Notas iniciais
Salve meus fantasminhas, bem que vocês poderiam aparecer em hahaha....

POV: Perseus Heitor Jackson.

Depois de quase morrer, tentando destruir aquele monstro colossal maldito, Hafgufa, eu fui totalmente esculachado e repreendido por minha avó, ela simplesmente enlouqueceu de vez, além de brigar comigo, brigar por eu ter feito algo incrivelmente difícil é legal, que foi destruir aquela criatura colossal, praticamente impossível de destruir, como agradecimentos eu realmente esperava sorrisos, beijos e abraços, talvez um banquete de comemoração, mas a verdade é que ela simplesmente me prendeu, literalmente, e diferente do meu passado no Olimpo, agora era verdadeiramente uma prisão domiciliar, eu até tinha carcereiros, dois Golfinhos enormes de guarda na porta do meu quarto, incrivelmente injusto, não é? Tudo isso por que fui um pouco imprudente, tudo bem, talvez tenha sido mais do que apenas imprudente, mas sua superproteção tem passado muito dos limites, eu sou um General não tem como minha vida em batalha seja prudente.

—--Percy. ---Disse uma voz, me fazendo olhar em direção a porta, parada na porta, estava minha irmã, Roda, ela trajava sua armadura, feita de Oricalco, branca, com desenhos de tridentes verdes, nos ombros e no peito, ela não usava seu capacete, o que deixava amostra seu belo rosto, aparentava ter 20 anos, seus cabelos negros esverdeados, iam até a metade das suas costas, seus olhos eram de um verde claro lindo, mas eles estavam sérios e levemente irritados, o que dizia que eu ia tomar mais bronca e sermões irritantes.

—--Olha, se for para me encher de sermões e broncas, eu dispenso sua companhia, já ouvi demais hoje, acabei sendo preso por destruir aquela coisa, se soubesse, teria deixado ela viva. ---Esbravejei para ela, mas ela não recuou e nem fraquejou com meu tom de voz agressivo, afinal de contas ela era a irmã mais velha e mais poderosa que eu.

—--Deixa de ser estúpido, você sabe muito bem, sabe muito bem que não foi por isso que você foi preso e você sabe qual é o motivo, seu irresponsável, aliás, eu concordo plenamente com isso, com a decisão de sua avó, de te prender, na verdade, apoio que ela te despache de volta pro Acampamento ou de volta pra sua mãe, no Olimpo. ---Disse ela irritada, aquilo fez meu sangue ferver nos ouvidos.

—--Vai se ferrar, vai se ferrar você é essa estúpida guerra. ---Disse pegando o capacete da minha armadura, que estava em cima da minha cama, peguei e o arremessei na direção da TV do meu quarto, ele espatifou-se com força, destruindo a TV e rachando a parede atrás dela, entrando dentro da parede e ficando preso. ---Cansei dessa merda, nada que eu faço é bom o suficiente, nada que eu faço, salva as pessoas que eu gosto, estou cansado de fracassar, de ver as pessoas que amo morrendo diante dos meus olhos, eu queria sumir, desaparecer pra sempre, me enfiar em uma caverna e esperar o mundo acabar ou eu morrer de uma vez por todas. ---Disse chorando, Roda tinha lágrimas nos olhos e estava com a mão na boca, me olhando assustada, aquilo me fez sentir ainda pior do que já estava. Sentei-me na cama e coloquei a mão no rosto e chorei. Eu estava tão irritado, estava tão frustrado, estava triste, tanto que minha cabeça foi novamente aos demônios do meu passado, eu havia perdido minha mãe, depois a Yeasmin e por fim, havia perdido Phoebe, eu não aguentava mais isso, ver pessoas queridas morrendo diante meus olhos, eu simplesmente não suporto mais isso, as lutas, o sangue, está guerra maldita. Senti dois braços me envolverem e um corpo pequeno me apertar com força, tremendo um pouco.

