Alguns meses antes: Julius Nepos estava sentado comendo uvas em seu trono no palácio Imperial de Salona, na Dalmácia, quando um mensageiro entra no salão e fala:

—Meu césar, declaro a visita do general Odoacro, rei dos Hérulos e antigo conde doméstico do Império Romano.

—Mande-o entrar. -Fala Nepos.

Logo, as portas se abrem, com Odoacro passando por elas, acompanhado de alguns de seus guerreiros, ao seu lado. Os guarda-costas ao lado de Nepos ficam em guarda.

—Não se preocupe, Imperador Nepos. Nossas armas foram removidas antes de entrarmos no salão. Isto não é um pedido seu?

—Pois bem. Aproxime-se de uma vez, general Odoacro e diga o que quer. Odoacro vai até perante o trono e se ajoelha.

—Oh, meu césar, fico feliz em poder vê-lo.

—Poupe-me deste fingimento, Odoacro. Foi você e seus homens quem me depuseram na Itália. E agora você vem a mim se ajoelhando como um servo. Haha. Deliciosa ironia.

—O motivo de eu estar aqui é sério, meu imperador. Como você bem sabe, eu servi o traidor Flávio Orestes em sua batalha contra o senhor, para que ele se tornasse o governante do Império de Roma e instalasse seu filho como augusto.

—Sim, eu sei. E sei que ele traiu você também. Agora ele governa a Itália como um renegado.

—Sim, ele traiu. Eu só lutei contra o senhor porque Orestes me prometeu um terço da Itália para governar se ele vencesse. Qualquer um teria aceitado isto em meu lugar. Mas assim que nós expulsamos você da Itália, ele me traiu, me negou as terras e não só isto como também me exonerou de meu cargo de conde.

—Agora, então, imagino que você tenha entendido que não pode confiar naquele verme indecente e esteja arrependido.

—Sim, meu césar. E foi exatamente por isto que eu vim fazer uma aliança com o senhor.

—Uma aliança comigo?

—Sim, naturalmente, seria o mais óbvio a se fazer. Orestes é um inimigo de nós dois. No passado, posso ter posto meu exército contra o seu, mas agora, eu o ofereço ao senhor e me prontifico a remover Orestes e seu filho do comando da Itália e lhe restaurar ao trono.

—Hum. E o que você quer em troca?

—Não muito. Apenas o título de Mestre dos Soldados, um pequeno pagamento imediato a mim e meus homens e as terras na Itália a mim negadas. É um preço pequeno a se pagar, para ter seu lugar de direito como augusto do Ocidente restaurado, acredito, meu senhor. Você tem o reconhecimento da Dalmácia e do Império do Oriente como legítimo imperador romano. Agora só lhe resta reivindicar este direito.

—Sim, é um preço pequeno a se pagar, Odoacro. Se for para eu restaurar meu trono na Itália, você pode ter as terras que quiser.

Com isto, Julius Nepos se levanta de seu trono, desce as escadas entre ele e Odoacro e aperta sua mão como selo do acordo.

—Nosso negócio será muito proveitoso, Odoacro.

—Digo o mesmo, Nepos. -Ele responde com um sorriso. -Tenho certeza de que não me trairá como Orestes o fez.

De volta aos eventos atuais:O enorme exército hérulo de Odoacro sitiava a cidade de Pávia, onde Orestes e seus aliados, nosso heróis, se refugiavam. Em uma torre na muralha da cidade, Marcius, ao lado de seus companheiros e Orestes, observam.

—O que faremos, Marcius? A cidade está prestes a cair. Pávia não possui um grande exército. Nada irá se opor a Odoacro.

—Nada, Orestes. Não há o que fazer. A única alternativa é fugir da cidade e tentar retornar a Ravenna, onde nosso exército nos espera.

—Podemos fazer melhor. -Fala Aurel.

—Mandarmos um mensageiro disfarçado para Ravenna, para que o seu exército venha a nosso auxílio.

—Sim, seria menos arriscado. -Completa Marcius. -Precisamos rezar para que as muralhas aguentem até lá.

—Por falar em rezar, preciso ir ver um velho amigo agora. -Fala Orestes. Venham, serão meus guarda-costas. -Fala Orestes para nossos heróis.

Em uma igreja próxima, algum tempo depois, Orestes entra. Um homem lá dentro, estava rezando curvado para uma estátua de Cristo da cruz, no altar da igreja vazia. Ele se vira para a porta.

—Ahh! Meu grande amigo Orestes!

—Olá, bispo Epifanius. É uma grande honra vê-lo novamente.

—Digo o mesmo, pena que tenha de ser nestas terríveis circunstâncias. Os exércitos de Odoacro á frente de nossas muralhas, prontos para atacar e destruir minha querida cidade. Não vejo melhor forma de pedir por ajuda se não em rezar a Deus a cada minuto.

—Já mandamos mensageiros a Ravenna para pedirem por reforços. Sua cidade não cairá, bispo. -Fala Orestes.

—Que duro golpe seria para todos nós se isto acontecesse.

—Se quer minha opinião sincera, não creio que os muros segurarão os bárbaros muito tempo, quanto mais, até a ajuda chegar. -Fala Marcius.

