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Crise de Existência


Onde estou? Quem sou? Por que estou aqui?

Às vezes, isto é tudo que sei dizer

Dizer a quem? A mim mesma


Estes rostos outrora familiares

Agora tão frios e estranhos

O que há em seus enegrecidos olhares?

Não me lembro de quem são


Onde estou?

Não consigo recordar destes lugares

Onde seres vazios sorriem

Onde incomuns criaturas gorjeiam

E pobres anjos pranteiam


Quem sou?

Tenho carne e osso ou sou apenas um

[reflexo num espelho quebrado?

Tenho um coração e pulmões cheios de ar

Ou sou apenas um fantasma amargurado?

Alguém me diga, por favor


Por que estou aqui?

Neste lugar perdido entre o real e o insano

O que é verdade e o que é mentira?

O que é o bem e o mal?

O que são doces sonhos ou cruéis pesadelos?

O que é a dor ou o prazer?


Não consigo entender

Ora a resposta está diante de mim

Tão clara quanto água

Ora tudo se torna sombrio e amedrontador

Por quê?

Tantas questões em meu peito estão

Dilacerando meus sentimentos feito garras de leão

Enquanto não encontrar a resposta

Para todas estas indagações

Embora elas nunca irão

E despedaçando meus sonhos

Para sempre ficarão