—--Percy, me desculpe, me perdoe. ---Disse Roda com a voz chorosa, levantei meu rosto encarei ela, ela chorava livremente. ---Eu não devia ter dito aquilo, eu estava irritada, frustrada, preocupada, você não faz ideia do quanto, você é meu único irmão, meu último irmão vivo, eu te amo tanto, deuses, você é a coisa mais preciosa que me resta. ---Disse ela sorrindo e chorando, ela fez carinho em meu rosto, confesso que sentir seu toque quente e suas doces palavras, me fazia sentir-me muito melhor, sorri involuntariamente para ela. ---Eu te vi morrer, senti você morrer, vi seu corpo sem vida, aquilo doeu tanto, mais tanto, que só de pensar nisso, sinto um mal estar tão grande, uma dor forte no peito, um desespero, depois disso a guerra começou, eu não queria, papai não queria, mas nós precisávamos de você, então você esteve conosco, se arriscando, lutando, deuses como você foi incrível e necessário para ainda estarmos vivos na guerra, e isso me deixou tão feliz e orgulhosa, sabe, você me aceitar como sua professora e me deixar te treinar, eu vi você evoluir, melhorar e Percy, eu estava, estou tão orgulhosa disso. ---Disse ela passando a mão em meus cabelos e sorrindo, mas de repente sua expressão voltou a ficar seria e triste. ---Mas as coisas estão ficando cada vez mais complicadas e perigosas, então você se feriu naquela luta contra Bitos e Afros, eu fiquei tão preocupada, eu não gosto de falar e nem pensar nisso, mas por um instante, aquele ferimento, não se fechava, não curava, foi tão desesperador, eu pensei que você iria... iria... ---Ela travou entre os soluços de choro, eu a abracei fortemente, ela enterrou a cabeça no meu peito e chorou bastante.

—--Calma, minha pequena, desculpa eu te preocupar tanto assim. ---Disse beijando seu rosto.

—--Percy, foi tão difícil eu deixar você sair daquele hospital, parecia que todos os meus instintos gritavam para te amarrar naquela cama. ---Eu ri dela, ela me acompanhou um pouco, sua risada saindo muito chorosa. ---Mas você tem esse seu espírito de guerreiro, uma aura de líder que faz você impor suas vontades sobre as minhas, eu não sei bem, mas quando você fala, eu simplesmente me sinto tão confortável e confiante em você, que te deixo fazer a burrada que for. ---Disse ela irritada.

—--Relaxe, esse é apenas meu charme irresistível. ---Disse sorrindo para ela, ela me fulminou com seus olhos em resposta é socou meu braço, me fazendo cair na gargalhada.

—--Idiota, acho que você tem andando demais com Paláimon, e a imbecilidade dele, está influenciando você, te afetando. ---Disse ela irritada, o que me fez rir ainda mais.

—--Acho que você tem razão, minha pequena Roda. ---Ficamos por algum tempo assim, apenas abraçados, curtindo a presença um do outro, era bom estar com ela, me deixava feliz. Minha irmãzinha irritando e chata, “pequena Roda”, me ocorreu algo e uma pergunta se formou. ---"Pequena Roda", foi assim que a Ligea, te chamou, o que significa, pensei que você não gostasse dela.

—--Parece que não é somente ela que gosta de alguém. ---Disparou Roda, me fazendo corar um pouco, fazendo-a rir ainda mais. ---Bem, na verdade, eu não gosto dela, eu amo ela. ---Disse ela sorrindo, eu a olhei questionador, segurando a risada, ela não entendeu de imediato, mas quando entendeu, curou violentamente e me socou. ---NÃO DESSE JEITO, IDIOTA.

—--Ei, eu não disse nada. ---Disse rindo da sua reação violenta, só por que eu fiz uma brincadeira com o duplo sentido, um tanto lésbico da sua frase.

