Nossos heróis estão seguindo em uma caravana carregada com ouro e suprimentos pela estrada, desta vez, com o imperador Rômulo Augusto em segurança entre eles. Eles já adentraram a Itália e deixaram os alpes para trás, que podem ser vistos no horizonte atrás deles. De repente, eles se deparam com uma visão assustadora de deixa todos com um olhar chocado. Ao longe, se deparam com uma grande coluna de fumaça e veem que aquilo era uma cidade romana completamente destruída. Eles se aproximam e ao chegarem lá, veem tudo saqueado e pessoas mortas no chão. Uma mulher ainda estava viva, mas ferida, atirada no chão. Eles vão até ela e Arthanna a segura em seus braços.

—O que aconteceu aqui? -Pergunta Marcius.

—Um... cof cof... exército de mercenários chegou aqui ontem à noite. Eles saquearam a cidade, tomaram muitos prisioneiros e mataram indiscriminadamente pessoas indefesas.

—Quem eram eles?

—Eram algum povo bárbaro. Seu líder estava junto. Eles o chamavam de... cof cof... O-Odoacro.

—Após desferir aquelas palavras, a mulher morre.

—Marcius arregala os olhos. -Conhece este nome, Marcius? -Pergunta Arcmênidas.

—Conheço.

—E quem é ele? -Pergunta Aurel.

—Odoacro já foi um grande guerreiro mercenário bárbaro que lutou por Roma por muitos anos, liderando seu exército de hérulos. Algum tempo atrás lutou por Orestes para pô-lo no trono, contra o Imperador Júlio Nepos, em troca de terras na Itália para ele e seus guerreiros. Quando foi vitorioso Orestes o negou isto. Então, ele se rebelou e seus seguidores junto com ele. Agora deve estar tentando provocar Orestes para uma batalha e assim, derrota-lo e tomar o controle de todo o Império.

—E você acha que ele está errado? -Pergunta Aurel. -Lhe foi prometido terras e ele pôs seus homens para morrerem por esta promessa e, quando ele finalmente é bem-sucedido este comandante, Orestes, o nega isto!

—Não é hora para pensar nisto, Aurel. A situação é grave, seja qual forem seus motivos, Odoacro matou cristãos inocentes e é um herege. Estando Orestes certo em suas ações ou não, precisamos agora rumar para Ravenna e jurar serviço a ele! Estão comigo?

—Claro. -Fala Arcmênidas.

—Eu estou com vocês. Mas só desta vez. -Fala Arthanna. -Sim, eu fiz um juramento. Agora vamos. -Fala Aurel.

Alguns dias depois, eles chegam às portas de Ravenna. A cidade ficava no meio de um grande pântano e possuía imensas muralhas a cercando. Os guardas no topo das muralhas veem aquela comitiva e o imperador junto com eles e abre as muralhas da cidade. Lá dentro, eles são recebidos pelo Mestre dos Soldados Flávio Orestes. Ele vê seu filho e corre até ele o abraçando. Janus Petronius estava ao seu lado e cumprimenta Marcius.

—Marcius. Você foi sucedido no final das contas. Trouxe meu filho são e salvo das garras daqueles alamanos nojentos! E quem são estes?

—Estes são meus novos amigos, Orestes. Aurel, a alamana, Arcmênidas, o espartano, Gunnar, o dinamarquês, Arthanna, a bretã e Kawada, o oriental. E é uma honra finalmente poder conhecê-lo.

—Marcius, ouvi falar muito bem de você. O comandante invicto por dez anos. Estou confiante que se juntará à minha corte com ansiedade e me ajudará a reerguer este império e se livrar da influência dos bárbaros nele. Mas largar um exército romano para se juntar a guerreiros estrangeiros? Acho questionáveis suas decisões.

—Agora não é hora para isto, Orestes. A situação é grave e temos muito o que discutir.

—Claro. Vamos entrando. -Em um banquete da corte no palácio mais tarde, estavam todos conversando, quando Orestes, feliz e bêbado começa a falar em voz alta para sua corte:

—Pessoal, este homem aqui, Marcius Aquilius, é o maior general que vocês algum dia conhecerão. Deixem-me contar-lhes histórias que já ouvi sobre ele do passado: Como na vez que ele usou um exército de turígios como aliados para destroçar um grupo de alamanos que pilhava o norte da Nórica. Depois que ele destroçou os alamanos, os turíngios pediram sua recompensa pela ajuda e sabem o que Marcius fez? Ha ha! Ele lhes negou as recompensas e esmagou a rebelião de turíngios que se seguiu!

