Notas iniciais
Eu nem sei, peço desculpa pelo fail. ;A,E como nunca postei nada neste fandom é só para avisar que a minha escrita é em ptpt uwu

Não era que Taiga fosse particularmente atento ao meio que o rodeava fora do recinto de basquetebol mas naquele momento algo no seu interior dizia que devia notar com mais atenção os movimentos da sua sombra, o rapaz de cabelos azuis que caminhava ao seu lado em silêncio.
Bem, não exactamente em silêncio, ele bebia o seu milkshake de baunilha com tanta convicção que a palhinha fazia aquele barulho irritante ao procurar pelas últimas gotas da bebida.
Para qualquer pessoa que não o conhecesse, Tetsuya não seria mais que um pãozinho sem sal que mantém a sua expressão de poker quase constantemente. Mas claro que para Taiga ele tinha um outro encanto. Talvez fosse pelos olhos azuis bonitos ou-


"Kagami. "

O mais alto deu um salto e endireitou as suas costas, "Q-Que foi?"
"Isso pergunto eu. Estavas a olhar para mim com cara de caso. "
"Não estava!
",Taiga reclamou, bufando de leve.
Certo, ele podia não reparar nas coisas à sua volta mas sem dúvida que Kuroko não deixava escapar um único pormenor.
"Eu sei que tu sabes que eu sei que estás a mentir. ", o rapaz de cabelos azuis comentou casualmente, atirando o copo do milkshake para o caixote do lixo e falhando vergnhosamente.
"Estava só a pensar. ", o outro respondeu e pegou no copo para atirar novamente e desta vez acertar com uma pontaria perfeita — afinal, era o às de Seirin.

Kuroko suspirou, "Incrível, Kagami. Devias fazer isso mais vezes. "
" Hey! ", corou e esticou o braço para lhe despentear o cabelo, "Não quero ouvir isso vindo de alguém que nem acerta no caixote do lixo! Tens a certeza que pertencias à Geração dos Milagres com uma pontaria assim tão má? "

Kuroko encarou-o com uma certa irritação, ainda para mais agora que o ruivo dava uma gargalhada da sua própria piada.
"Tenho. Na Teiko não precisava de pontaria porque o nosso ás era competente. "
Notou que a implicação resultou na perfeição e que Taiga parou de rir imediatamente. Ele era tão fácil de ler.
"O idiota do Aomine não é tão competente como eu. Nem mesmo o Midorima é. Sou melhor que a Geração dos Milagres!"
"Até mesmo melhor que eu, Kagami? "

O outro voltou a atrapalhar-se. Que mania mais irritante de fazer perguntas embaraçosas como se nada fosse!
" Bem... ", coçou a nuca, "Seirin não seria a mesma coisa sem ti. E nós funcionamos bem em jogo então... Para alguém tão baixinho, acho que consegues chegar ao meu nível. "
A reposta surpreendeu Kuroko, que realmente esperava por outra implicação qualquer por parte do ruivo relativamente às suas skills em basquetebol. Tudo estaria bem não fosse por aquele comentário.

" Eu não sou baixo. "

" Isso é o que todas as pessoas baixas dizem. ", o às voltou a rir, espreguiçando-se cheio de preguiça após um longo treino. Riko não lhes dava descanso nunca.
" Da próxima vez que ficares lá em casa a dormir vou soltar o Nigou na tua cama durante a noite. "
"Isso é um convite? Posso sempre ir para a tua. ", perguntou com um sorriso bem malicioso que desapareceu mal a sua sombra lhe deu uma cotovelada nas costelas.
" Se é para dormir com alguém que ressona prefiro o Kise. Pelo menos com ele posso fazer chantagem em vender fotos dele a dormir ás fãs. "

