, sendo uma guerreira, ou a Yeasmin, que morreu, tentando me salvar, tentando salvar a Roda, ela queria estar naquela ilha, lutando, ou então minha mãe, Sally, como ela lutou com unhas e dentes, tentando me salvar, como ela me amava, como confiava em mim, ou então, de como foram esses últimos dois dias, com tantas pessoas me agradecendo, me chamando de incrível General, ou salvador, ou me tendo como espelho, especialmente Depp e Texugueiro, que me chamaram de salvador, talvez minha avó e os outros, tinham razão, e eu tinha que continuar a lutar nesta guerra, me esforçando em proteger o máximo de aliados que podia. Além disso que droga de irmão mais velho eu seria, se abandona-se Tyson, especialmente o Tyson, não podia dar para trás agora, não quando ele me tinha como espelho, não quando eu podia fazer algo para ajudar. Então havia mudado de opinião, eu iria ficar e lutar nessa guerra, quando estava prestes a avisar da minha nova decisão, minha avó se virou, sorrindo. ---A propósito, você não precisa ficar logo com a Ligea, espere mais 3 semanas. ---Disse ela sorrindo, aquilo me atingiu como um soco no rosto. Como eu podia ficar e continuar a lutar nessa guerra, sendo tão instável e problemático com meus sentimentos e poderes, todas as vezes que perdia o controle, eu machucava uma pessoa, as vezes as pessoas que mereciam ser machucadas, outras vezes eu machucava inocentes, aconteceu isso com a Clarisse e depois com a Ligea, eu não posso machucar outra pessoa novamente, não posso machucar uma pessoa que amo. ---Eu apostei alto em você, não me decepcione, eu quero esfregar na cara do seu pai, só por que ele disse que eu não entendia nada de amor. ---Disse ela sorrindo confiante, forcei um sorriso. ---Percy, as apostas estão na casa dos 90 milhões de dólares.

—------------------------------------- Quebra de Tempo. ---------------------------------------------------------------------------------------------

No dia seguinte.

Depois que minha avó saiu do meu quarto, eu dormi um pouco, graças aos deuses, não tive nenhum sonho, o que por si só, já era ótimo, assim que acordei, eu fui para a enfermaria, especificamente, ver a Ligea, e lá estava eu, sentado em uma cadeira, olhando para o corpo inconsciente de Ligea, em seu leito da enfermaria, ela já estava quase recuperada, seu peso havia voltado, ainda estava um pouco mais magra que o comum, mas seu rosto já havia ganhado cor, ela realmente parecia que poderia acordar a qualquer minuto, mas ainda não estava na hora. Meus pensamentos começaram a divagar, minhas memórias do passado voltando, os erros que havia cometido no passado, as pessoas que eu machuquei, principalmente quando estive na Prisão de almas, eu não conseguia esquecer nada disso e quase todas as noites, eu tinha pesadelos, eles vem aumentando muito, principalmente agora, que estou no fundo do mar, lutando essa guerra. Apesar de estar pensando longe, pensando no meu passado conturbado, eu notei quando a Esmeralda abriu os olhos, aquelas lindas orbes azuis turquesas se mostraram, depois de muito tempo, mas não durou, ela fechou novamente. Eu precisava chamar alguém, me virei e corri porta a fora, para o corredor, eu avistei Roda, linda como sempre, aparentando ter seus 20 anos, 1,65 cm, seus cabelos negros esverdeados que iam até a metade das suas costas, ela estava usando um vestido azul claro, que realçava suas belas curvas, ela conversava seriamente como uma das ninfas.

—--Roda. ---Chamei ela, ela se virou e me olhou. ---Acho que a Ligea está acordando, seria bom você dar uma olhada. ---Disse para ela, ela sorriu largamente e correu na direção de onde eu estava.

—--O que aconteceu? ---Perguntou ela, passando por mim e entrando.

—--Bem, ela abriu os olhos, mas não conseguiu mantê-los. ---Disse para ela, ela assentiu e começou a examinar Ligea, ela parecia animada com o que vinha. ---Então?