—Por Deus! As forças militares de Pávia são muito pequenas, não temos a menor chance de resistir. Eu, como bispo de Pávia e líder desta cidade, não suportarei vê-la caindo para estes bárbaros de fé ariana! -Fala Epifanius pondo a mão no rosto.

Logo, os portões colapsam e Odoacro e seu exército entram na cidade. Eles destroem tudo em seu caminho, derrubando estátuas, casas, saqueando igrejas, destruindo centros de comércio e massacrando a população.

—É, parece que a cidade não aguentou nada. -Fala Arthanna com acidez.

—Por Deus e tudo o que é mais sagrado! Eles entraram! -Fala o bispo, olhando o caos e a matança pelas portas da sua igreja.

—Meu caro Orestes, creio que eu não possa mais oferecer-lhe refúgio na minha cidade. Aconselho que fuja para outro lugar.

—Certo! Mas obrigado, bispo Epifanius! Logo eles são interrompidos quando guerreiros germânicos entram na igreja, saqueando tudo lá dentro e roubando todos os objetos de ouro. Odoacro entra logo em seguida, com sua espada na mão. Ele era altíssimo, com uma armadura peitoral de ferro, longos cabelos e barba loiros acastanhados, um capacete com pequenas asas em cada lado e uma proteção nasal. Uma capa de pele e mangas e saiote de cotas de malha, além de uma calça de pele e botas que iam até abaixo do joelho.

—Ahh, veja quem eu encontrei aqui! Se não é o meu antigo patrão, Orestes.

—Odoacro, seu bárbaro ariano infeliz!

—Já chega. Finalmente eu cheguei até você e agora, você morrerá como um rato pelas suas inúmeras traições.

—Eu não tenho medo de você.

—Não? Então porque você se escondeu atrás dos muros de Pávia?

—Estou sem meu exército. Se não eu o destroçaria.

—Há há! Eu estaria surpreso se você ainda tivesse algum exército sobrando. O que você tinha fora a lealdade de meu exército? Alguns regimentos romanos? Ridículo Agora renda-se e talvez eu não mate a você e ao seu filho.

—Meu exército é o suficiente para levar você para as profundezas do inferno. E como ousa ameaçar meu filho?

—Ele não é o Imperador de Roma nem aqui, nem em lugar nenhum. -Ele tem a legitimidade do Senado romano e do Papa! Não tem o direito de depô-lo.

—Eu irei depô-lo assim como irei matá-lo e o mesmo acontecerá com você!

—Tudo isto você faz por Julius Nepos não é? Aquele pobre ingênuo. Ele já sabe que você irá traí-lo?

—Eu não tenho nenhuma intenção de traí-lo, Orestes. Ele me prometeu terras e o título de Mestre dos Soldados. Terras que você me negou antes de me remover de minha magistratura, ou não está lembrado? -Sim, eu fiz isto pois o conheço, Odoacro. Já foste aliado de Ricimero e dos Hunos no passado e sei que não é confiável. Por isto que fiz o que fiz. Eu o traí antes que você me traísse. E Julius Nepos era um cego. Um imperador que estava disposto a vender as terras da Itália para bárbaros em troca de poder pessoal. Um homem sem visão e ingênuo. Assim como ele não vê que você é uma cobra traiçoeira que irá apunhalá-lo pelas costas assim que tiver a chance, ele não viu que suas inúmeras antigas alianças com bárbaros iriam levar o Império do Oeste à sua desintegração total! Eu tive que depô-lo.

—Diga o que quiser, Orestes. Nada salvará sua vida, agora.

—A não ser nós. -Fala Marcius, com seus companheiros ao seu lado.

—Vocês vão mesmo arriscar suas vidas por um homem como Orestes? -Pergunta Odoacro.

—Orestes está longe de ser o homem mais virtuoso do mundo. Mas se destruir você e seu exército de mercenários for a única forma de impedir que um bárbaro tome controle da última porção de territórios do Império Romano do Ocidente, eu farei isto mais do que feliz!

Nossos seis heróis começam a investir em direção aos homens de Odoacro dentro daquela igreja. Aurel com seus dois machados pula em cima de um bárbaro, cravando-os em seus ombros. Arcmênidas destrói todos os inimigos que encontra. Jogando-os longe com seu escudo e cortando-os com sua espada espartana. Marcius saca sua espada e, com ela e seu escudo, vai em direção a Odoacro. Odoacro ataca Marcius com sua espada de duas mãos, que se protege com seu escudo oval de metal. Ele revida atacando com sua espada por cima, que Odoacro defende. Golpeia com sua espada pelo outro lado e Odoacro se defende de novo. Ele ataca Odoacro uma terceira vez com um ataque de cima para baixo, e o bárbaro se defende parando a lâmina na frente de seu rosto e ficando num empasse, por um tempo, até que ele empurra Marcius para trás.

—Vocês são os verdadeiros tolos em ajudar Orestes, meus amigos. Juntem-se a mim e juntos poderemos restaurar o verdadeiro e legítimo imperador Julius Nepos ao trono.

