Pela nossa promessa

1 Capítulo 1 - Sonhos estranhos?


Notas iniciais
Esse primeiro capítulo é um Pov da Ariel (que vocês irão conhecer logo mais) boa leitura :3

Meus pesadelos continuavam me atormentando, e isso era estranho. Unkles não tem sonhos, muito menos pesadelos. Acordei ofegante de novo, as imagens de uma mulher de cabelo vermelho continuavam bagunçada em minha mente, e pareciam mais confusas ainda quando eu dormia. Me levantei e me arrumei, de manhã era treinamento e hoje era um dia especial, então tentei esquecer tudo.

- Bom dia! — Ryan Entrou no meu quarto.
-Ryan! — Eu gritei — Já disse para não entrar no meu quarto do nada!
-Eu sei, mas hoje é diferente. — Ele sorriu
-Eu sei! Eu estou muito animada.
-Eu sei. Mas ouvi falar que estão escolhendo tropas para ir a terra.
-Disso eu não sei, como assim?
-Também não sei. Vamos logo. — Ele segurou meu braço e me puxou para fora do quarto. Fomos até a sala principal, havia várias outros Unklers, meu coração estava disparado. Hoje nós completavamos 15 anos, ou seja, poderíamos ir lutar e finalmente seríamos úteis. Mas aquilo não parecia uma festa de iniciação e sim um enterro, todos estavam sérios. Nos sentamos em uma das fileiras do meio, a sala principal era enorme, as cadeiras faziam um U ao redor de um palanque na ponta. Um clima tenso paraiva no ar, o presidente e os 7 juízes apareceram, ambos estavam sérios, se sentaram em 8 cadeiras posicionadas em cima do palanque. O general estava parado em sua posição cotidiana, com os braços cruzados e a cara fechada, eu sempre o admirei, ele era um ótimo guerreiro. A diretora de Ukleside subiu e começou a falar.

-Hoje era para ser um dia de glória, mas estamos em situações completamente inusitadas.

Ela explicou que Sprigans estavam indo em direção a terra e que lá iriam aumentar seu exército, ela também disse que quem quisesse lutar na terra assinasse uma lista, o resto iriam ficar e proteger nosso continente.

-Eu vou. — Me virei para Ryan e Falei, ele me olhou como se eu fosse uma louca.
-O que? Você nunca lutou em uma guerra! Não posso deixar você ir.
-Ah qual é! Você não é meu pai, eu quero ir.
-Não seja uma criança birrenta, Ariel.
-Eu não sou uma criança! E não sou birrenta!
-É sim!
-Não sou!
-É sim!
-Tchau Ryan. — Me virei e fui assinar a lista, eu era provavelmente a mais nova ali, mas isso não me intimidou. Ryan chegou perto de mim e suspirou. — Você não vai assinar? — Perguntei. Ele negou balançando a cabeça.
-Vou ficar aqui e proteger. Você deveria fazer o mesmo.

Revirei os olhos. Depois dessa reunião fomos todos dispensado das aulas. Passei o dia com Ryan, ele estava me treinando, mesmo sendo contra. Eu sabia lutar, passei 15 anos da minha vida lutando, eu apenas nunca estive em uma guerra.

-Acho que já chega por hoje. — Ryan sentou-se no chão. Seu cabelo preto estava muito mais escuro e despenteado e seus olhos brancos transmitiam paz. Me sentei ao lado dele, não sabia se contava sobre meus sonhos, poderia parecer muito estranho, mas sempre confiei nele.
-Sabe... Ultimamente eu tenho tido uns sonhos
-Sonhos? — Ele me encarou.
-Sim, não sei se é bem sonhos. É umas imagens na minha cabeça.
-Isso são sonhos. — Ele riu, mas voltou a ficar sério. — Você tem que falar com o Mr. brown sobre isso, Unklers não sonham.
-Eu sei... Mas...
-Mas nada, isso pode significar alguma coisa. — Ele se levantou e estendeu a mão, eu segurei ela e me levantei também. Fomos até a sala do Mr. Brown, ele lia alguma coisa enquanto alguns livros voavam ao seu redor e faziam malabares no ar voltando a prateleira.
-Mr. Brown? — Chamou Ryan.
-Diga. — Ele continuava lendo.
-Bem, é que... Você poderia olhar pra mim? Não consigo me concentrar direito.
-Sim, diga Ryan. — Ele virou-se para nós e sorriu. Mr. brown era muito sábio, seus cabelos e barbas eram brancos, ele era negro e um pouco magro, vestia uma bata grande com uns desenhos legais e um chapéu meio maluco, ele poderia ser considerado estranho se não fosse tão inteligente.
-A Ariel. — Ele apontou para mim e eu balancei minha mão sorrindo. — Ela está sonhando.
-Sonhando? — Mr. Brown me encarou, me analisou como se eu tivesse mudado desde da última vez que nos vimos (quando ele me deu um livro chamado "As maravilhas de Ukleside") — Unklers não sonham.
-Sabemos. — Disse Ryan
-Sente-se aqui, Ariel. — Ele me mostrou uma cadeira, me sentei nela e esperei que ele arrancasse minha cabeça para estudos.
-O que você tem sonhando?
-Eu não lembro direito, mas há alguns dias eu sonhei com um Sprigan, ele não parecia "malvado". — Falei — Parecia triste.
-Um Sprigan triste? — Ele colocou a mão no queixo. — Continue.
-Era como se ele fizesse algo que não queira. E Depois disso eu acordei, na noite seguinte eu sonhei com a terra, e do nada mudou para uma espada, e aí apareceu uma pessoa ou um Unkler, não sei.
-Como ele era?
-Ele tinha cabelos loiros, ele era branco e seus olhos eram azul, escuro, muito escuro.
-Você lembra de muitos detalhes.
-Na verdade, eu só lembro disso. Apareceu um anel prateado e acabou.
-Você sonhou algo mais?
-Sim, o último, hoje a noite. Eu sonhei com uma mulher de cabelo vermelho. Não lembro a cor do olho e nem da pele, mas sua voz... Eu lembro dela. Era doce, gentil. Ela dizia para eu acabar com tudo, para eu matar e libertar.
-Como foi as palavras dela, exatamente?
-"Apenas a morte acabara com tudo. Liberte aqueles. Confie na promessa" Não está exatamente como ela falou, parece que tudo está sumindo da minha mente.
-Isso não ajuda muito. — Mr. Brown disse.
-Que confuso tudo isso. — Ryan falou. Mas ele parecia meio inquieto.
-O que eu tenho? — Perguntei
-Não sei dizer, vou estudar mais sobre sonhos de Unklers. Enquanto isso, volte para o seu quarto e tente pensar em outra coisa.