—Orestes! Por favor! Agora não é hora para falar disso... -Fala Marcius embaraçado.

—Pobre Marcius. Sempre modesto em relação aos seus grandiosos feitos. E tem mais! Teve uma vez quando ele conquistou a cidade de Narbone dos Visigodos e, como termo de paz, em troca da cidade de volta, eles concordaram em pagar 100.000 denários e entregar 35 reféns nobres visigodos!

A corte vibra com aquelas histórias. Marcius percebe que Aurel parece desconfortável ao ouvir aquilo.

—Por favor Orestes! Eu não pedi para você falar do meu passado aqui.

—São gloriosos feitos, Marcius! Devia estar orgulhoso! Vamos beba um pouco de vinho. -Orestes olha para os músicos do palácio enquanto Marcius bebe. -Gostou da música? São menestréis burgúndios cantando as músicas de suas tradições. Ouvi dizer que são ótimos poetas. -Fala Orestes se referindo ao grupo de músicos que tocavam a música ambiente do palácio.

—Impressionante. Agora, gostaria de falar sobre o pagamento dos meus companheiros, em particular do espartano. -Fala Marcius. -Eu prometi a ele 10.000 denários se ele ajudasse em minha missão e ele perdeu três bons homens me ajudando.

—Hum. Pode ser providenciado. É óbvio que Ravenna não possui tantos tesouros quanto Constantinopla, mas é uma quantia aceitável a se pagar. -Orestes fala abocanhando uma coxa de galinha. -Apesar de eu achar que você seria a última pessoa a formar uma equipe formada apenas por estrangeiros. O que os outros demandam?

—O apropriado seria um pequeno pagamento a cada um. Mas entenda que eles não estão nisso pelo dinheiro.

—E pelo que eles estão nisso então? Tudo bem. Antes pagar a cinco mercenários do que a seis mil como teria que fazer se tivesse reunido um exército.

—Exato.

—E acredito que agora que está com sua virtude restaurada, aceitará voltar ao alto cargo que você ocupava antes?

—Sim, eu o aceitarei.

—Não gostaria de falar sobre isto com você, mas agora que está diante de mim, preciso que me relate com detalhes quais foram as tropas que você perdeu.

—Bem, a cavalaria era composta de 600 visigodos e 900 burgúndios. A artilharia por 1200 francos e uns 500 visigodos. A infantaria era composta por 400 francos, 300 bascos. O restante eram homens de origem romana.

—Que lástima. Era um exército com muitos romanos.

—Sim, ou seja, muito leal e nós o perdemos. E três fortalezas pelo norte ficaram vazias.

—Não se preocupe. Há alguns dias eu mandei recrutarem um novo exército de tropas auxiliares. Eles chegarão as portas de Ravenna até amanhã. Posso pô-los sob seu comando se desejar.

—Agradeço a gentileza, Orestes. Mas agora a parte mais séria dos assuntos: Quando eu voltei da Alamania, passei por uma cidade que havia sido completamente arrasada pelos Hérulos.

—Por Deus! Odoacro!

—Exato. Por sorte a ameaça dos alamanos foi completamente neutralizada por hora, já que fizeram um trato de paz comigo e me juraram lealdade.

—O quê? Até isto você conseguiu? Você é uma bênção mesmo, meu caro!

—É. Mas o Odoacro é uma ameaça mais perigosa. Como disse, eles...

—Eu entendi. Eles arrasaram uma cidade inteira. Eu sei. Assim como muitas outras que ele já fez antes.

—É claro que ele está tentando provocá-lo para sair de Ravenna e lutar contra ele para derrotá-lo.

—Sim. Mas eu não farei isto.

—O quê?! Você precisa! O deixará arrasar a Itália inteira? Quantos civis inocentes terão que morrer para você entender que precisa derrotá-lo?

—Os exércitos de Odoacro são muito mais poderosos. Meus homens não são páreo para ele.

—Então deixe-me chamar os exércitos alamanos ou gépidas. Eu estabeleci boas relações com eles.