—Eu fui um oficial militar de alta patente por muitos anos. Eu conheço Orestes bem o suficiente para saber que suas causas são justas. E o conheço bem o suficiente também, para saber que luta apenas pelo seu próprio poder e não pelo bem de Roma.

—Então morram! Eles novamente trocam ataques com as espadas, cujas lâminas colidem em cima e embaixo. Logo eles ficam num empasse novamente e Odoacro consegue empurrar a lâmina de Marcius até o chão com a sua própria e depois, dá uma ombrada no oponente jogando-o longe.

—Posso enfrentá-lo, meu senhor? -Pergunta Kawada.

—Não se preocupe, Kawada. Ele é meu.

O samurai assente com a cabeça e corre em direção aos outros inimigos bárbaros, matando com cortes da sua espada com incrível velocidade.

—Vamos, mostre-me do que é feito, general. -Fala Odoacro.

Marcius corre até ele e o ataca com sua espada de novo. Eles colidem suas lâminas, até que Marcius consegue abrir sua guarda e acerta um golpe de seu escudo da direita para a esquerda em seu rosto, fazendo seu capacete ser arremessado de sua cabeça e deixando-o tonto. Depois ele acerta outra escudada fazendo ele voar longe e cair no chão atordoado. Marcius se aproxima para enfiar sua lâmina na garganta de Odoacro, quando um guerreiro dele se põe entre seu líder e o romano. Logo aparece Gunnar e os acerta com golpes mortíferos de sua massa. Ele vê o machado de batalha que um dos inimigos recém mortos carregava, com um cabo de mais de um metro e o pega para si.

-Veja só. Essa belezinha é bem melhor que a minha massa.

Logo Odoacro se levanta do chão e fala: -Muito bem. Está na hora de acabar com esta igreja. Vamos homens, hora de arrasar essa cidade até o chão! Os homens de Odoacro trazem massas de mais 1,70 metros de comprimento, manguais, martelos e machados de batalha e começam a atingir os pilares de concreto da igreja com eles. Enquanto isso, dois guerreiros aparecem diante de Odoacro carregando o bispo Epifânius.

—Veja o que encontramos, majestade.

—Ahh. Se não é o bispo de Pávia, Epifanius.

—Devemos matá-lo, meu senhor?

—Sim, mas não agora. Eu quero o bispo vivo, para que ele veja o que eu farei com a igreja dele.

—Você é doentio! Você está disposto a destruir a casa do Senhor na Terra e isto o levará direto ao Inferno.

—Eu não tenho medo das suas palavras, bispo. Você fiel seguidor da cega fé católica romana não exerce poder sobre mim e meus homens. Eu destruirei a sua igreja e matarei você, assim como destruirei cada igreja e matarei cada bispo que siga o Papa, quando tomar controle da Itália, e irei tomar.

—Você já vive em pecado por massacrar populações cristãs inocentes e seguir a fé herege de Arius. Se realizar este tremendo ato de barbárie que está dizendo, além de abrir mão do reino do Céu, também abrirá mão do seu reino na Terra, pois nem a população romana, nem o Senado e nem Constantinopla reconhecerão sua posição de governante e o seu sonho permanecerá para sempre um mero sonho. -Fala o Bispo Epifânio.

—Maldito seja, bispo, você está certo.

—Eu sempre estou certo, assim como estou quando digo que a heresia de Arius já foi há muito extinguida entre os romanos. Apenas vocês bárbaros insistem no erro de acreditar que Cristo, nosso senhor e salvador é meramente uma criação do Deus Pai, e não de sua própria divina e imortal essência, como foi concordado entre todos os bispos do Império no Concilio de Nicéia, sob Constantino. As chamas do inferno já possuem seu nome escrito nelas por semelhante erro.

—Silêncio! Talvez eu não vá mais destruir as igrejas de Roma quando estiver controlando a Itália, mas a sua igreja e você, ainda serão aniquilados por sua insolência perante seu futuro rei.

Odoacro levanta sua espada pronto para matar o bispo, quando Gunnar se joga em cima de dele, arrastando-o longe pelo chão. Arthanna atira flechas e mata os homens que seguravam o bispo.

—Obrigado, minha querida. Fala ele.

—De nada, vossa excelência, agora procure um lugar para se refugiar agora, antes que os bárbaros destruam a Igreja.

—Sim. -Fala o bispo, antes de sair correndo.

Enquanto isso, Odoacro acerta um soco na cara de Gunnar e se levanta, recuperando sua espada longa no chão. Gunnar pega seu machado longo e investe com toda a sua força, um golpe na direção de Odoacro. O bárbaro se defende com sua arma, mas uma enorme faísca é feita e ele é empurrado para trás por causa da força da colisão. O dinamarquês ataca mais uma vez, mas Odoacro se lança para trás desviando do golpe. Ele contra-ataca com sua espada, que o brutamontes nórdico defende com extrema facilidade. Ele joga a espada do hérulo para o lado com sua arma e gira desferindo novamente um golpe com o machado, mas Odoacro dá um pulo para trás desviando de novo.