—--Eu e ela, temos uma relação maternal. ---Disse Roda irritada, eu assenti seriamente, antes que apanhasse mais, sua expressão suavizou. ---Eu não tenho orgulho de falar isso, mas Anfitrite, minha mãe, nunca foi uma ótima mãe, na verdade muito longe disso, sinceramente, nunca foi uma mãe pra mim. ---Disse ela tristemente, confesso que me senti mau por ela, eu felizmente, nunca vou saber como deve ser horrível ter uma mãe como Anfitrite, já que graças aos deuses, tive várias mães incríveis na minha vida, principalmente mães como Sally e Hera, além destas duas, tive Atena, Héstia e Deméter, mas só de imaginar o quão horrível seria, não ter elas na minha vida, eu sentia um medo e raiva tão grande, sinceramente, eu já me sentia abençoado por telas, mesmo com suas super proteções e paranoias. ---Por eu ser tão parecida com o papai e tão diferente dela, ela nunca tentou se aproximar de mim, na verdade, sempre me afastou e me maltratou, mas eu nunca a odiei, eu a amava, sempre amei, sabe, mãe é mãe, eu nasci de dentro dela. ---Por um instante, senti verdadeiramente remorso, remorso por ter matado Anfitrite, eu nunca parei para pensar, mas apesar de toda a maldade e crueldade da Anfitrite, ela era especial e amada por alguém, ninguém pode ser verdadeiramente odiado por todos. ---O mais perto que tive de ter uma mãe, foi com a Ligea, ela era tão dócil, tão meiga e bondosa, ela sempre cuidou de mim, desde que me entendo por deusa, as lembranças mais felizes que tenho da minha infância, é com o papai e com ela. ---Sorri com isso, eu sábia, sabia que no fundo, Ligea era uma pessoa incrível.

—--O que aconteceu com ela? Para ela mudar tanto? ---Perguntei, a expressão sorridente e feliz da Roda, se transformou em tristeza.

—--Muita coisa ruim aconteceu com ela, antes mesmo de eu nascer, ela foi trazida a força para nosso palácio, para servir de ajudante da minha mãe, ela foi tirada a força pelo seu pai, Nereu, da sua mãe, Dóris, Ligea dizia, que Dóris era a pessoa mais amável e doce que ela conheceu, ela sempre me comparava a sua mãe, me dizia que eu parecia com ela, aquilo sempre me deixava tão feliz. ---Disse Roda sorrindo, eu sorri internamente, lembrando do meu sonho com Dóris e Ligea, de como Dóris era, acho que Ligea fizera a melhor comparação possível, elas eram mesmo semelhantes, ambas eram dóceis e amorosas e fortes ao seu modo. ---Minha mãe odiava Ligea, sempre a maltratava, mas o pior mesmo foi ela ter recebido a notícia da morte da sua mãe, parece que uma Serpente Marinha, alucinada, acabou por matar Dóris. ---Disse Roda, aquilo fez meu sangue ferver, quando encontra-se Nereu novamente, ele não escaparia com vida. ---Papai disse, que Ligea ficou arrasada, triste e depressiva, mas então, eu nasci, meu pai dizia sempre, que a Ligea me amava demais, a Ligea dizia que a alegria que ela sentia por cuidar de mim, fez ela superar a morte da mãe, sorri novamente. ---Disse Roda sorrindo, um sorriso tão lindo e espontâneo que me encheu de felicidade, por ambas, por elas terem esse relacionamento tão lindo e incrível. ---Apesar de sempre, eu vê-la olhar tristemente para aquela Safira do seu colar, demorou pra eu entender, mas quando soube que aquilo fora o último presente de sua mãe, eu entendi. ---Disse ela tristemente. ---Mas ela sempre foi sorridente e alegre, sempre me protegia da Anfitrite, mesmo que isso irritasse minha mãe e ela descontasse na pobre da Ligea, mas ela não se deixava abater e me animava quando eu estava triste, apesar de odiar quando ela me chamava de "Pequena Roda ou Princesa das anãs.". ---Disse ela rindo, eu acompanhei.

—--"Princesa das anãs?" Gostei dessa, vou usar. ---Disse rindo, ela fechou a cara.

—--Não devia ter contado essa pra você. ---Disse ela seriamente, me fazendo rir mais ainda, ela me acompanhou.

—--Continua, quero saber mais. ---Disse a incentivando.

---Com o passar do tempo e com uma grande persistência do Tritão, ele conseguiu conquistar Ligea, demorou, ele foi incrivelmente persistente e paciente, levou centenas de anos, mas aquela foi uma época tão feliz, até mesmo minha mãe, estava contente e menos maldosa, mesmo Bitos e Afros estavam mais presentes. ---Disse Roda sorrindo, sorri, era bom saber, que as coisas nem sempre foram desse jeito louco, filho contra pai, mãe contra filhos, pai contra mãe, uma família de verdade não pode ser assim, devem ser unidos.

