Pedaços Transformados

2 Q U E M V O CÊ F O I?


Notas iniciais
Antes de tudo vamos a alguns avisos (não pule, é sério): 1-Caso não tenham percebido, essa é uma história entre dois garotos, então se você tem algum problema com isso (não vamos nem falar em qual é o seu "problema") não leia, ninguém está te obrigando a nada. 2-Eu pretendo tratar de alguns assuntos que não vou dizer quais são agora, e eu não vivi isso para saber como é, eu sou cis, mas se você sabe como é e quiser me ajudar, eu me sentirei grata, mas se você não quer nem saber, não leia. Repito: ninguém está te obrigando a nada. 3-Como disse antes, sou cis e nunca passei por isso, então posso não saber falar direito ou diga algo errado, mas se você de alguma forma se sentir ofendido, constrangido, comente ou me mande uma mensagem no privado que eu avaliarei o caso de forma mais neutra que eu conseguir. 4-Espero que gostem. 5-Oh, e, ah, é bom deixar claro antecipadamente que atualmente essa parece ser a história mais curta que eu já fiz – eu pretendo fazer uma one-shot futuramente, mas muitas coisas precisam acontecer para que ela venha a existir... A questão é, até agora, eu vejo Caluke como um romance caseiro, não simples, mas completamente fofo e fácil. Eles se amam e fim. Por isso, não consigo imaginar drama para eles, (Vai ter drama? Vai!!!! Mas...) é apenas uma história de como eles descobriram que estavam apaixonados. Capítulos curtos, aqui vamos nós!

QUEM VOCÊ FOI?

LUKE, 16 ANOS.

Se existia algo que Luke não gostava – realmente, realmente não gostava – era estar sobrando, ser vela numa relação. Ficar vendo declarações amorosas, gestos carinhosos, apelidos horrorosos? Não. Especialmente quando essa relação envolvia sua irmã.

Luke não queria nem pensar em sua irmã namorando, não queria nem pensar em sua irmã namorando o idiota que ela namorava. Ele gostava de Ashton, apesar de tudo ele gostava, porque Ash nunca tinha feito nada contra sua irmã, era um bom amigo, deveria ser um bom namorado, mas Luke não queria nem pensar em sua irmã namorando, seja com Ashton ou qualquer outro. Sua irmãzinha só tinha 16 anos! Ela não deveria estar namorando! E ele não deveria estar de vela!

—Você vai parar de mau humor? – perguntou Julie, sua irmã, acotovelando-o.

—Você vai parar de namorar?

—Hum – pensou ela, seriamente. Luke conseguia ver as engrenagens girando, a balança metal da sua irmã pesado os prós e os contras de terminar um namoro. O namoro dela. – O que eu ganho? Eu queria o terceiro livro daquela série que vai sair...

—Julie! – reclamou Ashton. – É sério?

—Claro que não – respondeu ela, revirando os olhos. – Eu não te trocaria por nada... A não ser pela série completa. O que? É a crise! Estou sem dinheiro!

—O que eu estou fazendo aqui? – clamou Luke aos céus. – Eu não estou fazendo nada, nada a não ser ser uma vela.

E, como uma boa vela, Luke Hemmings estava no meio, realmente no meio, dos dois, como se atuasse como a dama de companhia. Luke não entendia como ele tinha acabado assim. Eles apenas tinham começado a andar e parecia tão natural estar entre ambos – Luke sempre achou melhor se precaver, embora Ash não fosse o tipo da sua irmã (sua irmã nem tinha tipo e agora isso!) – que demorou um pouco para Luke perceber o que acontecia, não que o casal de pombinhos tenham tentado ficar perto um do outro.

Luke nem via grande diferença no comportamento deles desde que começaram a namorar, mas eram como se as pequenas coisas estivessem em negrito e ele se perguntava agora como nunca percebeu antes como os dois estavam apaixonados. Não que os maiores interessados tivessem percebido, entretanto Luke tinha esse dever como irmão mais velho e agora falhava.

—Esse é um conceito tão antigo... – começou Julie.

—Antigo seria um castiçal – interrompeu Ash.

—E presente hoje em dia – completou Julie, balançando a cabeça em acordo as palavras do namorado. – Acho que vela seria atemporal, não? Castiçal é antigo, lanterna é moderno, vela fica entre os dois.

—Não acho que vela seria...

—Você está acompanhando ela? – interrompeu Luke. – Você está ajudando-a nesses delírios?

—Você me acompanha nos meus delírios.

—Eu sou seu irmão!

—Namorado – apontou Julie para Ashton, que balançou a mão em reconhecimento.

—Eu venho primeiro! – exclamou Luke.

—Segundo.

—Oi? – interrompeu Ashton. – Eu estou aqui.