—--Como eu havia previsto, ela vai acordar hoje, em breve. ---Disse Roda sorrindo feliz, aquilo me pegou de surpresa, eu havia esperado e me preparado para aquele momento, pensando no que dizer a ela, como pedir desculpas, deuses, mas eu não havia pensado em nada digno para dizer, claro que não acharia, não há desculpas pro que eu fiz, eu quase a matei queimada, fiz ela sofrer tanta dor, aquilo com certeza era a pior parte, eu não conseguia aceitar ou entender que um mero pedido de desculpas, resolva tudo, que as coisas voltem a ser como eram antes, entre eu ela. Mas uma coisa, me incomodava bastante, tanto quanto ou ainda mais que o fato de eu ter feito o que fiz com Ligea, era dizer a ela, ou melhor, se dizia ou não, o que eu sentia por ela, ou o que eu achava que sentia por ela, todos apoiam que eu fique com ela, até fizeram uma aposta sobre isso, mas toda vez que pensava em algo amoroso, eu ficava confuso, sempre vinha Ligea na minha cabeça, mas vinha mais pessoas, Annabeth, Nix e ainda por cima, aquela mortal misteriosa, Louise, deuses, eu segui o conselho da Afrodite, sentir mais e pensar menos, mas isso só está me confundindo ainda mais, maldição, por que as coisas não podem ser simples, pelo menos uma vez, em apenas um dos quesitos da minha vida, mas é claro que não, tudo tinha que ser complicado e difícil. ---Ligea, Ligea. ---Disse Roda, chamando minha atenção, ela dizia tentando acordar ela. ---Percy, ela está acordando. ---Disse Roda me olhando de relance, olhei para o rosto da Ligea, seus olhos se mexiam, tentando se abrir. Aquilo me encheu de choque e desespero, eu não estava pronto, o que vou dizer? O que vou fazer? Como ela vai reagir? Vai me odiar ou me perdoar? Eram tantas perguntas e dúvidas.

—--Roda, eu preciso ir, tenho que arrumar minhas coisas para ir embora. ---Disse rapidamente, Roda se virou e me olhou incrédula.

—--O que? Mas já? Você não disse que ia ficar até Ligea se recuperar para conversar com ela? Vai partir sem falar nada? ---Perguntou ela confusa.

—--Sim, mas... houve uma mudança de planos. ---Disse atrapalhadamente. ---Até logo. ---Eu me concentrei, teletransportando-me dali, direto pro meu quarto, sim, eu me acovardei, sinceramente, era mais fácil lutar novamente com uma Hafgufa, do que ir falar com a Ligea, até preferia lutar com a Hafgufa, não sei o que estava acontecendo comigo, nunca fui de me acovardar perante garotas, mas com a Ligea, era diferente.

—--Eu sou ridículo.

—------------------------------------ Quebra de Tempo. ---------------------------------------------------------------------------------------------

POV: Ligea.

Meus olhos começaram a ganhar foco, eu vi vagamente um rosto me observando atentamente, grandes e tristes olhos verde-mar, cabelos negros e bagunçados, exceto por uma mecha de cabelos grisalhos, mas então minha vista se apagou novamente e a escuridão dominou.

—--Ligea, Ligea. ---Escutei uma voz distante, eu a reconhecia, reconhecia muito, era a voz da pequena Roda, da minha querida Roda. ---Acorda Ligea, abra os olhos, você consegue. ---Escutei o seu incentivo, forcei meus olhos, obrigando-os a se abrirem, a luz forte ofuscou minha vista, mas mantive-os firme, logo fui me acostumando com a claridade, então consegui ver Roda, me olhando sorrindo, seus olhos estavam levemente marejados. ---Que bom que acordou, estava ficando preocupada. ---Disse ela sorrindo largamente.

—--O que aconteceu? ---Perguntei fracamente, mas minha voz saiu muito rouca e estranha.

—--Antes, tome um gole de néctar. ---Disse ela me oferecendo o recipiente, ela me auxiliou, me levantando um pouco e dando na minha boca, senti o liquido derramar na minha garganta, me revitalizando, me senti um pouco mais forte.

—--Tem gosto de chocolate quente, que bebíamos quando você era criancinha. ---Disse sorrindo para ela, ela riu um pouco. ---Agora, o que estou fazendo aqui?

—--Você não se lembra de nada? ---Perguntou ela, eu forcei minha cabeça, vasculhando minhas memórias, então eu fui me lembrando aos poucos, meu pai, meu terrível pai, Nereu, ele havia me atacado, nós lutamos, até ele me derrotar, então, as coisas horríveis que ele disse, ele pegando a minha Safira e a destruindo. Levei a mão para meu pescoço, eu não senti o meu colar, a minha joia predileta, presente da minha mãe. Minha mãe, então lembrei do que aconteceu, de como ao mesmo tempo que aquele maldito do Nereu, falou que foi ele que matou minha mãe e não uma Serpente Marinha, ele esmagou a joia em suas mãos.

