Pequeno Problema
4 Capítulo 4
– Vamos, Hinamori. A água já tá na temperatura ideal pra ele.
As duas estavam no banheiro, Hinamori estava segurando Toushirou e Rangiku estava regulando a temperatura da água na pequena banheira.
– Eu não sei Rangiku-san...
Momo estava com as bochechas levemente coradas, mas até que já estava se acostumando com a situação depois de ter contado até dez sempre que pensava em “banho + Toushirou”. Menos mal que ele era um bebê, porque ele já era um homem, imagina dar banho em um homem, ou até com um homem... Meu Deus ela estava pensando besteira novamente, ela sentiu as bochechas esquentarem de novo.
“Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez”
Ufa.
– Hinamori deixa isso pra lá, isso não tem nada demais.
– Vai que ele lembra de tudo o que nós fizemos?! – ela perguntou agora se dando conta da constatação. – Ai meu Deus, ele vai ficar muuuito bravo com a gente se ele lembrar!! Vai fazer a gente em picadinho e enterrar cada pedaço em cada distrito de Rukongai e vai dar um jeito de ninguém nunca achar os pedaços!!! – Ela estava já em pânico com um olho tremendo.
– É, eu não tinha pensado nisso... – Rangiku engoliu em seco imaginando a fúria do capitão e as coisas que ele faria. – Mas agora não adianta chorar pelo leite derramado, o que passou, passou, e as fotos que tirei também! — Rangiku disse dando de ombros, mas dando uma risada lembrando as fotos. – Agora vamos logo com isso Hinamori.
Momo colocou o bebê sentado na banheira lentamente pra ele se acostumar com a água. No primeiro momento Toushirou deu um gritinho, mas logo já estava feliz da vida batendo as mãozinhas na água que espirrava pra todo lado e rindo muito.
– Acho que ele não vai se lembrar de nada coisa nenhuma, olha como ele é feliz e dando risada – disse Rangiku rindo e jogando aos poucos água com sabão nele e fazendo leves massagens, tomando cuidado pra não ir em... certas partes.
– Você fala de mim, mas olha quem sabe cuidar de bebês também! – Hinamori disse risonha.
– Há há há muito engraçado... – ela disse lavando já o cabelo de Toushirou e logo depois enxaguando com cuidado pra não ir nos olhos e depois o resto do corpo.
Pegou uma toalha que Renji trouxe e enrolou o menino nela. E sorriu maleficamente para Hinamori, que quando viu o sorriso, já viu que a coisa ia sobrar pra ela.
– Você coloca a fralda.
– WHAT?!
Nesse momento Hinamori se arrepia e vira em direção a porta, mas bate a testa na parede caindo no chão com várias estrelas rodando em volta da cabeça dela.
– Hinamori!
– Presente... – ela disse levantando o dedo indicador pra cima ainda vendo estrelas.
– Anda logo que não temos todo o tempo do mundo!
– Mas por que eu?!
– Porque eu dei o banho, oras. Agora é sua vez. – Rangiku disse como se fosse óbvio.
– E o Abarai-kun?
– Ele foi ver o Kurotsuchi-taichou pra ver o andamento do antídoto. Ele avisou enquanto você estava ocupada subindo pelas paredes de tanta vergonha pra dar banho no Hitsugaya-taichou. – Rangiku não aguentou e caiu na risada.
– Há há há muito engraçado! – ela respondeu repetindo a mesma coisa que a ruiva disse minutos atrás.
– Tá, tá, que seja – ela disse ignorando a amiga. Passando o bebê para os braços de Hinamori, ela pegou outra sacola e viu uma fralda e a pegou junto com um tubo que parecia ser talco. – Aqui. Enquanto isso eu limpo aqui. Ele derramou água por todo lado.
Momo suspirou.
– Agora, o que eu faço com isso...?
