Pegadas No Destino
2 Capítulo 2
Notas iniciais
- Obrigado por teres feito o almoço.- agradeci a Leandro quando ele entrou na cozinha.
- Ora essa. Sou mesmo um miserável e não fiz mais do que a minha obrigação...
- Sim?- Leandro não me enganava, para vir com aquela conversa ele queria alguma coisa.
- Mary, desculpa...eu não devia ter sido tão grosso durante o dia de hoje.
- O que se passa contigo? Max veio para cima de mim com uma conversa super estranha. O que se passa?- pedi
-Mary, há coisas na vida que nós não podemos controlar. Mas se queres mesmo saber o melhor é começares a saber tudo desde o ínicio.
- Okay, sou toda ouvidos.
Leandro levou-me até á sala e sentou-se ao meu lado num dos sofás presentes em frente á televisão. Colocou o som da tv mudo e começou a falar.
- Max, em tempos, já foi um grande amigo meu mas depois ouveram uns problemas e ele tentou me avisar que eu estava a fazer a coisa errada, mas eu não quis saber do que ele falava e acabei por bater de frente com aquilo que ele me dizia.
- Será que podes ser mais específico? Por favor?- pedi
- Okay...então é assim: conheci o Max numa daquelas boates que a mãe só te deixava ir se eu fosse também, lembras-te?
- Impossivel esquecer. Foi quando comecei a sair á noite.
- Exactamente. Apartir dessa noite, a noite em que eu o conheci, ficamos bastante amigos. Sabes como é, equipa de futebol em comum, gostos em comum...
- Mas depois?- falei impanciente com a sua mania de querer evitar o que ía dizer a seguir
- Um dia ele apresentou-me a namorada dele e um ou dois meses mais tarde ela disse que queria tentar alguma coisa comigo, que tinha terminado tudo com o Max e gostava de mim. Eu aceitei, acreditei , mas semanas mais tarde descobri que o que ela estava a fazer era a enfeitar-lhe a testa comigo. Contei-lhe tudo e ele terminou com ela. Mas eu não a deixei. Então eu e Max ficamos zangados um com o outro, tivemos uma discussão feia e cada um foi para seu lado.
- Mas o que é que querias dizer com: ele tentou avisar-me e...
- Ele disse que...- interrompeu-me.- disse que...ela acabaria por me fazer o mesmo e eu não acreditei.
- O problema é que ela o fez!- compreendi então aquilo tudo.
-Exactamente e...não por ela, mas sim por mim, eu hoje alistei-me no exército.
- Tu...o..quê?- perguntei em choque
-Mana, eu espero que compreendas, é aquilo que me vai fazer sentir realizado até porque há mais, mas esse mais vais ficar a saber pelo pai e pela mãe. Não serei eu a dizer-to.
- Não me digas que eles se vão divorciar...- falei olhando a televisão muda
- Não, não é nada disso. Se bem que eu acho que viveríamos bem com isso, João é que seria o mais prejudicado.
- Sim Leandro, não é nada fácil ver o pai apenas aos fins de semana, isto quando o é..
- Sim....Já viste a nossa familia? Não éramos assim até ao nascimento de João...- Leandro falou pensativo.
- O pai praticamente desapareceu de casa para se meter todos os dias naquele maldio escritório de advocacia....
- A mãe aparece á noite com dores de cabeça e já não quer saber de como foi o nosso dia...
- Deixámos de ir de férias como antes...
- E quem cuida de João és tu.- Leandro concluiu a conversa.- Mas, tu não vais sair? A que horas o Max passa cá?
- Como sabes que é com ele?- perguntei surpresa
- Conheço o Max, hoje fazem seis meses que a...enfim...fez o que fez com ele. Com certeza ele não quereria ficar sozinho, a que horas vais?
- Bem, quem diria que aquele irmão lá fora era o mesmo que este que aqui está, á minha frente? Às 4:00am ele passa aqui.
-Cala-te e vai lá preparar-te. Tens cerca de 20min até ele chegar.
- Bem visto...