—--NÃO. ---Gritei chorando, em reposta, senti Roda me abraçar com força, tentando transmitir carinho para mim. ---Ele matou minha mãe, ele matou ela, Roda, ele destruiu meu colar, minha Safira, o presente da minha mãe.

—--Shiu, vai ficar tudo bem. ---Disse Roda passando a mãos nos meus cabelos, tentando me acalmar, eu chorava compulsivamente, sentia meu peito despedaçado, doendo como nunca. Ficamos por vários minutos, apenas abraçadas, eu chorando e Roda fazendo carinho em mim. Assim que fui me acalmando um pouco, as memórias continuaram vindo na minha cabeça, então me lembrei, de como o Percy me salvou, de como ele me segurou em seus braços, me protegendo da morte, de como ele conseguiu tirar o veneno de mim, salvando minha vida, como se ele fosse um verdadeiro príncipe encantado. Mas então, de como ele atacou Nereu, meu pai, de como ele esmurrou Nereu com as mãos nuas, depois ele fez a água pegar fogo, um fogo azul, queimando tudo, inclusive a mim, a dor que senti, era tanta, tanta dor, depois tudo apagou, então eu sonhei com seus olhos, me olhando, cuidando de mim.

—--Roda, onde está o Percy? O que aconteceu com ele? Eu poderia jurar que ele estava aqui, me olhando, ou foi apenas um sonho? ---Perguntei para ela, ela me olhou tristemente, ainda mais triste.

—--Depois conversamos sobre ele. ---Disse ela sorrindo tristemente, aquilo me deixou curiosa, ainda mais curiosa.

—--Não, pode falar, eu quero saber. ---Disse firmemente, ela hesitou por um momento, então ela olhou para baixo, desviando os olhos do meu. ---Roda, me fala logo, fala de uma vez.

—--Tudo bem, tudo bem. ---Disse ela respirando fundo. ---Ele esteve aqui, muitas vezes, quase o tempo todo, olhando por você, é verdade isso, não foi um sonho. ---Disse ela, sorri corando, fiquei feliz que ele fizera isso por mim.

—--Então, cadê ele? Teve que voltar para lutar? Está na batalha? ---Perguntei sorrindo.

—--Não, as batalhas cessaram, após Nereu ter sido... derrotado. ---Disse Roda, delicadamente, ela sempre media suas palavras, mas por um instante, senti uma pontada no peito, se não estava acontecendo batalhas, ele poderia estar aqui, me olhando, como havia feito, ou então ele não gostava tanto assim de mim, não Ligea, idiota, ele é um General, deve estar muito ocupado, reorganizando o exército ou trabalhando cuidando de alguma criatura, já que ele também tinha um poder de cura aquático incrível.

—--Então, quando ele tiver um tempo, dos seus muitos afazeres como General, peça para ele vir falar comigo. ---Disse sorrindo para Roda, mas ela pareceu ficar ainda mais triste. ---Que foi? ---Perguntei preocupada, ela respirou fundo.

—--Ele não é mais General. ---Disse Roda tristemente. ---Ele nem faz mais parte do exército. ---Aquela resposta fez meu coração falhar uma batida.

—--Como assim? Poseidon o rebaixou? Expulsou? Por que? Espero que não seja por minha causa, ele salvou minha vida, só cometeu um pequeno erro, se precisar eu falarei com Atena e Poseidon, pessoalmente, ele não pode perder seu cargo dessa forma, não por minha causa...

—--Não, não, calma Ligea. ---Disse ela me interrompendo. ---Não foi por sua causa que ele perdeu seu posto, na verdade, tem um pouco haver, mas é claro que não foi sua culpa, longe disso...

—--Sem enrolação, Roda. ---Disse impaciente, as vezes a sua delicadeza era irritante. Ela respirou fundo.

—--Ele pediu para sair, ele abandonou seu posto, por vontade própria. ---Disse Roda tristemente.

—--Mas por que isso? Eu não entendi. ---Disse confusa.

—--O Percy é complicado, ele é muito exigente consigo próprio, ele não aceita falhar, em nenhum momento, isso é tão idiota. ---Disse Roda irritada. ---Mas eu o entendo, entendo seus motivos, é porque ele já sofreu tanto, eu sei que você não sabe, mas ele na sua última missão, viu uma amiga importante para ele, morrer, aquilo mexeu com ele, mexeu muito, tanto a ponto dele se matar...

