Pelo Olhar de Chrissie

59 O começo de uma nova jornada


Antes que os meninos fechassem os últimos detalhes do novo álbum "News of the World", que ficou com a capa horripilante sugerida por Roger, mas com uma pequena variação mórbida (com as vítimas do robô gigante sendo os membros do Queen), nós fomos convidados a jantar na casa dos Taylor. Era uma ocasião corriqueira, sempre costumávamos ir à casa um dos outros, exceto que agora Freddie ia um pouco menos e Mary estava totalmente ausente.

Quando eu e Brian chegamos, assustei com o estado em que Roger se encontrava. Apesar dos olhos vermelhos e inchados, ele não conseguia parar de sorrir. Os cantos da sua boca simplesmente recusavam a ficar mais perto um do outro.

—Cara... Tá tudo bem? – meu marido ficou naturalmente atônito.

—Isso? – Roger apontou pro próprio rosto – não esquenta Bri, não é nada...é que...

—Rog, não é pra contar! – Dominique disse alto enquanto veio nos encontrar e olhou para seu marido – calma, espera, quero que a gente faça isso juntos.

—Como quiser sra. Taylor – ele deu seu sorriso de lado característico e nos convidou para entrar.

Eu tinha uma forte suspeita do que significava aquele mistério. Troquei um olhar com Brian e ele logo captou a mensagem. Ele se apavorou ainda mais, mas não disse nada. Enquanto Brian se recuperava da notícia ainda não dita, mas deduzida, ouvimos os Deacon chegarem.

Robert chegou até nós antes de seus pais, agora ele tinha quase dois aninhos, e já andava com seus passinhos cambaleantes, de um jeito fofinho demais.

—"Quizz!" – o pequeno exclamou tocando meu joelho e depois apontou para Brian– "Bai!"

—Oi, Bobby – sem resistir à tanta fofura, peguei ele, mas hesitei, minha barriga já estava tão grande que não tinha como colocar Robert no meu colo, então o acomodei do meu lado e ele ficou sentadinho, me observando.

—Nosso arauto já está aqui – John comentou pelo filho entrar antes dele e da Veronica – oi Brian, Chrissie.

Eu e Brian demos um oi sorrindo como resposta.

—Vocês tem alguma ideia do porquê do jantar? – Veronica deixou a questão no ar – porque não tá com cara de um jantar comum.

—Você reparou uma coisa na Domi? – comentei – e o jeito que o Roger estava, tem certeza que não sabe do que se trata?

—Não, não deve ser isso – a sra. Deacon entendeu, mas duvidou.

—Isso o que? – John olhou pra nós três, confuso.

—Acham que o Freddie vem? — Dominique cortou o assunto, ela realmente queria contar por conta própria — ele tá atrasado...

—Novidade — John revirou os olhos — se ele não atrasar, não é ele.

—Talvez ele chegue mais tarde — tentei consolar minha amiga, que estava ansiosa.

—Mesmo assim, não dá pra esperar — agora Roger estava uma pilha de nervos como a esposa.

Nós então esperamos, e enquanto isso, pensava em Freddie. Não é que ele não queria mais ficar com a gente, e só que agora, na minha humilde opinião, ele tinha trocado suas prioridades. Era natural ele querer dar mais atenção a Paul, mas Paul não era boa companhia. Conhecendo Freddie como conhecia, bem lá no fundo ele queria estar com a gente, só não queria admitir. Se distraía fácil de pensar em nós com outras coisas, era triste, mas era o que está acontecendo.

—Bom, acho que vou contar logo — resolveu Dominique.

—E quanto ao Freddie? — questionou Brian.

—Eu conto pra ele com jeitinho, depois — justificou a sra. Taylor.

—Mas sabe como ele é, se ficar bravo, nós pagamos o pato — lembrou meu marido.

—Nesse caso, a culpa é dele — John opinou — ele que se atrasou.

—Certo, certo, chega de discussão — Roger gesticulou chamando a atenção — só fala agora, Domi.

—Tudo bem — ela assentiu — eu vou ser a próxima mãe da nossa turma!

