Percabeth - I Knew You Were Trouble
50 Capítulo 51
Notas iniciais
— Hã…. Prazer em conhecê-la. — Louise lhe deu um sorriso azedo. Agarrou Naomi pelo braço. — Mi, precisamos ir embora agora.
—O quê? Não posso ir embora agora! Acabei de usar… — Ela protestou. — Lou, por que não experimenta também?
Louise olhou para o pó branco em cima da mesa. Um calafrio percorreu sua espinha.
—Não… obrigada.
—Tem certeza, anjinho? — Reyna sorriu de lado. — Estou fazendo um preço especial nessa festa… Bem barato, sei que vocês, jovens, querem curtir.
Ah, Louise pensou, agora eu entendi o que ela está fazendo aqui.
—Tenho certeza sim. Está tarde e tenho que ir pra casa agora.
O celular de Louise começou a vibrar. Ela olhou a tela acesa, uma foto do seu pai, sinal de que ele estava te ligando.
—Oh… — Reyna olhou a foto. — Eu não acredito… — Soltou uma risada histérica, fazendo as pessoas em volta olharem.
Que louca, Louise pensou, e atendeu o telefone.
—Oi pai.
—Oi querida, como está a festa? Tudo bem por aí?
—Na verdade não, pai, você poderia me buscar tipo… Agora?
—Claro meu bem, onde …
A conversa foi interrompida por Reyna, que arrancou o celular da mão da menina.
—Ora, ora, ora. — Ela falou ao telefone. Louise olhou-a, sem entender o que estava acontecendo. Naomi estava agitada demais para ficar ali e saiu correndo sabe-se lá pra onde. — Percy? É você?
Houve um longo silêncio na linha.
—Quem é? -Percy perguntou, estático. Estava em sua casa, sentado no sofá, assistindo ao jornal com Annabeth ao seu lado, dormindo.
—Quem você acha?— Reyna riu do outro lado da linha. — Mas que mundo pequeno não é mesmo? Acabei encontrando sua filha… Aqui…
Percy sentiu seus músculos se retesarem e agarrou o celular com força.
—Reyna?
— Ao vivo e em cores. Escute, sua filha quer que você venha buscá-la, porque ela não é legal o suficiente para estar aqui. Venha me ver pessoalmente, estou com saudades.— E desligou.
Percy levantou-se correndo, pegou o casaco e saiu, tentando não acordar Annabeth. Sentia sua cabeça rodar e sua nuca suava frio. Ele não estava pensando, concentrava-se apenas em agir, em dirigir o mais rápido possível pelas ruas até chegar à festa.
Por que ela estava ali? Cally tinha dito que eles tinham ido à europa… mas Por que?
Parecia que o destino queria humilhá-lo, colocando a vida de todos aqueles que ele amava em perigo, na rota daqueles dois demônios.
As mãos de Percy seguravam tão forte o volante que ele sentia que ia esmagá-lo. Tentava focar na estrada, mas sua mente estava um turbilhão de xingamentos e desespero. Sua filha estava lá. Sua filha estava com um deles.
Louise estava correndo risco de vida por sua causa, mesmo estando do outro lado do oceano. Como ele deixara isso acontecer de novo? O passado nunca iria abandoná-lo?
***
—Me dê meu celular! — Louise gritou e pisou forte no pé da mulher. Reyna deu um berro e jogou o celular pra ela.
—Tome. — Respondeu, segurando o próprio pé. — Já consegui o que eu queria.
Louise pegou-o e colocou de volta no bolso.
—Você conhece meu pai? — Perguntou.
Reyna soltou um risinho.
—Ah criança. Você não sabe de nada, não é mesmo? — Passou a mão devagar pelo cabelo preto de Louise, que recuou.
—Pare de ficar fazendo essas coisas. — Olhou a mulher com raiva. — Vou embora.
—oh, eu te acompanho até a saída. — E seguiu-a.
Louise parou no gramado em frente a casa, esperando. Reyna ficou logo atrás dela, com uma das mãos em seu ombro. A menina sentia que aquilo era algum tipo de provocação.
