Poema Perdido

E assim... no fundo do mar

Esta folha de papel se desmanchou

E assim... quando a temperatura esquentar

As palavras escritas irão escorrer

Pela folha de papel velho

E cair na areia

Onde o vento, um dia

Cobrirá as gotas de palavras

E assim... quando o inverno chegar

A areia virará neve

As palavras ficarão congeladas para sempre

Ninguém nunca as encontrará

A chama trêmula e frágil da vela

Ilumina aquela folha

As palavras pareciam dançar com as chamas

Movimentos delicados

Uma dança romântica

Aquele calor indefeso

Poderia queimar aquela folha

Aquele pequeno pedaço de papel

Transformando em cinzas

Todos os meus pensamentos

Todos os meus sentimentos

Toda a minha vida

As cinzas fugiriam com o vento

E eu inquieta ficaria

Sem saber onde minha vida estaria

Meu tormento este seria

Cinzas que se desmancharam no mar

Escorreram na areia

Congelaram na neve

Agora se foram

Cada verso, cada estrofe

Cada gota de lágrima

Cada gota de sangue

Um olhar fixo

O movimento que meu punho fazia

Descrevendo minha agonia

Agora é irrelevante

O poema se perdeu

Mas o poeta ainda o procura

O poema faleceu

Mas o poeta continua vivo

Dentro de minha alma

Sonhando, almejando

Um dia reencontrar

Sua bela obra-prima