Nós levantamos para abraçá-la com alguns murmúrios de "a gente já sabia". John e Brian parabenizaram Roger com um sermão de brinde.

—Eu queria saber porque vocês desconfiam tanto da minha responsabilidade — reclamou Taylor.

—Porque a gente te conhece? — sugeriu John.

—Você tem cara de ser como aqueles pais que fazem brincadeiras loucas e perigosas — acrescentou Veronica.

—Pode ser que sim — concordou a sra. Taylor — mas também vai ser um grande pai.

—Obrigado, meu amor — Roger agradeceu o apoio moral da esposa — mas gente, sério, ainda não estou acreditando...

—É, achei que ele fosse desmaiar quanto contei — Dominique confessou — e depois ele riu e não parou de beijar meu rosto inteiro...

—Roger sempre gostou de crianças — Brian disse por fim — só faltava ele ter um relacionamento sério pra ter um filho, então aqui estamos nós.

Um tempo depois, Freddie chegou desacompanhado, e, ficou feliz com a notícia, do jeito dele. Ele teria que ter paciência com mais um bebê na turma, mas se rendeu em um sorriso quando Bobby o chamou de "Éti".

Depois do jantar dos Taylor, faltava poucos dias para eu ter o bebê. Apesar da data fixa, nada estava completamente definido, e imprevistos poderiam acontecer, pensamento esse que me deixava ainda mais ansiosa. Acordei no meio da noite, com o bebê agitado demais, quando fiquei de pé, percebi que todos os sinais estavam ali, estava entrando em trabalho de parto.

Chacoalhei Brian com toda força, e chamando por ele. O coitado acordou assustado, muito mais rápido do que ele geralmente acordava.

—Tá tudo bem? — ele me questionou, enquanto corria os olhos procurando por mim, procurando o que eu tinha de errado.

—Brian, é agora! — minha voz saiu apavorada.

—Ai meu Deus! — ele se levantou e começou a se arrumar, apesar da correria, ele sabia bem o que estava fazendo — arruma o que você precisa e vai indo, te encontro na garagem.

Eu assenti, seguindo as instruções dele, gemendo de dor ocasionalmente. Logo nos encontramos, e quando a minha mente conseguiu focar novamente, já estávamos a caminho do hospital.

Toda vez que eu sentia dor, Brian me olhava preocupado, como se também sentisse o que eu estava sentindo. Me levaram rapidamente para o quarto, eu mal tive tempo de dizer algo a Brian, queria segurar sua mão e implorar pra que não me deixasse sozinha, que eu precisava tanto dele naquele momento, mas ele apenas me olhou como se dissesse "você consegue". Me apeguei ao seu olhar.

Meu amado tinha razão, entendi que deveria passar por aquele momento sozinha, era assim que tinha que ser. Não completamente sozinha, logo conheceria meu filhinho.

A dor era insuportável, não gritar era impossível, e eu gritava muito mais do que queria. Mas o médico dizia, a cada novo esforço meu, que o bebê estava mais perto. Tinha que ser forte até o fim. Quando eu pensei que não teria mais forças, ouvi seu chorinho. Meu Deus, que sensação! Queria chorar e rir ao mesmo tempo.

—Eu posso vê-lo? — pedi, enquanto recuperava o fôlego.

—Claro, só um minuto — respondeu uma das enfermeiras.

Esperei, minha mente sabia que era pouco tempo, mas pro meu coração parecia uma eternidade.
Quando vi meu filho tão pertinho de mim, tive medo de não saber segurá-lo, por mais que tivesse pegado Robert tantas vezes. Os braços se esticaram por instinto, mesmo eu ainda tendo medo.

Eu não sabia o que dizer, o que pensar... Era a primeira vez que pegava o meu filho no meu colo. Era uma emoção tão grande e confusa, outro momento da minha vida que nunca imaginei que poderia viver, mas identifiquei algo especial no meio daquilo tudo. Um amor imenso.

—Oi... — eu suspirei ao meu bebê — eu te amo muito...