Percy chegou, parando o carro em frente a casa. Desceu, batendo a porta, e vislumbrou finalmente a cena. Reyna, ali, próxima da pessoa que ele mais amava no mundo, com a mão em seu ombro. Reyna sorria maliciosamente pra ele, como se soubesse o efeito que estava causando.
Percy sentiu seu corpo esquentar. Ele não estava mais pensando racionalmente. Em seus olhos se via uma fúria que Louise jamais vira.
Percy caminhou até as duas, parando em frente a Reyna.
Ela ia abrir a boca pra falar alguma coisa mas foi impedida pelo soco violento que Percy dera em seu rosto. Suas pernas falharam e ela caiu na grama, com a mão na boca, sentindo gosto de sangue. As pessoas em volta pararam pra olhar, mas Percy não se importava. Parecia que o resto do mundo deixara de existir e eram apenas ele e uma das pessoas que acabou com sua vida, ali, na sua frente.
Reyna olhou-o, primeiramente assustada, e depois começou a rir, histérica.
E então colocou a mão no cós do short e tirou uma arma. Todos que estavam em volta correram pra dentro da casa gritando, em pânico.
Percy instintivamente puxou Louise e gritou pra ela entrar no carro e se abaixar. A menina saiu correndo, seu coração palpitando de medo.
—Oh meu deus, como se eu fosse atirar nela. -Reyna revirou os olhos, com sua boca sangrando muito. Sua mão ainda segurava firmemente a arma. -Aliás, sua filha é linda, Jackson.
—Cale a boca!- Gritou. — Não acredito que teve coragem de se aproximar da minha filha, sua vagabunda. Você destruiu minha vida e eu espero que apodreça.- Percy olhou-a com nojo. — Quero que a sua vida seja pior que o inferno.
Reyna pareceu confusa por um instante. Percy chegou a conclusão de que sua cabeça não estava funcionando muito bem.
Ela ergueu a arma para o alto, olhando-o intensamente, angustiada. Parecia prestes a chorar.
—O que você vai fazer? Atirar em mim? — Percy gritou. — Você não tem coragem pra isso. Nunca teve. Você não passa de uma covarde.
—Não! — Sua voz falhou e lágrimas inundaram seus olhos. — Só queria que voltássemos a ser o que éramos antes. Afinal, eu só queria dizer… Me desculpe.
Encostou o cano no queixo e puxou o gatilho.
O barulho pôde ser ouvido no bairro inteiro.
***
Percy sentiu-se brevemente surdo.
Não acreditava no que estava acontecendo.
Tudo aquilo parecia um pesadelo saído dos piores confins de sua mente. Primeiro, aquela lunática com sua filha. Depois, aquele suicídio bem diante de si.
As pessoas começaram a sair da casa, curiosas com o que tinha acontecido. Vários adolescentes gritaram e taparam os olhos depois, tremendo. Percy só ficou ali, parado, olhando pra ela.
Os pontinhos vermelhos. Seus braços estavam cheios deles.
Ela estava magra, muito mais magra do que antes. Suas pernas estavam cheias de hematomas.
Era só questão de tempo, pensou Percy, recobrando os sentidos.
A primeira vez que se moveu foi quando ouviu Louise fazer menção de sair do carro. Gritou pra ela ficar lá dentro e de olhos fechados, o que a menina obedeceu. Logo depois, ouviu as sirenes da polícia. Resolveu ficar ali e esperar pra dar seu depoimento.
***
Eram três horas da manhã quando ele estava na delegacia. Louise estava na sala ao lado, contando a versão dela dos fatos, assim como Percy acabara de fazer.
—Bom, — Oficial Johnsonn fechou a pasta do inquérito. — Sua história foi confirmada pelas testemunhas. Você não fez nada, a mulher apenas atirou em si mesma.
Percy assentiu, em silêncio.
—Sabe… Eu entendo você. — Ele apoiou as mãos na mesa. — Se eu visse aquela traficante lunática sequer perto dos meus filhos, metia a porrada nela também. — Ele suspirou. — Infelizmente, você vai ter que pagar uma multa e prestar serviços por isso. Vai ter que comparecer à corte na terça feira para os detalhes finais.
