Percabeth - I Knew You Were Trouble
37 Capítulo 38
Notas iniciais
Ele sabia que bastava esperar um pouco até que a porta fosse aperta. Nico deveria estar dormindo aquela hora.
A claridade entrou pelo corredor escuro assim que a porta se destrancou e um rosto sonolento espiou pela fresta aberta.
–Droga. Quem é? — Nico falou com a voz rouca. Estreitou os olhos, tentando enxergar o amigo na luz escura e assim que o reconheceu arregalou-os. — Não acredito.
Percy deu de ombros e sorriu largamente para o amigo.
–Eu é que não acredito. Ainda mora no mesmo lugar?
Ainda em um estado meio catatônico -pensava que estava sonhando- Nico escancarou a porta e deus as costas, sentando-se no sofá do apartamento. Esfregando os olhos uma vez mais, observou enquanto Percy entrava no lugar e trancava a porta atrás de si.
–Cara. Você está de barba. — Nico murmurou, de olhos arregalados.
–E você está mais alto que eu. — Percy riu. — Quem diria.
–Quanto anos? — Nico perguntou, bocejando. Percy se jogou no sofá ao lado dele, se espreguiçando e se sentindo em casa pela primeira vez em muito tempo.
–Cinco. E alguns meses.
–Caaara. — Nico o avaliou da cabeça aos pés. Percy realmente estava com uma barba mal feita, talvez um pouco mais musculoso- ele tinha malhado na prisão? — e também um pouco mais alto, mas como ele havia dito antes, Nico o ultrapassara. Vestia os mesmos all stars surrados e uma camiseta preta larga e gasta por cima de um jeans.
Percy o encarou rapidamente também. Se passaram cinco anos e o amigo insistia em deixar o cabelo grande e bagunçado, cobrindo os olhos. Continuava pálido e com aquelas olheiras que faziam parecer que ele não dormia há meses. Pra falar a verdade, a única coisa que havia mudado nele era sua altura, a expressão -que, por mais impossível que pareça, estava mais séria ainda- o fato de que estava menos magricela, e também um levíssimo indício de barba. Afinal, ele ainda era o pirralho que o atormentava desde criança.
–Senti sua falta, cara. — Percy sorriu. — Foi difícil ter que conviver com um colega de "quarto" que não ligasse rock pesado no volume máximo no meio da madrugada.
–Foi só uma vez. E você quase me deu uma surra. — Nico respondeu, sorrindo levemente. — E foi por uma boa causa. Meu pai tinha enchido o saco de novo.
Pronto. Percy tinha chegado onde queria.
–Hum. Seu pai né.. — Ele se encostou relaxadamente no sofá. — Você ainda fala com ele?
Nico o olhou, desconfiado.
–Uma vez ao mês. — Respondeu. — Por que?
–Bom... É uma longa história.
Nico estreitou os olhos pra ele, esperando. Quando queria, ele podia ter um olhar muito ameaçador. Mas Percy simplesmente sorriu e bagunçou os cabelos do mais jovem que considerava um irmão mais novo.
–Calma. Na verdade, eu posso contar de uma forma bem simples. Tenho que arranjar um jeito de ir a Paris... — Nico o olhou com a expressão completamente confusa. — E seu pai é dono de uma companhia aérea.
–Hã.. primeiramente... o quê?! Segundo... Por quê? E terceiro... — Nico suspirou, cansado. — Tem a ver com Annabeth não é?
Percy assentiu, sério.
–Ela está lá. Eu preciso vê-la uma última vez.
Nico se levantou do sofá e começou a andar em círculos em volta da mesinha de centro.
–Certo. Você quer que eu fale com meu pai, que a propósito, é a pessoa que eu menos desejaria falar no mundo, e peça pra ele te conseguir uma passagem aérea de graça e em cima da hora pra você ir pro outro lado do oceano encontrar uma garota que já desistiu de você e provavelmente, nunca mais quer vê-lo, e além disso é bem provável que você nunca mais volte. — Ele respirou fundo. — Está certo?
Percy se encolheu no sofá mas assentiu.
–Tudo bem. — Ele deu de ombros, com a expressão vazia. — É só você me dar os 50 meses de aluguel atrasado.
–O quê? — Percy se levantou. — Eu nem estava morando aqui!
–Eu estou brincando, cara. — Murmurou, encarando-o com a mesma expressão. Percy se assustava com o fato de nunca conseguir perceber quando o amigo estava brincando, considerando o fato de que ele nunca mudava de expressão. — Eu faço isso. Por você, não pela loira oxigenada. Além do mais, está um tédio por aqui, quero ver o circo pegar fogo quando ela te chutar.
Percy sentiu vontade de socá-lo e de abraçá-lo ao mesmo tempo. Preferiu sorrir.
–Certo. Em quanto tempo consegue fazer isso?
–Me dê uma semana. — Nico assegurou-lhe. — Enquanto isso, pode ficar aqui. Seu quarto continua a mesma coisa. E agora... Se me permite..
Nico apertou um botão do dvd e um rock pesado no volume máximo começou a tocar. Jogou-se no sofá, pensando na frustração que seria ter que encarar seu pai de novo e ainda por cima pedir um favor.
Percy o encarou com uma sobrancelha erguida e se encaminhou para o antigo quarto, não antes de ouvir Nico gritar da sala "Ei, eu tenho uma boa razão... De novo!".
Assim que fechou a porta, o volume diminuiu consideravelmente. Com certa relutância, tocou os móveis do seu antigo quarto, levantando uma camada de poeira de cinco anos.
–Idiota. — Murmurou, pensando em Nico. Por que ele não dera uma limpa no seu quarto? Preferia que ele tivesse jogado tudo fora, a deixar naquele estado.
Ele não sabia que o real motivo de Nico nunca mais ter entrado lá era o medo de que nunca mais fosse ver Percy novamente. De que seu melhor amigo nunca fosse voltar. Preferiu esquecer que aquele cômodo existia, a partir do momento que Annabeth foi embora chorando do apartamento. Quem sabe assim, talvez não sentisse falta dele.
Chacoalhando os lençóis para livrá-los da poeira, Percy percebeu alguma coisa de tecido rosa, jogada ao lado da cama. Pegou, e assim que o esticou em suas mãos, sabia que reconheceria aquele casaco rosa de grife em qualquer lugar.
Annabeth.
Aquele era o casaco que ela usara aquela noite, a noite em que dormiu com ele. Deve ter esquecido na manhã seguinte na pressa que tinha para ir pra casa, preocupada com o que os pais pensariam. Percy guardou o casaco em seu guarda roupa, suspirando.
Ele tinha que vê-la.
Não importava o que custasse.
E, o mais importante: tinha que pensar no que diria quando a encontrasse. Afinal, sabia que ela não reagiria nada bem.
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