—--O que aconteceu? Para mudar as coisas tanto assim? ---Perguntei confuso, a expressão sorridente de Roda, escureceu e ela se calou.

—--Acho melhor mudarmos de assunto. ---Disse ela se esquivando, aquilo apenas me deixou mais curioso, aquela reação diferente dela.

—--Não, fale, por favor. ---Incentivei ela, ela suspirou.

---Mas se você quer mesmo saber, eu contarei, mas vou avisando que você não vai gostar da resposta, ainda quer saber? ---Perguntou ela tristemente, eu fiquei um pouco confuso, mas minha curiosidade sempre vence, então eu assenti positivamente. ---Sua mãe, a semideusa Sally Jackson.

—--Como assim? A culpa é da minha mãe? ---Perguntei levemente irritado, mas Roda ergueu as mãos em sinal de rendição.

—--Desculpe, eu disse que você não iria gostar, mas é a verdade, nosso pai, se apaixonou por sua mãe, fazia muito tempo que não nascia um semideus filho de Poseidon, o último tinha sido FDR, as coisas se agitaram pela traição do papai, mas foi apenas uma pulada de cerca, por vingança na verdade, minha mãe havia traído ele antes com um outro mortal, então as coisas ficaram mais calmas, tensas, mas somente entre meu pai e minha mãe, briga de casal, mas com o tempo, as coisas se acertaram. ---Disse ela calmamente. ---Então nosso pai, conheceu sua mãe, ele se apaixonou por ela, sua mãe era incrível, tenho que admitir, linda, forte, inteligente, ela mexeu tanto com o papai, que ele se separou da minha mãe, foi conturbado e estressante, mas papai se manteve firme da sua escolha, as coisas só pioraram, quando você nasceu, a turbulência foi tanta, que quase causou uma guerra no mar. ---Disse ela, eu me senti triste, muito triste, confesso que me senti muito mal em saber a verdade sobre o meu nascimento e as consequências, nem um ato vem sem consequências, tanto as boas quanto as ruins. ---desculpe, não devia ter falado isso.

—--Não, tudo bem, continua, quero saber de tudo. ---Disse a incentivando a continuar.

—--Não há muito o que falar, você sabe da maior parte, bem, como minha mãe não teve apoio de outros, e apesar de tudo, ela ainda amava nosso pai, a guerra não ocorreu, mas ela queria se vingar da sua mãe e de você, a raiva dela foi tanta, tanta, que acabou por contaminar Tritão, ele fez coisas terríveis, que cortou meu coração. ---Disse ela com lágrimas nos olhos, eu sabia do que ela falava, minha mãe Hera havia me contado, Tritão tentou assassinar meu pai, enquanto ele dormia em seu palácio, tomar o reino a força, não foi uma verdadeira guerra civil, pois ele nunca poderia vencer meu velho, nem no mano a mano, muito menos em comando, meu pai era um Deus rei muito amado pelo seu povo, Tritão não conseguiria apoio para um guerra civil. ---Mas a pessoa que mais sofreu, pela mudança repentina dele, com certeza, de longe, foi Ligea, por um instante, ela quase se aliou a ele e minha mãe, mas ela não conseguia fazer tanta maldade, ainda mais contra uma criança inocente como você, então ela se afastou do Tritão, se afastou do Palácio, sumiu por vários anos, senti falta dela, muita. ---Disse Roda com lágrimas nos olhos, limpei suas lágrimas com as pontas do dedo e sorri para ela, ela sorriu e continuou a falar. ---Ela retornou quando você acabou matando o Tritão, apesar de tudo, fizemos um funeral pra ele aqui, em Atlântida, Ligea estava tão diferente, tão amarga, tão fria.

—--Entendo, então, no final das contas, a culpa dela ser assim é minha. ---Disse tristemente chegando a óbvia conclusão de que todo aquele problema era minha culpa, por eu ter nascido.

