Acordei com um leve abanão e os olhos de Ricardo observavam-me atentos.

- Bom dia...- sorriu

- Bom dia...que horas são?- perguntei ensonada

- onze da manhã...- ele continuava com um sorriso

- Ai, desculpa Ricardo, desculpa mesmo!- pulei da cama e corri para a casa-de-banho.- eu arranjo-me já num instante.

- Não tenhas pressa. Vou fazer café, alguma coisa chama.

- Ok.

Acabei por vestir um leve fato de treino e apertei o cabelo num coque. Não estava com muita cabeça para me arranjar como faço sempre, por isso...

- Desculpa. Esqueci-me de colocar o despertador para me acordar.- disse assim que avistei a figura de Ricardo ao redor da mesa da cozinha.

- Eu percebi. Não é grave...- disse com um sorriso- Café?

- sim, obrigado.

Acabamos por tomar o pequeno almoço e só depois partimos para casa dos meus avós.

- Não vai ser estranho?- perguntou a meio do caminho

- O quê?

- A neta deles aparecer lá com um rapaz...alguém sem ser o teu namorado...quer dizer, suponho que tenhas namorado...- disse atrapalhado.

- É complicado...

- Quanto?

- O suficiente...digamos que ele está de viagem, não é meu namorado mas quase. Temos de resolver essas coisas...

- Acho que estou a perceber...- sorriu

- Não stresses. Os meus avós são uns queridos, quando digo que é um amigo eles não armam confusão.

- Acredito...

- E tu e a..?

- Jéssica...

- Ah, não me disseste o nome dela antes.

- Parece que não.

- Como estais?

- Não sei bem...discutimos antes de eu vir ter contigo, está a ter demasiados ciúmes. Ciúmes escusados mas de qualquer das formas eu dei-te a minha palavra. Estamos nesta até ao fim!

- Não era preciso...tu tens a tua vida, eu entendia.

- Não interessa, agora estou aqui, não estou?- sorriu

- Estás...

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- Olá avó....- falei sem tirar o olhar de minha mãe.

- Olá...como tu estás crescida minha querida...

- Os anos também passam por mim...- sorri- e você avô, como está?

- Cansado e velho.

- Velhos são os trapos.- respondi enquanto o abraçava

- Como sabias que estava aqui?- falou a minha mãe baixo.

- Não seria muito difícil de descobrir, não achas?- respondi no mesmo tom.

- Vão ficar para almoçar?- perguntou a minha avó.

- Claro que vão!- a minha mãe respondeu ao aperceber-se de que Ricardo tinha vindo comigo.

- Parece que sim...-ele respondeu um pouco envergonhado.

- Anda...entra sem medo rapaz.- o meu avô sendo cavalheiro e sociável.- Quem é?

- Família este é o Ricardo um amigo do Leandro e recentemente um amigo meu...- sorri

- Olá.- Ricardo disse com um sorriso

- Bem vindo a nossa casa...

- brigado.

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Depois do jantar (sim, ficamos até a noite) João foi dormir e os meus avós também.

- Eu espero por ti no jipe. Adeus dona.- disse Ricardo

- Obrigado.- respondi.

- Tiveste ajuda dele não foi?- a minha mãe disse assim que ficamos as duas a sós.

- Claro. Se tu não me ajudavas eu precisei de fazer pela vida, não achas?

- Não me tires o João...eu peço-te por tudo o que te é mais sagrado.

- Diz-me porque não. Convence-me de que és uma boa mãe!

- Mary, eu sei...sei que não fui eu quem me levantava cedo e lhe dava o pequeno almoço. Eu sei que quase nunca estive presente e foram semanas, meses, talvez anos a fio com ele a ver-me apenas de noite, quando eu chegava cansada do trabalho. Eu só fazia isso para manter o meu império, o nosso império. O dinheiro não é tudo, mas já viste a nossa casa? Não seria aquilo que é se eu não desse no duro... eu tentei estar presente. Eu tentei fazer festas de aniversário mas tu já as tinhas planeado e eu sentia.me tão orgulhosa contigo a tratar do teu irmão daquele jeito. Eu sei, deveria ter-to dito mais cedo. Devia ter contado que ele era adoptado mas eu tinha medo...medo que acabasse com essa ligação que vos une...- a minha mãe disse entre choro.

- Mãe...se mo tivesses dito mais cedo...as coisas tinham sido diferentes. Não estávamos a passar por isto. Se não queres que eu to tire não me negues o direito de o ver, de brincar com ele...de estar presente no crescimento dele...

- Como farei isso?

- Deixa-o vir comigo, sei lá...alternadamente entre mim e ti. Ou então volta para casa comigo...

- Não posso voltar...

- Porque não?

- É complicado...

- Então, arranja solução.

- Posso pensar?

- Podes. Eu tenho de voltar...

- Ligo-te assim que tiver uma solução...

- Obrigado.

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- Por aqui?- perguntei a Max assim que entrei em casa e o vi sentado no sofá da sala.

- Éh...as saudades foram bastantes...

- Também tive saudades...- respondi enquanto me sentava ao seu lado

- Como foi lá com a tua mãe?

- Bastante mais agradável do que aquilo que eu estava a pensar. Acho que chegamos a um acordo.

- E como te sentes?

- Em paz comigo mesma...porque não desisti, comecei a lutar e ainda não admiti derrota.

- És uma lutadora...-ele disse com o olhar baixo.

- O que se passa?- perguntei virando a sua cara para mim.

- Sabes...eu estive a pensar. Tenho a sensação de que andas a fugir ao assunto. Mas o que queres ao certo?

- O que quero entre nós?

- Isso...

- Ora Max, acho que o mesmo do que tu.

- Então porque não damos logo esse passo?

- Acho que tenho medo de sair magoada....

- Jamais te farei magoar. Isso nunca esteve nos meus planos. Nos meus planos apenas tinha de te fazer feliz, mostrando que tu és o meu mundo e que sem ti a minha vida parece não fazer sentido nenhum...

Depois de Max se calar entre nós apenas havia silêncio. Começamos a aproximar os nossos rostos um ao outro, bem devagarinho, aproveitando a melodia do silêncio. E acabamos essa aproximação num beijo lento, desejado e quente. Através daquele beijo Max acabou com as minhas inseguranças, eu tinha a certeza que era ele que eu queria para o resto da minha vida. Era com ele que eu queria matar a solidão. Era ao lado dele que eu queria acordar depois de um pesadelo. Era ao lado dele que eu queria ser feliz, sentir-me protegida, amada...era ao seu lado que eu queria viver e envelhecer.

- Acho melhor eu ir dormir. — Max disse quando acabamos o beijo.

- Sim...porque não dormes cá?

- Acho cedo demais...- ele disse animado

- Parvo! Eu estava a falar sem perversidade...

- Pronto, está certo. Mas eu prefiro ir para casa. Amanhã volto, pode ser?

- Pode-sorri

- Mas antes de ir embora....Mary, aceitas namorar comigo?- disse um pouco sem jeito.

- Acho que por teres dito de forma fofa mereces um sim.- sorri

- Obrigado. Prometo que não te vais arrepender de me ter dado essa oportunidade.

- Vai lá dormir...- falei com um sorriso.

— Beijão. Amo-te.- respondeu Max da porta antes de sair.

É verdade...as coisas entre mim e ele tinham mudado e eu sentia-me excelente com essa mudança :)