Tudo aconteceu muito rápido, em um momento estava em um grande salão dourado, com cadeiras como uma arquibancada e algumas nobres pessoas cultuando algo sobre o ensinamento de um senhor que gritava.

Eles levantavam as mãos para as luzes conforme a voz rouca e forte pedia, eu sabia que ele tinha poder. Eu podia sentir e pelo que eu podia sentir eu entendia tudo que acontecia ali sem nenhuma palavra me explicar.

Comigo havia outros, que entramos lá e ficamos ouvindo daquilo, que eles chamavam de "baboseira". Nós não levantamos as mãos.

O celebrador cobrou da gente, eu pensei que eu poderia fazer isso se fosse a solução, que seria sem sentido e vazio, mas eu faria. Foi só um pensamento, porque antes que pudesse chegar a isso, uma discussão começou.

Os que estavam comigo tinham outras crenças e não aceitavam que eles continuassem com aquilo. Mas o celebrador não teria nenhum intuito de perder qualquer parte de seu poder ou deixar o que ele simbolizava perdesse qualquer parcela de influencia sobre as massas. E apesar dali ser um local nobre, as brigas foram como uma bola de neve para as tensões locais e foram até as portas do local.

Era uma costa, uma praia de areia, encosta de pedras e sol tão vermelhos quanto sangue.

E por ser um local nobre, pequenos "exércitos" estavam ali. Um dos pobres homens que trabalhavam por lá serviu de exemplo para os que seriam contra algum dos cultos, eu já nem sabia qual mais. Eram todos iguais no fim das contas. Morte e caos.

Escalpelaram o rosto do pobre homem vivo enquanto alguém gritava seus conceitos e sugeria que isso é o que aconteceria com todos. O homem ficou em desespero puro, ele não sabia o que poderia fazer. O pensamento de que ele queria morrer, ele queria que o matassem era a única coisa que vinha a minha cabeça. Mas como ele poderia morrer? Ninguém iria o matar, só iriam assisti-lo sofrer.

O homem correu em direção ao mar tentando se afogar e eu não o vi sair mais de lá, várias pessoas se juntaram naquele princípio de guerra. Foi quando vi uma garota ali, era a Cleo. A primeira e única Ninfa, jovem e loira.

Ela estava conversando com os futuros governantes da região, já vinha fazendo isso a algum tempo e estava quase conseguindo chegar a algum lugar um pouco antes de tudo isso começar... Um pouco antes de tudo que ela pretendia alcançar indo até ali, ir por água a baixo.

Foi no rosto dela que eu vi o mesmo desespero que o meu, talvez maior devido a sua enorme capacidade empática. O coração dela se despedaçou e toda a dor e pânico que o homem escalpelado sentia, estavam aumentados dez vezes dentro do peito dela. Cleo tinha agonia de olhar, mas não conseguia não olhar. Ela não sabia o que fazer, mas sabia que devia fazer algo.

Era sua obrigação como uma Ninfa, ela não podia deixar que as coisas saíssem do controle a esse ponto, ela deveria organizar tudo... Mas as coisas terem tomado esse rumo, não era só nada do que ela esperava que pudesse acontecer, como também aquela atrocidade a afetou de uma forma que a fez se sentir mal e ela não conseguia agir. Aquelas pessoas... Aquela situação a estava dando náuseas... Ela não queria entrar naquela "guerra", mas era seu trabalho, ela tinha.

Quando finalmente deu um passo.

Se materializou a sua frente uma figura com uma energia tão escura que ofuscava sua visão e você não podia olhar. Vinha junto com uma densa e negra tensão que começou a se emanar e cobrir todo o lugar, fazendo o tempo parecer parar enquanto você era coberto por aquela força. Que te cobria a partir do momento em que você passava a se tornar ciente dela, então parecia rasgar sua pele e arder todo seu corpo.