—--NÃO... Não Percy. ---Disse Roda gentilmente, ela passou a mão no meu rosto, limpando a lágrima involuntária, que descia contra minha vontade pelo meu rosto. ---A culpa nunca foi sua, como eu disse, você era uma criança inocente, na verdade, nem da sua mãe, as coisas acabam, nem tudo dura pra sempre, o amor do meu pai pela minha mãe acabou, a culpa não foi de ninguém. ---Disse ela, aquilo não me fez sentir nada melhor. ---Olha, vou te contar algo, algo que eu não devia dizer, mas desde que Ligea voltou, em toda sua amargura e frieza, os momentos que eu notei ela sendo a Ligea do passado, feliz, sorridente, doce, foi quando ela estava perto de você, ou estava falando de você, mesmo nos momentos das brigas dela com o Paláimon havia algo além da sua raiva. ---Aquilo me pegou de surpresa, isso queria dizer o que? Que ao mesmo tempo que eu fui a causa da sua dor, eu de certa forma era o remédio para ela se sentir como antigamente? Isto era tão confuso. Roda se levantou e ajeitou sua armadura, sorriu pra mim. ---Eu tenho que ir, agora, mas não se preocupe, vou convencer Atena, convencer que precisamos de você lá na batalha, mesmo com suas loucuras que matam a gente de preocupação. ---Disse ela sorrindo, eu assenti sorrindo, ela se virou e caminhou em direção a porta, mas antes de sair, ela se virou e disse. ---Mais uma coisa, enquanto a Ligea, você pode ser meu irmão e eu te amar infinitamente, mas se magoar Ligea, machucar ela, vou fazer você se arrepender de ter nascido.

—----------------------------------- QUEBRA DE TEMPO. ------------------------------------------------------------------------------------------

Depois que a Roda foi embora, eu não tinha nada a fazer, já que estava em prisão domiciliar, então resolvi que melhor do que ficar parado, sem fazer nada, sendo um completo inútil, ou jogar videogame no meu tempo livre, eu podia usar todo esse tempo livre, que tinha agora, para treinar, treinar a chama Sagrada azul como fazia quando tinha algum tempo livre nessa guerra, coisa rara nos últimos tempos. Então afastei os móveis do meu quarto, ignorando o capacete preso na parede e a TV espatifada no chão, acabei abrindo um espaço amplo no centro do meu quarto, para evitar que eu colocasse fogo no palácio do meu pai e avó, se fizesse isso, com certeza Atena me mataria, quem mais além de mim, para pôr fogo em uma palácio submarino? Então, melhor não arriscar e tomar algumas precauções. Sempre que tinha um tempo livre, entre as batalhas e meu treinamento de controle de líquidos com Roda, eu treinava meditação e a troca da chama comum, vermelha, para a chama sagrada, azul, confesso que não era nada fácil, limpar minha mente completamente, de pensamentos aleatórios, eu sendo neto de quem sou, meu cérebro sempre estava a mil, pensando em muitas coisas ao mesmo tempo, além disso, sou filho de Poseidon, sou impulsivo e imperativo, mais que a maioria dos semideuses, então eu dificilmente fico parado por muito tempo, mas com o passar do tempo que meditei, já conseguia afastar meus pensamentos e me concentrar muito melhor, eu havia conseguido trocar e manter a chama sagrada, era muito difícil é cansativo, além de me machucar o tempo todo, mas falando a verdade, não tinha realmente dominado este novo poder, estava muito longe disso, eu não me sentia confortável a usar, muitas vezes durante o treinamento eu me machuquei, me queimando feio, sempre que as chamas saiam do controle, eu felizmente, conseguia controlar e extinguir a chama sagrada, sem mais problemas, somente algumas queimaduras em mim, mas definitivamente, fazer ela curar, era muito complicado, muito além do meu controle atual, além disso, nunca fiquei muito confortável em invocar e manipular muito fogo azul, sempre em poucas quantidades. Mas eu tinha uma desculpa, eu não tive um treinamento adequado, minha tia não teve tempo para isso, já que vim às pressas para a guerra, eu precisava de mais dicas da minha senhora, Héstia. Sentei-me no chão, no meio do meu quarto o mais longe que podia dos moveis, cruzei minhas pernas e juntei ambas as mãos, bem ao estilo de um monge budista, então, respirei fundo, concentrei-me, afastando meus pensamentos, focando na minha respiração e na minha energia interna, já que estava dentro do palácio e não fora dele, como costuma treinar, achei melhor ir somente até onde tinha segurança e confiança, que podia controlar e manipula-la, o que era basicamente uma pequena chama na palma da mão.