Kagami parou de andar e Kuroko teve de parar também, "Que foi? "
"Como é que tu sabes que ele ressona? "
"Porque fomos colegas de equipa por muitos anos e quando tínhamos jogos longe ficávamos todos no mesmo quarto. ",
respondeu-lhe, como se fosse a coisa mais óbvia do planeta.
Taiga murmurou um 'Ah' antes de recomeçar a andar, desta vez em silêncio. Nada era óbvio para ele — para além da sua paixão por basquetebol e da fome que sentia mesmo tendo acabado de devorar vários hamburgers — e detestava pormenores. Na verdade, ele acreditava que bastava ver o panorama geral da situação para a entender. Se resultava nos jogos também deveria resultar na vida real, certo?
Para ganhar um jogo era preciso encestar a bola mais vezes que o adversário e os únicos pormenores eram os outros jogadores. Na vida,os objectivos não eram assim tão claros, infelizmente.

"Kagami ", o número 11 da Seirin tornou a chamar, "Não penses demasiado, faz-te mal. "
O ruivo bufou mais uma vez, “ Para alguém tão pequeno e calado consegues ser cruel. "
" Eu não sou-"
, foi interrompido quando o braço moreno de Taiga passou pelo seu ombro.
"És sim. Mal chegas ao meu ombro. ", apertou o meio abraço para mostrar isso.
Certo, o contacto físico entre ambos era comum e familiar mas não naquela situação e não daquele tipo. Mas Tetsuya não ia reclamar porque isso seria mentir a si mesmo se dissesse que não gostava da proximidade da sua luz.
Ao não ter resistência por parte do outro, Taiga deu um pequeno sorriso.
Ele estava a ver o panorama por alto: Kuroko era seu colega e amigos, passavam imenso tempo juntos e sincronizavam quase sem perceber. O pormenor que lhe escapava era que ele mesmo procurava pela companhia do menor e se sentia bem com isso. Aliás, nem queria pensar na possibilidade de partilhar Tetsuya com quem quer que fosse. Sequer entendia como é que ninguém notava aquele rapaz tão adorável e esforçado pois para si ele brilhava demais para ser uma mera sombra.

O mais baixo relaxou, encostou-se de leve nele (cujas bochechas ficaram quase tão vermelhas como o seu cabelo) e Taiga engoliu em seco, "Hey... Amanhã queres jogar uma partida de basquete no parte? Podemos ir beber um milkshake depois."
"Posso levar o Nigou? "
"... Podes. Mas não deixes esse rafeiro perto de mim."

"Ele é só um cachorrinho, Kagami. ", levantou o olhar para o poder encarar directamente, "E dos fofos. "
O ás de Seirin cruzou o olhar com ele. Todos tinham concluído que a mascote da Seirin era idêntica a Kuroko e aquela expressão que ele tinha só provava isso. Taiga tinha um coração forte para a adrenalina dos jogos, mas para o baixinho? O coração dele não aguentava.
" Hum... Dos fofos, sim. "
Satisfeito pela 'autorização' verbal para poder trazer o seu animal de estimação, Kuroko deu um pequeno sorriso de agradecimento e tornou a encostar-se no gigante que o acompanhava.
Se Taiga fosse mais atento ao meio que o rodeava notaria como as pessoas olhavam de lado para os dois rapazes que caminhavam abraçados. Talvez ouvisse alguns risinhos ou comentários maldosos. Mas não.
Apenas para variar, ia focado no cheirinho do cabelo do menor, no calor do corpo dele e na vontade enorme que tinha de o apertar e manter eternamente perto de si.

Tetsuya segurou a mão do às que ia pendurada com a sua, enroscado os seus dedos nos enormes e quentes de Kagami. Como sempre, parecia ler a mente do seu amigo cujo coração batia tão rápido e tão esperançoso que nem se continha de felicidade.
Era muito cedo ainda para avançar mais, porém, Taiga consideraria aquilo como um ponto a seu favor.

E talvez tenha sido esse o momento, quando o menor começou a brincar com os seus dedos de forma tímida, em que Kagami Taiga concluiu que não notava só as coisas gerais.
Afinal, Kuroko era o pequeno pormenor na sua vida.

Notas finais
A formatação ficou horrivel, sorry! ;A;''
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!