—Vamos, pare de fugir! -Ele grita correndo para cima do hérulo pronto para atacá-lo outra vez, antes de Odoacro desviar a energia do golpe para o chão, usando a lâmina de sua espada e acertando uma joelhada na barriga de Gunnar e sair correndo.

Logo os bárbaros terminam de destruir todos os pilares na igreja e começam a destruir as paredes, enquanto alguns fogem com as riquezas e outros lutam com nossos heróis. Logo pedaços começam a cair do topo da igreja e nossos heróis percebem que ela está prestes a desabar.

—Marcus, temos que fugir daqui, a igreja está caindo sobre si! -Grita Orestes para o general romano.

—Sim, e sobre nós também. Vamos antes que seja tarde.

Enquanto eles correm, Orestes fala:

—Marcus sei que temos nossas diferenças! Mas se por acaso eu não sobreviver a hoje, quero que saiba que eu o nomeio Mestre dos Soldados para que assuma meu lugar. Cuide do meu filho, e principalmente, leve a cabo a campanha à Alamania que eu tanto sonho, conquiste e destrua aqueles bárbaros pagãos e restaure o Imperium de Roma! Promete por Deus que seguirá minha vontade?

Marcius fica hesitante e após um tempo para responder, fala:

—Eu prometo que seguirei minha consciência e farei o que é certo se isso vir a acontecer, Orestes. -Confiarei em você. -Fala Orestes.

Sem que eles percebessem, Aurel escuta a conversa deles. Logo, a igreja desaba completamente levantando uma nuvem de poeira. Em meio ao caos, Orestes vai sorrateiro até um portão escondido onde um líder da cidade o espera segurando um cavalo. O romano sobe e foge da cidade. Logo ele vê ao seu lado Aurel, Arthanna e Kawada cavalgando também.

—Vocês sobreviveram também meus amigos! Fico feliz.

—Me chame do que quiser, menos de amiga. -Fala Aurel.

—Nós conseguimos escapar dos escombros da igreja e achar cavalos também. -Fala Arthanna. -Mas não sei se os outros tiveram a mesma sorte. Deveríamos voltar e ver se eles estão bem.

—Não. Espere a poeira abaixar. Se voltarmos agora, seremos massacrados pelos bárbaros. Devemos ir ao encontro do nosso exército em Ravenna primeiro e com ele, destruir Odoacro de uma vez por todas.

—Já mandamos o mensageiro para convocar o exército para marchar até Pávia. -Fala Aurel.

—O exército já deve estar há uns três dias de Placentia. Acho que deveríamos descansar lá até eles chegarem. Podemos chegar lá ao fim do dia.

—Mas Odoacro e seu exército nos alcançarão logo se isto for verdade.

—Creio que não. Eles ficarão em Pávia por uns 2 dias ainda, para terminarem de saquear e destruir a cidade e para descansar. Placentia é uma boa localização para nós os derrotarmos.

—Pois que assim, seja. -Fala Aurel.

Enquanto isso, em Pávia, os escombros da igreja demolida, assim como os de todas as outras construções são vasculhados pelos cidadãos sobreviventes. Tropas bárbaras rodam a cidade recém conquistada pelo seu líder e rei. Odoacro bebe e se diverte com seus homens no palácio principal da cidade em comemoração à pilhagem e à destruição da mesma.

—Hoje foi um grande dia homens. Ravenna será a próxima cidade a sofrer este destino!

—Viva o nosso rei Odoacro! -Os outros urram em resposta.

—Não se esqueça vossa majestade, que mesmo que você vença, terá que entregar a Itália de volta nas mãos de Julius Nepos. -Fala Clodewald, um dos conselheiros de Odoacro. –É parte do acordo que fez com ele.

—Há há. Você me conhece, Clodewald. Desde quando eu sou um homem de cumprir acordos?

—Se não cumprir sua parte do trato, provará que Orestes estava certo. Quer mesmo isto?

—Relaxe, Clodewald. Agora está na hora de beber, não de discutir sobre guerra. Já tivemos muito disto. Mas se quer saber, Nepos é tolo. Sabia dos riscos que estava correndo ao confiar em um exército mercenário em tempos em que nem o mais honrado dos homens presta muito.

No dia seguinte, as tropas bárbaras começam a se retirar da cidade. Nem mesmo um homem fica para trás, pois cada um é necessário. De volta aos escombros da igreja, estes começam a se mover e de baixo deles, sai Marcius cansado. Algum tempo depois, uma mulher retira um pedaço de concreto que revela Arcmênidas inconsciente mas respirando. Marcius corre até ele e o acorda.

—Onde estou? -Pergunta o grego.

—Nos escombros da igreja. Lembra do que aconteceu ontem?

—Ah. É claro.

Logo, Gunnar surge debaixo de uma cadeira nos escombros.

—Puxa vida. O que aconteceu? Minha cabeça dói tanto.

—Estou muito fraco. Por quanto tempo ficamos desmaiados? -Pergunta Marcius.

—Dois dias. -Responde uma mulher ali perto que se aproxima.

—Eu estou com fome! -Fala Gunnar, que colapsa, mas é segurado pela mulher que veio ajudá-los.

—Vocês precisam de cuidados e comida. Venham até minha casa. É uma das poucas que não foram destruídas.

