Notas iniciais
Olá, pessoas! Hoje trago a vocês uma história que estou reescrevendo. Eu tinha por volta de doze anos quando comecei e agora estou tentando botar no papel algumas coisas que me lembro. É claro que a gente sempre esquece uma coisinha aqui, outra ali, mas a gente contorna isso, não é mesmo?
Lembrando que eu não abandonei BdL, e postarei essa história paralelo a ela, okay meus gafanhotos? Beijinhos da Tia Ollie!

Faltava menos de duas semanas para as férias de verão. Eu estava voltando da casa de minha tia, Marine, depois de uma turbulenta discussão. Não que eu odiasse minha tia, ela era uma pessoa boa no fundo, mas às vezes seu gênio forte se chocava com minha teimosia e isso acabava deixando o clima tenso entre nós. Eu devia voltar para casa apenas no domingo após o almoço, mas nosso desentendimento fez com que eu voltasse pouco antes da meia noite de sábado.

Pelo menos uma vez por mês, meu pai, Ethan Sullivan, se isolava em seu laboratório criando algo extremamente secreto, o que me obrigava a ter que aturar o senso crítico de minha tia. Meus primos e eu inventávamos teorias de que ele era um cientista maluco que trabalhava para o governo buscando meios de se comunicar com extraterrestres. Aquilo era gozado no começo, mas à medida que fui crescendo, comecei a me preocupar com a sanidade de meu pai. Desde que minha mãe morreu, seus períodos de isolamento iam crescendo, eu chegava a ficar dias sem vê-lo. Mas eu estava decidida, eu voltaria para casa, mesmo que tivesse de passar a noite sozinha.

Aquilo me arrepiou um pouco. Nossa casa ficava afastada, em West Point Grey, perto da rodovia que levava à University of British Columbia. Ficar sozinha me dava medo, até mesmo durante o dia. Talvez Derick ainda estivesse acordado, ele poderia passar a noite comigo e me fazer companhia.

Faltava dez para a meia noite quando eu saí de North Vancouver, onde tia Marine morava. Despedi de minha prima Louise com a promessa de que avisaria assim que chegasse em casa, como sempre fazia. Ela até se ofereceu para me acompanhar, mas obviamente, tia Marine não deixou. Eu não queria mais confusão então apenas peguei meu carro e fui embora.

A lua cheia brilhava no céu. Parecia maior que o normal. Eu estava atravessando a Lions Gate Bridge quando meu celular tocou. Eu não podia atender, estava em uma rodovia estadual. Não havia nem mesmo como estacionar. Eu não levaria mais que vinte minutos para chegar à casa de Derick, mas alguma coisa estava bem estranha. Um vento frio de repente bateu contra mim e logo meu celular parou de tocar.

Segui caminho atravessando o Stanley Park, havia poucos carros na estrada e os faróis altos dos que vinham na direção oposta, me deixavam um pouco tonta. Foi quando eu ouvi um som peculiar. Parecia um uivo, mas era alto e estridente, quase como um grito. Aquilo me assustou muito, principalmente porque logo após o barulho sinistro meu celular tocou novamente. Eu acho que nunca havia respirado tão ofegante até aquele momento. Mantive minhas mãos no volante, em pouco mais de dez minutos eu estaria na casa do meu namorado e poderia retornar a ligação, seja lá de quem fosse.

Quando estacionei na porta da casa de Derick, o quarto estava escuro, mas a janela estava aberta, o que era estranho. Ele sentia um frio além do normal, vivia de casaco até quando o clima estava ameno e ventava muito naquela noite. A luz da sala estava acesa, o que significava que pelo menos alguém estava em casa. Olhei através do vidro da porta, Lorraine estava assistindo TV. Bati na porta devagar até que ela se virou e levantou para me atender.

— Ah… Olá, Alice! — Ela parecia um tanto surpresa em me ver.

— Oi, Lorraine! O Derick está aí? — Eu sorri meio nervosa olhando para dentro da casa.

— Ele não está com você? — Ela franziu o cenho preocupada. Me senti um pouco mal ao ver sua, afinal Derick era seu filho mais novo. Eu não queria perturbá-la.

— Eu estava em North Vancouver, eu acabei de chegar… Ia pra casa e pensei que ele quisesse me fazer companhia… — Respirei fundo desviando meu olhar. — Talvez ele tenha ido para minha casa, ou foi à delegacia encontrar o Will. Noite do irmão mais velho, fazia tempo que eles não passavam tempo juntos, não é? — Eu dei um sorriso fraco, tentando passar confiança, embora aquilo estivesse muito estranho. Derick jamais sairia sem avisar à mãe.

— Pode ser, eu vou ligar para o Will. Quer ficar aqui? Talvez ele já esteja voltando. — Ela levou a mão ao peito, ainda aflita, como se pressentisse algo.

— Não, não. Eu vou para casa. Talvez ele esteja lá esperando por mim, eu mandei uma mensagem antes de sair da casa da minha tia.