—Não, de forma nenhuma. Chamar mais exércitos bárbaros para lutarem nossas guerras por nós? Para eles exigirem o que em troca? Mais terras romanas para controlar e popular? Temos que perder nossa dependência nos exércitos bárbaros e venho trabalhando nisto. Você é um excelente comandante militar Marcius, mas tem de pensar nas coisas a longo prazo.

—É por isto que não me interesso por política.

—Tudo bem. Você venceu, faremos conforme seu plano original. Sairemos e batalharemos contra Odoacro. Mas só porque você está do nosso lado. Com você podemos vencer isto.

—Finalmente! -Fala Marcius.

—Mas temos mais coisas sobre o que conversar, venha, tem de ser a sós. -Orestes fala se levantando.

Marcius se levanta também. Aurel estava ao seu lado olha confusa e desconfiada para ele. E ele faz um sinal com a cabeça de que estava tudo bem. Chegando numa parte mais longe do palácio, Orestes começa antes de beber um gole de sua taça de vinho.

—Marcius, se nós dois fôssemos qualquer outro tipo de homens, veríamos um ao outro como rivais. Você é muito habilidoso e de fato ocupa a segunda posição mais importante no Império Ocidental depois da minha é claro. No entanto, só por uma dádiva de Deus, você não é um homem ganancioso.

—Tem razão. É difícil estar em uma posição como a minha neste império nos dias de hoje e não ser um homem de moral questionável. -Completa Marcius.

—Exatamente. E eu? Eu vejo qualquer outra pessoa que esteja mais interessada em restaurar a glória de Roma do que em poder próprio como um aliado para vida toda. E após derrotarmos Odoacro, devemos trabalhar para nos livrarmos da influência bárbara de dentro do Império e por fim, reconquistarmos todas as terras que eles nos tomaram.

—Eu temo que concorde com você, Orestes. Devemos a todo os custo evitar de perdermos as rédeas do Império e deixar um bárbaro subir ao poder novamente, como aconteceu tantas vezes, em especial com Ricimero.

—Sim. A ascenção de Ricimero a Mestre dos Soldados foi um dos piores infortúnios para Roma dos últimos tempos. Lembra-se de seu tempo no poder?

—Como eu poderia me esquecer? Foi o próprio quem me deu o título de Mestre dos Soldados das Províncias Imperiais. Um título que ele criou especialmente para mim e para me manter ocupado no norte enquanto ele arruinava o Império.

—Ele era um maldito bárbaro que governou o Império apenas em interesses próprios!

—Sim. Sabotou a maior operação de ataque ao Reino Vândalo já organizada, há oito anos, e fez os romanos perderem a batalha, apenas por inveja do imperador Antêmio e de seu poder e autoridade. Ele fez com que o maior exército já reunido pelos romanos em um século fosse dizimado e com que os vândalos continuassem controlando a África. Foi um duro golpe tanto para o Império Ocidental quando para o Oriental. Ele também fez com que eu ficasse de fora da batalha. Foi neste ano que ele me deu meu título, o que me concedeu controle dos exércitos da Nórica, da Récia, da Dalmácia e da Gália Narbonense e assim, eu parti para o norte. Não sei como pude ser tão cego pelo poder que eu havia recebido.

—Não se preocupe, Marcius. Você também mereceu seu título. E se não fosse por você, os bárbaros teriam invadido o império naquele ano. Soube até que recusou que moedas com seu rosto fossem cunhadas em Medialonum e Arles quando ele lhe ofereceu.

—Eu nunca aceitaria nada vindo dele.

—De qualquer forma, trabalho duro para evitar que outro bárbaro como Ricimero tome o poder de Roma.

—E eu também fala Marcius.

—Por isto que temos de começar logo a revidar. Nossa economia está fraca, e nosso recebimento de impostos e circulação de moedas de ouro estão a uma taxa baixíssima. Saquear cidades e vilarejos bárbaros nos ajudará a recuperar a economia. E a primeira tribo que atacaremos será a dos alamanos ao norte!

—Eu... eu creio que deva discordar de você nesta decisão, Orestes! Não deveríamos atacar a tribo dos alamanos.

—O quê? Como se atreve a dizer isto? Não quer vingança pelo que essa raça hedionda fez aos seu exército e por todas as vezes que eles ousaram atacar território romano? O Aquilius de quem eu ouvi falar jamais pensaria desta forma.

—Bem, talvez eu não seja aquele homem mais!

