Pegadas No Destino
15 Capítulo 15
Quando acordei Max já não estava ao meu lado por isso decidi levantar-me a arrumar-me para descer. João ía começar com perguntas e tudo mais e eu tinha que ser forte.
Olhei para a janela e lembrei-me que para piorar o meu dia ainda tinha de ir á reunião do João. Decidi vestir-me de forma adequada e só depois desci.
- Bom dia. Sabias que o teu irmão foi-se embora?- a minha mãe perguntou assim que entrei na cozinha, tão distraída que nem tinha dado pela presença dela.
- Bom dia. Sim, sabia...ele despediu-se de mim pela madrugada.- respondi a custo
- E estás bem com isso?
- O que é que isso interessa agora? Nunca quis saber se eu e ele estávamos bem ou não...O João?
- Max levou-o para o infantário.
- Claro, agora Max é o único com quem eu posso contar....- suspirei e virei costas.- Seja como for, tenho coisas a fazer. Vai almoçar em casa ou como todos os outros dias vai estar fora até depois do jantar?
- Lamento...
- Deixe, estou habituada!- respondi e saí de casa.
Olhei para o céu, estava sol mas o Outono já se aproximava....
- Tudo bem?- a filha dos vizinhos, perguntou.
- Tudo bem e contigo?- tentei ser simpática com um dos meus melhores sorrisos
- Tudo bem. Vemo-nos por aí...
- Xau.
(....)
Tinham-se passado duas semanas desde a ida de Leandro para o serviço militar e desde aquele dia eu nunca mais tinha visto Max. Decidi ir até ao campo de futebol onde ele costumava treinar e perguntei a um colega dele a morada e ele deu-ma de bom grado.
- Sim?- Uma senhora com cerca de 50 anos perguntou assim que a porta da casa de Max se abriu.
- Peço desculpa por incomodar. O meu nome é Mary, por acaso o Max está em casa?
- Entra querida, entra.- a senhora foi bastante amável.- O meu nome é Kristy e sou a mãe dele. O Max neste momento não está em casa, esteve uma semana na Suiça e chega hoje, por isso se quiser esperar ele não deve demorar muito..
- O que eu queria falar não é importante, por isso...- sorri
- Posso fazer-te uma pergunta que me está a aguçar a curiosidade? Sem querer ofender é claro...
- Diga.
- És a irmã mais nova daquele amigo do Max...o Leandro, estou certa?
- Sim, está certa.- continuei com o meu melhor sorriso.
- Eu soube que ele foi para o exército, como é que estás? O Max no dia em que ele foi não dormiu em casa e eu fiquei preocupada....- Kristy era bastante amável e fazia sentir-me em casa, por isso decidi abrir com ela o que eu sentia.
- Sim, eu no dia em que ele foi não queria ficar sozinha e chamei o Max para me fazer companhia....mas neste momento Kristy, é tão complicado...sinto muito a falta do meu irmão e não ter notícias dele está a matar-me... é completamente horrível!
- Eu sei o que estás a sentir. O pai do Max também fez parte do exército.- Kristy respondeu com uma gargalhada sincera.- Com o tempo acostumas-te com a falta dele, claro, sempre com saudades, mas vais ficando mais claro o quanto ele significa para ti.
|...| ficamos horas a falar sobre o exército e a dor da ausência e nem sinal de Max.
- Lamento, mas eu vou ter de ir. Tenho um irmão mais novo e tenho de ser eu a cuidar dele.
- Faz uma coisa querida, porque não vêm ambos almoçar aqui amanhã?
- Não sei se posso, não quero incomodar.
- Não incomodas nada, ora essa! Sou eu que estou a convidar. Fazemos assim, é uma surpresa para o Max. Eu sei que ele adora esse miúdo. Quando a melhor amiga dele vem cá ele não pára de falar da tua família....pode ser?
- Se é para surpreender Max eu venho. E trago o João.
- Então vemo-nos amanhã.
- Parece que sim.- respondi enquanto ela me abraçava.
- Queres que deixe recado ao Max?
- Diga só que eu vim á procura dele, por favor.- respondi enquanto Kristy me acompanhava até á porta
- Eu digo assim que ele chegar.
- Obrigado.- sorri e segui o meu caminho.
O que se passava comigo? Porque é que eu queria notícias do Max? Porque é que eu sentia a falta dele? Não sabia, mas naquele momento eu não estava interessada nisso. O aniversário do João estava prestes a acontecer e eu devia-lhe a festa do ano interior pois não tinha estado presente.
- Peço desculpa.- desculpei-me quando embati com alguém.
- Não, tudo bem, eu estava distraído.- A voz de Max chamou-me a atenção.
- Max?- perguntei espontaneamente ao mesmo tempo que me virava
- Mary? O que fazes por estes lados?- perguntou enquanto voltava para junto de mim e me abraçava apertado
- Para te ser sincera, vim á tua procura...- respondi quase em sussurro enquanto o abraçava.
- Mas está tudo bem? Passou-se alguma coisa?
- Não, está tudo bem....mas como não deste notícias durante estas duas semanas...
- Desculpa, eu tive jogo fora do país e não dei notícias a ninguém.- interrompeu.- Porque não vens jantar comigo?
- Quem sabe um dia destes?- perguntei meio triste
- O que se passa?
- O João está quase a fazer anos, não tenho nem prenda, nem festa nem nada pronto para lhe dar aquilo que ele merece.- confessei.
- Mary? Eu agora estou aqui...vou ajudar-te. Prometo, está bem?
- Está bem, obrigado.- respondi com um sorriso e finalmente quebramos o abraço.
- Foi muito bom ver-te. Queres acompanhar-me até cada ou....?
- Não, obrigado. Eu já lá estive. Conheci a tua mãe e já agora, é uma senhora muito encantadora.... e além do mais tu precisas de descansar, deves estar muito cansado.
- Não te vou mentir...estou de morrer, mesmo!
- Eu imagino...- sorri.- Vai lá descansar, eu tenho de voltar a casa.
- Diz-me só uma coisa, tens notícias do Leandro?
- Não. Tu tens?
- Sim, ele disse que te estava a tentar ligar mas estava com dificuldade. Aliás, toma.- Max levou a mão ao bolso interior do casaco e deu-me um papel.- Tenta tu ligar-lhe no horário em que está branco. Quer dizer que está livre e pode falar.
- Obrigado.- sorri
- De nada. Então, vemo-nos amanhã?
- Podes crer que sim.- sorri
- Vá, foi bom ver-te depois de estar duas semanas a ver só rapazes!- ele deu uma gargalhada
- Sinto-me agradecida então...- ri também.
- Até amanhã.- sorriu enquanto me abraçava outra vez
- Até amanhã.- sorri e deixei que ele quebrasse o abraço. Assim que terminou vi-o pegar nas malas e cada um foi para o seu lado.
O resto da tarde passou rapidamente. Eu estava a tentar abstrair a mente de João do irmão mais velho. Aquele que sempre nos protegera. Mas que fazer?
Finalmente, quando me deitei, antes de adormecer ainda ouvi a porta do meu quarto a ser aberta, mas como ninguém falou penso que foi a minha mãe a confirmar se eu estava lá. Sendo que nessas semanas ela estava diferente, mais interessada pela minha vida ou como é que eu estava...as pessoas surpreendem mesmo!
Sorri com a vida que tinha e adormeci rapidamente.
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