—--Vamos lá. ---Disse firmemente, fechei meus olhos e respirei fundo, acalmando ainda mais meu corpo, diminuído meus batimentos cardíacos. Eu sabia o que fazer, Héstia havia me falado como, então eu não podia decepciona-la, ela confiou seu poder a mim, suas habilidades, me tornou seu campeão, na próxima vez que a visse, iria mostrar total controle na troca da chama comum para a sagrada, bem, pelo menos eu espero. Precisava manter o foco na calma, serenidade, controlar meu corpo e mente, deixar tudo equilibrado, assim como Héstia é, assim como as Fênix Azuis são, ser um, com a chama azul, assim como sou com a água. Já que estava em meu quarto e nele a água do mar, não entrava, abri meus olhos, invoquei a chama comum, vermelha, fazendo a chama queimar diante meus olhos, logo a minha frente. Ela não era muito grande, uma pequena quantidade de fogo, do tamanho de uma bola de tênis. Comecei a me concentrar na troca, pensar nos ensinamentos e dicas que Héstia me dissera, acalmar tudo, fazer tudo entrar em equilíbrio, em calma e serenidade. Em resposta aos meus sentimentos serenos, o fogo começou a se intensificar e mudar de cor, logo a troca estava perfeita, eu havia conseguido, uma pequena chama azul queimava em cima da minha mão direita, mas manter ela era complicado, precisava manter todos os pensamentos mundanos longe e me focar apenas naquilo e mais nada. Mantive ela durante algum tempo, estava conseguindo mantê-la sobre controle, então uma imagem apareceu na minha frente, era o rosto de uma bela mulher, lindos olhos cinza tempestade, cabelos loiros e lisos caindo sobre seu rosto branco, eu reconhecia aquele rosto em qualquer lugar e em qualquer momento, era o da minha mãe.

—--Mãe... AAAAA ---Gritei de dor quando a chama em minha mão saiu do controle e queimou todo meu braço. ---Droga. ---Disse vendo a chama azul me queimar rapidamente, era uma dor forte, mas tinha que manter o controle e a calma para poder extinguir a chama, fechei meus olhos ignorando a dor, respirei fundo e comecei a me concentrar a tentar extinguir a chama, mas não estava conseguindo me acalmar, era difícil comigo sentindo tanta dor.

—--PERCY, VOCÊ ESTÁ PEGANDO FOGO. ---Ouvi uma voz gritar ao fundo, ela parecia distante, como se estivesse gritando de muito longe. Pode ver ao fundo, meu pai, seus olhos verdes-mar estavam em pânico, ele gritava e gesticulava, mas eu não podia ouvir sua voz direito, eu estava quase chegando a concentração necessária para acalmar e apagar a chama azul, tive que me apressar antes que ele joga-se água em mim, tentando apagar o fogo e me distraísse piorando ainda mais a situação, forcei novamente o fogo apagar, felizmente ele me obedeceu e cessou rapidamente, sem mais problemas. ---...FILHO, ESTÁ TUDO BEM? ---Gritou meu pai alarmado, sorri para ele levantando do chão do meu quarto com dificuldades, meu braço estava na carne viva, queimaduras feias e negras por quase todo braço, chegando a meu ombro.

—--Está tudo bem, não se preocupe, estava tudo sobre controle, era apenas um treinamento. ---Disse forçando um sorriso ignorando a dor latente em meu braço.

—--Da pra ver que tudo estava sobre controle. ---Disse ele apontando para meu braço machucado.

—--Bem, acidente de treinamento. ---Disse para ele, ele sorriu balançando a cabeça, ele balançou sua mão e água apareceu vindo do nada, ela foi diretamente no meu braço ferido, assim que a água o tocou senti a dor aliviar bastante, em instantes ela desapareceu, olhei para meu braço não havia mais nenhuma ferida. ---Obrigado, Papai.

