Percy Jackson E Os Jogos Vorazes
33 Rue vira minha aliada
Notas iniciais
anyway. enjoy!
POV Katniss
Vários pesadelos em sequência são tudo que eu passo pelas próximas horas. Vejo meu pai morrendo nas minas, Prim sendo sorteada na Colheita, e qualquer outra coisa que me faria chorar de medo. Esta é a “mágica” do veneno das teleguiadas: atingir a parte do cérebro que controla os medos, fazendo você viver um inferno em sua própria mente.
“Quando eu finalmente volto a mim, eu fico deitada quieta, esperando pelo próximo ataque de imagens. Mas eventualmente eu aceitei que o veneno deve ter finalmente saído do meu sistema, deixando meu corpo quebrado e fraco. Eu ainda estou deitada de lado, presa na posição fetal. Eu levanto uma mão até meus olhos para achá-los seguros, intocados por formigas que nunca existiram. Simplesmente esticar meus membros requisita um esforço enorme. Tantas partes de mim doem, não parece que vale a pena fazer um inventário delas.”
“Muito, muito lentamente eu consigo me sentar. Estou num buraco raso, não enchido pelas bolhas laranjas zumbindo da minha alucinação, mas com folhas velhas e mortas. Minhas roupas estão úmidas, mas eu não sei se a causa era ou água da lagoa, orvalho, chuva, ou suor.” (N/A: Não façam isso em casa, crianças. Preguiça é algo muito feio)
Tomo um pouco da minha água e penso sobre tudo que havia acontecido. Quanto tempo fiquei desacordada? Cheguei aqui era de manhã, agora já era à tarde. Porém a rigidez de meus membros dizia que poderia ter passado um dia, ou até dois. Tenho certeza que Glimmer e a garota do D4 morreram, mas e os outros? Sobraram Cato, Clove, o garoto do D1, Rue e... Percy. O último nome me trouxe boas lembranças junto da preocupação. Ele também foi picado e ainda teve que lutar com Cato. Será possível que ainda estava vivo? Não, pare de pensar nisso. Ele sempre acha uma maneira de se salvar.
Afasto os pensamentos que me deixam em pânico para pensar naqueles que me dão esperança. Eu tenho meu arco e minhas flechas! Não são iguais aos que eu possuo em casa, mas eu posso trabalhar com eles. Como mais essa -sorte- ao meu favor, eu penso que talvez eu tenha uma chance de ganhar esses jogos. Posso caçar e matar um inimigo usando meus artifícios. E então eu lembro quem realmente deve ganhar a 74° edição: meu companheiro de distrito, Percy Jackson. Se ele ganhar, não existirá Jogos Vorazes. Nada de guerras. Nada de Panem. Nada de distritos. Nada de miséria e pobreza. Nada de nada.
Fico pensando sobre um mundo como esse. Um lugar onde eu não preciso caçar ilegalmente para sobreviver. Onde meu pai não morre tragicamente em uma mina e minha mãe não entra em depressão. Um lugar em que eu sou uma garota normal, saindo, conversando com amigos, e até com um namorado. O último pensamento eu excluo completamente da cabeça. Não importa o quanto uma vida sem Panem pode ser boa, nada de namorados pra mim. Meu atual -namoro- está sendo uma atuação, eu nunca aceitaria um de verdade...ou aceitaria? Posso pensar nisso depois.
-Mas primeiro, eu tenho que colocar um pouco de força de volta no meu corpo. Estou muito desidratada novamente e meu suprimento de água está terrivelmente baixo. A pequena camada de gordura que eu consegui adquirir ao me empanturrar durante o tempo de preparação na Capital se foi, além de diversos quilos a mais, também. Meus quadris e costelas estão mais proeminentes do que eu me lembro desde aqueles terríveis meses após a morte do meu pai. E então há os meus ferimentos a se conter – queimaduras, cortes, e contusões de bater nas paredes, e três picadas de tracker jackers, que estão tão doloridas e inchadas como nunca.- Lembro-me vagamente de uma planta que a minha mãe usava para tratá-las, mas quase não havia ocorrência de picadas, de forma que eu não lembro nem o nome e nem a aparência da planta.