—--Espera, como assim? Se matar? ---Perguntei confusa.

—--Bem, ele descobriu algo, em um livro antigo, chamado ritual de sangue.

—--Igual ao que ele usou na ocultação divina, para entrar escondido no navio do Lorde Titã?

—--Sim, mas este é um pouco diferente, o livro continha feitiços relacionados a rituais de sangue, uma coisa realmente maligna e perigosa, depois que ele perdeu Phoebe, ele teve que continuar a missão, para salvar Ártemis, mas então, outra amiga dele, Zoë, se feriu gravemente em batalha, foi envenenada, Zoë e Phoebe, eram as duas melhores amigas dele, verdadeiras irmãs, então ele fez o ritual de sangue, chamado a troca, então ele morreu no lugar de sua amiga. ---Disse Roda com lágrimas nos olhos.

—--Mas como ele está vivo? ---Perguntei confusa.

—--Nix, a primordial, ela é uma grande aliada do Olimpo, ela o trouxe de volta, pois a muito tempo atrás, ela falhou com o Olimpo, especialmente com o Percy, deixando Percy cair na Prisão de Almas, bem, essa história você já conhece. ---Disse ela distraidamente, eu realmente conhecia a história incrível do Percy, de como ele salvou o mundo, a era dos deuses do terrível Kraken. ---A verdade, é que mesmo estando perdido e triste como ele estava, por perder Phoebe, ele veio para a guerra, sem pensar duas vezes, mas o fato dele ter feito o que fez, ter machucado você, daquela forma, o fez duvidar da sua própria capacidade.

—--Mas ele tinha acabado de salvar minha vida. ---Disse irritada, Roda deu de ombros.

—--Ele é assim, sempre foi, ele coloca todo o peso do mundo em cima dos seus ombros, não procura uma ajuda, nada, faz tudo sozinho, ele dá mais valor a seus erros do que aos seus acertos, se comete uma pequena falha, ele acha que todo o resto que ele acertou, não adiantou de nada, além de ficar se culpando, se martirizando. ---Disse Roda tristemente. ---Desde muito pequeno ele não lida muito bem com a falha, por isso ele nunca desiste, nunca, mas ele não consegue se perdoar com facilidade.

—--Eu entendo, ele é muito puro. ---Disse sorrindo, Roda assentiu positivamente.

—--Talvez seja, mas isso acaba machucando ele, sempre, vai drenando sua pureza pouco a pouco. ---Disse Roda tristemente.

—--Eu preciso falar com ele, agradecer, talvez o faça se sentir melhor. ---Disse sorrindo, Roda ajeitou o cabelo, eu a conhecia, isso queria dizer que ela estava desconfortável, então ela estava tentando esconder algo de mim.

—--Fala, tem mais coisas. ---Disse irritada, ela deu de ombros sorrindo.

—--Eu nunca consigo esconder nada de você. ---Disse ela sorrindo, eu dei de ombros. ---Percy está confuso é triste, acho que ele já pode partir a qualquer momento...

—--COMO ASSIM? ---Perguntei espantando, interrompendo Roda, falando um pouco mais alto que queria, Roda me olhou rindo, me fazendo corar violentamente. ---Digo, eu ainda preciso falar com ele.

—--Ele disse que iria assim que pedisse desculpas pra você, mas ele estava aqui a poucos instantes, quando você estava acordando, mas antes disso, ele simplesmente começou a gaguejar e dizer que tinha que fazer algo, e foi. ---Disse Roda rindo. ---Ele gosta muito de você, tanto que não conseguiu te encarar. ---Disse Roda seriamente, me fazendo corar muito, mas confesso que fiquei feliz.

—--Você tem que falar com ele, fazer ele ficar. ---Disse para ela, ela suspirou, sorrindo tristemente.

—--Eu tentei, Poseidon, Atena, mas ele é teimoso demais, se ele coloca algo naquela cabeça oca, nada mais tira. ---Disse ela frustrada. Nesse instante alguém abriu a porta, era uma das ninfas responsáveis pela enfermaria, ela parecia preocupada.

—--Senhorita Rodes, precisamos da sua ajuda é urgente. ---Disse a Ninfa.