-----------------------------------------------------------
Cerca de meia hora depois Max chegou e Leandro subiu até ao meu quarto para me avisar.
- Já desço!- respondi enquanto atava os atacadores.
Assim que desci dei um abraço em João, que entretanto tinha chegado do infantário, e saí para o jardim.
- Cuida-te.- Leandro disse-me entre um abraço
- Tenho a certeza que escuso de me preocupar com isso. Max vai cuidar de mim- brinquei
- vê lá o que vai fazer.- Leandro deu-me mais um abraço e depois de mais recomendações deixou-me seguir caminho com Max.
- Olá, novamente.- Max disse meio sem jeito
-Olá, como passas-te a hora de almoço?- quis saber.
- Bem. Sozinho como sempre...
- Eu lamento Max.
- O quê, Mary?- ele pareceu confuso
- Eu sei que dia é hoje na tua vida. O Leandro contou-me que se alistou no exército e que ouve uns problemas contigo, ele e uma rapariga.
- Ah...ele contou-te isso...- ele disse emitindo tristeza
- Max, prometes-me uma coisa?
- O quê?- ele parecia agora mais triste
- Não vamos falar disso. Agora que eu já sei o que o meu irmão tem...
- Não vale a pena jantar-mos, é isso que vais dizer não é?- Max interrompeu-me pondo a descoberto a sua insegurança perante mim.
- Não, não é nada disso Max.- sorri- o que eu queria dizer-te era que agora temos cerca de...- olhei para o relógio — 5 horas para nos conhecermos melhor, 1 hora ou mais para jantar e o resto da noite para curtir.- tentei animá-lo.
- Não quero que fiques na minha companhia por pena.- ele pareceu triste.
Fiquei a pensar naquilo que ele acabara de dizer por cerca de 5 min, na verdade não era pena que eu sentia. Mas eu queria mesmo conhecê-lo.! O que se estava a passar comigo? Não era normal eu ter tanto interesse numa pessoa do sexo oposto...o que quer que fosse eu queria aproveitar o momento e nada mais.
- Max...- agarrei-lhe um pulso assim que ele se levantava para sair do carro, uma vez que tinhamos chegado á nossa primeira paragem.- Por favor, não penses que estou contigo por pena. Nunca o faria. Acredita, eu quero te conhecer, és um tipo interessante...
- Juras?- Max respondeu com um sorriso malicioso.
- Idiota!
- Mau, primeiro és toda querida e depois chamas-me nomes? Que tipo de conversa é essa?- ele parecia bastante animado, um Max diferente do que estivera comigo nos úlimos 10 min.
- Anda lá. Vamos ou não passear?
Do lado de fora do carro estava uma praia magnifica á espera de mim e de Max. Daríamos um passeio e eu descobriria coisas sobre ele, e algo me dizia que íam ser interessantes.
- Sempre viveste aqui?- Max perguntou-me depois de longos minutos a andar até rota desconhecida
- Sim, desde que me lembro de ser gente...e tu?
- Não. Até aos meus 12 anos vivi com os meus pais em Manchester.
- O que aconteceu depois?
- os meus pais divorciaram-se. Até aos 14 anos vivi com o meu pai em Gloucester, mas vim morar com a minha mãe a um mês do meu 15º aniversário. Até agora.
- Lamento...- foi a única coisa que consegue dizer
Max parou e eu parei também, ambos nos víramos para o mar.
- Queres comer alguma coisa?- ele perguntou com um sorriso idiota
- Sim...vamos comer qualquer coisa.- respondi com um sorriso animado
- O que foi?
- Porquê?
- Essa animação, eu estou a tentar ser sério e parecer um amigo normal.
- Max, estás a ser, é que fazes caras tão fofas e tu nem te apercebes disso.- soltei enquanto me ria e imediatamente me arrependi.
- Também és bonita,se é isso que me estás a tentar dizer..
- Acho que sim...de um jeito estranho. — fiz uma careta que fez Max rir.- Mas vamos comer qualquer coisa?
- Vamos lá..
Continua...
Fale com o autor