Percabeth - I Knew You Were Trouble
40 Capítulo 41
As luzes de Paris passavam pela janela de Annabeth, iluminando seu rosto de hora em hora e sua expressão carrancuda. Encarava fixamente os pedestres na rua, evitando olhar na direção do banco ao seu lado.
Percy simplesmente dirigia o carro distraidamente. Um pouco rápido demais, como sempre fazia, mas suas mãos involuntariamente apertavam o volante com força, deixando os nós dos seus dedos brancos. Ele quase podia sentir a tensão no ar, como uma neblina dentro do carro. Abriu a janela, uma coisa tola a se fazer pois sabia que não iria funcionar. Na verdade, apenas abriu porque o vento frio o acalmava.
Não deveria ter dito aquilo. No momento em que parou de falar e olhou a expressão dela, arrependeu-se de sequer ter aparecido lá. Ela havia simplesmente dado de ombros, olhando-o como se quisesse demonstrar o quanto se sentia culpada por tudo aquilo. Ele não queria que ela se sentisse assim, muito pelo contrário, as palavras dele foram sinceras quando disse que estava feliz por ela ter seguido em frente.
Aparentemente aquela conversa só tinha piorado as coisas entre os dois. Desde que entrara no carro, Annabeth se virara pra janela e dizia apenas frases curtas para guiá-lo pela cidade, como "vire à esquerda."
Como ela estava envergonhada de si mesma!
A única coisa que conseguia pensar era a expressão dele quando disse tudo aquilo. Tinha medo de encará-lo de novo e ver aquela mesma tristeza e se isso acontecesse, tinha certeza de que ia começar a chorar e se jogaria nos braços dele dizendo tudo que queria dizer. Quantas coisas guardava dentro de si... Tinha que fechar os olhos e se concentrar pra não deixar tudo sair num jorro de palavras e soluços.
Ele deve ter achado que eu não dou a mínima, pensou, com amargura. Não se arrependia de ter agido assim, mas não podia deixar de sentir vergonha de si mesma.
Na verdade, por todos esses anos, ela tentara esquecê-lo. Jogava as fotos fora, ignorava a lembrança e lia antes de dormir para não sonhar com ele. Mas sempre, naquelas noites de sábado à noite que passava sozinha em seu apartamento, bebendo doses generosas de vinho, procurava na lixeira pela foto que jogara fora no dia anterior; Escrevia cartas à ele que nunca seriam enviadas realmente; Pegava o telefone depois de se lembrar do número da penitenciária, o qual já tinha decorado de tantas vezes que quisera ligar.
Em todas as vezes, ela desistia. Ia ao quarto da filha que já dormia e ficava acariciando seus cabelos pretos até de madrugada. Às vezes a menina acordava e a olhava, seriamente. Esperta como era, perguntava:
–É o papai de novo?
Annabeth sacudia a cabeça afirmativa e sorria quando a filha a abraçava carinhosamente para alegrá-la.
Fora assim durante muito tempo. Finalmente nos últimos meses tinha conhecido outra pessoa. Um colega de estágio, bonitão, que estava interessado nela há tempos. Iam agora pro terceiro encontro, pelo menos até ele aparecer. Tinha certeza de que não conseguiria ter outro encontro por meses.
Isso lhe dava raiva. A dependência que tinha dele, o fato de não conseguir realmente ser feliz sem tê-lo ali, do seu lado. Isso a irritava muito e ela sabia como era sua personalidade. Nunca dera a mínima para as outras pessoas e poderia viver muito bem sozinha, até ele aparecer em sua vida no primeiro dia de aula.
Tudo que ela conseguia fazer agora, era fingir e tratá-lo como se ele realmente não significasse nada. E agora o dano já estava feito. Ela fechou os olhos e suspirou quando finalmente ele parou o carro em frente ao apartamento dela.
–Bom... Aqui estamos. — Percy falou com a voz rouca, com os olhos fixos na estrada.
–Obrigada pela carona. — Ela disse. — Quem sabe qualquer dia você possa aparecer aqui..
E foi quando ela deixou o orgulho de lado que ela percebeu. Pedira aquela carona e guiara-o até sua casa inconscientemente para ele saber onde ela morava, para ele ter uma chance de vir atrás dela. Assim que percebeu isso, ela ergueu os olhos para os dele e se encararam em silêncio por alguns segundos.
Era a primeira vez que ele via aqueles conhecidos olhos cinzentos desde que ela entrara no carro. Neles havia completa surpresa e um pouco de receio. No que ela estava pensando?
–Boa noite. — Fechou a porta do carro e foi correndo para a portaria do prédio. Subiu as escadas quase que automaticamente e assim que chegou no seu apartamento, entrou e fechou a porta, encostando-se nela enquanto sentia as pernas cederem e escorregarem para o chão. Deu graças a deus por Louise estar dormindo na casa da amiguinha para não vê-la chegar em casa naquele estado.
Ela quase não conseguira resistir. Assim que viu aqueles lhos verdes, sentiu que precisava ir embora antes de fazer qualquer besteira. No entanto, assim que entrou em casa se arrependeu quase que imediatamente por ter perdido uma oportunidade daquela para beijá-lo. Se bem que se o fizesse, sentia que iria enlouquecer.
Fechou os olhos e deixou as lágrimas confusas rolarem pelas bochechas.
* * *
Percy a observara um tanto surpreso quando ela saiu correndo do carro, os cabelos loiros batendo nas costas. Pensara também na proposta que ela fizera, de ele aparecer um dia lá, e isso despertou uma pergunta que não queria calar.
