A Morte Quer Dançar


O frio corta a noite

Como a faca corta a carne

A paixão fervilha o sangue

Como o fogo fervilha a pele


Está ouvindo a melodia?

De longe ela vem

E como o flautista dominando a serpente

Corpos se levantam também


Vamos, pútridas carcaças!

Deixe a lua guiar teus passos

As estrelas serão teus olhos

Que eternamente estarão fechados


Flutuem pelas lápides sem nome

Sintam a música

Como se suas almas estivessem com fome


Parem... Ouçam... Sintam!

Tornem este morto berço um palco

Onde acontece a magia

E de dentro da escuridão

Concreta-se a fantasia


Riam e arrastem correntes

Gritem e sussurrem

Quero então vê-los contentes


Os fantasmas se divertem

Pois a Morte quer dançar

Ergam-se, meus queridos

Batam asas para assim poder voar


E ao som da solidão

Os amantes se entregam

Sem pensar em desistir

Como manda o coração


Vamos juntos, meus amores

O esqueleto sacudir

Se não quiser sofrer horrores

Porque não há como fugir


O caixão então se abre

Para a música exaurida

A Morte então se vai

Levando a noite... Levando a vida