—Não! Precisamos ajudar nossos amigos! -Fala Marcius.

—Não seja tolo, Marcius! Quer mesmo salvar nossos companheiros sem ter comido ou bebido nada por dois dias? Vamos! -Fala Arcmênidas.

Algum tempo depois, na casa daquela mulher plebeia, ela trás uma bandeja com pão e carne e frutas, além de uma ânfora de vinho e outra de água.

—Comam tudo que puderem e descansem. Vocês são os soldados que estavam com o bispo e seu amigo Orestes e que lutaram contra os bárbaros que destruíram nossa cidade. Merecem todo o cuidado do mundo.

—Obrigado minha senhora. -Fala Marcius.

—Olha só para nós. -Fala Arcmênidas. -Veja bem, amigo, a situação em que nos encontramos. Acabados e derrotados por bárbaros novamente. Eu podia ter simplesmente pegado meu dinheiro e estaria em uma ilha do Egeu descansando e cercado por putas agora. Mas eu escolhi ficar e lutar com você por este maldito império. Por quê?

—Você ao fazer isto, prova que acredita numa causa maior. No bem de Roma, na nossa amizade e em tudo que nossa equipe pode realizar unida.

—Há há! Eu acreditava nisso no passado. Mas você acredita nisto agora, Marcius?

—Eu preciso acreditar. Todos temos que acreditar em algo. Até você.

—Eu só acredito no dinheiro, meu amigo. Podia ter pegado aquele baú de que era meu quando o vi em Ravenna e sumido.

—Não pense assim. Se todos os homens da Terra parassem de lutar por uma causa senão apenas o dinheiro, acha estaríamos aqui? Se nossa equipe permanecer unida, temos potencial para realizar grandes coisas, inclusive ganhar mais dinheiro do que você possa imaginar.

—Eu estou nessa pelo dinheiro. Foi o que foi prometido a mim e meus companheiros quando saímos da minha terra no Norte. -Fala Gunnar. -Dinheiro e glória. E até agora, não vi o dinheiro.

—Não sei nem por que você está conosco, bárbaro. -Fala Arcmênidas. -Subimos até as terras geladas onde você vivia por uma profecia de que um exército de vocês nos ajudaria a derrotar os hunos, mas se soubéssemos que sairíamos de lá com apenas mais vinte homens, nunca teríamos ido.

—Teriam me feito um favor, grego.

—Já chega! Gunnar e seus homens nos ajudaram muito na luta contra os hunos e nós vencemos. Não temos que discutir isto agora. Mas se querem seu dinheiro, temos que voltar para Ravenna. Depois disto se quiserem ir embora e não me ajudar a derrotar Odoacro, vocês quem sabem. Mas saibam que enquanto cada um de nós seis se dedicar a lutar pela causa dos outros, podemos ganhar muito.

—Para de falar um pouco, cara. Eu tô com dor de cabeça. -Fala Arc.

—Que seja. Mas até o pôr do sol, devemos ter partido daqui e estar a caminho de Ravenna.

No final do dia quando nossos heróis estão melhores, eles se despedem e agradecem a mulher que os ajudou, voltam até os escombros da igreja, recuperam todas as suas armas e partem. Enquanto isso, o exército de Ravenna chega até Placentia. Orestes se encontra com eles. Liderando o Exército, estava o irmão de Orestes, Paulo. -Olá irmão. Recebemos sua mensagem pedindo ajuda e viemos mais rápido que pudemos. O que houve em Pavia? -Apenas absoluta tragédia, meu irmão. Odoacro destruiu a cidade. Este exército é a única coisa garante que ele não triunfará e que meu filho continuará como Imperador. Por falar no Rômulo, como ele está? Eu o encarreguei de cuidar dele.

—Nosso amigo Janus Petronius está cuidando dele irmão. Metade da corte está junto de nosso exército para tentar impedir Odoacro.

—Ótimo! Constantino, ao lado de Deus, verá esta batalha derradeira de um exército romano contra um exército bárbaro, pelo destino do império que herdamos dele e com certeza ele mandará suas graças para nos ajudar. Seja o que Deus quiser.

—Amém irmão.

Algumas horas depois, a batalha estava terminada e o vitorioso era Odoacro. Aurel, Kawada e Arthanna, embora tenham lutado não conseguem fazer muito para derrotar o exército rival. Eles, junto com o que havia sobrado do seu exército, batem em retirada, rumo a Ravenna. Orestes e seu irmão Paulo jaziam mortos no chão. Odoacro corta a cabeça de seu grande rival e a joga para seus homens.

—Homens, a Itália é nossa.

—EEEEEEEEEEEHHH!! -Grita seu exército.

Poucos dias depois, em Ravenna, os guardas das torres da cidade avistam um exército correndo em direção a eles. Era o exército romano. Ao perceberem, mandam abrir os portões e eles entram. Aurel vai direto ao palácio imperial.

—O que vai fazer Aurel? -Pergunta Arthanna?

