às vezes

CALUM, 11 ANOS.

Um ano.

Calum ainda não conseguia acreditar — fazia um ano que sua irmã havia morrido e ele vivia sem ela; fazia um ano que estava se afundando mais e mais na tristeza, levando todos consigo.

Às vezes Calum acordava e pensava "é hoje", mas não era. Não era hoje que ele se sentia com vontade de sair de casa, de sentir o som, o vento, a natureza ao seu redor.

Às vezes Calum acordava e girava para o lado, cobrindo a cabeça com o lençol e escondendo tudo que não queria ver, como o lado quase que imaculado da sua irmã.

Às vezes Calum queria chorar até dormir e em outras sorrir até sentir que seus lábios congelaram naquela posição, querendo que aquele fosse o dia que iria sorrir verdadeiramente.

Às vezes Calum pensava que conseguiria.

Para descobrir que não.

Hoje era um dia que Calum acordou e não pensou em nada, nada a não ser Malia, porque hoje fazia um ano e Calum não podia acreditar.

Um ano.

Um ano que sua irmã morreu.

Um ano que ele não viveu.

Um ano.

Fazia tanto tempo assim? Calum sentia como se fosse ontem e não... e não há um ano.