Pelúria

1 Que a vida comece!


Notas iniciais
Minha primeira original. Espero que se divirtam!

Nosso décimo quinto aniversário. Há um tempo, isso apenas seria uma data comemorativa dentro de uma família, mas agora é diferente. Há algum tempo, a sociedade humana descobriu a existência de descendentes e eles julgaram que somos uma raça que ameaça a sua existência; alegam que roubamos os cargos significativos e de prestígio dentro de sua sociedade, por termos dons e sermos dotados de uma inteligência considerável.

Hoje nos apresentaremos diante dos governantes. Eles dizem que, quando completamos quinze anos, somos adultos e plenamente capazes, mas a verdade por trás disso é que eles estão nos caçando. Aqueles que têm serventia para eles são aprisionados e usados para o desenvolvimento de sua tecnologia; os que não são apenas desaparecem sem deixar nenhum rastro.

Minha família é composta de descendentes de Apolo e Atena. Ter sangue de deuses correndo em suas veias é considerado um privilégio ou uma benção, pois o é sangue que escolhe os seus descendentes e não algo que é passado de geração em geração. Estou seriamente preocupada por ainda não saber minha descendência. Apenas sei que o sangue nos escolheu, mas qual deus? Apolo ou Atena? Os testes que nosso tio Orion aplicou em nós deu o resultado tanto para Apolo como Atena, porém como saber? Apenas quando recebermos nossas chaves que iremos saber, mas...

— Star, tenha calma e só mais um pouco de paciência — diz Camerom.

— Não me peça isso, eu estou ansiosa, você... — não consigo terminar a frase. No entanto, Cam já sabia o que eu queria dizer.

— Também estou ansioso, Star. Lembre-se, eu sinto tudo o que você sente — responde, encostando sua testa na minha. — Somos como o reflexo um do outro.

— Então isso não é o que você sente! — grito e o empurro.

Cam fica surpreso, mas logo se recupera. Começa a caminhar em minha direção e me abraça. Tento empurrá-lo, porém ele continua me segurando com força.

— Vai ficar tudo bem, é apenas uma festa chata. Pense pelo lado bom: é lá que iremos saber de quem somos descendentes — sussurra ele em meu ouvido. Respiro fundo e sinto sua calma invadindo meus sentidos. — Vamos?

Seguro sua mão e vamos em direção aos nossos pais, senhor Alexander e senhora Diana. Já estavam nos esperando com expressões sérias no rosto e uma preocupação perceptível. Só pode significar que algo ruim irá acontecer. É quando percebo Tambor, nosso coelho correndo e gritando. Ele possui uma cólera que o torna capaz de falar; a ideia foi de Cam e eu construí. Nosso tio Orion chegou a pesquisar no histórico da família Adalberon se continha algum descendente de Hefesto, mas não encontrou nada.

— Alexander! Diana! Eles... eles estão aqui. — comunicou Tambor. Nossos pais ficaram surpresos.

— O que isso significa? — pergunto.

— Os governantes estão desconfiando da nossa família? — contrapõe Cam.

— Não, eles apenas mandaram seguranças para acompanhar vocês e, por sinal, esse gesto é de muita gentileza por parte deles — responde Alexander, ironicamente.

— Sei que você detesta ser pego de surpresa, mas não precisa responder dessa maneira — repreende Diana.

— Sinto muito, filho — desculpa-se nosso pai. Alexander sempre age desse jeito irônico ou seco quando é pego de surpresa.

— Tudo bem — Camerom responde de maneira indiferente.

Suspiro e esboço um sorriso. Hoje será uma noite bem interessante. Segundo o nosso pai, teremos que identificar no meio das pessoas os mensageiros de Pelúria. Eles estarão nos esperando para um duelo, onde testarão as nossas habilidades. Caso ganharmos ou empatarmos receberemos a chave. Cam mostra um sorriso malicioso, entendendo minha linha de raciocínio. Ambos gostamos de desafios.

— Nem pensem nisso — adverte nossa mãe, e Alexander parece satisfeito com nosso comportamento.

Despedimo-nos deles e entramos no veículo, indo rumo ao “humilde” castelo onde o governante reside. Assim que chegamos, somos guiados para o salão. A melhor forma que encontraram para caçar descendentes foi por meio dos jogos, porque levamos muito a sério todos os tipos de jogos e acabamos mostrando nossas habilidades que em circunstâncias normais nunca iríamos fazer.

— Camerom Adalberon e Esther Adalberon — anuncia o porta voz assim que pisamos no salão de jogos. Sorrimos e fazemos a reverência. — Senhor Klaus.

Todos aplaudiram. Klaus levanta-se da cadeira e ergue a taça nos cumprimentando. O governante possui uma expressão serena e que transmite confiança. Realmente não podemos julgar um livro pela capa, pois as aparências enganam.

— Parabéns a vocês, novos adultos, e que possam aproveitar esta festa organizada especialmente há vocês — comunicou Klaus. Vendo que as pessoas esperavam um discurso, rapidamente acrescentou: — Não irei fazer um discurso, pois é algo muito enfadonho, apenas celebrem os vossos décimo quinto aniversário.

O público presente parece satisfeito. Klaus possui um carisma inquestionável diante das pessoas, mas me pergunto como seria longe dele. O salão de jogos era grandioso, possuindo espaço suficiente para tiro a alvo e arremesso de adaga, além dos jogos de tabuleiros e diversos outros. Realmente não mediram esforços para construir essa “festa”.

Camerom estava caminhando em direção a uma mesa de xadrez. Logo entendi que lá se encontrava o mensageiro de Pelúria designado para aplicar o teste. Seguro sua mão.

— Boa sorte. Nos vemos do lado de fora, maninho— sussurro em seu ouvido e Cam sorri de forma confiante. Sinto ele dizer “jamais iremos perder”.

Decido observar o jogo de xadrez um pouco. Os primeiros movimentos são perfeitos, tanto de Cam como de seu oponente. Ambos sabem que perder alguma peça será prejudicial. É quando algo chama minha atenção: um jovem próximo à parte destinada a tiros ao alvo. Algo me diz que meu teste está me esperando para começar.

Notas finais
Gostaram? Lembre-se que é minha primeira, então, por favor, deixem reviews ♥ Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.