Percy assentiu novamente e se levantou da mesa, pronto pra ir embora. Quando estava girando a maçaneta da porta da sala de interrogatório, ouviu Johnsonn atrás de si.
—Sabe, estávamos atrás dela e de Luke Castellan havia séculos. Eles sempre escaparam das nossas mãos.
Percy não conseguiu girar a maçaneta, paralisado.
—Luke? — Ele se virou para o policial. — Vocês… Vocês já o pegaram, não?
—Infelizmente não. — Ele suspirou novamente. Percy fechou as mãos em punhos. — Ele ainda está a solta. Mas vamos pegá-lo meu jovem, pode ficar tranquilo em relação à isso.
Percy tensionava o maxilar. Saiu rapidamente, sem se despedir do oficial.
***
Estava no carro com Louise. Não tinham ligado o rádio.
—Você viu alguma coisa? — Percy perguntou à ela.
—Não. — Louise respondeu, seca. — Você me pediu para não olhar. Foi o que eu fiz.
Um silêncio desconfortável pairou.
—O que você está pensando? — Percy tinha a voz rouca.
—Muitas coisas. — Louise suspirou, segurando o cinto de segurança. — Estou preocupada com Naomi e… Com você, pai.
—Eu estou bem. — murmurou.
—Eu acho que não está. — Louise encarou-o. — Quem era aquela mulher? Você nunca me contou dela. Não sei nada sobre você antes de Paris.
Percy continuou em silêncio, de olhos fixos na estrada.
—Ela me disse que tinham muitas coisas que eu não sabia. — Louise fitou a janela. — E eu fiquei assustada.
—Por que?
—Porque senti que você era um completo estranho. — A voz dela falhou.
Percy não respondeu. Podia jurar que sentiu fisicamente seu coração se despedaçar no peito. Sua respiração ficou descompassada.
Ele desviou para a direita e parou no acostamento. Louise encarou-o, séria, até que Percy desabou.
Começou a chorar. Soluçava, com a testa encostada no volante. Tudo o que tinha acontecido naquela noite veio à tona. O medo que sentiu por Louise, a raiva que sentira de si mesmo por ela estar naquela situação por causa dele; O ódio que sentia por Reyna e o choque diante do que ela fizera – e até mesmo… um pouco de angústia? Suas palavras finais haviam definitivamente mexido com ele – o interrogatório, a revelação de que Luke ainda estava à solta, e o medo de ele ir atrás de sua família; Louise dizendo que não o conhecia de verdade. Aquilo fora a gota dágua.
A represa havia estourado. Percy escondia o rosto com os braços, incapaz de controlar o choro intenso na frente da própria filha. Louise observava, um pouco assustada por dentro. Nunca vira o pai naquele estado.
Finalmente, ela estendeu a mão pra cima do volante, e segurou a mão dele. Percy tremeu com o gesto e sua sanidade voltou, forçando-o a se acalmar.
—Pai… — Louise começou, mas não sabia o que dizer.
Percy respirou fundo e limpou o rosto com as mangas da camisa. Voltou a fixar o olhar na estrada e ligou o carro, seguindo caminho pra casa.
Sentia-se envergonhado de ter agido daquela maneira na frente dela, mas não teve controle.
—Como vamos explicar à mamãe? — Louise perguntou, querendo distraí-lo.
—Eu cuido disso. — Ele respondeu. Ainda não tinha pensado nisso. Annabeth ligara pra ele enquanto estava na delegacia, mas ele mentiu que tinha ido buscar Louise e o carro havia quebrado.
O silêncio dominou o carro novamente. Percy resolveu arriscar.
—Maya foi à festa?
—Olha, você acertou o nome dela. — Louise riu, tristemente.
Percy olhou para a filha, grato de que nada havia acontecido com ela. Nunca se perdoaria se ela tivesse se machucado.
—Não foi. — Louise continuou, olhando as mãos no colo. — Felizmente.
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