—--Sim, estou a caminho. ---Disse Roda, ela se virou para mim. ---Eu tenho que ir, fique e descanse mais um pouco, deixe o Percy comigo, eu acerto ele. ---Disse ela sorrindo e piscando, ela se levantou e saiu apressadamente porta a fora. Eu me levantei da cama, eu sentia que não estava muito forte, mas estava forte o suficiente para ir atrás do Percy, colocar algum juízo naquele idiota, ele não pode ir, eu preciso dele... o exército precisa dele. Sai daquele quarto, eu sabia exatamente onde era o quarto do Percy, talvez ele estivesse lá, pelo menos era meu melhor palpite. Assim corri rapidamente em direção ao quarto dele, já que dentro do palácio, algumas áreas não tinha água, como os quartos. Assim que cheguei ao seu quarto, eu parei na porta, grande de madeira com um desenho de Tridente dourado, a porta era pintada de verde, antes de eu bater nela, eu escutei a voz do Percy, lá dentro.

—--E dizer o que? Desculpe Ligea, sinto muito por matar seu pai, quase te queimar até a morte, se você não se importar muito, talvez, se estiver com problemas mentais, você aceitaria um convite para um jantar? Seu idiota, você nunca trava, por que eu travei, deuses, como eu odeio ser eu. ---Disse ele irritado, aquilo me pegou de surpresa, então Roda tinha razão, Percy realmente também gosta de mim, sem perceber, me peguei sorrindo bobamente, mas então ele voltou a falar sozinho. ---Você não faz nada direito, seu idiota, é agora? Ela no mínimo me odeia, como vou falar do que sinto por ela, maldição, eu devia mesmo e ir embora agora, sem falar com mais ninguém. ---Aquilo me pegou de surpresa, mas me assustou um pouco. Então bate na porta algumas vezes. ---Pode entrar. ---Escutei ele gritar lá de dentro. Eu abri a porta, ele estava de costas para a porta, mas confesso que o que vi, era uma bela visão, muito bela. Ele estava sem camisa, ele tinha grandes e definidos músculos nas costas e nos ombros, eram bastantes sexys, ele estava usando apenas um calção de algodão branco, ele mexia em uma mala, dobrando e colocando algumas roupas dentro dela, ele estava mesmo, arrumando sua mala para ir embora, ele se virou na minha direção, assim que ele me viu, seus lindos olhos verde-mar, se arregalaram em surpresa. ---Ligea? ---Perguntou ele surpreso.

—--Olá, posso entrar? ---Perguntei sorrindo, ele demorou um pouco para responder, o que me fez sorrir internamente, lento como sempre.

—--Entra, entra, por favor. ---Disse ele apressadamente, ele se virou em direção a sua cama, e começou a arrumar a bagunça de roupas que estava em cima. ---Me desculpe o mau jeito e a bagunça.

—--Não se preocupe com isso. ---Disse me aproximando dele.

—--Você deve estar imaginando o quão bagunçado eu sou, se uma das deusas visse isso, estaria morto... ---Ele começou a tagarelar sem parar, fui me aproximando dele, eu não suportava mais, eu queria saber o sabor daqueles lábios, eu queria estar com ele, não aguentava ter mais aqueles olhos verde-mar, tão lindos, somente na minha cabeça, eu queria ter eles me olhando, atentamente, como ele fez, todo esse tempo, que fiquei desacordada. ---Elas odiavam bagunça...

—--Eu aceito. ---Disse quando estava bem próximo a ele, ele se virou, seus olhos se arregalaram mais ainda, quando ele me viu perto dele, a poucos centímetros, olhando diretamente em seus lindos olhos. ---Eu aceito o pedido de jantar.

—--Você me ouviu? ---Perguntou ele corando violentamente, ficando mais vermelho que meus cabelos. Eu sentia meu estômago revirado, minhas pernas tremendo levemente e minha mãos suadas, mas me mantive firme.

—--Sim, e alias eu não estou com problemas mentais. ---Disse rindo, ele me acompanhou, eu sentia meu rosto corar, a cada centímetro que me aproximava dele. ---Mas eu quero que você me diga, tudo que sente... tudo que sente por mim. ---Disse seriamente, olhando em seus olhos, agora estávamos realmente muito próximos, como naquele noite a tanto tempo, eu até sentia sua respiração pesada na minha. Então ele começou a se afastar, quebrando clima.

—--Ligea, eu te machuquei, eu não acho justo que....

—--Cale a boca, seu idiota, você fala demais. ---Disse firmemente, pegando seus cabelos com as minhas mãos, segurando firme, e então eu fiz o que estive louca para fazer, desde o dia que eu o vi pela primeira vez, tomei aquela boca para mim.