—O que vou fazer? É só um questão de tempo até que o exército de Odoacro entre nesta cidade. Sinceramente, eu não sei por que lutei tanto tempo pela causa de Marcius. Se foi por causa de nosso tempo junto no norte, pela nossa batalha bem-sucedida contra os hunos ou por achar que a causa romana era uma causa justa, mas sinceramente, estou fora desta.

—E o que pretende fazer, minha cara? Pegar o dinheiro que o falecido Orestes lhe prometeu por deixar o imperador seguro e abandonar a cidade e o imperador nela? -Pergunta Kawada.

—É exatamente isto que eu pretendo.

—Mas isto é traição! Não é nobre nem honrado.

—Eu tenho meus próprios assuntos para me preocupar. Meu pai é o rei dos alamanos e deve estar esperando o retorno de sua filha para casa. E você Arthanna, está livre para fazer o que quer que queira. Pegue o dinheiro que lhe foi prometido fuja de volta para a Bretanha. Fizemos o que pudemos.

Kawada desembainha uma parte de sua espada, fazendo um barulho e fala:

—Não podem fazer isto. Vocês têm um compromisso. Se não com Orestes, com Marcius. Ele confia em vocês.

—Marcius está morto, espadachim. Apenas nós três sobrevivemos à queda daquela igreja.

—Você não tem certeza disso. Eu tenho uma dívida de vida com o general. Ele me salvou de meu cativeiro dos hunos e ele fez seu povo e o romano entrarem paz. Sinceramente, eu esperava mais de você.

—Isto é problema seu. Marcius era uma pessoa legal e eu lutei e derramei meu sangue pela causa dele. Mas agora tudo está perdido e se você quer lutar comigo por ser contra eu ir embora, que assim seja. -Ela fala tirando seus machados do coldre, antes de Kawada sacar sua katana completamente.

Antes de os dois darem um paço em direção ao outro, uma voz entra pelo aposento em que eles estavam, pela porta.

—O que está havendo dona Aurel? Por que você está se preparando para lutar contra Kawada. -Era o imperador Rômulo Augusto falando.

—Ah, pequeno Rômulo, não é nada.

—Olha para os olhos daquele pequeno rapaz e diga, Aurel. Diga que você irá abandoná-lo para morrer nas mãos do Odoacro enquanto você foge com um pagamento que não merece. -Fala Kawada.

—Maldição! Tudo bem Kawada, você me convenceu. O que nós faremos para salvar o imperador?

—Lutaremos por ele, até nossa última gota de sangue! -Fala o samurai.

—São todos ou só você que são malucos assim na sua terra? -Pergunta Arthanna.

Logo, Janus Petronius entra naquela sala.

—Sou o guarda costas do imperador. O que está acontecendo aqui?

—Estamos apenas discutindo se devemos lutar contra Odoacro ou fugir da cidade.

—Eu sei o que devemos fazer. Devemos comer. O jantar está pronto.

Logo, o que sobrara da corte romana, nossos três heróis, Janus e Rômulo estão comendo na grande mesa de banquete do palácio.

—Eu não sei o que está acontecendo aqui. Em vez de decidir o que fazer, estamos sentados comendo.

—Podemos discutir enquanto jantamos. Ou vocês preferem ajudar a defender as muralhas da cidade com o que sobrou do nosso exército?

—Temos que ser pragmáticos. É impensável defender a cidade contra a força enorme de Odoacro apenas com o exército que temos que não deve chegar a dois mil homens. O ideal seria abandonarmos a cidade e tentar recuperá-la algum outro dia.

—Bobagem. Orestes gostaria que ficássemos e lutássemos até a morte.

—Fala Janus.

—Orestes era um idealista tolo. -Fala Aurel.

—Como ousa falar assim de meu senhor?

—Deveríamos nos render. -Fala Arthanna. -Talvez eles sejam misericordiosos.

—Se quiserem proteger o imperador, terão que lutar contra Odoacro ou ele o matará.

—Talvez devêssemos assassinar Odoacro. -Fala Arthanna.

—Assim como tentamos da última vez.

—Era o que Orestes planejava. Como fazemos isto?

Eles escutam trombetas. Elas sinalizavam que o exército inimigo havia chegado aos portões da cidade. Sem muito tempo de cerco, Odoacro consegue entrar pelos portões da cidade e seu alvo é o palácio.

—Vocês se recusam a abandonar a cidade, mas também se recusam se render e se recusam a acreditar que nossas forças são capazes de se opor ao Odoacro. Eu estou cansada de todos vocês. -Fala Aurel indo até os corredores do palácio. -Se eu sobreviver a hoje, saiba que estou fora disso e não hesitarei em matá-lo se ficar em meu caminho de novo, Kawada.

—Guarde sua raiva para o inimigo, bárbara. -Fala Kawada, logo atrás dela.

—Pelo menos eu irei me divertir um pouco antes de morrer. -Fala Arthanna.

Do lado de fora do palácio, Odoacro fala para seus homens:

—Se virem aqueles guerreiros estrangeiros com quem lutamos em Pavia e Placentia, não os matem. Os capturem por quero fazer com que se juntem a mim.

—Sim meu senhor. -Respondem os guerreiros.

