Notas iniciais
Sim, gente, faz tempo, então... Oi!!! Como vão? Eu vou bem, muito obrigada, talvez um pouco (razoavelmente um pouco mais do que um pouco) cheia de coisas para fazer e estudar. Eu queria terminar essa parte um (sim, ainda estamos na parte um) semana passada, mas não deu para mim e não conseguir postar, mas temos quase 12.000 mil palavras! Eu posto quase 6.000 por semana, então vocês não perderam nada - só uma semana sem uma leitura realmente boa e Caluke fofo e uma Julie sem noção (eu gosto da Julie, me culpe). Sim, bem, vamos ao capitulo! E eu aceito comentários! A. Qualquer. Momento.

não iria vim

abril, um ano atrás

—Ela não vem — anunciou Julie, num tom monótono e sem esperança, sem alegria, sem tristeza, apenas... lá, assim que o relógio soou a meia noite, dando doze badaladas, anunciando um novo dia, anunciando o dia depois do seu aniversário, anunciando o fato de que ela não iria mais vim.

Sua mãe não iria vim, percebeu Luke, sentindo-se igualmente letárgico, como se sua mente não tivesse compreendido o que sua irmã queria dizer, mas... Luke sabia que sua mãe não iria vim desde que ela se atrasou (Liz Hemmings não se atrasava!), embora, alguma parte de si, como Julie, tinha esperanças que sim. Havia alguma parte dentro de si que esperava que sim.

Seria o primeiro aniversário deles que comemorariam de fato desde que... desde que seu pai morreu, mas sua mãe não iria vim. Não tinha como ela chegar depois de seis horas de atraso. Seis horas! Não eram dez minutos, não era uma hora, eam seis horas de atraso!

Julie levantou-se e os olhos de todos a acompanharam... E então voltaram para ele — Luke sentiu a pressão que os olhos deles faziam, o "vá atrás dela, idiota!" que todos os seus amigos pareciam exigir com aquela intensidade de olhares, como se dissessem que ele poderia se envolver, ele deveria se envolver, que Liz também era a mãe dele e era aniversário dele e... Luke podia concordar com Julie ou defender Liz ou... Ou o que quisesse fazer.

Luke tinha direito a isso.

Luke queria não ter.

Ele não queria concordar com sua irmã ou defender sua mãe, ele queria comemorar seu aniversário com elas, com seus amigos, com seu pai...

Luke seguiu Julie.

—Hum... Eu tenho certeza que mamãe vai chegar daqui a pouco – disse, não acreditando nem um pouco no que dizia. – Ela disse que viria, então ela vai vir.

—Oh, Deus, Luke! Mamãe não vai vir! – gritou Julie, voltando-se para ele. – Ela não vai vir! Pare de ser um idiota, porra, e arranjar desculpas para ela! Ela não vai vir! Foda-se ela!

—Julie... — disse ele, parando na metade do caminho.

Luke queria abraçá-la, queria dizer que tudo iria ficar bem, que tudo estava bem, que não era o fim do mundo sua mãe não ter aparecido, que seria o fim do mundo se ela não fosse uma fada, mas aquela não era Julie.

E era.

Julie não gritava assim, mas falava o que queria. Julie não se irritava com algo por uma razão justificável, mas talvez ela não estivesse irritada com o que Luke achava que era. Julie não falava palavrão, mas ela estava com raiva e fazia o que chorava. Julie não chorava... E naquele momento, os olhos dela brilhavam de uma maneira incomum.

Luke não sabia o que dizer, o que sua irmã queria ouvir... O que deveria fazer.

—Ela não vai vir – murmurou Julie, dando as costas ao seu irmão e percebendo que ela não iria realmente vim.

Sua mãe não iria vim.

Luke observou a realização tomar conta da sua irmã, os ombros dela abaixaram-se, a mão esquerda tremendo violentamente, sua mão direita segurava uma xícara (quando ela tinha pego?) e então... sangue.

—Julie — ofegou Luke, aproximando-se de sua irmã assim que viu.

Sangue escorria entre os dedos dela, saindo da ferida recém feita; cacos de vidro estralaram ao cairem da sua mão para a pia quando ela esticou os dedos e...

—Está doendo? – perguntou Luke, observando as lágrimas que escorriam pelo rosto dela, intrigando quanto o verdadeiro motivo.

Julie chorava por dor física ou emocional? Talvez os dois. Talvez nem um. Sua irmã parecia hipnotizada pelo sangue, como se ele fosse quente e estivesse aquecida pela primeira vez na sua vida; parecia que ela não sentia dor.

—Nãããooo, imagina – ironizou Julie, levantando a cabeça para o seu irmão. – Está ardendo, merda — xingou ela, olhando-o como se dissesse "faço algo quanto a isso!".

Luke quase suspirou de alívio ao pegar a mão dela e colocá-la debaixo da água se não fosse um desrespeito à imagem da sua irmã sangrando na sua frente, porque... Era Julie. Aquela era Julie. Julie, Julie, Julie e ela estava xingando.

—Qual é a dos palavrões agora?

—Estou me sentindo revoltada com a vida. E isso inclui utilizar palavrões, caralho.

—E sem repetir?

—Exatamente – concordou Julie. – Cassilda.

—Cassilda? – repetiu Luke, retirando a cabeça de dentro do balcão para olhá-la. Aquela era velha. – Essa é velha. E eu duvido que você consiga continuar desse jeito por mais tempo.

—PQP — desafiou sua irmã.

Luke sorriu, agradecendo por seu resto está escondido, antes de respirar fundo e tentar ser impassível, tentar estar irritado com sua mãe e ao lado da sua irmã -não era difícil. Luke levantou-se, segurando uma faixa.

—Você realmente está irritada com ela, né?

—Onde você quer ir? – perguntou Julie ao invés disso. – Não é porque ela não vem que eu não vou comemorar, malaka. Hoje é meu aniversario.

—Ontem – corrigiu Luke, pacientemente – foi o nosso aniversario.

—Onde você quer ir? – repetiu Julie, impaciente. – Aproveite que estou me sentindo inclinada a seguir seus gostos, cacete.

—Hum... – pensou Luke, enquanto enfaixava sua mão. – Shopping.

—Shopping? – ecoou ela, ainda um pouco desnorteada com todas aquelas voltas ao redor da sua mão. – Nós vamos a um shopping?

—É. No shopping tem de tudo. Comida, cinema, jogos, comida... Eu já disse que tem comida? Comida? — repetiu, quando não teve uma reação. — Julie? — chamou, preocupado. Ela tinha perdido tanto sangue assim? Porque sua irmã parecia pálida. — Algum problema?

Ela o olhou aterrorizada.

—Luke — piscou Julie. — Eu quebrei.

—Ok... — disse ele, lentamente. — Tudo bem...

—Não, você não está entendendo. — Ela balançou a cabeça. — Eu quebrei — repetiu fervorosamente, apontando com a cabeça para o que tinha quebrado. — Eu quebrei.

Luke seguiu a direção dos seus olhos.

—Oh, merda.

A xícara de Calum.

Em pedaços.

Bem pequenos.