—Calum vem em segundo – discordou Luke. E ficou ofendido por seu melhor amigo quando Julie teve a coragem de pensar mais uma vez seriamente. Ela não deveria pensar! Esse era o tipo de coisa que você não pensava!

Calum era o amigo mais antigo deles – e não é como se tempo importasse para determinar qualidade de uma amizade, mas com Calum isso só acentuava. Era errado pensar em Calum como alguém não importante na vida deles, porque ele esteve presente por tanto tempo que Luke sentia-o como um pedaço seu. Qualquer lembrança que Luke tinha, qualquer momento aleatório da sua vida, havia sido compartilhado com sua irmã e seu melhor amigo. Como Calum podia não ser importante?

—Terceiro – decidiu Julie finalmente. – Ashton vem em terceiro, satisfeito? Ele não está no topo da minha lista e também não é o último. Lugar perfeito.

—Me sinto tocado por vim depois de Calum – disse Ashton. – Obrigado.

—Disponha... Mas estou pensando em colocar Calum na primeira opção.

—E eu seria o segundo?

—Terceiro – disse Julie firmemente. – Luke vem em segundo.

—Eu sou o terceiro não importa o que?

—Que bom que você entendeu.

—Por que você está me trocando por Calum? – perguntou Luke, sem entender como eles tinham acabado assim, quando sua posição caiu de primeiro para segundo. Logo segundo! Antes terceiro!

—Ninguém troca ninguém, Luke, você deveria saber. Calum fez por onde e alcançou o primeiro lugar...

—Há pouco tempo atrás você não se lembrava nem dele.

—Há pouco tempo atrás você estava em primeiro. E eu não aceito opiniões de quem está em segundo. Eu não gosto de segundos.

—Apenas de terceiros – opinou Ashton.

—Como você adivinhou? – gritou Julie, surpreendida.

—Bem... – começou Ash sentindo-se estranhamente animado e um pouco confuso por aquela reação exagerada ao mesmo tempo.

Ele esperava uma reação desse tipo de sua namorada, mas não uma reação desse tipo de sua namorada. Julie parecia verdadeiramente surpreendida e animada e não sarcasticamente surpreendida e animada.

Luke balançou a cabeça, prevendo as próximas palavras da sua irmã e continuou andando, deixando-os para atrás – mas não muito atrás para não deixar Ashton com pensamentos inapropriados. Ou Julie. Luke não queria nem pensar em sua irmã tendo pensamentos inapropriados, embora soubesse o quão pura ela era... Sem piada.

—Meu número favorito é três e qualquer variação do mesmo! Tipo, eu adoro um e dois juntos porque dar três...

—O que? – Parou Luke.

—Isso é uma indireta? – questionou Ashton, olhando para seu cunhado em busca de resposta.

—Hum? – murmurou Julie, balançando a cabeça entre ambos com a sensação de não saber algo. – Do que vocês estão falando?

—Nada – interrompeu Luke. – Nada – repetiu ele, dando um olhar de aviso a Ashton.

—Você acha mesmo que Julie vai acreditar em algo depois de ouvir "nada"? – questionou Ash, ignorando-o.

—É claro que eu vou – interrompeu ela. – Porque quem disse isso foi Luke. Luke não mente. Não para mim. Você está mentindo?

A pergunta de sua irmã não era nem uma pergunta, não porque Luke precisou pensar nela (ele não pensou, ele não queria), mas porque sua irmã sabia a resposta, porque sua irmã acreditava mais nele do que qualquer outra coisa, mais do que em si mesma – mesmo que Luke não tivesse tanta confiança em si quanto ela tinha nele, mesmo que não soubesse a resposta para aquela pergunta.

—Não – disse Luke ao mesmo tempo em que queria dizer "sim". Ou "talvez". Ou "não sei". Ele não sabia.

Bem, ele e Calum não tinham nada, nada a não ser amizade, mas não era isso que sua irmã não sugeriu e ele pensou que sim; que seu coração pulou e se assustou e se animou. Luke não tinha nada com Calum, mas ele não sabia... O que era aquele sentimento de que ele mentia para sua irmãzinha? Aquele de não estar dizendo a verdade, toda a verdade?

Luke queimaria no mármore do inferno se estivesse num julgamento, jurando com a mão na bíblia; o polígrafo mostraria claramente essa mentira que Luke sabia que existia, embora não soubesse qual era. Luke não... Luke ainda não queria pensar sobre isso e graças a Deus seu telefone tocou.

Movendo a mão para o bolso da sua calça, a de Julie chegou primeiro e atendeu com um animado "oi, mãe!", mas sua expressão rapidamente se tornou desconfiada ao perguntar "por quê?".

—O que? – questionou Luke.