Primeiro objetivo: água. Posso caçar algo no caminho. Vendo a trilha que eu fiz enquanto estava semiconsciente resolvo ir em frente, o mais longe possível de onde meus inimigos poderiam estar. Logo faço de um coelho minha primeira vítima com uma flecha.
Depois de mais ou menos uma hora de caminhada acho um riacho raso e largo, mais do que suficiente pra mim. Enquanto espero minha água ser purificada, me limpo como posso. Fico parada por alguns minutos observando a corrente calma do riacho e os quentes raios de sol que secarão as minhas roupas. Arrumo as minhas coisas e decido seguir na direção oposta a que a água corre, esperando encontrar uma fonte tanto pra mim quanto para a minha caça.
No final da tarde resolvo fazer uma fogueira para assar a carne, torcendo para que o pôr do sol esconda a fumaça. Quando coloco o primeiro pedaço sobre as brasas, ouço um galho se quebrar.
-Em um movimento, eu me viro para o som, trazendo o arco e flecha no meu ombro. Não há ninguém ali. Ninguém que eu consiga ver, de qualquer jeito. Então eu avisto a ponta da bota de uma criança simplesmente espiando detrás de um tronco de uma árvore. Meus ombros relaxam e eu sorrio. Ela consegue se mover pela floresta como uma sombra, você tem que dar-lhe esse crédito. Como mais ela poderia ter me seguido? As palavras saem da minha boca antes que eu possa pará-las:-
- Sabe, um amigo meu disse que você seria uma boa aliada.
Devagar Rue coloca a sua cabeça para fora da árvore e diz hesitante:
- Você me quer como aliada?
Encolho os ombros e respondo:
- Por que não? Você me salvou com aqueles tracker jackers. Você é esperta o bastante para ainda estar viva. E eu não pareço conseguir me livrar de você, eu digo.
Ela pestaneja para mim, tentando decidir.
— Está com fome?
Eu consigo vê-la engolir em seco, seu olho vacilando para a carne.
- Vamos, então, eu tive duas matanças hoje.
Rue sai hesitantemente no aberto.
-Posso curar suas picadas.
-Pode? -eu pergunto- Como?
Ela procura na mochila que carrega e puxa um punhado de folhas. Tenho quase certeza de que são essas as que a minha mãe usa.
-Onde encontrou elas?
-Por aí. Nós todos carregamos elas quando trabalhamos nos pomares. Elas deixaram um monte de ninhos lá, diz Rue. -Tem um monte aqui também.
— É mesmo. Você é do Distrito Onze. Agricultura, eu digo. Pomares, hein? Deve ser assim que você consegue voar pelas árvores como se tivesse asas.
Rue sorri. Eu parei em uma das poucas coisas que ela admitirá ter orgulho.
-Bem, vamos lá, então. Me conserta.-
Mais caio do que sento perto da fogueira. Levanto a perna da minha calça e mostro a picada no meu joelho. Rue põe algumas folhas na boca e as mastiga, depois cospe e pressiona a substância nojenta no lugar afetado. Não consigo segurar o suspiro de alívio que veio a seguir. Foi quase a mesma sensação que eu senti ao passar a pomada em minhas queimaduras.
Ela ri e diz:
— Pelo menos você foi esperta o suficiente para retirar o ferrão, senão seria pior.
Olho para o braço de Rue e pergunto:
— Foi queimada?
Ela faz uma careta e responde:
— Sim. O incêndio foi muito rápido, quase não tive tempo para fugir.
— Eu tenho algo pra isso.
Vou em direção a minha mochila, pego o pote e começo a untar seu braço.
— Você tem bons patrocinadores, ela diz.
— Já recebeu alguma coisa?- ela nega com a cabeça.
— Receberá contudo, quanto mais perto do fim chegarmos, mais eles vão ver o quanto você é esperta.