—A por favo... espere! Não me diga que você está dizendo isto por causa daquela mulher que estava com você? Aquela alamana?

—O quê? Não!

—Você está gostando da alamana não está? Por isto não quer atacar o povo dela!

—Claro que não, Orestes! Eu só estou dizendo isto porque consegui estabelecer boas relações com eles em minha aventura. Além de muitas outras tribos do oriente. Se quer começar atacando, pense em alguma que tribo que...

—Você gosta da alamana sim, Marcius. Eu vi o jeito como vocês se olham! Como pôde? Ela é uma pagã e você é um cristão! Aqueles demônios infelizes ameaçaram matar o meu filho! Eles terão minha vingança! Vai mesmo deixar interesses políticos de lado pelo que há no meio das pernas de uma mulher pagã?

—CALE-SE, ORESTES!

—Está tudo bem aí? -Pergunta Aurel chegando lá.

—Ah, olá alamana. Talvez não seja da cultura de seu povo respeitar a privacidade de dois homens que discutem política a sós, mas sim, está tudo bem.

—Conversaremos sobre isto amanhã! -Fala Marcius.

—Vamos Aurel. Voltemos ao banquete.

—Amanhã começaremos nossos preparativos para atacar Odoacro! -Fala Orestes.

—Ora, melhor ainda. Quanto menos tempo perdermos, melhor. -Fala Marcius.

No dia seguinte um enorme número de tropas está reunido e alinhado num enorme acampamento militar no centro da cidade.

—Suas forças são magníficas, Orestes. Suponho que muitas destas tropas sejam as que eu controlava antes de abrir mão de minha função e passá-las para para seu comando. -Fala Marcius.

—Alguns são, Marcius. E logo as tropas auxiliares recém recrutadas chegarão aos portões da cidade. Orestes passa pelas tropas supervisionando-as e seus equipamentos. Um oficial aparece do lado de Orestes e fala:

—Senhor, conforme você exigiu para hoje, as tropas recém recrutadas de mil cavaleiros visigodos chegaram aos portões.

—Pois então abram os portões -Fala Orestes.

Os portões são abertos e exército visigodo entra em Ravenna. com os visigodos entrando pelos portões da cidade em grande número de cavalaria, liderados pelo seu comandante.

—Além disso, chegam aos portões, dois mil arqueiros francos que você requereu.

Os arqueiros francos então aparecem marchando logo depois para o lado da formação de infantaria, sendo liderados por seu comandante.

—Ótimo, consegui reunir um exército que atingiu as minhas expectativas. Agora podemos enfrentar Odoacro e suas tropas hérulas desertoras de igual para igual. -Fala Orestes.

Arcmênidas e os outros heróis se aproximam de Marcius que observava a situação de longe.

—Certo, qual é a nossa tarefa agora, Marcius?

—Somos guerreiros inigualáveis, nós seis. Nossa tarefa será treinar o exército que o Orestes reuniu.

Logo Orestes chega até eles.

—Na verdade, meus amigos, esta não será a missão de vocês.

—Do que está falando? -Pergunta Marcius.

—Vocês são bons demais para uma tarefa tão simples. Preciso que venham comigo realizar outra missão fora de Ravenna. Vamos com um grupo de batedores tentar descobrir onde Odoacro está. E sorrateiramente assassiná-lo. É o melhor a se fazer antes de arriscar por um exército nosso contra o dele.

—Mas e quem ficará para treinar os exércitos?

—Não se preocupe. Meu irmão se encarregará de treinar as tropas, assim como ser o guarda-costas do Imperador Rômulo, em caso de Odoacro ser covarde e tentar atacar Ravenna pelas nossas costas. Mas se formos bem-sucedidos, em nossa missão, isto não acontecerá.

—Parece que será uma missão divertida. -Fala Arthanna.

—Vamos nessa. Orestes se despede de seu filho Rômulo, seu irmão e de Janus Petronius. Assim, os sete saem da cidade a cavalo com mais três batedores. Alguns dias depois, eles se encontram em um acampamento perto do pôr do sol.

—Estou surpreso que você tenha conseguido contratar tantos mercenários alemães mesmo não gostando deles nem querendo contar com seu auxílio. -Fala Marcius para Orestes.