—Sim, estamos todos aqui – disse ela. – Eu, Luke e Ash. Sim, sim... Não! O que?! Hospital?! Você quer dizer hospital, hospital? Hospital doente? – perguntou ela devagar para não deixar duvidas.

—Quem está doente? – questionou Luke, resistindo ao impulso de tomar o telefone, principalmente quando sua irmã deu-lhe as costas e o segurou mais firmemente.

—Mãe! – reclamou Julie. E ficou calada, ouvindo.

Antes que pudesse pensar no fazia, Luke já estava se movendo e puxando o telefone das mãos fracas dela. Julie ficar calada, ouvindo, categorizava aquele momento como Apocalipse em Andamento. Sem chance de sua irmãzinha ficar calada. Sem chance dela estar ouvindo alguém. Sem chance de sua mãe estar doente.

—Mãe – disse Luke. – Mãe? – mas ela já tinha desligado.

—Você não pode estar falando sério... – murmurou Julie, buscando o olhar de Luke. – Sério?

—O que mamãe disse?

—Por que agora? – perguntou Julie, não falando com ninguém específico, não olhando para ninguém. Para nada. – Não que depois fosse ser melhor, mas... Por que isso está acontecendo? Tudo estava indo tão bem e agora... E agora isso.

A confusão de Julie normalmente era adorável, o fato dela ter corrido para os seus braços e o abraçado voluntariamente teria sido animador... se sua irmãzinha não se comportasse assim. Julie não abraçava alguém sem motivo, não se agarrava a ela como se sua vida dependesse disso, tremendo como se estivesse abordo do naufrágio do Titanic, mas foi o que ela fez ao colocar as mãos ao redor da cintura de Luke, abraçando-o e tremendo tão fortemente, que ele esperou por lágrimas ou risos, entretanto nenhum venho.

Julie tremia sem dizer uma palavra, sem fazer um som, e o fato dela estar guardando tudo que acontecia para ela era preocupante, porque Julie dizia tudo que a preocupava antes mesmo de ter tempo para se preocupar, evitando preocupações desnecessárias.

—Julie – disse Luke, preocupado. – O que houve?

—Mamãe – disse ela, levantando a cabeça. Olhos úmidos e assustados, avaliou Luke. – Mamãe, ela disse que o Calum...

—Calum? – perguntou Luke, preocupado. Ele pensou que fosse sua mãe, não Calum. Não que isso fosse algo melhor, mas com Liz podia ser um acidente doméstico, não com Calum que era sempre tão cuidadoso.

—Ele está no hospital – disse Julie, repetindo as palavras que ouviu, tentando não assimilá-las, não entender o que significava. Mas Luke sabia o que era, o que todos eles tentaram esconder, fingir que não viam.

—Não deve ser nada, Julie – disse Ash, colocando a mão no ombro dela.

—Você não entende – murmurou ela, balançando a cabeça. Luke sentiu os próprios olhos encherem-se de lágrimas, porque ele entendia o que acontecia. – Calum está ficando mais magro, manchas começaram a aparecer na pele dele, e hoje ele desmaiou.

—Desmaiou? – repetiu Luke, sentindo a culpa rastejar para dentro de si. Isso não podia estar acontecendo. Isso não teria acontecido se ele não fosse tão protetor com Julie e tivesse deixado-a sozinha com Ashton ao invés de tê-los seguido para o mercado e deixado Calum sozinho em casa.

—Certo – disse Ashton. – Isso não é bom, mas...

—Isso não é bom? – Julie riu mesmo sabendo que Ashton não tinha culpa. Não era culpa dele se ele não sabia. – Os médicos estão fazendo um exame para saber se ele tem câncer.

—Can...

—Malia também tinha.

—Malia? Sua... amiga? – perguntou Ash, devagar. Julie não falava muito de Malia, mas isso não era algo que ele esperava.

—Ela morreu – completou Julie.

—O que isso tem a ver com...

E então Julie disse as palavras que não podiam, que eles tinham jurados silenciosamente nunca dizê-las, e Luke percebeu o quanto aquilo era importante, o quanto aquilo era sério – e perigoso. O quanto aquela situação era algo que Luke nunca mais queria viver, não queria que sua irmã e seu amigo, sua família, vivessem.

—Malia era a irmã gêmea de Calum – disse Julie pela primeira vez em muitos anos.

Luke não aguentaria perder mais uma pessoa da sua vida, não depois de ter visto Malia ser arrancada aos poucos e seu pai repentinamente. Calum não podia ser o próximo; não Calum, não seu melhor amigo.

Notas finais
Drama? Alguém disse "não vai ter drama"? Bom. Fatos: Isso não é sobre Julie e Ashton, se alguém quiser... Propaganda detectada! P.S. Alguém esperava pelo fato da Malia ser irmã gêmea de Calum?