A shinigami saiu do banheiro segurando Toushirou em um braço e as coisas que precisava no outro. Foi para a sala e colocou o bebê na mesinha de centro. Não tinha um lugar melhor pra colocar a fralda, então foi nesse mesmo. Ela desenrolou-o da toalha e abriu-a o máximo que pôde para o menino ficar em cima dela. Todo momento evitando olhar no amiguinho do Taichou que nesse momento tinha tudo pra ser “inho”, não que ela tivesse visto alguma coisa quando ele não era bebê, mas... Ok, ela estava pensando besteira demais. Sacudiu a cabeça espantando os pensamentos e então voltou a atenção para o que estava fazendo.
De repente sentiu algo molhado e quente no seu rosto. Ela rapidamente se afastou e limpou a cara com a manga do kimono.
– Mas o quê...?
Ela olhou para Toushirou e deu um grito quando percebeu o que era. Rangiku ouviu e logo veio ver o que era, mas só sentiu um vulto passar por ela e entrar no banheiro. Só pôde ouvi-la falando “eca eca eca eca eca” e barulho de água.
Ela olhou pra mesinha e só viu Toushirou com os bracinhos e pernas levantados e a mesa toda molhada e pingando xixi no chão.
~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.~.
– Sem comentários sobre isso.
Hinamori e Rangiku estavam sentadas no sofá, enquanto a primeira segurava o bebê tentando fazê-lo dormir, o que estava sendo um pouco difícil. A ruiva tinha rido tanto aquela hora que ainda tinha recaídas. Quando Hinamori voltou do banheiro ela riu até não aguentar mais e depois colocaram a fralda em Toushirou corretamente. Mas não com uma boa luta por parte dele, porque esse bebê era mais agitado do que Zaraki Kenpachi quando encontrava um oponente muito forte para lutar.
– Claro que não – Rangiku respondeu séria, mas logo colocando a mão na boca abafando o riso. – Tá, parei.
De repente ouvem uma batida na porta e elas vão abrir e dá de cara com Renji. Elas abriram espaço para o ruivo entrar e foram para a sala.
– Hinamori, o Kurotsuchi-taichou disse ter encontrado um antídoto e eu trouxe. – Ele disse e então tirou uma garrafa transparente de dentro do kimono que tinha um líquido amarelo esverdeado.
– Aleluia, já não era sem tempo!
Rangiku pegou a garrafa e abriu.
– Argh! Mas que cheiro horrível, do que isso foi feito?! – ela disse fazendo uma careta e logo fechando.
– Não queira saber. Eu fiz a mesma pergunta pro capitão e ele disse coisas nada agradáveis. – Ele disse estremecendo só de lembrar e o rosto ficou um pouco verde.
Elas engoliram em seco. Coitado do Toushirou.
– Ah. Ele também disse que depois que tomar ele não vai voltar ao normal na mesma hora, vai demorar pelo menos umas 12 horas. Ele explicou porque, mas eu não entendi muito bem, mas se vai voltar é o que importa.
– Pelo menos é alguma coisa... – disse Hinamori. – Mas como vamos fazer pra dar isso pra ele? Se nem Rangiku-san suportou o cheiro, imagina o gosto que deve ter esse treco!
– Que tal colocar na mamadeira? – sugeriu Rangiku.
– É, podemos tentar, pode ser uma boa ideia. – disse Renji.
Então eles foram à cozinha e Rangiku pôs o líquido na mamadeira (lógico que segurando a respiração porque aquele troço era horrível) e deu para Hinamori.
– Toma. Dá pra ele.
A tenente pegou a mamadeira e ficou olhando aquilo sem saber o que fazer, e depois olhando para Toushirou que ainda não havia parado de se mexer. Ela tentou fazer o bebê tomar o líquido, mas ele não queria de jeito nenhum, dava jeito de se esquivar das tentativas dela. Para um bebê, até que estava se desviando bem.
– Shirou-chan, tome logo isso! É para o seu bem! – disse Hinamori na décima tentativa.