—Não é assim como você pensa, Marcius. Os exércitos que contratei não foram concedidos pelos seus reis em troca de algum favor vindo do Império de Roma. São guerreiros independentes que se alistaram por vontade própria. Mas se pensa que concederei a qualquer um deles posições de destaque ou qualquer magistratura romana, está enganado. Não serei como meus antecessores.

Logo chegam os batedores depois de três dias fora.

—Meu senhor. Ouvimos rumores de Odoacro estar nos arredores de Pávia, com um pequeno contingente de seu exército, acampando e repousando. Se conseguirmos chegar até ele neste momento de fragilidade, será possível realizar seu assassinato. -Excelente. Então vamos! Assim eles começam a desfazer seu acampamento e rumar para Pavia.

—E então? Como realizaremos o assassinato de Odoacro? -Pergunta Aurel.

—Acredito que teremos que escolher primeiro, o melhor entre nós para realizar isto. -Fala Marcius.

—E os melhores entre nós são Arthanna e Kawada.

—Por que acredita nisto? -Pergunta Arthanna.

—Bem, porque você, Arthanna, é ágil e precisa. Assim como Kawada, como pude perceber. Eu fui treinado para combater no campo de batalha. E Aurel e Gunnar, bem, são muito brutos.

—Eu discordaria de você, Marcius, mas é verdade. -Fala Aurel.

—Certo, mas é preciso decidir quem será o assassino. -Fala Arthanna.

—Hum... Kawada é extremamente letal de perto e você de longe. -Fala Aurel.

—Por que não escolhem os dois então? -Fala Orestes por fim.

—Certo. Pode funcionar.

—Eu não aceito este papel sem hesitações, visto que se infiltrar nas sobras e assassinar os inimigos pelas costas não são feitos de um guerreiro samurai como eu, um guerreiro honrado. Isto é serviço dos traiçoeiros como os ninjas. Mas considerando que é em favor da sua causa esta tarefa, não tenho escolha se não aceitar. -Fala Kawada.

—Ótimo. -Fala Marcius.

No meio da noite, eles avistam as muralhas de Pávia. E uma pequena luz a alguma distância.

—Certo. Aquela luz provavelmente é proveniente da fogueira do acampamento de Odoacro.

—E se for uma armadilha e os batedores do Odoacro nos viram chegando?

—Eles não viram. Viemos por uma estrada secundária provavelmente desconhecida de seu exército que pertence às terras de um senador muito próximo de minha família. -Fala Marcius.

—Certo... -Fala Aurel.

—Muito bem. Vamos nessa. -Fala Arthanna para Kawada.

Assim eles partem sorrateiramente.

—E então, oriental, já aprendeu o suficiente de latim para que possamos nos comunicar? -Sussurra Arthanna.

—Creio que sim, minha cara amiga. Marcius me ensinou muito em nosso tempo livre. E creio que já esteja apto a me comunicar com vocês sem problemas.

—Excelente. Pois precisaremos nos comunicar. Eis o plano que precisamos realizar: -Eles param e se agacham em uma pequena colina próxima ao acampamento de Odoacro. -Há uma pequena árvore perto do acampamento dele. Eu subirei nela e atirarei com meu arco nos guardas de longe. Você cortará eles de perto e, tudo isto, sem que façamos barulhos ou o acordaremos. Você se dirige até sua barraca e tira sua vida.

—Eu entendi.

—Certo então vamos.

Eles chegam e Arthanna sobe na árvore. Havia dois guardas germânicos guardando a entrada do acampamento parados enquanto um o rondava. Kawada, sem sua armadura e apenas trajando um kimono, se aproximava pela relva alta agachado, enquanto corria muito rápido, quase como se flutuasse. Ele vai se aproximando do guarda que rondava o acampamento e corta sua cabeça silenciosamente com um golpe de sua kitana. Os guardas na frente da entrada do acampamento ouvem algo estranho e um deles resolve ver o que é. Enquanto ele se aproximava e estava de costas para seu companheiro, Arthanna dispara uma flecha que atinge a garganta do que havia ficado na entrada, que cai no chão imediatamente. O outro guarda sem perceber aquilo, se aproxima de Kawada, e o avista, mas o japonês corre em sua direção e ele se defende com sua lança, o que é inútil, pois a lâmina do herói a atravessa e corta seu peito. Ele logo adentra o acampamento, e se infiltra, matando os guardas e escondendo seus corpos. Ele se aproxima do centro do acampamento e com isso, da sua fogueira, onde era mais visível. Ele então se esconde atrás de uma barraca, onde ficava imperceptível e avista vários guerreiros conversando, bebendo e rindo no centro do acampamento. Enquanto isto, o restante dos nossos heróis estava descansando em seu próprio acampamento, longe da estrada, quando Arcmênidas olha para a estrada e se depara com uma coisa, e vai avisar a Marcius.