Isso não seria difícil, tenho que me prepar para uma guerra. Me levantei e sai da sala do Mr. Brown junto com o Ryan. Ele ficou quieto até chegarmos no meu quarto.

-Acho melhor você ficar aqui e descansar. — Ele disse.
-Não, eu quero ir treinar. Como vou ir pra terra se eu for fraca?
-Ariel, dessa vez você não vai me convencer. Fique aí. — Ele fechou a porta do quarto. Droga, agora vou ter que ficar aqui... Entediada. Me joguei na cama e Encarei o teto. Meus braços estavam esparramados. Como seria a terra? Os humanos? Como seria a tecnologia lá?
"Ariel... Venha logo." — Ouvi uma voz ressoar pelo meu quarto, me levantei rapidamente e peguei a espada ao lado da minha cama.
-Quem está ai? — gritei — Apareça!
"Venha... Seu destino é aqui"
-Ryan?! Para com essa brincadeira, não tem graça.
Ouvi um barulho do lado de fora do meu quarto, como uma explosão. O barulho era forte, também ouvi gritos, mas a voz continuava falando tranquila.
"Não se esqueça da promessa. Nunca abandone-o"
-Promessa? — Abaxei minha espada, a voz parecia com a da em mulher dos meus sonhos. — Eu não sei do que você está falando, mas nunca esqueço uma promessa.
"Eu sei" — Ela riu — "Boa sorte, minha garota"
-Eu não sou sua! Quem é você?
"Não mate eles"
-Eles quem?
Ninguém me respondeu, guardei minha espada e suspirei. Ryan entrou no meu quarto, ele estava ofegante e tinha alguns machucados.
-Ariel! O que você está fazendo aqui ainda?
-Mas você...
-Ukleside está sendo atacada! Você não escutou nada?
-Sim, eu...
-Pegue sua espada. Vamos. — Ele disse e saiu correndo. Peguei minha espada e vi minha cama de relance, havia um bracelete em cima dela. "O que é isso?" pensei. Peguei ele e guardei no meu bolso. Sai do meu quarto o mais rápido que pude em direção ao campo principal. Springas destruíam tudo, eles quebravam os telhados com tanta facilidade, que Cheguei a pensar que fosse feito de grama. Unklers lutavam furiosamente também, o general parecia um furacão em meio a toda aquela confusão. Senti uma pontada na cintura, onde estava o bracelete. Peguei ele e coloquei no braço. Um Sprigan correu em minha direção, ele parecia feroz, mas seus olhos não. Peguei minha espada e o atingi no braço, um corte foi feito e uma gosma verde escorreu. Ele gritou, eu aproveitei a chance para cortar sua cabeça.
"NÃO!" — A voz da mulher gritou em minha mente, eu parei no pulo e cai no chão. O Springan se levantou e me jogou para o outro lado do campo.
-Droga. — Me levantei. E fui em direção a ele, acertei sua perna, mas ele me deu uma "mãozada", que me deixou tonta por um tempo. Ataquei sua perna novamente e ela se feriu, ele gritou. Ataquei em suas costas o derrubando, dessa vez eu não podia parar.
"NÃO MATE ELE!" — A mulher gritou em minha mente de novo, eu perdi a atenção e Springan se levantou.
-Cala a boca! — Eu gritei. O monstro veio para cima de mim, a única coisa que pensei no momento foi em me defenfer e que aquela mulher era irritante. Coloquei minha mão na frente do meu rosto. Não senti nada, nada me acertou. O Springan não estava mais lá. Olhei o bracelete e uma frase brilhou. "Obrigado", logo após isso apareceu o número 1, e lá ficou...
-O que foi isso? — Eu estava perplexa, o Springan estava dentro do bracelete?
-Mexa-se Ariel! — O general apareceu na minha frente, e em um golpe veloz acertou um Springan na barriga, ele se dissolveu no chão. Meu pulso ardeu. Meu braço estava ficando roxo e dormente. -O que é isso? — Ele segurou meu braço e me encarou
-N-não sei... — Falei. Ele me olhou preocupado, mas agora meu braço estava voltando ao normal novamente. Não havia quase nenhum Springan mais, apenas Unklers cansados.
-Você precisa se cuidar. — O general falou.
-Eu estou bem. — Tirei meu braço de suas mãos. — Amanhã é o dia. Eu preciso estar bem.
Ele sorriu.
-Claro. — Se virou e saiu de perto de mim. Ryan apareceu, ele estava todo machucado.
-Você está bem? — Corri até ele
-Sim, sim. — Ele sorriu — Apenas mais uma batalha.
Revirei os olhos. Não era apenas mais uma batalha.

Notas finais

Bem, espero que tenham gostado da leitura... O próximo capítulo é o pov de uma pessoa diferente C=
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.