Notas iniciais
A beleza de um não é a beleza de todos...

Doce Beleza


Caminhando sobre corpos desolados

Num mundo de sonhos

Deparei-me com um anjo

Tocando uma tétrica melodia

Na solidão de um bosque adormecido


Ele levantou seus belos e inocentes olhos

Indagou-me com voz branda:

“O que fazes aqui?”

Respondi-lhe com outra pergunta:

“Onde é aqui?”


Vi o brilho em seu olhar

O anjo pôs-se a responder-me com satisfação:

“Aqui é onde nascem tuas alegrias

[e morrem tuas tristezas”


Sem entender muito bem a resposta

Pus-me novamente a andar

Passando por sobre uma terra desconhecida

Um lugar estranhamente sublime


As lágrimas de dor e pesar

Eram como gotas de tinta

Um rosto pálido e cândido

Era como uma tela vazia

Esperando por uma obra a se concretizar


Os gritos eram como doces cânticos de

[querubins amargurados

As rosas já desbotadas

Exalavam o cheiro da morte

Um doce aroma inebriante

Causando-me arrepio na espinha

Tudo ali era sombriamente esplêndido

Um reino onde não havia bem ou mal

Luz ou trevas

Vida ou morte

Um lugar onde tudo era possível


A dor tornava-se prazer

O prazer tornava-se dor

E tudo era tão real

Crianças cantando e brincando de roda

Diante de desfalecidas borboletas já sem cor


“Não é lindo?”___ perguntou-me o anjo

Não soube lhe responder e ele então prosseguiu:

“A beleza de um não é a beleza de todos, minha criança,

Porém verás que ela é sempre a mesma

Buscando apenas por bons olhos para admirá-la”