—Marcius. Tenho más notícias.

—E o que é?

—Acabo de avistar na estrada principal um enorme exército de hérulos indo em direção do acampamento de Odoacro, onde enviamos Arthanna e Kawada. Quando eles chegarem lá, nossos amigos não terão a menor chance de matar Odoacro, ou de sobreviver. Gostaria de ressaltar que Odoacro está com eles. Temos que avisá-los.

—O quê? Maldição!!!

—Fala Marcius. Ele vai andando rapidamente até onde Orestes e seus batedores estavam.

—Marcius? E então? Seus companheiros foram bem-sucedidos em sua missão e no assassinato? -Ele pergunta espantado. -Pelo seu semblante, algo muito ruim parece ter ocorrido.

—E aconteceu! Seus homens nos passaram a inteligência errada, Orestes! Eles disseram que Odoacro estava vulnerável em seu acampamento e nós viemos aqui acreditando nisto. Mas eles falharam em ver seu exército nas redondezas e agora este está rumando em direção ao acampamento. Na verdade, Odoacro não está nem no acampamento, mas sim com seu exército. E nós mandamos nossos companheiros para uma lá! Os mandamos para uma armadilha!

—O quê? Mas isto é horrível! Precisamos fazer alguma coisa!

—Sim, precisamos. -Ele fala sacando sua longa espada e andando em direção aos batedores de Orestes.

—Não Marcius! Não faça isto! -Grita Orestes.

—E por que não?

—Eles são meus homens e não permitirei que eles sejam punidos por este erro. Erros são cometidos por todos. Além disto sou seu superior. Use sua raiva matar Odoacro ou salvar seus amigos em vez disso.

—Pois bem. -Fala Marcius.

Ele chama seus três companheiros que estavam em seu acampamento e eles partem sozinhos. Enquanto isto, Arthanna avista os guerreiros bárbaros se aproximando do acampamento, da copa de sua árvore e fica apavorada. Dentro do acampamento. Kawada apanha um balde de água e o joga na fogueira, apagando o fogo. Os guerreiros germânicos ficam apavorados com aquilo e sacam suas espadas. Como um vulto veloz, Kawada surge na escuridão e acerta golpes precisos nos inimigos sem que eles pudessem reagir e eles caem no chão em silêncio. Sobram apenas três que lutam contra Kawada na escuridão. As espadas se chocam e criam faíscas que iluminam a batalha momentaneamente, enquanto Kawada luta contra os três oponentes ao mesmo tempo. Enquanto isso, Arthanna decide disparar flechas na fila de guerreiros do exército bárbaro, matando alguns. Eles ficam em pânico, mas logo, avistam a árvore de onde vinham as flechas e correm até ela. Arthanna desce dela e corre deles, em direção a um rio. Arqueiros montados vão em direção a ela enquanto ela desvia das flechas. Ela atira e acerta um cavaleiro que cai no chão bem na hora que seu cavalo chega e ela e ela monta, fugindo do restante. Enquanto isso, o resto do exército inimigo chega no acampamento, assim que Kawada termina de matar todos os hérulos. O samurai vê aquilo e se espanta, mas bem na hora, os seus companheiros chegam ao seu lado com tochas nas mãos e sobre cavalos. -Vamos Kawada! -Fala Marcius. Ele sobe em um cavalo e fogem do acampamento. Quando estão longe dele e da infantaria de Odoacro, ainda eram seguidos por seus cavaleiros. Arthanna aparece por trás deles, matando-os com flechas em suas costas e matando-os, antes de se juntar aos seus amigos. Eles correm em direção ao seu acampamento, onde se deparam com Orestes com o acampamento recolhido e pronto para partir de cavalo. Eles então se juntam.

—O que faremos agora? -Pergunta Arcmênidas.

—Só há uma coisa a se fazer. Devemos nos abrigar dentro dos muros de Pávia. Assim, eles partem desesperado em direção aos muros de Pávia. Suas vidas dependiam de conseguirem entrar na cidade.