No palácio, os inimigos começam a entrar pela porta. Arthanna atira neles com seu arco e suas flechas, matando todos que atinge. Aurel lança um de seus machados em um hérulo que cai no chão. Um guerreiro que usava um martelo de batalha chega na alamana e desfere um golpe com ele que atinge o chão e Aurel dá um chute nele, depois lança seu machado na sua cabeça. Um bárbaro com um mangual chega em Kawada e lhe desfere um golpe com a arma, fazendo a corrente enrolar em sua katana, ele então, investe com a espada direto no seu peito e o atravessa. Aurel rebate o golpe do machado de um bárbaro com um dos seus e finca o outro em seu pescoço. Os bárbaros começam aparecer em grandes números e vão cercando nossos heróis, que são encurralados contra a parede e forçados a se renderem, sob ordem dos próprios homens. Algum tempo depois, estão os três acorrentados. E sendo levados a Odoacro. Outro homem leva Janus e o imperador Rômulo.

—Veja o que encontramos na sala de jantar, meu senhor. O imperador de Roma em pessoa. O palácio é seu, assim como a Itália!

—Sim. A vitória é minha!

—O que quer conosco, Odoacro? Por que não ordenou que fôssemos mortos? -Pergunta Aurel.

—Eu vi vocês em ação em Pávia. Lutaram com habilidade e bravura. Além disso, foram leais à sua causa até o fim e morreriam por ela. Poderiam realizar muito ao meu lado.

—Sim. Somos leais. Mas leais a Marcius e ao Imperador. Não a você. -Fala Aurel com desdém.

—Bem. Talvez eu não mate o imperador. Na verdade, não vou matá-lo. Mas se for o caso, conto com a lealdade de vocês.

—Diga o que quiser. Eu não me juntarei ao bastardo que matou meus amigos em Pávia, em especial Marcius. -Fala Aurel.

—Uma pena que pense assim, alamana. Deixarei vocês presos por mais tempo. Até que decidam se unir a mim.

—Ele se vira para Romulo e anda até ele. -E você é o filho de Orestes que ele fez imperador. Você é muito jovem para morrer.

—Assim como você matou meu pai? -Ele pergunta enfurecido.

—Exatamente. Seu destino será decidido em breve. Levem-no daqui. -Fala o bárbaro.

—A corte imperial, meu senhor. -Fala outro.

—Pouparei a todos que prestarem lealdade a mim no lugar de Orestes.

Todos concordam, menos Janus Petronius. Em resposta Odoacro enfia uma espada na sua barriga que sai nas suas costas.

—Seu maldito. Você pagará por isso! -Ele fala, antes de morrer.

Odoacro vai até o trono imperial e se senta nele.

—Meu senhor. Precisa agora decidir qual será o próximo passo. -Fala Clodewald. -Se irá nomear outro imperador fraco para governar o império em seu nome, talvez possa continuar sendo o próprio Rômulo Augusto, ou se chamará Julius Nepos para reocupar o trono que fora usurpado pelo homem que você matou.

—Nepos? O que Nepos fez enquanto eu sacrifiquei meus homens aqui na Itália por ele? Nada. Ficou sentado em seu trono na Dalmácia comendo e bebendo.

—Bem, ele lhe prometeu as terras na Itália que você desejasse e lhe faria mestre dos soldados.

—Exatamente, o que é quase a mesma coisa que me fazer o governante desta terra, um rei. E diga-me, Clodewald, eu já não sou seu rei? Rei dos hérulos?

—Sim, o senhor é.

—Pois agora eu ganhei um reino sobre o qual reinar.

—Então o senhor não pretende devolver o trono para Nepos? -Pergunta o conselheiro.

—Não sei qual é a surpresa, caro Clodewald. Eu lhe disse desde o início que não pretendia honrar o acordo com aquele idiota.

—Mas um governante bárbaro e ariano governando a Itália sem um imperador romano católico é impensável. É a primeira vez que isto ocorre!

—E ainda assim, eu tenho plena certeza de que ninguém irá se opor.

No dia seguinte, durante a tarde em uma praça de Ravenna, uma carroça pilotada por um antigo funcionário da corte está prestes a partir da cidade. Odoacro coloca um baú de ouro dentro dela. O antigo imperador Rômulo anda até ela vestido normalmente, sem a sua antiga roupa de imperador.

—Está tudo pronto, Rômulo Augusto. Você está livre. Eu não irei matá-lo e você poderá viver sua vida como desejar com este pequeno tesouro.

—Não está me libertando. Está me exilando. -Eu estou poupando sua vida e lhe dando uma pequena quantidade de ouro para viver. Deveria ser grato. -Fala Odoacro. Assim, a carroça parte.

—O que mais querem de mim para verem que eu sou um governante bom? Eu poupei a vida do imperador! -Fala o rei para nossos três heróis que estavam acorrentados na praça junto.

Nenhum dos três se declina às exigências de Odoacro.

—Insolentes! -Fala ele. -Darei a vocês mais uma semana.

Se ainda se recusarem, serão executados à vista de todos no centro da cidade! Na noite seguinte, Odoacro embrulha as antigas roupas púrpuras do imperador e as põe em uma caixa e a fecha.