Mas aquilo foi rápido, as pessoas estavam no meio de um alarde e tentaram ignorar a nova presença. Isso não é algo que se ignora, se ele veio por um motivo, nada vai mudar isso. Nada que já existiu ou existe era capaz de mudar isso.

Apesar de tudo, ele tinha aparência humana. Grande. Seus músculos no limite da eficiência entre força e velocidade, um limite que extrapola a física capaz de ser concebida por nós. Jovem. Pele, cabelos e olhos mais brancos que o gelo. Assim como sua alma, ou o que quer que fosse a energia que ele era.

Era algo único e neutro, até então focado no tédio, passou a ser um pesquisador do universo e do futuro da evolução. Ainda assim tão gelado quanto o neutro pode ser... É o que se acredita dele e pode ser a verdade... A maior parte do tempo...

Mas o que ninguém ali sabia disso, nenhum deles, nem a garota. Que ele estava ali por no fundo se interessar por coisas humanas, talvez porque ele tem parte humana ou talvez é o tempo convivendo com eles que o fez ficar assim...

Não estou aqui para apresentar nenhum deles, nem dizer sobre suas vidas ou o que eles fazem. Porque eu já os conheço muito bem, eu assisto a eles crescerem, quase cada um de seus passos. Eu os conheço o suficiente para poder vir aqui e contar essa pequena cena de suas história...

– Deixa que eu resolvo isso. — Ele disse ainda de costas para ela, com a mão na frente do caminho de Cleo, indicando que ela parar. — Só fica perto de mim.

– Você está aqui mesmo? — Ela não conseguia acreditar porque fazia mais sentido isso ser uma miragem, feita pela imaginação dela já que era o que ela mais queria que acontecesse. — Felipe, o homem no mar... Temos que ajuda-lo...

Ela tentava ser convincente, tentava estar segura sobre aquilo. Mas ao imaginar o sofrimento dele, não conseguia saber se era esse o melhor realmente...

O rapaz com seu cabelo de gelo e sobretudo levados pelo vento, acenou:

– Vou cuidar dos outros, você pega ele.

Ele fez a limpeza comum aos Ninfus, ele sabia pela mente de cada, todos os culpados. Todos os que deveriam ser limpos do local. Ele simplesmente aparecia e desaparecia em uma velocidade semelhante a flashs de luz, deixando rastros de morte para trás. As coisas iam ficando mais silenciosas a cada segundo, a guerra se silenciava.

Cleo entrou na água, em meio a toda a confusão e depois de um tempo saiu de lá puxando um homem. Seu rosto era só vermelho da carne viva, um amarelo purulento e seus ossos da face, sua pele pendia solta ao redor desprendida. Seus olhos anormalmente grandes, abertos e sem vida. Não havia boca estava desfigurada, então sua garganta regurgitou quando Cleo empurrou seu peito, mas não veio água, veio sangue.

Ela se levantou assustada cobrindo a boca, ele parecia fazer esforço para respirar, mas o sangue o engasgava. Um sangue grosso e purulento. Foi quando um dos soldados foi correndo na direção dela com uma lança, mas antes que ele pudesse sequer chegar perto de alcança-la, a cabeça dele foi arrancada.

Ela se virou a tempo de ver o Ninfu ali. Ele olhou para o próximo alvo e em um movimento rápido atirou a cabeça em sua mão ao mar.

Cleo tentou se restabelecer, respirando fundo e antes que ele pudesse sumir dal, ela disse:

– Preciso de uma arma.

Ele mexeu em seu sobretudo e retirou o que nos podia lembrar uma pistola. Entregou para ela e sumiu dali.

Ela estendeu na direção do peito do homem no chão se engasgando em seu sangue e franzindo a testa ela atirou. Precisa em seu coração.

Era então que só faltava um, o celebrador que começou tudo. Um nobre com exércitos, que sem ele não era nada. Isso não era do feitio dela, mas depois do que aconteceu com o homem no chão, Cleo largou a arma. O Ninfu estava em frente aquele senhor, como a morte encarando sua inevitável e entediante tarefa, quando Cleo passou por ele retirando um canivete do cós da sua calça.

