Percabeth - I Knew You Were Trouble
17 Capítulo 16
Notas iniciais
Coloquei as bandejas na cama e me deitei debaixo dos edredons quentinhos. Percy ergueu-se em um os cotovelos e me olhou, sorrindo, de cima a baixo.
–Você fica bem na minha camiseta. Apesar de ela ficar um pouco curta.- Ele sorriu, deslizando os dedos pela minha coxa delicadamente. E então, olhou para o bacon com ovos. — Huuumm.. O que temos aqui?
–Café-da-manhã, querido. — Falei, com a voz afinada. Ele soltou um risinho e se sentou na cama. Ainda fiquei um pouco hipnotizada que o vi sem camisa, mas cara, quem não ficaria?
–Sabe, eu sempre gostei mais de você assim. Com esse cabelo bagunçado e expressão cara mal-humorada. — Ele se endireitou nos travesseiros, de braços cruzados, me fitando com os olhos verdes que pareciam brilhar mais à luz da manhã.
–Essa é a primeira vez que você me vê assim, Percy. — Arqueei uma sobrancelha, confusa. Ele nunca tinha me visto ao acordar antes.
–Na verdade não. -Ele riu, novamente. — Lembra aquele dia, que te levei ao parque? Você tentando escalar a árvore...
Me lembrei daquela cena cômica. Eu, abraçada à árvore, tentando escalá-la, e finalmente chegando lá em cima com os cabelos embaraçados e bagunçados cobertos de folhas e a blusa manchada de terra. Minha expressão também não deve ter sido muito boa.
–Que lindo. Vamos comer. — Falei, pegando os pratos.
Aquele café da manhã estava simplesmente delicioso. O bacon derretia na boca. Os ovos mexidos estava bem temperados e havia um copo de suco de laranja doce pra cada um de nós. Bianca realmente sabia caprichar. Eu nem a tinha agradecido por isto.
Quando terminei de comer, olhei para Percy e meu olhar se prendeu em seus olhos verdes, como sempre. De repente, me veio um pensamento...
Tudo que havia acontecido na noite passada voltou à minha cabeça como um tiro de canhão. Isso me deu uma dor de cabeça, mas consegui lembrar de uma pergunta que eu estivera querendo fazer.
–O que foi? — Ele perguntou.
–Nada. — Dei de ombros. Então, cautelosa, continuei. — Percy, sobre ontem..
–Ah sim. Foi divertido não? — Ele me lançou um sorriso malicioso. Eu corei violentamente.
–Sim. Mas... Não foi em relação à isso que eu perguntei. — Murmurei, observando sua reação. — A festa Percy...
–O que tem a festa? — Ele franziu as sobrancelhas. Me lembrei do jeito como ele olhou para Reyna com aquela mesma expressão, decepcionado enquanto ela ia embora.
Resolvi ser mais delicada.
–Então.. Você conhece a Reyna?
Ele parou de comer e seu olhar ficou vazio de repente.
–Sim.
–Como?
–Nós já... Tivemos um relacionamento. — Ele afastou alguns cabelos da testa. Sua mão escondia sua expressão.
Olhei para baixo, discretamente. Céus, quantas namoradas ele já teve?
–Ah. — Expirei.
Ele terminou o suco.
–Porquê?
–Bom... — Ajeitei o cabelo atrás da orelha, tensa. — Ontem teve aquela cena.. Você lembra, de Luke, com Cally. Reyna pareceu irritada e foi embora, mas antes você tentou chamá-la.- Induzi-o a dizer algo, mas não funcionou.
–Sim, e daí?
–Eu me pergunto se tudo isso não teria uma ligação. — Eu o encarei fixamente, esperando sua resposta.
Ele suspirou, irritado, e revirou os olhos. Pegou os pratos vazios, se levantou brutamente e foi levá-los na cozinha. Eu me levantei apressada e o segui.
–Você sempre se mete aonde não é chamada, não é? -Ele sussurrou, friamente. Parei de andar. Ele nunca tinha usado aquele tom comigo.
–O quê? — Eu o encarei, perplexa.
A sala de estar estava vazia. Felizmente, Nico tinha ido embora. Talvez tivesse pressentido uma discussão.
–Exatamente. — Ouvi ele jogar os pratos de forma indelicada na pia, e então, seus passos pesados ecoaram pelo apartamento enquanto ele voltava para a sala. — Porque você se interessa? Estava tudo bem até..
–Até o que? Até eu perguntar pro meu namorado porque ele estava olhando de forma tão intensa pra outra garota? — Murmurei. — É, acho que eu tenho direito de fazer isso.
Ele simplesmente cruzou os braços e se jogou no sofá, parecendo indiferente. Aquilo me irritou profundamente.
–O que há, Jackson? — Nessa hora, eu já estava falando mais alto. — Ainda está caidinho por ela não?
–Vá embora. — Ele respondeu, com os dentes cerrados, mas eu continuei.
–Sim, você está. E deixe-me adivinhar, Luke a roubou de você, por isso você o detesta. E ontem, mesmo ele a tratando mal, você percebeu que ainda assim ela não voltaria pra você. Você percebeu que ela te despreza, mesmo assim. — Juntei as peças, lembrando-me do acontecido. — E é por isso que você é tão babaca.
Ele me olhou e por um segundo a surpresa passou pelo seu olhar. Apenas por um segundo. E logo depois, veio a raiva.
–E agora que você sabe, me diz: que diferença faz pra você? — Ele perguntou, rudemente.
–Faz toda a diferença, Percy. — Eu abaixei o tom de voz, derrotada pelo jeito que ele estava falando comigo. Então abaixei a cabeça e sussurrei: — Agora eu sei que não posso confiar em você.
Ele me encarou, sem saber o que dizer. Talvez ele soubesse que o que eu falei era verdade.
Fui até o quarto, tirei a camisa dele e vesti minhas próprias roupas, mas não sem antes sentir o cheiro dele naquela camisa pela última vez. Ele ainda estava na sala e não veria aquele pequeno momento de fraqueza de minha parte. Depois disso, joguei a camiseta no chão, irritada por estar sendo tão estúpida.
Calcei os sapatos e voltei à sala de estar, abrindo a porta da frente para ir embora. Lancei um último olhar à ele, que estava sentado no sofá, encarando o nada. Não parecia ser capaz de me dirigir um último olhar.
–Adeus, Percy.
Saí porta afora e desci as escadas rapidamente, parando na rua para chamar um táxi.
Assim que entrei no carro, tudo parecia ter sido um sonho. O café da manhã, a briga, tudo parecia que não tinha acontecido. Pensei em voltar lá e tentar me resolver com ele, mas eu sabia que não daria certo.
Ele me escondera tudo. Só agora tinha percebido que eu mal conhecia a pessoa com quem eu tinha dormido na noite anterior.
Senti uma lágrima de ódio escorrer pela minha bochecha enquanto olhava o prédio dele se afastar. Pensei tê-lo visto na janela, mas talvez só estivesse delirando.
E foi ali que tudo acabou.
Pelo menos, era assim que eu pensava.
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