— Tudo bem, filha. Me ligue assim que chegar, certo?

Eu apenas assenti com a cabeça e me despedi, logo voltando em direção ao carro. Ouvi ela fechar a porta logo após. Aquilo era estranho demais, Derick não era assim. Respirei fundo enquanto tentava processar o que estava acontecendo. Foi quando meu celular tocou pela terceira vez. Foi só então que eu percebi que todas as chamadas eram de meu pai. Ele não costumava se irritar tão facilmente, mas três chamadas significava que ele estava muito preocupado.

— Alice… — Seu tom de voz era baixo, mas um tanto trêmulo.

— Pai, eu estou na casa. Não precisa ficar preocupado, eu já estou chegando em casa. — Tentei acalmá-lo enquanto abria a porta do carro.

— Não! Alice, fique onde está! — Ele rosnou e em seguida soltou um gemido como se algo tivesse o machucado. — Não venha para casa….

— O que aconteceu, pai? Pai?!

Uma interferência cortou o sinal da ligação. Meu pai me conhecia bem o suficiente para saber que eu não ficaria onde eu estava, eu faria exatamente o oposto. Joguei meu celular no banco ao lado e liguei o carro sem nem me preocupar em colocar cinto de segurança. Cheguei em casa em menos da metade do tempo que levaria para chegar normalmente. Saí do carro apressadamente quase enroscando meu pé no cinto, a porta da sala estava aberta, corri como louca em direção ao quarto de meu pai, foi quando me deparei com uma cena que jamais sairá da minha cabeça.

Assim que alcancei a porta do quarto de meu pai um som estridente e muito alto ardeu em meus ouvidos. Era um uivo como aquele que eu havia ouvido minutos antes, só que um tanto mais desesperado, e um ser peludo parecido com um urso, algo que eu jamais havia visto antes, estava em pé bem na minha frente. E eu juro que duvidaria, se não tivesse visto com meus próprios olhos. Tinha os pelos marrons levemente acinzentados, estava de costas, mas tinha mais que o dobro do meu tamanho. Eu fiquei paralisada um tempo sem saber o que fazer, até que a besta soltou outro uivo, deixando cair lentamente algo que segurava em suas mãos, um corpo flácido, aparentemente sem vida.

Meu corpo começou a tremer, minha respiração a ficar ofegante. No ímpeto do desespero, alcancei a Winchester pendurada na parede. Ainda tinham duas balas, meu pai mantinha carregada por precaução, caso algum animal invadisse a casa. Eu não pensei duas vezes antes de atirar. Eu sempre tive uma mira razoavelmente boa, mas talvez por conta do medo, a bala apenas o acertou de raspão. Ele se virou em minha direção enquanto eu me preparava para atirar novamente, e emitiu uma espécie de choro, saltando pela janela em seguida.

Soltei a arma ainda trêmula, reconhecendo o corpo que estava caído à minha frente. Não havia marcas de sangue ou qualquer vestígio de crime. Talvez ele só estivesse dormindo.

— Pai! Acorde… Acorde, por favor…. — Comecei a balançá-lo sem resposta. — Papai… Por favor… — As lágrimas começavam a escorrer à medida que os estímulos não surtiam efeito.

Foi quando eu ouvi passos se aproximarem e uma voz desconhecida fez com que meu corpo todo se arrepiasse.

— Doutor Sullivan! — O homem de cabelos negros e pele bem clara se aproximou rapidamente de onde estávamos.

— Quem é você? — Perguntei com a voz embargada, eu nunca tinha visto aquele homem antes, não fazia ideia de como ele conhecia meu pai.

— Sou Jeffrey Sanders, sou assistente do Doutor Sullivan. — Ele me olhou fixamente, seus olhos eram negros, diferente da maioria das pessoas que eu conhecia. — Eu estava passando por aqui e ouvi um tiro. O que aconteceu?

— Eu não sei… Eu cheguei aqui e… E… — O que eu iria dizer? Que um urso gigante que uivava havia atacado meu pai? Quem iria acreditar naquilo? — Ele não acorda…

Minha cabeça doía, eu mal podia compreender o que havia acontecido ou o que aquele homem fazia em minha casa naquele momento. Acho que meu pai havia mencionado um Jeff duas ou três vezes, dizendo que ele era pouco mais velho que eu, e realmente aquele homem não parecia ter mais de 25 anos. Mas eu apenas queria que meu pai acordasse. Eu não queria ficar sozinha, perdi minha mãe tão cedo, não queria perder meu pai também. Aquele pensamento me afligia.

Vi Jeffrey levar seus dedos ao pescoço de meu pai e suspirar profundamente balançando a cabeça. Eu o olhei com os olhos marejados sem nem ao menos saber o que dizer. Foi quando ele me disse a pior frase que alguém poderia dizer naquele momento.

— Sinto muito...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.