—--Você me lembra tanto a eu mesmo, quando era mais jovem, imprudente, esquentadinho e corajoso, sempre me metendo em confusões. ---Sorri com o que ele disse, mesmo que ele tenha mais me insultado do que elogiado, mas ele me comparar a si mesmo, me deixava muito feliz. ---Lembro-me de quando fiz Héstia se irritar tanto comigo, mais tanto, que ela me atacou com sua chama azul sagrada. ---Disse ele rindo, eu o acompanhei.

—--Você conseguiu irritar a própria deusa da calma? ---Perguntei incrédulo.

—--Claro, da onde você acha que puxou sua preposição para encrencas? Com certeza não foi da Sally. ---Disse ele rindo, eu ri o acompanhando.

—--Como escapou da chama sagrada inteiro? ---Disse mostrando meu braço.

—--Bem, inteiro, inteiro não, tive algumas boas feridas, mas digamos que água tem vantagem contra fogo. ---Disse ele piscando, então me lembrei do que Héstia havia me dito no dia que começou a me treinar, que somente apenas mais um deus além dela havia conseguido apagar a chama sagrada e este deus era meu pai, o deus bem na minha frente, ficava surpreso em sabe o quão poderoso ele era. ---Mas escute uma dica desse velho deus encrenqueiro, não abuse da paciência daquela pequena deusa, ela não é pra brincadeira. ---Disse ele sorrindo, eu o acompanhei, com certeza sabia disso, Héstia não é fraca, gentil e pacifista sim, mas fraca não é.

—--Então papai, o que te traz aqui? Você não devia perder tempo comigo. ---Disse seriamente.

—--Bem, ser o rei dos mares, tem suas vantagens, as vezes. ---Disse ele sorrindo, eu ri, somente meu pai, para ser assim inconsequente e impulsivo. Sua expressão sorridente e brincalhona, se tornou seria e triste. ---Percy, meu filho, eu queria ter tido está conversa antes, mas você foi rapidamente para o campo de batalha novamente, e não pude ter essa conversa com você. ---Começou ele tristemente, eu infelizmente sabia, exatamente sobre o que, ele queria conversar. ---Meu filho, eu tenho orgulho de você, da pessoa que você se tornou, dos seus feitos nessa guerra, sinceramente você me surpreende cada vez mais, cada vez mais forte, mais sábio, você é meu herdeiro, tudo, todo esse mar e seu por direito, além disso, você tem o protegido com unhas e dentes, derramando seu sangue para ganharmos essa guerra. ---Disse ele calmamente, ele não sorria, sua expressão era totalmente seria, mas eu podia ver seus olhos brilhando, podia dizer que eles demonstravam orgulho, e aquilo era o melhor presente que ele poderia me dar. ---Mas, eu queria me desculpar com você.

—--Se desculpar? Pai, não há nada que o senhor, tenha que pedir desculpas a mim. ---Disse seriamente, ele deu um mínimo sorriso, mas não durou.

—--Sim, meu filho, eu tenho, muitas das coisas ruins, que aconteceram com você, foi minha culpa. ---Disse ele tristemente.

—--Pai, não fale isso, o senhor está errado. ---Disse forçando um sorriso.

—--Não, Percy, eu fui egoísta, pensando só em mim. ---Disse meu pai.

—--Você está falando, de ter se separado da Anfitrite e ter ficado com a minha mãe, Sally? ---Perguntei para ele, sua expressão se tornou ainda mais séria.

—--Sim, estou, também, não é somente dela é claro, de você também, de todas as coisas horríveis que você já sofreu, eu ainda tive que te trazer para cá, fazendo o lutar nessa guerra, mas as coisas que fiz no meu passado, meus erros...

—--Pai, eu sei de toda a história, eu fiz Roda me contar. ---Disse eu o cortando, ele respirou fundo, desviando o olhar. ---Só me diga uma coisa, você amava minha mãe? Ou apenas ficou com ela, porque ela era parecida com a vovó.

