Pensamentos de um suicida
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Notas iniciais
Alguém venha e me ajude
Tudo o que quero é ser livre.
Há muito tempo, li em um livro uma frase de Augusto Cury que me marcou profundamente: “Quando uma pessoa pensa em suicídio, ela quer matar a dor, mas nunca a vida.”.
Eu concordo. Quando vivo, me sentia extremamente desajustado em relação a várias coisas. Sentia que pertencia a tudo e a todos, mas ficava de fora de tudo e distante de todos ao mesmo tempo. Eram duas forças que me puxavam em duas direções contrárias. Insuportável. Angustiante. Extremamente doloroso. E esta dor me acompanhava initerruptamente. Estava em tudo o que eu fazia, em tudo o que pensava, sentia, comia... Um companheiro constante. E, no entanto, estranhamente, parecia que era a única coisa que me fazia sentir vivo.
Piorou depois que conheci uma pessoa que marcou minha vida profundamente. Tanto pelo tempo que ficou ao meu lado, como pelo tempo e pela forma com que me deixou. Um acidente. Tão triste. Tão trágico. E todos me culparam. EU me culpo.
Continua comigo sabe. Às vezes, sinto-o assombrando meus pensamentos, minha vida, a forma como me relaciono, como me sinto, como penso. Tudo é assombrado, vigiado.
Sinto-me até paranoico. De vez em quando, falo sozinho e juro que alguém está me respondendo. Não é uma resposta que todos possam ouvir. Chegando direto coração, passando por todo meu corpo, juro que consigo sentir na minha alma.
“Você não será feliz.”;
“Não vai dar certo.”;
“Desista”;
“Não faça senão vai falhar e todos vão rir, zombar e te julgar.”;
“Tudo o que toca, tudo o que gosta, você destrói.”.
E eu não falo, não faço, não penso, não sinto.
O mundo é cinza, é preto, é branco. Opaco. As poucas cores que aparecem são nos meus sonhos. Não quero acordar. Não quero encarar. Não quero ficar. Quero me anestesiar. Alguém, por favor, me anestesie. Faça com que eu não sinta mais. Ajudem-me.
Não podem ver minhas lágrimas? Meus pedidos mudos de socorro? Meu olhar desesperado? Por quê? Por quê? Ninguém vê? Ninguém se importa? Acaso não sou necessário? Não sou querido? Ninguém me ama? Ninguém me quer?
Esses são os piores dias: sem motivação, preguiçosa, sonolenta, parada, sem iniciativa, meu cérebro completamente embotado. Cadê as sinapses? A eletricidade? Os pensamentos. Não há nada. Literalmente nada.
Em outros dias, estou tão feliz que quase posso sentir o gosto da felicidade. Leve, amo todos e todos me amam. Amável, posso fazer qualquer coisa e todos confiam que realmente consigo. Corajoso, enfrento todo mundo. E todos ou sentem respeito ou sentem medo. Ah sim. Sou esse tipo de pessoa.
Não sei. Pergunto-me. Queria ser.
Não tenho equilíbrio. Não tenho uma âncora. Algo que me puxe, segure. Ofereça-me conforto.
Bastardos sortudos vocês. Somente não percebem. Ainda não. Questão de tempo. Nada dura para sempre.
Notas finais
Abraços.
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