querendo enganar

setembro, dois dias depois

Tudo que Luke conseguia ouvir era "derrube-a da cama" num eco fantasmagórico que pertencia a sua mãe -era por isso que ele não gostava de receber chamadas dela, Liz sempre plantava idéias malignas que ele não conseguia retirar depois. Se bem que... ele poderia...

Não, Luke pensou firme. Ele não iria derrubar sua irmã fofa e adorável da cama, ele não conseguia... Sim, ele conseguiria. Quem Luke estava querendo enganar?

Luke observou-a dormindo pacífica e profundamente e sabia que Julie não iria nem perceber que foi empurrada — ele ainda conseguia se lembrar de quando ela havia rolado e rolado e caído da cama, de ter sentado, piscado confusa e atordoada, e então voltado a se deitar na cama sem pensar muito no que aconteceu.

Luke esticou os braços, sentindo os dedos formigando e tocou na sua irmã, aproximando-se para tomar impulso e empurrá-la e...

Os olhos de Julie encarava-o sem piscar, nenhum pouco sonolentos, embora ela estivesse completamente atordoada.

—O que você está pensando em fazer? -murmurou. — Talvez eu te ajude.

—Hã... Não. — Luke afastou-se. — Nada. Esqueça. — Ele riu. — Ha ha ha.

—Isso é mais falso do que nota de três reais — comentou ela.

—Hum-hum. — Calum concordava.

—O que você está fazendo aqui? — chiou Luke, assustado, virando-se para encontrá-lo na porta do quarto, pairando como um anjo vingador.

—Ele está pensando em te empurrar.

Ou traidor.

—Traidor! — sibilou. — É mentira — disse para sua irmã.

—Impressionante como sua primeira reação foi acusar Calum — disse Julie, impressionada por não estar impressionada. — Você deveria ter vergonha, Calum.

—Eu não... — começou Luke. Até que se deu conta do que estava sendo dito. — O que?

Calum estava muito em choque para se pronunciar. Principalmente porque Julie tinha razão e o simples fato dela ter era motivo de vergonha. Por que ele tinha dito isso? Julie não precisava saber e ele não precisava dedurar Luke!

—E-eu — gaguejou ele.

—Calum! — gritou Kora lá debaixo. — Tem alguém aqui que...

—Já vou! — interrompeu o próprio, grato. — Eu tenho que ir.

—Bom — disse Julie. — E pense sobre seus atos, mocinho! — gritou ela. — Crianças. — Suspirou, balançando a cabeça. — São todas iguais.

—Mamãe disse — começou Luke.

—Eu sei — interrompeu Julie.

—E que...

—Eu sei.

—Eu espero que você...

—Eu... Oh, isso eu não sabia — ela franziu a testa — mas é bom saber que você espera o meu mal, Luke.

Seu irmão sorriu inocente, como se dissesse "eu nunca faria isso", como se os dois não soubessem que ele faria. Quem ele estava querendo enganar? Julie podia não ter a melhor memória do mundo, mas ela com certeza lembrava-se de como ele tinha forçado-a a cair da cama depois de ter girado e girado e deixado-a na ponta dela — era ele ou ela e enquanto Julie decidia, a gravidade cansou de esperar e ela caiu.

Ela era tão boa que chegava a doer.