—--Percy, não vou mentir, claro que o fato dela ser linda como Atena, influenciou, mas com certeza não foi o motivo principal, no começo, eu achei que fora apenas por isso, por ela se parecer com sua avó, mas não. ---Disse ele seriamente. ---Sua mãe era uma mulher incrível, forte, sensível, calma, inteligente, amorosa. ---Enquanto ele elogiava minha mãe, seus olhos brilhavam, demonstrando a admiração e carinho que meu pai teve por minha mãe, aquilo me deixou feliz. ---Com toda a certeza, sua mãe era uma verdadeira rainha, uma rainha entre as mortais...

—--Pai, não precisa dizer mais nada. ---Disse o interrompendo. ---Pai, você é o homem que eu mais admiro, o homem em quem me espelho, você é um pai incrível, amoroso, atencioso, um homem forte e guerreiro, você faz minha avó ser a mulher mais feliz do mundo, e sabendo disso, tenho certeza, que minha mãe, foi muito feliz com você, mesmo que não tenha durado tanto. ---Disse para ele, ele sorriu feliz.

—--Obrigado, meu filho. ---Disse ele sorrindo.

—--Bem, enquanto, a Bitos e Afros? ---Perguntei, sua expressão se entristeceu ainda mais.

—--Ver novamente, meus filhos lutando entre si, até a morte, não é nada legal, dói sabe, no fundo, pode parecer uma esperança ingênua, mas eu tinha a esperança de vê-los todos juntos, vivendo juntos, como você e Roda, todos, mas parece que todos eles querem te matar e me matar. ---Disse ele com lágrimas nos olhos. Aquilo fez meu peito se desmanchar em dor, eu sabia que tudo aquilo que machucava meu pai foi culpa minha, por eu ter nascido e ter trazido tantos problemas para ele, o tanto que ele teve que sacrificar para me proteger.

—--Pai, me perdoe, por fazer seus filhos te odiarem por minha....

—--Não Percy. ---Disse ele me interrompendo, seu olhar era irritado, mas ao mesmo tempo transbordava compaixão. ---Você nunca teve culpa de nada, eles te caçaram apenas por você ter nascido meu filho, irmão deles, se eles não respeitam e amam sua própria família, eu não posso fazer nada, apenas vê-los se perdendo, perdendo-se em amargura e tristeza e no fim morrerem, em busca de vinganças tolas. ---Disse ele seriamente. ---Isto serve pra você também, vingança nunca é uma coisa boa, somente traz mais dor. ---Disse ele seriamente, eu sabia que ele falava do que fiz com Anfitrite e por mais uma vez no mesmo dia, senti remorso por ter feito aquilo. Mas então meu pai sorriu levemente. ---Bem, vingança nem sempre é ruim, principalmente quando estamos falando daquela linda deusa, Nêmeses é uma gata. ---Disse ele piscando pra mim, fazendo-me rir, ele me acompanhou, ele sabia da história, eu nunca escondia nada do meu pai, bem, quase nada. ---Bem, falando em gatas, enquanto você e a Ligea, quando vai tomar coragem e falar com ela? ---Perguntou meu pai, me fazendo corar violentamente, o fazendo rir.

—--Bem... há... não sei. ---Disse atrapalhadamente, ele riu e afagou meus cabelos.

—--Bem, talvez você não seja tão corajoso como todos pensam. ---Disse ele zombando, aquilo me irritou.

—--Você não pode me caçoar sobre isso, só levou milhares de anos para se confessar pra minha avó e ainda por cima teve que ser preso pra isso. ---Disparei, ele riu alto.

—--Culpado, você pegou pesado agora. ---Disse ele rindo, eu o acompanhei. ---Tenho que ir meu filho. ---Disse ele sorrindo, eu assenti positivamente. ---Bem, enquanto a sua prisão domiciliar, não se preocupe, vou fazer Atena mudar de ideia, ela voltará a razão em breve, além disso, cá entre nós, você foi incrível, destruir aquela besta, foi incrível, tenho que tomar cuidado, então logo você vai me ultrapassar. ---Disse ele me olhando seriamente.

—--Qual é velho, você já está ultrapassado, já te passei faz tempo, coroa. ---Brinquei com ele, ele riu.

—--Não se ache demais, garoto, você ainda tem muito caminho a percorrer. ---Disse ele seriamente, depois ele sorriu. ---Além disso, eu sou jovem, só tenho 4 mil anos.