Ela ainda sentia algo por ele?
Estava prestes a ligar o carro, quando desistiu. Sabia que aquela pergunta iria ficar piscando em sua mente pelo resto da vida, então, abriu a porta do carro e desceu correndo para a portaria, perguntando ao cara do balcão qual era o apartamento dos Chase. Ele o encarou meio desconfiado, mas Percy deve tê-lo olhado de forma tão ameaçadora que ele deve ter pensado que fosse atacá-lo se não respondesse. Assim que murmurou o andar e o número, Percy pegou as escadas e subiu correndo, com um fôlego que nem sabia ter.
Assim que chegou, bateu à porta e ouviu um som de surpresa vindo de perto do chão. Minutos depois, a porta se abriu, revelando uma Annabeth com o rosto corado e algumas lágrimas no rosto.
Percy já tinha sua resposta.
Quando ela tentou enxugar as lágrimas, Percy segurou seu rosto e puxou-o delicadamente para si, pegando-a de surpresa por um momento mas logo depois ela já tinha as mãos eu seus cabelos, bagunçando-os sem perceber.
Assim que se separam em busca do ar, Annabeth corou ainda mais e seus olhos se encheram de lágrimas novamente. Ela suspirou, a expressão completamente chocada.
–Ah meu deus. — Expirou. Por um segundo, Percy pensou que tinha feito uma grande besteira mas ela continuou. — Eu... Eu acho que eu te amo, Jackson.
Ela parecia realmente atônita com isso e ele considerou fazê-la entrar para tomar um copo dàgua e se acalmar.
Percy estava prestes a oferecer isso, quando ela se jogou nos seus braços, beijando-o vorazmente. Passou um segundo de surpresa e então ele começou a fazer o mesmo, os dois entrando desajeitadamente pelo apartamento, sem querer se separar.
Ele esticou o pé pra fechar a porta do quarto, Annabeth ainda presa em seus braços. De repente, ela parou e o encarou com os olhos sérios.
–Espera.
–O que foi?
–Você não tem nada a dizer? — Ela ergueu uma sobrancelha.
Ele demorou um segundo pra entender.
–Ah. Eu acho que você já sabe, Annie, mas eu atravessei um oceano só pra ter a chance de te ver de novo e tenho pensando em você todos os dias desde que nos separamos. — Ele sorriu. — Sim, eu te amo também.
Ela soltou um suspiro de alívio que fez Percy rir, e então, caminhou até a cama de dossel e deitou-se nela, esparramando-se no colchão.
–Então o que está esperando cabeça de alga?- Murmurou, então soltou aquela risada deliciosa que ele adorava.
Ele não precisou responder, caminhou até a cama, tirando a camisa no meio do caminho e rindo com a expressão um tanto hipnotizada de Annabeth.
Deitou-se na cama ao lado dela, olhando-a da cabeça aos pés. Annabeth aproveitou esse momento de distração e foi pra cima, sentando-se no quadril dele. Agora ela já estava mais experiente com essas coisas e não havia mais timidez alguma quando tirou o vestido lentamente aproveitando-se do olhar dele sobre seu corpo. Quando Percy a viu com lingerie preta, sentiu que ia desmaiar.
Annabeth deitou-se no corpo dele para continuar a beijá-lo, e nessa oportunidade, Percy a virou na cama, ficando por cima. Annabeth fez uma expressão emburrada que logo sumiu quando ele começou a distribuir beijos pelo seu pescoço, uma das mãos deslizando pelas costas dela arranhando-a levemente. Sentiu que agarrava com força o lençol da cama quando os beijos de Percy desceram pelo seu corpo cada vez mais, até que ele tirou sua calcinha delicadamente com as pontas dos dedos e abriu suas pernas um pouco mais, beijando-a num lugar que ela não tinha experimentado ainda. Teve que lutar pra fazer silêncio.
Ele então voltou e vendo que ela não estava mais conseguindo resistir, tirou o resto das suas roupas e finalmente pode se unir a ela, com movimentos que faziam os dois irem lentamente à loucura. Annabeth quase gritava e Percy estava perto de fazer isso também. Os dois agarravam o lençol da cama com força, e Annabeth havia enrolado as pernas na cintura dele, puxando-o pra mais perto de si. Quando percebeu, arranhava as costas dele e falava coisas que a fariam corar pela manhã.
Quando finalmente os dois chegaram ao àpice, Percy abafou o grito de Annabeth com um beijo e caiu na cama ao seu lado, recuperando o fôlego. Quando a olhou, viu que ela sorria adoravelmente.
Finalmente, ela tinha saciado uma parte da saudade que tinha dele. Mas apenas uma pequena parte. Os dois teriam que ficar juntos muito mais tempo para que ela finalmente pudesse se sentir completa novamente, do jeito que não se sentia há anos. Ele pensava o mesmo, em proporções ainda maiores do que a as dela. Queria ficar naquela cama pra sempre, abraçando-a. Sentia que nunca ia saciar a vontade de tê-la pra si, que nunca iria enjoar do gosto delicioso que ela tinha.
Ela sentou-se na cama e sorriu travessa.
–Que tal outra rodada? — Annabeth estava mais feliz que nunca. Sentia-se completa e com um calor em seu corpo que parecia que nunca se apagaria.
Mal sabia ela o que a esperava pela manhã.
Fale com o autor