Pelo Acaso
1 Que difícil você.
Notas iniciais
-Droga. -Murmurei enquanto desligava o despertador, ás 10h da manhã. Teria de pegar meu carro na oficina, que por graças era perto de casa, e ir pra faculdade logo depois. Entrava todos os dias às 11h. Fazia o curso de Engenharia de Telecomunicações. Não era fácil, assumo, mas eu gostava e, era minha vida. Já estava no 2º de 5 anos.
Levantei, cambaleando ainda. Fiz tudo para minha limpeza, inclusive banho. Me direcionei pra cozinha e tomei apenas um copo de leite. Não costumava comer logo depois de acordar. Morava sozinha desde que saí do interior, Ribeirão Preto, e vim para São Paulo. Era organizada e meu apartamento impecável, comparado a zona que era meu quarto em casa.
Saí correndo do prédio quando olhei no relógio, que marcavam quase 10h30. Passei na oficina.
-Tudo certo, agora? — Perguntei pro mecânico
-Tudo nos trinks Clara!
-Fico feliz em ouvir isso. Bom, tenho que ir. Obrigada Márcio!
Saí em direção a faculdade e advinha.. é sim, trânsito. Pensei um pouco e resolvi pegar um outro caminho, por alguma ruinhas que me levariam ao mesmo destino.
Meu carro começou a falhar, e eu comecei a pirar de tanta raiva,até que ele parou de vez.
-ÓTIMO! — Saí do carro e me encostei nele xingando o mecânico de todos palavrões existentes na face da Terra.
-Não estava nos trinks, desgraçado? Quanto ódio!
Eu estava realmente nervosa. E atrasada.
Resolvi abrir o capô e tentar ve o problema. Fail. Ninguém na rua, eu atrasada e com problemas no carro. Então avistei um carro se aproximar e fiquei reeceosa em pedir ajuda. Nem precisei. O garoto parou do outro lado da rua, e desceu vindo em minha direção.
-Problemas? — Ele passava a mão em seu cabelo, o jogando pra cima, sorrindo encantadoremente.
-Ah... é... sim! Acabei de sair da oficina depois de 2 semanas e ainda tem problemas! — Disse passando a mão na testa e colocando na cintura logo depois.
O garoto me olhou e sorriu novamente. Ele que tinha problemas, né? Sorrindo numa situação daquelas? Tudo bem, tentei relaxar. Ele começou a olhar pela região do motor e afins.
-Bem, minha noção de carro não é aquelas coisas mas, acho que falta óleo no seu carro. — Ele disse colocando a agulha do óleo no lugar denovo. — Estava em tempo de fundir o motor, viu.
Deu alguns tapas na mão e passou-as pela calça preta.
-Nossa, que raiva! Nem pro Márcio me falar alguma coisa! — Disse tentado manter a calmaria.
-Márcio... seu... namorado? — Ele ajeitou o óculos de sol no rosto.
-Não, não. Meu mecânico mesmo. O qual eu odeio agora! — Disse arrancando uma leve risada dele.
-Ah sim... Vais pra onde?
-Usp... inclusive — olhei no rrelógio — estou atrasada agora! Vou correndo mesmo.
-Não, eu te levo, tenhoo tempo. — Ele sorriu. — E seu nome é... ?
-Clara... Clara. — Eu estava toda tímida. — O seu?
-Pedro, Pedro Gabriel. — Estendeu a mão e beijou a minha.
-Prazer Clara. Então, vamos? — Assenti e sorri com sua ação. Ele era engraçado, sei lá.
Peguei minha bolsa no carro e as chaves. Não estava mais tão nervosa assim. No caminho Pedro me contou várias coisas sobre ele. O garoto tinha uma banda, 20 anos, paixão por futebol e uma legião de fãs.
Passou tão rápido que tinha até perdido a vontade de ir pra aula, só pra conversar mais com ele.
-Entregue dona Clara. — Sorriu me encantando de novo. Argh! — A propósito, eu ainda não sei seu telefone. — Um olhar malicioso partiu dele, me fazendo sorrir e olha pra baixo.
-Ahn... Obrigada mas... quer mesmo saber meu telefone? — Joguinho, sempre.
-Acho que tenho meus direitos — ele colocou a mão sobre a minha. Ouvi o segundo sinal tocar, e abri a porta do carro.
-Talvez outra hora. — Sorri sem mostrar os dentes. Ia descer quanto ele me segurou pela mão.
-Que difícil você, Clara.- Me beijou no rosto, e eu afundei minhas narinas em seu pescoço. Ele fez o mesmo só que, mordiscou minha orelha logo depois. — Que horas você sai? — Perguntou bem perto do meu ouvido, me fazendo arrepiar.
-Se eu te falar o que acontece? — Falei em seu ouvido para provocar.
-Uma surpresa.
Dei um beijo em sua bochecha e sai antes que ele me puxasse novamente.
-4h30. Talvez consiga meu telefone. — Pisquei e saí, atravessando a rua e entrando correndo no campus. Coisa louca isso tudo.
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