Com um movimento rápido na vertical, um corte se fez no meio da cabeça dele.

– Você não merece a morte, você merece coisa muito pior do que isso. — Cleo disse para ele, o vendo sangrar.

Então o Ninfu tirou a faca da mão dela e em poucos segundo o rosto dele estava como o do homem anteriormente e ele gritava em desespero. Cleo olhou para aquilo perplexa, era o que ela queria, mas ao mesmo tempo não era. A dor nele a fazia não conseguir se mover. Até que se abaixou e pegou a primeira coisa ponte aguda que viu no chão, seguiu em direção a ele e deferiu em seu peito. O homem caiu no chão e agonizou por mais alguns momentos antes de parar de respirar de vez.

Haviam pessoas em pé ainda, que olhavam estáticas, sem conseguir se mover. Vendo a morte passar por ali.

– Algumas equipes já estão vindo organizar as coisas por aqui. — Era a voz profunda e extremamente controlada dele.

– Eu deveria trabalhar com elas, eu poderia ajudar. Pude conhecer um pouco nesse tempo, do que acontecia por aqui...

– Claro, depois procure o Jeff, você pode fazer parte da Inteligência responsável com ele.

Estava todo o local cerrado. Não se dava para sair ou entrar ali por nenhum local, mas os muros altos e bem programados dali não era nenhum obstaculo para eles.

O Ninfu indicou para ela com a cabeça e saltou, passando o muro. Ele sumiu dali rapidamente como nenhum olho humano consegue acompanhar. Ele parou do outro lado em pé e olhou para trás esperando por ela. Cleo logo aterrizou de seu salto ali do lado, ela se sentia ainda em choque.

Viu uma especie de carro dele, que seguia por túneis interestrelares. Ela foi em direção a aquilo dizendo:

– Vamos rápido, preciso sair desse lugar.

Ela entrou no carona, ele ligou o carro e saíram dali. No caminho lágrimas desceram, sem controle, no rosto dela. Ela tentava enxugar com os dedos e não deixar transparecer. Ela deveria ser forte. Mas obviamente não era possível esconder aquilo e não só porque ela fungava de vez em quando evidenciando seu choro.

– Você pode se permitir chorar. Vai ser bom para você liberar um pouco dessa tristeza que está sentindo. Eu não vou me importar.

Ela lembrava das cenas que vira a alguns minutos atrás, do rosto daquelas pessoas se perdendo em segundos nos sentimentos mais desesperadores que humanos podem sentir... Aquelas cenas absurdas de pura maldade, era tudo que ela estava tentando fazer não ser necessário... E ela falhou. Estragaram tudo.

entao as lágrimas escorreram mesmo pelo seu rosto em um choro mais alto dessa vez. Chorar na frente dos outros poderia ser ruim para ela, mas na frente dele não parecia nada demais. Ele não teve nenhuma reação, só respeitou permanecendo em silêncio e continuando a dirigir.

Foi então que ele parou em um local, que ela nunca tinha ido.

– Por que paramos aqui?

ela perguntou um pouco antes dele descer e abrir a porta para ela sair também.

– Eu gosto daqui. Por que não escolhe algum lugar para a gente comer?

Não queria comer no momento, mas achou instantaneamente muito interessante um lugar onde o Ninfu dizia gostar...

Cleo andou pela rua vazia, iluminada por um sol fraco, mas brilhante. Tinha realmente um ar fascinante aquele lugar.

Logo à frente havia uma pracinha.

– Um coreto... — ela disse admirando a luz do local envolta da construção circular próximo à umas árvores na pracinha. — Realmente parece um lugar legal...

Então se sentou em um banco voltando ao silêncio. Ele se sentou também em silêncio no mesmo banco ao seu lado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.