Assim que os meus sentidos foram chamado á realidade subi para o meu quarto para trocar de roupa tal como Leandro me tinha pedido.

E assim que desci Max estava diferente e João estava completamente animado mantendo-se indiferente ao estado tanto de Max como de Leandro.

- O que se passa?- perguntei curiosa e preocupada. Era óbvio que eles escondiam alguma coisa. Max podia ser que não, eu ainda não o conhecia assim tão bem, mas Leandro escondia de certeza.

- Nada Mary, o que se haveria de passar?- Leandro tentou mostrar-se indiferente focando apenas a televisão á sua frente.

- Leandro? Estou á espera de uma resposta que me convença...- afirmei enquanto me colocava á frente da tv para ele não fugir do assunto.

- Mary queres que eu inventa algo assim de repente? Hum...deixa-me lá pensar. O João caiu. A mãe tem um amante. O pai vem cá daqui a cinco minutos. Parecem-te boas?

- Nem por isso. Pára de me gozar e responde-me com um pouco de sinceridade...- pedi quase sufocada pela preocupação.

- Anda...- Max levou-me para a cozinha pelo braço mas sem me magoar.- Há coisas que não se devem dizer á frente de crianças...-falou depois de verificar se a porta estava bem fechada.

- O que queres dizer com isso?

- È simples Mary, o Leandro não pode dizer o que se passa á frente do João. Ele é uma criança e não ía entender...o Leandro vai por opção mas o pequeno não teve direito a escolher se o queria ver ir embora ou não...

- Estás-me a dizer que.....?

- Sim. O Leandro parte dentro de dois dias para a base militar. Lá seguirá instruções e daí a vida militar dele estará num bom caminho para começar a ganhar corda.

- Quando?- perguntei meio em choque

-Acho que o melhor é ser ele a dizer-to. Está muito breve e não devia ser eu a contar.

- É assim tão próximo?

- Sim, mais do que aquilo que tu estás a pensar...

- Okay, eu logo á noite falo com ele...

- Acho que isso é mesmo o melhor...- Max abriu a porta e desapareceu

Eu estava a ouvir bem? O Leandro estava prestes a ir embora e eu não sabia de nada? Eu tinha de descobrir o que fazer para me acalmar naquele momento.

Abri o frigorífico, olhei para a caneca de água e bebi todo o conteúdo desta.

«Pronta para ir á luta» pensei, abri a porta e segui para junto dos rapazes.