Ajeito a carne no fogo e ela diz:
- A propósito, Percy diz que sente sua falta.
Não posso evitar o pequeno sorriso que aparece no meu rosto. Ele havia dito isso logo depois de me beijar e me salvar.
— Sei disso. Quando falou com ele?
- A alguns dias. Ele me pediu para te achar e te ajudar. Disse que quando te encontrasse eu poderia ser aliada de vocês.
Pensei no assunto com delicadeza. Eu e Percy teríamos que enfrentar muito mais do que os tributos, seria perigoso para a pequena Rue. Porém apenas sorri e disse:
- Viu como eu tenho um namorado inteligente? Ele sabe ver quando alguém é especial.
Ela ri e pergunta com os olhos brilhantes:
— A quanto tempo estão namorando?
Era uma pergunta inocente, porém a resposta verdadeira poderia custar a minha vida.
Respondi despreocupada:
— A alguns meses. Éramos amigos no distrito 12, então um dia ele simplesmente me pediu em namoro.
— E você...?
- Bem, depois de bater nele e chamá-lo de louco eu aceitei.
- Uma linda história de amor, ela disse sorrindo.
- Pois é, não pude resistir àqueles olhos verdes. Falei olhando para o céu.
Depois de comermos ficamos falando um pouco sobre nossa vida em nossos distritos. Me ocorreu que ser do distrito mais pobre e mal falado de Panem não era tão ruim assim, pelo menos as penas por roubo e caça ilegal não eram tão severas. Se bem que o único motivo para ainda não termos sido chicoteados em público é que grande parte dos Pacificadores compram nossa mercadoria.
No calar da noite arrumamos nossas coisas e procuramos uma árvore para nos acomodar. Quando eu disse que ela poderia dormir comigo no saco de dormir seus olhos brilham, parecia ser mais do que ela esperava. O selo da Capital brilha no céu escuro, ninguém morreu hoje. Falo baixo esperando que o hino esconda as minhas palavras:
— Rue, eu só acordei hoje. Quem morreu?
— A garota do 4 e do 1. Sobraram 10 de nós.
— Eu acho que Percy lutou com Cato quando saímos do acampamento deles. Você viu alguma coisa?
— Não vi Percy, só sei que eles lutaram pois vi Cato com um grande machucado no rosto, provavelmente de espada.
Estava certo, D4 provavelmente pegou uma espada. Mas Cato não deixaria ele ir sem uma boa luta, com certeza ele estava machucado. O hino acaba e eu pego os óculos que Rue disse que fariam eu enxergar no escuro. Realmente, posso ver tudo num raio de três metros. Com a visão eu posso matar qualquer um.
“-Eu me pergunto quem mais tem um desses,- eu digo.
-Os Profissionais têm dois. Mas eles têm de tudo no lago,- Rue diz. -E eles são tão fortes.
-Somos fortes também — eu digo. -Só que de uma maneira diferente.
-Você é. Você consegue atirar,- ela diz. -O que eu posso fazer?
-Você pode se alimentar. Eles podem?- eu pergunto.
-Eles não precisam. Eles têm todos aqueles suprimentos — Rue diz.
-Digamos que eles não tivessem. Digamos que os suprimentos se foram. Quanto tempo eles durariam?- eu digo. -Quer dizer, é o Hunger Games, certo?
-Mas, Katniss, eles não estão com fome — diz Rue.
-Não, não estão. Esse é o problema,- eu concordo. E pela primeira vez, eu tenho um plano.” Um plano parecido com aquele que levou Mileh Diamond em direção a vitória da 71° edição.
-“Acho que vamos ter que consertar isso, Rue.”
Notas finais
Enquete: Quantos anos vocês tem pessoas? Pra deixar claro eu tenho 12.
Eu preciso de ideias, gentem! O capítulo 34 ficou tão ctrl c ctrl v quanto esse, por isso eu preciso de ideias!
Quem quer sapos de chocolate?
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