—Clodewald. Estou enviando-o como mensageiro à Dalmácia para transmitir uma mensagem a Nepos.

—Certo meu senhor.

Ele se vira com a caixa das vestimentas do imperador Rômulo para um grupo de seus homens.

—Vocês serão a comissão que irá a Constantinopla com a seguinte mensagem: Diga, que eu, Odoacro, rei dos hérulos acabei de matar o usurpador que o Imperador Oriental Zenão tanto odeia e depor o seu filho que ele considera ilegítimo ao cargo de Imperador do Oeste, o qual porém, não executei. Diga a Zenão que estou passando a soberania da Itália para as mãos dele, de cuja qual apenas cuidarei da administração direta como um governador, mas que servirei como incondicional vassalo dele.

—Sim, vossa majestade. Daremos o recado.

Três dias depois, na Dalmácia:

—Desculpe, mas você é quem? -Pergunta Julius Nepos.

—Clodewald, conselheiro e braço do rei Odoacro. -Fala o germano na frente do trono do imperador.

—Certo. E o que você quer?

—Fico agradecido pela acomodação depois de minha longa viajem pelo Adrático, mas temo que não vá gostar das notícias que trago da Itália de meu rei.

—O que quer dizer com "rei"? Odoacro não é rei de coisa nenhuma.

—Bem, mas ele tem plena certeza que é. Odoacro venceu Orestes e o matou. Agora ele tem plena certeza que o controle total da Itália está em suas mãos.

—Ótima notícia, mas isto significa que, de acordo com o trato que nós firmamos, ele deve entregar o controle da Itália para mim!

—Bem, ele não está muito inclinado a entregar o poder dele sobre a Itália.

—Ele deve! Isto não está em discussão. -Ele fala descendo de seu trono e indo diante de Clodewald.

—Mas veja bem: ele acredita que você não possa fazer nada sobre isto pois as forças dele são maiores que as suas e que Zenão não desperdiçará seus homens nem seu tempo lutando em seu nome. -Ele fala pegando uma taça de vinho que estava em uma mesa ao lado e bebendo.

—Mas que traidor! Depois de tudo que eu prometi a ele, depois de tudo que abri mão.

—Sim, Nepos. Mas o que você prometeu? Prometeu o título de Mestre dos Soldados a ele que há décadas já é um título que significa o poder total sobre todo o território de Roma. Além disto, você o prometeu todas as terras na Itália que ele desejasse contanto que jurasse lealdade a você como um vassalo não? Pois bem. Devia tomar mais cuidado com o que promete. Se você voltar para a Itália agora, pouca diferença fará no trono, pois ele controla os exércitos e as terras. Não é melhor então que você fique aqui controlando as terras que você já governa diretamente.

—Mas então eu o contratei para nada! O que eu ganhei com a vitória dele? Eu governava apenas a Dalmácia antes e continuo governando apenas a Dalmácia agora.

—Não veja desta forma. Antes Orestes governava a Itália, que era hostil a você. Agora, seu aliado a governa. Seu cliente.

—E você quer que eu acredite que Odoacro seguirá se comportando apenas como um vassalo meu? Ele nunca aceitará minha soberania na prática. Você mesmo disse ele já se proclamou rei da Itália. Que tipo de aberração é esta?

—E que tem? Quantas vezes não foram reis leais ao imperador romano? E você não tem outra escolha, se não confiar nele.

—Maldito! Suma daqui. Imediatamente. Escreverei uma carta ao imperador Zenão. Isto não ficará assim. Bem que Orestes me dizia que eu confiava demais em bárbaros. -Fala Nepos, fazendo seus guardas escoltarem Clodewald para fora do palácio.

De volta à Itália alguns dias depois, Odoacro manda que nossos três heróis sejam soltos das masmorras onde eles haviam sido aprisionados e manda que os levem até a praça de Ravenna. Em uma cerimônia, Orestes é proclamado rei da Itália pelas suas tropas, após dizer.

—Ontem, o imperador Zenão respondeu à minha comissão, dizendo que eu seria o novo governador da Itália e patrício romano, enquanto reconhecendo a si mesmo e ao imperador Julius Nepos como meus suseranos. Enquanto que o apelo de Nepos ao imperador do Leste foi infrutífero e o senado romano me legitimou como seu novo governante e de toda Itália. Eu digo que já é um começo. De agora em diante, eu sou o Império Romano está acabado e eu, Odoacro sou o novo Rei da Itália.

—As suas tropas na praça de Ravenna vibram euforicamente.

—E como eu sou um líder bom e justo, tudo o que prometi a vocês, meus fiéis seguidores, será dado. As terras na Itália que vocês tanto sonharam por tantos anos, finalmente serão suas! Títulos e magistraturas romanas serão dadas aos meus melhores guerreiros!

—EEEEHHH!! -Gritam os homens de Odoacro.

—Se Marcius estivesse aqui, ele estaria corroído de desgosto. -Diz Arthanna.

—É. Parece que o Império Romano realmente está acabado.

Ele então se vira para os seus inimigos dizendo:

—Hoje é o último dia para vocês decidirem se se unem a mim ou se morrem.