– Pelo jeito a mamadeira não funcionou. Vamos a abrir a boca dele e jogar esse troço direto pra dentro!
– Cuidado Abarai-kun, vai machucá-lo!! – disse Hinamori.
Renji pegou a mamadeira da mão de Hinamori e com a outra abriu a mamadeira e tentou fazer Toushirou engolir, no começo deu uma engasgada, mas depois de tanta luta ele engoliu.
– Vai nada. Olha, nem foi tão difícil, ele bebeu tudinho. Nada é impossível com o mestre aqui. – ele disse passando a mão nos cabelos como se fosse o maioral.
Rangiku e Hinamori olharam aquilo com cara de tédio e os olhos diziam “sem comentários”. De repente viram que Toushirou havia parado de se mexer e notaram que estava dormindo.
– Ufa, ele dormiu. – disse Renji. – Agora só falta esperar que ele acorde já de volta ao normal.
– Vou coloca-lo no futon lá no meu quarto.
Eles foram em silêncio ao cômodo no fim do corredor. A casa era pequena, afinal morava somente ela. Renji tirou o futon que era grande o suficiente para duas pessoas do armário e arrumou com lençol. Colocou o bebê no colchão e viram que ele estava com o polegar na boca. Só faltavam vomitar arco íris com a cena tão fofa. Outra foto tirada, dessa vez sem flash pra não acordar o pequeno capitão adormecido. Renji e Hinamori se perguntaram por que diabos a ruiva não tirou o flash antes, teria evitado cegueiras momentâneas desnecessárias.
– Ai gente, ele tá tão fofo, dá vontade de apertar as bochechas dele!! Nem parece aquele baixinho ranzinza que vive gritando “MATSUMOTOOO!!” aos ventos pra toda Seireitei ouvir.
– Olha que se ele te ouvisse chamando ele assim ele não ia gostar nada... pra não falar coisa pior! – disse Hinamori rindo. – Se bem que ele não é mais tão baixinho assim, ele tá um pouco mais alto que eu.
– Bom pra fazer muitas coisas né Hinamori? – A tenente nem respondeu, só deu uma almofadada na cara dela. – Ai!
– Bem feito.
Rangiku massageou o nariz onde a almofada havia sido mais certeira.
– Mas onde você arrumou essas coisas? – perguntou Hinamori para Renji.
– Eu peguei tudo emprestado de um amigo meu, ele tem um filho bebê que nem o Hitsugaya-taichou está agora, eu disse que era urgente e ele emprestou algumas coisas do filho dele.
– O que? Você não disse nada sobre o Shirou-chan né? – perguntou Hinamori preocupada.
– Ele desconfiou um pouco, mas eu dei uma desculpa que acho que ele acreditou. Bem, eu espero que tenha acreditado. – Renji se levantou. –– Melhor eu ir andando. Amanhã a gente vê se o antídoto funcionou, se não...
– É melhor eu ir também. – disse Rangiku se levantando. – Você fica aqui com ele Hinamori?
– Sim, eu fico.
– Ok então. Até mais.
Renji e Rangiku se despediram e deixaram a shinigami junto com o bebê.
Hinamori suspirou. Ainda não tivera tempo de pensar seriamente no caso, com Rangiku e Renji junto com ela. Estava olhando Toushirou dormindo, parecia um anjo e tão frágil, que poderia quebrar a qualquer momento. Ficou uns 15 minutos só olhando pra ele, e depois olhou as horas e viu que estava tarde e amanhã teria uma reunião de tenentes logo cedo. Ela estava rezando para ele voltasse logo ao normal rápido.
Tomou um banho rápido, deixando o pequeno capitão dormindo. Colocou um conjunto de moletom e se deitou ao lado do bebê, e depois de hesitar bastante, deu um beijo na testa do capitão.
– Boa noite.
Fechou os olhos e logo adormeceu.
Fale com o autor